Nightingale.
28 I bet I could.
Notas iniciais
"I'm never gonna leave, so put your hands up, if you like me, then say you like me"
Eu não lembro a que horas cheguei a casa. Recordo vagamente que Percy ficou rodeando a cidade por algum tempo até que estivesse tão tarde, que tivéssemos certeza que todos estariam dormindo.
Atravessamos os portões em silêncio, sem risadinhas. Apenas com o braço dele sobre meus ombros e meus braços rodeando sua cintura, tentando espantar o frio que pousava sobre minha pele. As portas estavam fechadas, ou seja, tínhamos duas opções: subir pela escada do lado e entrar pela minha sacada ou acordar Mary para que abrisse as portas dos fundos.
E é claro que ignoramos a segunda opção.
Atravessamos o jardim, ouvindo o ruído de nossos tênis sobre a grama aparada. Ao lado da casa, tinha aquela escada de emergência. Com aquela cor enferrujada e a cada degrau que eu subia, rangia ainda mais. Temi que minha mãe ouvisse e nos encontrasse aqui. Meu coração batia forte contra meu peito, como se a qualquer momento fosse escapar da minha caixa torácica, parei de suar assim que pulei em minha sacada com um baque surdo. Ajudei Percy a subir com a mínima força que me restara e nos encontramos juntos no carpete.
E então, acabamos nos beijando, caindo sobre minha cama e eu dormi antes que ele ou eu pudéssemos tentar algo mais.
É, muito broxante, eu sei.
Mas, hoje, eu estava determinada a recompensá-lo de todas formas imagináveis.
Abri os olhos, me espreguiçando e dando um sorriso ao sentir o sol morno atravessar a janela e dar de encontro com meu corpo seminu coberto por um edredom. Tateei a cama ao meu lado, abrindo os olhos, surpresa, ao não encontrar Percy ali. Deitado ou babando.
Sentei-me com pressa, estranhando seu sumiço.
Pára, Annabeth, sua idiota. Respirei fundo algumas vezes, talvez ele só acordou cedo e se cansou de ficar deitado.
É claro.
Joguei minhas pernas para o lado esquerdo, entrando em contato com o chão frio e me rastejando até o banheiro. A água fria me acordou para o mundo real, deixei a água atravessar todo meu corpo, agradecendo pelo trabalho que ela fazia ao carregar todo aquele cansaço e stress babaca que sofri ontem.
Pus um vestido de mangas curtas vermelho e deixei meus cabelos molhados para lado. Saí do quarto e não vi ninguém no corredor, desci as escadas e me deparei com Mary lavando os pratos.
– Bom dia, Mary. – cumprimentei, pegando uma maçã e dando uma mordida – Que horas são?
Ela verificou o relógio de pulso.
– Dez horas, menina. Quer um café, salada de frutas, cookies... Sua mãe comprou donuts, mas não recomendo que você os coma.
Sorri e agradeci quando ela despejou a salada de frutas em um pote cinza.
Decidi ir até a sala de estar e tomei um susto.
Afrodite que desapareceu por um tempo estava pulando de um lado para o outro com roupas de ginastica coloridas, acompanhando os movimentos de um cara que dançava na televisão. Seus cachos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo e ela tentava dançar estilo Beyoncé. Ri e sentei-me no sofá abaixo da janela.
– Vamos, Annabeth! – ela mexeu o rabo de cavalo, fazendo círculos com a cabeça
– Não, estou bem, tia. – agradeci ainda com um sorriso depositado no rosto – Onde está minha mãe?
– Ah... – ela começou a fazer movimentos com os braços, descendo sobre os pés – Ela foi trabalhar, ela estava tão nervosa! Ela me deixou aqui para cuidar de você... – Afrodite rebolou e deu pulos para lados opostos – Mas você não precisa disso, você está em Califórnia, baby! Ok, um, dois... Gira!
Dei mais uma colherada em minha salada de frutas e encarei a janela, o dia ensolarado lá fora. Sam ainda não havia voltado. Eu estava, definitivamente, muito preocupada com minha prima.
Luke e Ethan não tinham aparecido e eu não tinha visto Nico desde ontem, bem, ele não sairia por aí. Provavelmente, ele ainda estaria dormindo ou ido atrás de sua namorada, quem sabe.
– Nico... Sabe onde Nico está, tia?
Afrodite deu um pulo perfeito decente de bailarina, depois rodopiou até mim, deixando o pé com ponta para frente e deu um sorriso, orgulhosa.
– Ah, eu o deixei na casa de Zeus ontem. Não sei como ele está se saindo, mas eles são um casal tão lindo, não concorda?
Assenti, distraída.
Olhei mais uma vez pela janela, vendo a trilha de pedras que nos levava até os portões prestando atenção em duas pessoas pela primeira vez.
Duas pessoas abraçadas.
Forcei meus olhos a identifica-las e pude ver uma cabelereira ruiva que eu conhecia muito bem, ela sorriu... De costas, estava um moreno – Percy.
Ele podia brigar comigo por que alguns meninos deram em cima de mim e ele podia se despedir da ruiva em minha área? Idiota.
– Certo! – Afrodite bateu palmas e tirou o DVD da televisão – Quer fazer compras comigo, querida? Estou entediada.
– Quando Silena vai chegar? – perguntei sem desviar a atenção do casal lá fora
– Ah, ela vai passar mais algum tempo com o pai. – suspirei – Acho que ela nem vai voltar. Vai comigo?
– Podemos deixar para amanhã, tia? – pedi, com um sorriso de desculpas
– Tudo bem. – abanou a mão, indiferente – Vou comprar um vestido novo para você. Ou você prefere algo mais ousado?
– Ousadia é tudo. – dei um sorriso ao vê-la sumir pelo corredor
Verifiquei mais uma vez a situação lá fora e vi Percy acenando para ela enquanto a ruiva entrava em um carro preto. Ele continuou lá fora até quando perdi o carro de vista, o vi bagunçar os cabelos usando aquela regata branca super sexy que caia perfeitamente em seu corpo o que me deixava com mais raiva.
E agora, não tinha ninguém mais além de Mary, eu e ele naquela casa.
Não conseguia definir se aquilo era bom ou ruim
Percy virou-se e estreitou os olhos, sorrindo e acenando para mim. Sentei-me no sofá, como uma criança birrenta, terminando minha salada de frutas.
Em poucos minutos, ele atravessou toda a trilha e abriu a porta.
– Oi, Annie. – cantarolou, jogando-se no lugar ao meu lado, encarando-me com as faces coradas e as mãos atrás da nuca – Está aí há muito tempo?
– Tempo suficiente para chorar com a cena de despedida.
Ele riu, não do jeito tenso de ontem, mas do jeito descontraído e divertido.
Talvez, eu estivesse começando a entender o quanto Rachel era especial para ele.
– Você sabe, ela é minha amiga. Vou ficar algum tempo sem vê-la.
– Bom saber, mas, infelizmente, eu não perguntei.
– Vou tratar isso como um bom dia. – ele murmurou desanimado, levantando-se
Suspirei, sentindo-me culpada por afastá-lo mais uma vez.
– Sabe onde Luke está?
Percy flexionou os ombros e virou-se para mim.
– Na casa dele, eu acho.
– É porque... Sei lá, tem um velho tentando nos matar, então eu pensei que todo mundo estaria empenhado a fazer o mesmo.
– Todo mundo esqueceu que aquele episódio aconteceu. – Percy veio até mim e inclinou-se sobre meu rosto, segurando minhas bochechas com as duas mãos – Você deveria fazer o mesmo. – seus olhos se intercalaram entre minha boca e os meus olhos.
Inclinei-me sobre sua boca, juntando nossos lábios em um beijo calmo e lento. Sentindo sua língua explorar qualquer parte intocada de um jeito gentil, seus dedos acariciaram todo meu rosto enquanto eu arqueava minhas costas para encostar seu corpo e ele se ajoelhava a minha frente, ficando entre minhas pernas. Afundei meus dedos em seus fios levemente molhados, testando a espessura deles, agarrando-me ao fato de que estávamos sozinhos e podíamos fazer qualquer coisa que quiséssemos.
– Sabe que não precisa se preocupar com aquilo, não é? – sussurrou, assim que nos separamos
Seus olhos ainda estavam fechados enquanto eu analisava cada parte de seu corpo, desde os fios caídos sobre a testa até seus lábios entreabertos e o queixo esculpido.
Não respondi, balancei a cabeça e voltei a beijá-lo. Apertando sua nuca enquanto nosso beijo começava a acelerar, procurando cada vez aquele ponto em que perderíamos a sanidade e estaríamos jogados pela sala, dando vários amassos até que estivéssemos sem roupa e prontos para mais um round.
Percy me empurrou gentilmente e deu um sorriso.
– Sabe, você dormiu ontem. Achei muito chato. – apoiou as mãos nos joelhos, levantando-se com elegância de sempre
Corei, me sentindo uma boba.
– Eu sei. – murmurei, cruzando os braços e cruzando as pernas – Me desculpa, eu estava muito cansada.
– Nem parecia que estava com esse gostosão aqui. – bateu em minha coxa com força, mexendo o dedo para que eu me levantasse
Assim o fiz, levantei, ainda de braços cruzadas com um misto de raiva por ele ter quebrado o beijo e agora ter me batido, ele sentou-se no lugar que eu estava todo largado.
– Agora, senta aqui.
Deixei um riso escapar, enquanto sentava em seu colo, passando os braços ao redor do seu pescoço.
Percy sorriu – um sorriso grande e feliz. Afagando meus cabelos e colocando alguns fios secos atrás de minha orelhava enquanto me observava acariciar seus ombros largos, que eu amava, à propósito.
– Agora coloca um filme bem clichê e vamos agir como um casal normal, o que acha?
Ri novamente, lhe dando um selinho.
– Não somos um casal normal. – protestei, esticando-me para pegar o controle e não sair de seu colo – Nem somos namorados.
– Não seja por isso. – ele tentou me empurrar de seu colo, porém me segurei ainda mais em seu pescoço
– Ah, não, depois você faz o teatro de adolescente-clichê-romântico-e-inglês. – resmunguei
Percy riu e beijou a curva do meu ombro enquanto eu colocava um canal qualquer, me virei encontrando seu rosto abaixado e seus lábios formados em um beicinho, prontos para mais um beijo, sorri e segurei seu rosto com minhas mãos, acariciando suas bochechas. O moreno sorriu, fechou os olhos e virou um rosto, depositando um beijo rápido na palma da minha mão.
Aproximei nossos rostos e inspirei seu perfume: uma mistura de algum perfume inglês com aquela maresia natural. Perfeito.
– Odeio seu jeito de ser um típico namorado fofo.
– Eu adoro o jeito que você me odeia. – fechei os olhos, sorrindo
Ele encostou nossos lábios e continuamos assim por um bom tempo.
Muito tempo, na verdade. Nos deixando cair sobre o tecido macio do sofá, com ele por cima de mim enquanto nos beijávamos loucamente, como aqueles adolescentes do colegial virgens.
E, infelizmente, eu estava adorando isso.
***
Devia ser meio dia quando eu finalmente consegui ficar sentada em cima do colo de Percy, com as mãos ao redor de seu pescoço, arranhando seu couro cabeludo, ouvindo seu gemido rouco enquanto sugava a pele da curva de seu ombro com força.
E então, a campainha tocou.
– Fica aqui. – ele apertou as mãos na minha cintura, chocando nossas intimidades
Suspirei, negando um gemido.
– Talvez seja a Thalia... – sussurrei
– A Mary vai atender...
– Percy. – resmunguei e depois de alguns segundos de guerra, ele me deixou sair
Cambaleei, ouvindo sua risada, vendo-o relaxar com as mãos cruzadas atrás da nuca. Mandei língua para ele, respirando fundo para recobrar minha sanidade e olhei para trás, assim que ouvi passos.
– Pode deixar que eu atendo, Mary.
– Menina, é uma mulher querendo falar com o Sr. Jackson.
– Pode me chamar de Percy, Mary. – ele disse, como se estivesse cansado de repetir isso
Mary revirou os olhos.
– Deixe-me atender, talvez, eu possa fazê-la ir embora.
Abanei a mão, indiferente.
– Pode deixar, eu dou conta, Mary. Talvez, seja a ex dele. – resmunguei
A senhora deu de ombros, despreocupada, virando as costas e voltando para os fundos. Fiz uma carranca, vendo Percy sorrir, mudando os canais da televisão. Abri a porta, encostando-me rapidamente na soleira, tendo uma pose de superioridade.
No entanto, não foi uma cabelereira ruiva com sardas expostas acima do nariz e olhos verdes mais claro do que o garoto relaxado no sofá.
Me deparei com uma mulher – em volta dos quarenta anos – com um blazer de empresária e jeans, ao seu lado, uma menina com cabelos castanhos claros em uma trança bem elaborada de lado parecia tímida em seu vestido de verão azul, os olhos cor de musgo piscando rapidamente, como se quisesse voltar pela trilha.
– Hm, oi. Aqui é a casa dos Chase... Você deve ser uma das clientes da minha mãe, mas...
– Ah, não, querida, eu não quero falar com sua mãe. – ela deu um sorriso grande, bondoso, que me transmitiu uma grande calmaria
Encarei a menina que aparentava ter a mesma idade do irmão mais novo de Thalia, talvez uns seis ou sete anos. Voltei a encarar a mulher que parecia procurar as palavras certas para falar alguma coisa.
– Algum problema aí, Annie? – Percy gritou, inclinei-me para trás – Mary disse que alguém queria falar comigo. É a Rachel? Não seja malvada com ela. – debochou
– É o Percy? – a mulher perguntou, inclinando-se
Coloquei-me a frente dela, rapidamente, com medo do que ela poderia fazer. Talvez ela fosse mandada de Jack, mas ela tinha uma menininha que se assemelhava com ela. Os cabelos castanhos claros eram da mesma cor, a mulher tinha um corte Chanel valorizada em seu cabelo cheio. Em seus pés, scarpins que aparentavam ser muito caros. Tentei olhar por cima do seu ombro e ver em que carro ela veio, porém não vi muita coisa além dos portões.
– Eu acho que a senhora errou de casa.
– Certo. – ela afagou o topo da cabeça da menina – Eu sou Sally Blofis... Mãe do Perseu.
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