Nightingale.
29 Chasing after.
Notas iniciais
"Feelings you can't deny that you're living open up your eyes"
Eu fiquei em dúvida em cair dura no chão ou chamar Percy para ele pular de felicidade, se bem que eu não teria tanta certeza se ele faria isso.
Sally sorriu e acariciou os ombros da pequena ao seu lado.
– Essa é Kaya, irmã dele. Pode chama-lo agora?
Respirei fundo e dei dois passos para trás, vendo Percy levantar-se e vir em minha direção assim que viu meu olhar para ele.
– Aconteceu alguma coisa? – ele apertou minha cintura, sem dar a mínima para a pessoa do lado de fora e acariciando minha bochecha, sua expressão tornou-se meio raivosa – Olha, quem quer que você seja... – sua frase parou no ar
Sua mão apertou ainda mais minha cintura, reprimi um gemido de dor, senti suas unhas curtas afundando em minha pele. Com a mão livre, Percy passou as mãos pelos cabelos e apertou a nuca, dando um passo, inseguro para atrás.
– Você... Como... Como você...
Sally sorriu, dando vários passos seguidos e abraçando-o com força.
Um reencontro de mãe e filho.
Eu não sabia o que fazer. Deixá-los sozinhos seria bom, porém neguei para mim mesma ao perceber que a mão de Percy ainda me prendia a ele, segurando minha cintura, como se nunca fosse soltar embora o outro braço ainda apertasse a mãe com a mesma intensidade.
– Senti tanto sua falta, meu filho.
Vi Percy fungar, rastros de lágrimas caindo sobre sua bochecha.
Um eterno bobo. Sorri com meus pensamentos, sentindo sua mão deixar minha pele e abraçar a mãe com ainda mais força. Afastei-me dele, encarando a menininha que queria correr dali, porém se mantinha com uma expressão medrosa, com as mãos inquietas em frente ao seu vestido que rodopiava devido a brisa.
Percy ainda falava coisas baixinhas para a mãe, tentando secar as lágrimas que caiam sobre seus olhos. Como ele podia chorar e continuar extremamente lindo com aquelas bochechas coradas, o nariz vermelho, o rosto pálido e os lábios bem mais vermelhos que o normal.
Apoiei-me sobre os tornozelos, encarando a garotinha que deu um pulo ao perceber que eu estava perto o bastante para machuca-la.
– Calma... Meu nome é Annabeth... Qual é seu nome mesmo?
– Kaya. – murmurou, baixinho
Estendi minha mão e ela a encarou, desconfiada, depois de algum tempo, ela a apertou.
– Ela é sua mãe, certo?
Kaya assentiu, cruzando os braços, fazendo uma expressão de durona que me lembrou Percy. Ri.
– Ele é seu irmão?
Ela deu de ombros.
– Não sei... Meu papai disse que ele era.
– É? E quem é seu papai?
Ela franziu os lábios, pensando se deveria falar, e continuou calada. Virei-me para Sally e Percy que já estavam separados, ela com um sorriso e ele, sério.
Levantei-me e fui ao seu lado.
– É sua mãe. – apertei sua cintura, dando um abraço de lado – Estávamos falando sobre você ontem. Eu sou Annabeth, desculpa por não ter me apresentado da melhor maneira possível. – sorri, erguendo minha mão
– Não se preocupe, querida, e sei quem você é. – ela deu um sorriso fofo, ergueu a mão e acariciou os cabelos dos filhos, Percy corou, talvez sem saber o que fazer – Eu senti tanto sua falta.
– Por que não veio antes? Por que... Por que me abandonou?
– Então, que tal sentarmos? – me intrometi – Vocês gostam de donuts? Minha mãe deve ter comprado caixas. A Kaya gosta de donuts? – perguntei, encarando a garotinha morena
– Quem é Kaya? – Percy perguntou ao meu lado, encarando meus olhos
Pude ver um misto de confusão, medo, arrependimento, um monte de emoções juntas que eu só queria fazer com que ele ficasse bem. Queria fazer com que ele encontrasse um estado de paz.
– Sua irmã. – Sally o apresentou, ela a tomou nos braços, deixando-a na altura dele – Esse é Percy, linda. Seu irmão.
A garotinha estendeu a mão com um sorriso. Percy sorriu também e pegou-a nos braços.
– Espero que vocês gostem de limonada. – cantarolei, empurrando todos para se sentarem nos sofás ao redor da mesa de centro
Gritei, pedindo ajuda para Mary que reclamou comigo por colocar uma estranha dentro de casa, recebendo ameaças de que minha mãe me mataria, mas deixei para me preocupar depois. Pedi que ela preparasse várias jarras de limonada e trouxesse donuts, cookies e qualquer coisa que crianças gostassem.
Percy estava na poltrona, como se quisesse afastar-se de qualquer contato além do seu. Mas, eu não podia deixa-lo sozinho.
Sally estava sentada no sofá que estávamos antes junto com Kaya, deslizei pelo couro da poltrona, ficando no braço. Percy me olhou agradecido, depositando a mão em minha coxa.
– Eu sinto muito por todo esse tempo que fiquei longe, querido, mas foi para...
– Para meu bem? – ele arqueou a sobrancelha – Meu bem, Sally?
– Claro que sim. Você sabe... – ela respirou fundo – Você se envolveu com Jack, e ele te disse... Ou talvez não que ele queria acabar com sua família. Com tudo que Poseidon se importava. E nós fazíamos parte desse circulo. Ele não poderia nos deixar juntos, querido.
– Você poderia ter lutado! Poderia ter vindo conosco.
– Eu nunca deixaria sua vida correr risco.
Mary chegou, deixando a bandeja com donuts em cima da mesinha de centro. Dei um sorriso agradecendo, depois de alguns minutos de silêncio muito tenso, ela adentrou com os copos de limonada.
– Menina, Thalia e Sr. Di Ângelo chegaram.
– Hm, você pode... Pedir para que eles vão para a sala de jantar ou algo do tipo, Mary?
Mary me olhou com raiva e assentiu, sem ao menos servir os convidados. Que tipo de governanta eu tenho?
Bufei e fiquei de joelhos em frente a mesinha, despejando a limonada gelada em quatro copos grandes e distribuindo entre nós.
– Eu não entendo. – Percy murmurou, desviando os olhos de sua mãe e me encarando, como se pedisse ajuda – Não entendo o que está fazendo aqui. Agora. Como conseguiu me encontrar?
– Seu pai. – explicou, simples, pegando o copo de minha mão com um sorriso – Deixe o suco esquentar um pouco, tudo bem, Kaya?
A garotinha assentiu.
– Posso pegar um pouco de donuts, mamãe?
– Claro, claro.
– Quantos anos ela tem? – Percy perguntou, os punhos cerrados ao ver a garotinha sentada a minha frente com um sorriso pequeno ao deliciar-se com os donuts de caramelo
– Sete. – Sally respondeu
– De quem ela é filha?
Ela suspirou, brincando com a barra da blusa branca e pensando se deveria responde-lo.
– Poseidon.
Que tipo de brincadeira era essa?
Vi a cor escapar do rosto de Percy e então, a porta se abrir como um furacão.
– Que tipo de problemas você tem, sua vagabunda?! – Thalia gritou, vindo com passos fundos até mim – Como pode não me atender e não abrir a porta para mim? Que tipo de melhor amiga você é?
Nico acenou atrás dela com um sorriso.
A morena deu um olhar ao redor, corando. Dando um sorriso de desculpas.
– Desculpe... – sussurrou, encarando Sally com vergonha – Olha, não precisa cancelar o contrato com a Atena, ela é ótima. Sua casa vai ficar perfeita, desculpa mesmo, tá?
Sally riu, deixando o copo de lado enquanto Kaya voltava a comer.
– Não sou cliente da Atena. Sou mãe do Percy.
– Você é o quê? – foi a vez de Nico gritar – Sua mãe não tinha desaparecido, cara?
– Era o que eu achava também.
Respirei fundo e me levantei.
– Vou deixa-los conversando a sós. Kaya, quer me acompanhar? Tenho alguns brinquedos perfeitos lá em cima! – comentei, alegre
Ela me olhou desconfiada, vi Sally rir e afagar seu ombro como se a entendesse.
– Ela tem problemas com confiança, Annabeth. Mas, obrigada por se preocupar.
Assenti, ainda sorrindo e dando uma última olhada para Percy, implorando para que tudo desse certo. Ele recusou me encarar por muito tempo, dei as costas e empurrei Thalia pela cintura, puxando seu namorado pela mão até que estivéssemos sentados nas cadeiras de madeira da cozinha.
– Ela é realmente mãe dele? – Thalia perguntou assim que trouxe mais uma caixa branca de donuts, deixando em cima da mesa vendo Nico ataca-la
– Não te deram comida na casa dela?
– Se fosse por Zeus, eu morreria tortuosamente de fome.
Thalia riu e mordiscou um donut de morango.
– Mas, enfim, ela diz ser. E ele a reconheceu, então, provavelmente, sim.
– Eu achei que ela tinha sumido no mundo com algum dinheiro que Poseidon deu.
– Parece que não. – comentei – Ele que disse onde nós estávamos e... – mordi o lábio inferior, pensando se deveria comentar sobre Kaya, mas deixei para lá
– E o quê? – Nico perguntou
– Nada. – dei de ombros, bufando
– E garotinha? É filha dela?
– O que ela disse? Que sentia falta do filho e veio vê-lo? – concordei – Truque de mãe interesseira.
– Thalia! Ela parecia realmente se importar.
– Depois de anos? Fala sério, Annabeth, ninguém se importa.
– Ela deve se importar. Pense em quanto tempo eles ficaram separados... Deve ter sido horrível tanto para ela quanto para ele.
– É. – Nico concordou, sem realmente estar envolvido no assunto porque só fazia comer – Aliás, temos uma racha hoje, vocês vão?
– Uma racha? Traumas de racha. – sussurrei, levantando as mãos na defensiva
– Não, vai ser legal. Carros importados, open bar... É, vai ser legal. – Nico murmurou
– Não sei. – Thalia mexeu em algumas madeixas longas – Conte-me mais como ela apareceu aqui.
Suspirei e comecei a detalhar tudo que aconteceu desde que ela chegou, o que não fora muita coisa. Nico franziu o cenho, mas não parecia prestar muita atenção em nossa conversa já que apenas digitava alguma coisa em seu telefone.
Percy apareceu na porta da cozinha, depois que já estávamos a vontade, conversando sobre alguma coisa ridícula.
– Sally já está indo, ela quer... Se despedir de você.
Assenti em um pulo, acompanhando-o que ia com passos fundos e longos a minha frente. Ele não disse nada até chegarmos a sala de espera, onde abracei minha sogra com um sorriso, assim como Kaya.
– Que tal você vir brincar comigo mais vezes, garotinha? – afaguei seu cabelo com um sorriso
– Posso, mamãe?
– Claro que pode. – Percy sorriu, um sorriso grande, apertando seu ombro carinhosamente – Pode vir quando quiser, só é me avisar antes, certo?
– Percy, podemos nos encontrar em outro lugar...
– Prefiro me encontrar aqui ainda, Sally.
Ela assentiu, avançou alguns passos e o abraçou novamente. Percy hesitou, me encarou por alguns segundos e sorri, vi suas mãos hesitantes apertarem suas costas e seu rosto afundar em seu pescoço.
Um típico abraço de mãe e filho.
Sally afastou-se. Em um ato inusitado, Sally passou os braços pelos meus ombros, abraçando-me também. A abracei novamente, sentindo seu beijo em minha bochecha e abrindo um sorriso.
– Tentaremos voltar logo...
– Você vai pedir para seu marido? – Percy perguntou
Sua mãe assentiu, nos mandou um sorriso, caminhando calmamente segurando a mão de Kaya que brincava com a barra de seu vestido, saltitando. Não parecia a garotinha tímida que chegou, parecia mais feliz. Percy abriu a porta para elas e acenou assim que elas chegaram no jardim.
– Estou confuso. Estou... Completamente confuso.
– É normal. – segurei seu rosto entre minhas mãos e depositei um selinho em seus lábios frios, tirando os fios molhados de sua testa.
***
Estávamos no terraço. Faltava uma hora para a racha e Luke já tinha chegado com Ethan, ambos arrumados e felizes. Uma racha. Todos amavam rachas. E não seria eu com minha chatice que iria impedi-los de não deixar de ir para uma racha. Eles até haviam conseguido alguns carros para competir.
Percy tinha um cigarro na boca e desde que chegamos ali, estávamos calado. Apenas encarando o som sumir por trás do oceano límpido, e o céu se vestir do azul escuro com pigmentos brilhantes. Seu braço estava em volta do meu ombro e minha cabeça em seu peito, e embora parecêssemos um casal típico de filme da Disney, eu estava bem ali, sentindo seu calor e seu sopro a cada tragada que dava.
Era o lugar que eu queria estar.
Abracei sua cintura, fechando os olhos, ouvindo seu coração bater calmamente. Senti seu corpo se mover, desconfortável e me afastei um pouco.
– Quer? – perguntou, oferecendo-me o cigarro
Assenti, pegando-o e colocando entre meus lábios. Traguei fortemente e deixei a fumaça sair, dando para ele novamente. Como sempre, sentia um pingo da liberdade reprimida. Respirei fundo e voltei a posição anterior.
– Como foi com sua mãe?
Sua mão livre começou a acariciar o topo de minha cabeça, suspirei, aproveitando a caricia.
– A Kaya é filha do Poseidon. – disse – Quero dizer, todo o tempo que eu via meu pai uma ou duas vezes em muitos anos, ele ainda tinha casos com minha mãe... E no mesmo tempo que ele estava aqui na Califórnia, ele estava com sua mãe... Isso é tão confuso.
Ri, sentando-me ao seu lado, deixando as mãos atrás do meu corpo para me apoiar.
– Isso é legal, quer dizer que ele teve uma vida muito foda.
Percy me encarou com raiva e tirou o cigarro dos lábios, deixando em uma das mãos enquanto encarava o horizonte firmemente.
– Quer dizer que ele é tão canalha quanto o filho dele. – resmungou, vendo-me rir – O mais velho. – soltou um sorrisinho
– Se você for tão canalha quanto ele, eu ainda vou dar uns pegas em você, gentleman.
O moreno riu e me encarou por algum tempo. Avaliei seu rosto, o queixo másculo e as bochechas elevadas pela ameaça do sorriso, os olhos bem mais claro, um verde quase transparente, repuxados pelo aparente sorriso e as bochechas, como sempre, vermelhas, os fios negros caindo sobre a testa sensualmente.
– O que vai fazer em relação a isso?
Seus olhos não se afastaram do meu, seu sorriso só diminuiu com minha pergunta.
– Eu não sei. Eu gostei da Kaya, quer dizer, ela é a irmã mais nova que eu sempre quis. Gostei... Gostei de ter minha mãe comigo depois de tanto tempo, mas não sei se irei me acostumar... Querendo ou não, eu já tenho uma família.
– Você poderia dar uma chance para ela.
Percy deu de ombros. Passou as mãos pelos cabelos e voltou a me encarar com um sorriso de canto.
– O que foi? – ri, empurrando pelo o ombro
Ele balançou a cabeça com aquele mesmo sorriso, apagando o cigarro no cimento que estávamos sentados.
– Você deveria fazer alguma coisa... Sei lá, é sua mãe. Bem, se fosse meu pai que estivesse de volta, eu faria mil e uma coisas com ele e...
– Sabe o que eu quero fazer agora? – virei o rosto para ele, encarando seus olhos penetrantes contra os meus.
Fiquei séria, seus olhos transmitiam seriedade e com aquele cabelo bagunçado, ele só ficava mais sexy.
– O quê? – refiz o coque do meu cabelo, do mesmo jeito que ele
– Eu quero muito, muito te beijar agora.
Deixei escapar um sorriso de lado, sentido meu queixo ser segurado com força pela sua mão e seus lábios se aproximarem, sua respiração ficar contra meu nariz, senti todo meu corpo se arrepiar com aquele ar quente contra minha pele, e aqueles dedos fortes prendendo-me a ele.
– Eu quero fazer isso desde que chegamos aqui. – suas mãos desceram até meu peito, apertando-o com força – Quero fazer muito mais que isso.
Sorri, ficando de joelhos para alcançar sua altura. Coloquei cada palma ao lado de seu rosto, abaixando-o e colando nossos lábios.
Todo meu corpo explodiu em arrepios constantes com suas mãos espertas pelo meu corpo, seu beijo quente como se provocasse a cada toque que nossas línguas davam, ou a cada pedacinho que seus dedos exploravam. Percebi seu corpo caindo na minha frente e o vi posicionando-me inteligentemente em cima dele, minhas pernas rodeando sua cintura e todo meu tronco deitado sobre o dele.
Apoiei meus cotovelos em seu ombro, colocando os fios de seu cabelo em cima da testa para o lado.
– Você é muito linda, sabia? – seus dedos dedilharam meu rosto até colocar alguns fios atrás de minha orelha com um sorriso bobo
– Você é muito idiota, sabia?
– É, eu estar aqui, assim com você, é ser bem idiota mesmo.
Revirei os olhos e beijei seu pescoço, arranhando seu couro cabeludo.
– Quer conversar? – perguntei, espalhando beijo pelo seu pescoço
– Com você me beijando desse jeito? Eu prefiro fazer outras coisas... – suas mãos desceram até minha bunda, apertando-a com força
Bati em seu ombro, rindo.
– É sério, vamos conversar, como um casal civilizado e normal.
– Um casal? – ele arqueou a sobrancelha com um sorriso safado
– É, se estamos nos pegando casualmente, somos um casal. Pelo menos, é esse o nome que dão, certo?
– É, é esse o nome que dão. – concordou e beijou meus lábios rapidamente – Certo, sobre o que você quer conversar?
– Que sua nova irmãzinha é um anjinho. – murmurei, brincando com a gola de sua camisa azul escura – Ela é muito fofa.
– É. Tenho mais uma garota pra cuidar. Imagina quando ela ficar mais velha, muito gata. – pareceu refletir e sorriu consigo mesmo
– Ai, para de tarar sua irmã!
– Eu não estou tarando, sua louca. Só estou pensando o quanto esses idiotas vão dar em cima dela.
– Então, você faz o tipo de irmão mais velho ciumento? Você e Luke deveriam ser gêmeos.
Percy fez uma careta e se mexeu embaixo de mim, levando as mãos para minhas costas e depois, para meu cabelo.
– Não, tá.
– Certo... – acariciei suas bochechas com as costas dos dedos – Isso quer dizer que você quer passar muito tempo presente na vida da Kaya, então?
Ele assentiu, concentrando em ajeitar algumas partes de meus cabelos que caiam em seu rosto.
– Isso quer dizer que você vai ser um pai muito ciumento.
Tudo pareceu ficar bem mais bonito com aquele sorriso que ele deu, um sorriso grande, enorme. Senti uma de suas mãos acariciando minhas costas e a outra, acariciando meus cabelos.
– É, eu serei um ótimo pai mesmo. – se gabou e continuou, acariciando meus fios rebeldes e loucos – Se for uma menina, ela vai se chamar... Jane. Não, bem, não sei, a mãe dela vai resolver isso.
– Jane é muito feio. – resmunguei, fazendo uma careta – Jasmine, daí você pode chamar de Jazz.
– É, Jazz é legal. – tentou dar de ombros – E... Se for menino, o que você acha de Andrew?
– Andy? Gay. – balancei a cabeça
– Verdade... Mason? Mason é legal. – fiz uma careta – Drew? Ei, Drew é bem másculo.
– Hm... Henry? Henry é tão príncipe.
– Meu filho vai ser macho, não um viado, almofadinha, Annie.
Revirei os olhos e soquei seu ombro com certa dificuldade.
– Retardado. Mas, agora sério, você queria mesmo ter um filho?
– Sério. Eu adoraria. Deve ser ótimo, sei lá, ver seu filho e tudo mais... Calma, você não tá gravida, está?
– Não! – sorri – Não mesmo.
– Ah. – ele segurou meu rosto entre suas mãos, beijando-me com força e certa brutalidade – Eu adoraria se estivesse, também.
Sorri, revirando os olhos e sentando-me em sua barriga.
Seu celular começou a tocar histericamente, franzi o cenho e peguei do seu bolso, atendendo-o.
– Cara, onde você está? Vamos nos atrasar para a racha.
– Luke? É a Annie.
– Ah, certo, onde vocês estão?
– Hm, estamos chegando. Onde vocês estão?
– No jardim, venham logo, tá?
E desligou.
Primos idiotas.
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