Nightingale.
27 Hard to say it.
Notas iniciais
"I'm out sight, I'm out of mind, I'll do it all for you in time"
Não sabia se ficava sentada, encarando o nada e a briga que começava a seguir. Uma briga de vozes baixas e ameaças perturbadoras.
Não sei em que momento eu apenas virei as costas e com passos rápidos, atravessei a cozinha, subindo as escadas, fingindo que não tinha ouvido nada.
Apenas me dei conta de que estava indo para meu quarto quando me bati com Nico andando sem camisa, com um moletom caindo pelo quadril, a expressão sonolenta e o cabelo totalmente bagunçado segurar meu braço.
– Tudo bem, A... Você está chorando?
Eu também não sabia que estava chorando até ele dizer aquilo.
Soltei meu braço com força de seu aperto e me tranquei no meu quarto, fechando a porta com um baque surdo, a coisa mais civilizada do mundo. Encostei minhas costas na madeira fria, deslizando até estar no chão em um estado deplorável com as lágrimas caindo sobre minhas bochechas como se fosse o fim do mundo.
Não era o fim do mundo. Não podia ser o fim do mundo. Aliás, era uma coisa extremamente boba... E daí? Percy era um cara legal e se fossemos irmãos, seria ótimo, não é?
Bem, olhando por esse lado, seria perfeito.
Até eu perceber que pelo meu lado estava completamente um desastre.
Quero dizer, como seria estar se apaixonando pelo seu irmão?
A ideia me repugnou. Fez-me sentir que nada na minha vida poderia ser pior.
A madeira atrás de mim roncou com os socos fortes.
– Annie! Annabeth! – era a voz de Nico que aos poucos se abaixava – O que aconteceu, Annabeth?
Não consegui falar. Agradeci quando ele desistiu e sua voz sumiu por um tempo. Controlei meus soluços altos, os tremores que escapavam pelas minhas terminações nervosas e eu me sentia uma menininha. Uma idiota, na verdade.
Eu só queria meu pai. Abraçando-me.
Uma rajada de vento atravessou meu quarto, o que me fez me encolher, apertar-me ainda mais contra meu corpo e a madeira fria.
– Annie.
Era a voz dele. A última pessoa que eu queria ouvir agora.
– Annie, abra a porta, meu amor. – ele sussurrava
Continuei a soluçar, tentada em abraçar seus braços e sentir seu cheiro de maresia, minha bochecha contra seu peito... Sentir que estava tudo bem.
– Annabeth! – era minha mãe dessa vez
Controlei meu choro de uma vez, levantando-me com certa dificuldade e respirando várias vezes até que sentisse que meu rosto não parecia um tomate.
Eu era uma garota forte.
Sou uma garota forte.
Com o mesmo pensamento e ouvindo suplicas dramáticas de minha mãe, abri a porta.
Percy estava sentado no chão, com o rosto virado para porta, como se de alguma maneira fosse ficar mais perto de mim. Aquilo foi ridículo, estúpido e de um garoto na puberdade.
Super fofo.
Ele me olhou de baixo e deu um sorriso falho, levantando-se rapidamente.
– Annie. – minha mãe me puxou contra seu peito, apertando e afagando meu cabelo
Fechei os olhos e não deixei que seu cheiro maternal tão conhecido por mim me afetasse, eu não podia chorar. Era uma questão de honra.
– Tudo que você ouviu é mentira. Tudo mentira.
– Não precisa me explicar nada, mãe. É sua vida. – comentei e encarei Percy – Ele sabe? – perguntei sem desviar meus olhos daquele verde musgo confuso
– Não, porque é mentira. Poseidon! Diga pra eles. É mentira, minha linda.
– Mãe! Já disse que não precisa me explicar nada. Só acho que deveria ter nos falado isso antes. – dei de ombros, franzindo o cenho – Percy, somos irmãos. Tá vendo? Nem doeu. – revirei os olhos, desviando-me dos seus braços, pronta para entrar no meu quarto
– Como assim? – ele arqueou as sobrancelhas e nos encarou, completamente confuso
Poseidon chegou, nervoso e sentindo-se culpado. É, deveria se sentir assim mesmo.
– Não posso desmentir, você sabe disso, Atena.
– Seu crápula! Você está acabando com ela, não está vendo? Annie, olhe para mim, querida. – ela segurou minhas bochechas com força enquanto eu só queria me afastar – Você é filha do Frederick...
– Pai, me explica isso. – a voz de Percy era tão tremula quanto a minha – Você teve um caso com ela? Você já estava com... Minha mãe?
Atena não pareceu escutar a conversa paralela a nossa.
– Annie, eu estava grávida antes de acontecer isso com o Poseidon.
– Então quer dizer que vocês realmente tiveram um caso?! – Percy vociferou, afastando da mão do seu pai – E ela estava grávida?
– Eu acredito em você, mamãe. Agora, licença...
– Você estava? Sério?
Cena que poderia até ser cômica.
– Vocês são uns mentirosos. Não me admira que ainda estejam nesse amorzinho tosco de terceira idade. – Percy cuspiu e virou as costas para nós
Esse é meu garoto!
– Fala sério. –me afastei de minha mãe e encarei os dois – Eu não sou sua filha?
– Não! Não acredito como pode acreditar um segundo nisso.
– Ela é parecida comigo, Atena. – Poseidon revirou os olhos
– Parecida? – franzi o cenho – Sem ofensas, tirando isso... – apontei para meu cabelo e meus olhos – eu sou a cópia do meu pai. Todos diziam isso.
– E como você pode acreditar que ainda era filha dele, Annabeth? – minha mãe perguntou-me
– Não sei... Anda acontecendo tantas coisas ao mesmo tempo que... Que para mim, qualquer coisa é verdade até que se prove o contrário.
– Eu juro, Annie, eu juro que você não é filha disso. Você é minha e do Fred. Sempre foi e sempre será.
Não pude rebater.
– Vamos, Annie. – Percy me puxou com força, vestindo um moletom cinza e uma calça de linho com chinelos, nada sexy
– Não! – Atena tentou me segurar, mas soltei minha mão
– Olha, pai... Lembre-se que a Anfitrite gosta muito de você. Faz alguma coisa certa, pelo menos.
Com isso, saímos pulando degraus. Eles continuavam brigando enquanto tentavam nos seguir, Percy colocou um casaco enorme por cima dos meus ombros enquanto saíamos correndo de casa e entrávamos no carro de Luke ainda parado no jardim. Joguei a chave para ele e nenhum dos dois puderam nos alcançar enquanto atravessávamos os portões e seguíamos para algum lugar que eu não conhecia.
– Onde está Rachel?
– Já foi há algum tempo. – ele murmurou, poucas gotas caíam sobre o para brisa e ele ainda corria pelo bairro
– Para onde vamos?
Ele sorriu.
– Só vamos dar um susto neles. Por terem feito você chorar. Por terem me feito pagar um mico na frente de sua mãe. – ele deu de ombros
Ri junto com ele.
– Eu estava apavorada. – confessei, olhando para minhas mãos nervosas – Você tem ideia de quanto ser...
– Eu ser seu irmão? Sem chance. Meu pai deveria estar enlouquecendo. – sorriu para mim e puxou minha cabeça para ser encostada em seu ombro – Não acredite em tudo que ele fala, talvez aquilo seria só mais uma cantada babaca para conquistar sua mãe.
– Eu chorei por isso. – fiz uma careta e beijei seu ombro coberto – Sou uma tremenda idiota.
– É, você é. Vem, vamos pegar alguma coisa no Starbucks.
– Eu não trouxe minha bolsa, espertão.
Percy franziu o cenho e deixou o carro parado no estacionamento da cafeteria. Ele abriu o porta-luvas.
– Ele sempre tem alguma coisa... Aqui. – ele tirou um bolo de dinheiro de algum lugar que não consegui identificar e tirou uns cinquenta dólares – Aqui, vamos.
– De onde isso surgiu? Como?
– É, Luke pode ser inteligente de vez em quando. Vamos? Você está pálida. Aposto que aquele médico de merda não te deu nada para comer.
Foi inevitável não rir enquanto descia sobre a chuva fraca e entrávamos apressados no Starbucks.
Como sempre, aquela cafeteria verde e branca me deixava mais calma.
Eu e Percy nos sentamos no fundo da cafeteria, pedimos dois chás gelados e vários salgados.
– Não sei por que você não volta. – comentei, distraída, mexendo nos guardanapos com o slogan do Starbucks
Percy franziu o cenho e rasgou o guardanapo ao meio, dando um sorriso para mim.
– Voltar para onde?
– Hampshire. – expliquei – Seu pai sente sua falta e... Você tinha uma vida perfeita lá.
– Talvez, eu não esteja procurando pela vida perfeita. – ele abaixou o olhar e segurou meus dedos, brincando com eles em sua mão
– Eu estou procurando uma vida perfeita. – confessei e sorri, inclinando minha cabeça para observar seus cabelos caídos sobre a testa e sorriso que ele tentava esconder enquanto mexia em meus dedos
– Por quê? Onde isso vai te levar?
– A felicidade? – arqueei as sobrancelhas, meia em dúvida
– Você não é feliz comigo?
Pude ter a visão de seus olhos verdes, penetrantes como sempre, me desafiando para mais uma batalha muda que eu, com certeza, iria perder.
– Percy, não temos nada. – comecei, agradecendo quando a garçonete me interrompeu deixando nossos pedidos espalhados pela mesa
Comecei por um croissant de frango, comendo-o como se meu mundo fosse acabar.
– Sabe, às vezes, eu acho que você não é feliz com nada. – comentou e afastou sua mão das minhas
– Vamos mudar de assunto. – pedi, dando um sorriso – Seu pai teve muitos casos assim?
Ele riu e mexeu em seu chá com o canudo.
– Você sabe, a esposa oficial dele é Anfitrite para todos os casos. Quando ele veio trabalhar aqui por um tempo...
– Como agente da CIA?
– Interpol. – me corrigiu e mordiscou seu croissant de carne – Ele conheceu minha mãe e ele ia passar uns seis a sete meses por aqui. Então, eles tiveram um caso e em três meses, ele ficou sabendo que ela estava grávida.
– Como você descobriu isso? Quero dizer, eu nunca iria saber que meus tios faziam parte da Inteligência Americana.
Percy deu de ombros e abocanhou mais um pedaço do seu croissant, parecendo refletir no mesmo momento. Beberiquei do meu chá, ainda o encarando, implorando por informações.
– A maior parte das coisas que eu sei, e acredite, eu não queria saber, foi Jack que me contou.
Arregalei os olhos e tentei parecer calma. Só parecer, literalmente.
– Jack? Por que...?
– Ele quer ver a ruína das nossas famílias. Ou só poder, não sei. Bem, não me pergunte o porquê de tudo isso, saí cedo demais antes que ele chegasse nessa parte da história. – ele deu um sorriso de canto, como se fosse uma brincadeira interna e atacou outro croissant.
– Então, você está me dizendo que se eu ficasse próxima de Jack...
– Sim, e, por favor, não cogite a ideia de fazer isso, Annabeth.
Revirei os olhos e assenti, deixando o croissant de lado. As ideias borbulhavam em minha cabeça.
– Me diga mais do que você sabe.
Ele balançou a cabeça indiferente, deixando o croissant de lado e sugando boa parte de seu chá, o Starbucks começava a esvaziar, poucas pessoas continuavam sentadas, assistindo algum programa que passava na televisão grande no fundo.
– Não sei... O que você quer saber?
Franzi o cenho e mordisquei mais uma parte do meu croissant.
– Você vai realmente me dizer tudo que eu quiser sem me omitir nada?
– Claro, por que eu omitiria alguma coisa para você?
Sorri, bebericando meu chá e o encarando, Percy tinha um sorriso torto no rosto, talvez, tentando descobrir o que eu estava pensando. Mas, naquele momento, eu só estava tentando pensar em alguma pergunta ou em alguma coisa que eu queria muito saber e não tinha a mínima ideia de como perguntar.
– Não sei. – balancei a cabeça
– Já esperava por isso. Vem cá, sua mãe sempre faz aquilo com você? – ele segurou um salgado que não identifiquei, enfiando em algum molho estranho e colocando na boca, apoiando o cotovelo no aço da mesa branca
– Drama? – ele assentiu, confirmando – É normal, bem, eu cresci achando que é normal.
Percy fez uma careta.
– Não é tão ruim assim, ela só se acha a pior mãe do mundo, então. – dei de ombros – Não me olha com essa cara de bosta! – joguei meu canudo na cara dele, rindo ao vê-lo me encarar meio confuso
– É sério! – ele tirou o canudo que grudou em uma mecha de seu cabelo e riu, deixando-o de lado – Certo, ela é estranha e você tem que admitir isso.
Ri junto com ele e neguei.
– Seu pai é um estranho! Olha o tipo de cantada que ele foi jogar para minha mãe. Bah, ridículo, Jackson.
Percy assentiu, ainda rindo.
Continuamos a comer, com sorrisos pequenos no rosto, como se naquele lugar, estivéssemos protegidos daquela loucura que começamos a viver desde que chegamos aqui. O ar condicionado estava em uma temperatura média e ainda estávamos calados, observando nossos próprios movimentos, admirando o silêncio que a noite oferecia para aquela cafeteria vinte e quatro horas.
– Posso te fazer uma pergunta? – disse, do nada, terminando meu chá gelado e deixando-o de lado
Ele me olhou com a cabeça inclinada, empurrando a bandeja verde onde estava todo seus salgados. Por fim, assentiu.
– Sua mãe...
– O que?
– Naquele dia no telhado... Bem, você disse que achava que ela não tinha morrido.
– Você vem pensando nisso? – perguntou, como se tivesse interessado no assunto, apoiando o queixo na mão e o cotovelo na mesa
– Um pouco. – admiti e deixei de olhá-lo para ver um grupinho da minha antiga escola entrar como se fossem os donos do mundo – Eu só estava curiosa...
– O que quer saber?
– Por que acha que ela não morreu? – encarei seus olhos verdes, um musgo escuro
– Eu já disse. O corpo nunca foi encontrado. Meu pai fez o possível e o impossível para acha-la.
– Você acredita nele?
Percy franziu o cenho, como se nunca tivesse pensado a respeito e bufou.
– Não importa o cafajeste que ele seja, Annabeth, ele é meu pai. E eu confio nele.
Segurei sua mão livre, apertando meus dedos ao redor de sua palma, com força.
– Como foi a última vez que a viu?
Ele mordeu o lábio inferior, puxando sua mão para longe de mim. Senti que fiz que a pior merda da minha vida, mas em segundos depois, ele parecia normal e nem um pouco afetado. Percy inclinou o braço até mim, fazendo sua mão tocar minha bochecha fria, fazendo um carinho com o polegar. Fechei os olhos, deliciando-me com a carícia e deixando meu pescoço pender para o lado.
– Nós estávamos na nossa casa. Era um pouco longe da praia. Eu devia ter uns dez anos... Ela estava fazendo um bolo caseiro, daí... – sua mão estava tensa em meu rosto, seu carinho parou e voltou em seguida, mais lento – Alguns homens do meu pai entraram lá em casa e me puxaram. Meu pai se despediu da minha mãe... Eu acho que eu chorei. – ele riu, um som tenso e nada melodioso
– Não precisa contar...
Abri os olhos, senti o carinho dele continuar enquanto eu encarava seu rosto vermelho, assim como seus olhos. Ele realmente parecia que ia chorar.
– Meu pai me levou, dizendo que tudo ia ficar bem e que ele ia me proteger, mas minha mãe não estava com a gente.
– E então você foi levado à força para Hampshire?
– Eu culpei meu pai pelos primeiros três anos... Mas, Anfitrite me tratava tão bem, tirando por Tritão era como um paraíso viver naquela casa enorme, ter amigos de verdade, sabe... Coisas que eu nunca tive. Depois daquele dia, no entanto, eu nunca mais vi minha mãe.
– Seu pai... Ou Jack te contou por que te tiraram dela?
Percy bufou e retraiu a mão do meu rosto, jogando-a em cima da mesa.
– Meu pai disse que tinha que me proteger e se... Bem, se nos deixasse juntos seria bem mais difícil isso ocorrer. Já Jack... Ele deixou uma pergunta: de quem ele queria me proteger?
– Jack?
Percy balançou a cabeça e voltou a acariciar minha bochecha.
– Não, acho que ele nem participava do tráfico naquele tempo. Foi isso.
Sorri, ele segurou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás de minha orelha com um sorriso ainda maior.
– Você é linda, sabia? – apertou meu queixo, fazendo-me sorrir e rir ao mesmo tempo
– É melhor voltarmos... Sabe, poderíamos sair assim todo dia. Você é melhor que Thomas em relação à terapia.
Percy riu.
– Eu adoraria. E sou bom que Thomas em todas as coisas... Não que eu queira saber se você... Vem cá, você não...
– Não! Ele é meu terapeuta, seu nojento.
– É que... Bem, você sabe, você já ficou com todo mundo, então...
Inclinei-me sobre a mesa, segurando seu queixo com minha mão e beijando-o. Era aquele tipo de beijo que você não consegue ficar sem ar, que tudo que você quer é continuar mexendo os lábios sobre os dele, provocando-o com o passar de língua sobre sua boca e insinuando um beijo mais quente.
Percy apertou sua mão em minha nuca, comandando o beijo, por fim, mordendo meu lábio inferior enquanto eu segurava um gemido pelos arrepios que ele me provocava.
– Vamos sair daqui e...
– Chase! Você está de volta, uh?
Um dos meninos da antiga Goode gritou a duas mesas de distancia.
Revirei os olhos, vendo Percy deixar o dinheiro na mesa e segurar minha mão.
– Posso te procurar para ter uma noite louca com você?
– Ela já tem o cara de hoje, dude.
Percy apertou minha mão e encarou os meninos. Eu estava rezando para que ele não estivesse com a porcaria da arma.
– Eu vou estourar os miolos dele. – vociferou entre dentes
– Oi, meninos! – acenei, dando as costas – Olha, esse é meu namorado, ele é inglês, é melhor tratarem-no muito bem, ok? E, sinto muito, mas felizmente, eu não vou ter o prazer de me decepcionar com o tamanho... Disso. – puxei Percy enquanto andava com passos firmes na frente dele
– Ele já sabe quantos chifres levou desde que você chegou?
Não senti a mão dele. Ele tinha escapado em poucos segundos, assim que virei para atrás, vi um dos meninos suspenso contra a parede. Percy segurava a gola de sua camisa, falando algo muito baixo. Seu punho estava rente ao seu queixo. O garoto riu do que ele disse e ele acertou uma joelhada no meio de suas pernas.
Os meninos ao redor estavam parados, atordoados e surpresos ao ver o que Percy tinha feito.
– Mulheres tem que ser respeitadas... É melhor lembrar-se disso da próxima vez, seu viado.
Sorri, mandando um beijo no ar para os meninos enquanto Percy me puxava pela mão para fora do estabelecimento. Eu realmente queria rir, apontar para a cara de idiota deles e gritar: “Ei, meu namorado deu uma joelhada no seu pinto!”, o máximo que eu fazia era rir.
Pela primeira vez, sentiu que gostava daquele Percy protetor, aquele Percy que havia crescido em Hampshire.
Aninhei-me ao tecido do banco enquanto via Percy apertar os dedos no volante, com força.
– Pode relaxar... Era só uma brincadeira de mau gosto. – murmurei, afagando sua coxa
Ele tirou minha mão de sua pele, deixando-a de um modo rude em cima de mim.
– Eu quero pensar que sim, Annabeth.
– Percy... – apertei seu ombro – Percy, eu nunca deitei com eles, eu...
– Você se lembra? Se lembra? – sussurrou, sua voz perigosamente baixa
– Eu... – pisquei os olhos e me afastei – Eu não me lembro. E eu não vou mentir para você, ok? Quando você voltou, você encontrou uma vadia louca e é isso que eu me lembro de ser. É isso que eu sou até que se prove o contrário. – expliquei, no mesmo tom que ele
O carro apenas acelerou, ainda mais. Tudo fora dele era um borrão, algo que eu poderia esquecer rapidamente, mas seus lábios pressionados e os nós de seus dedos mais brancos que o normal me deixavam amedrontada.
– É... Talvez eu ainda tenha que superar essa parte essa parte de sua vida...
– Não acredito que estamos brigando por isso. – bufei e beijei seu ombro – Eu estou com você, não estou? Eu posso ser uma puta de todos os tipos, mas agora, neste momento, seu babaca, eu sou sua.
Estremeci. Eu estava totalmente admitindo para esse cara moreno de olhos verdes que soltava um sorriso de lado – sem estar sobre o efeito de prazer – que era dele. Que era completamente dele.
E, talvez, isso fosse verdade. E não uma estratégia barata de fazer com que ele se acalmasse.
Talvez... Só talvez, eu estivesse caindo ainda mais naquele coloração esverdeada, me apaixonando por aquele sorriso de lado e a voz rouca que nem estivesse me dado conta de que a cada momento próxima dele estivesse sendo uma propriedade.
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