Notas iniciais
Existe uma coisa chamada força de vontade e eu definitivamente, não tenho isso. Eis que hoje eu não tenho aula por causa do pré-caju e tava cansada de estudar e daí pensei: oh just one. SIM MAIS UM CAPITULO SURPRESA Eu to adorando saber suas suspeitas sobre o estuprador de Annie porque NINGUÉM chegou perto de quem seria, e eu to rindo muito pq quando for eu vou ficar meio AH TOMA NA CARA DE VCS DSÇLKDKS Mentira, eu não sou tão má. De qualquer maneira, saiu o trailer de ng http://www.youtube.com/watch?v=F4c0Xio49Js&feature=youtu.be eu não curti muito pq eu achei que não teve tiro etc etc mas TÁ AÍ e quem quiser divulgar to aceitando Enfim, this is it. P.S: Larinha Jackson é pra você, obrigada pela recomendação!!!

"If only I could be in that bed again, if it were only me instead of him"

Fazia duas semanas que eu evitava falar com Percy. Eu o via nos corredores, andando com um braço por cima de uma Rachel alegre, os via juntos na aula de filosofia e no refeitório nos três horários cruciais.

A última vez que falei com ele — em um corredor, escondendo-nos da aula de filosofia, enquanto nos beijávamos -, eu ainda podia ver claramente os olhos verdes claros com pontinhos mais escuros. Meus dedos em volta de seu pulso com força, em uma tentativa falha de faze-lo se afastar, suas mãos presas em minhas bochechas enquanto soluços sôfregos escapavam de minha garganta.

Mordi o lábio inferior, colocando minha saia no vestiário.

Nossos treinos tinham dobrado o horário. Havia vezes em que ficávamos até as duas da manha ensaiando a nova coreografia — um mashup de todos os hits de Britney Spears.

Era meia noite. Eu marquei com os meninos que comemoraríamos nosso ultimo dia antes do Primeiro Grande Jogo com uma escola particular de Londres.

Pude ouvir o uivo da correria das meninas ao meu redor.

Todas loucas pela última noite em Hampshire.

Acabei colocando um moletom sobre meus ombros cinza, olhei de relance para meu rosto: as olheiras arroxeadas continuavam cobertas por uma fina camada de maquiagem a prova d’água, meus lábios ainda estavam na cor vinho e meus cabelos presos em um rabo de cavalo corrido, embora eu tivesse adorado o estado não deplorável do meu rosto, eu ainda podia ver aquela cor cinzenta e abatida. Que eu esperava que fosse embora. Logo.

Segui os passos de Clarisse até sentir a brisa fria da madrugada de Hampshire. Em certos cantos do campo estava completamente imerso na escuridão, espaços centrais e laterais ainda estavam iluminados pela luz artificial das enormes lâmpadas.

Observei Clarisse apressar os passos sobre as sapatilhas até estarmos correndo, uma atrás da outra, um sorriso suspeito em meu rosto até estarmos pulando as fileiras das arquibancadas.

Chegamos ofegantes, com suor descendo pela nossa testa e axilas. Eu podia sentir a fina camada por cada parte do meu corpo, mas todos estavam assim ao redor de uma garrafa de tequila com limões picotados em dois copos plásticos e gelo em mais cinco.

Seth me passou um copo com um sorriso.

– E então? Estamos comemorando o quê? — perguntei depois de um gole quente

Era a terceira vez que eu bebia após o treino. Na primeira, eu tive a pior ressaca da minha vida (que eu me lembrava), na segunda foi mais fácil e eu esperava que amanhã não tivesse com dor de cabeça.

Thalia estava no colo de Nico, beijando-o enquanto um copo igual ao meu pendia em suas mãos.

Eu vi Percy. Ele virava o copo em suas mãos e o reencheu, Seth o encarou, como se pedisse para que ele fosse com calma.

E ao lado de um dos caras estava Rob. Ele não era jogador, mas participava de todas as jogadas pelo simples fato de que seus tios conheciam o treinador Hedge.

Acabou que todos os jogadores adoraram o Robert, mas Percy ainda era o líder, portanto, quando ele dizia "não vamos fazer isso"...

Ninguém iria fazer nada.

Rob sorriu e inclinou a cabeça pro lado, seus lábios se mexeram expressando "surpresa".

Dei um gole em minha bebida, a conversa aumentando gradativamente.

– A que estamos comemorando? — perguntei novamente a Seth

– A futura vitória! — ele gritou erguendo o copo

Vários gritos estavam sendo ouvidos, em seguida, rimos sem saber ao certo ao que estávamos comemorando.

– Não comemore antes do tempo. — Percy resmungou

– Você é o bêbado mais chato que já conheci, cara.

– Só estou dizendo a verdade. — seus olhos pousaram em mim, desviei, Rob também me olhava

– E então, gata, como estão as coisas?

Ri, apoiando meu corpo na lateral de Seth.

– Você é um bêbado irritante. — disse

– Talvez.

Seth encostou a cabeça em meus cabelos, suas mãos estavam pousadas em minha cintura, acariciando-a, no entanto, mesmo que ele tivesse alguma malícia nisso, decidi ignorar. Eu havia dito que queria que entres nós só houvesse amizade.

Eu acho que ele entendeu, entretanto.

– Qual é a sua com o novato? — ele perguntou, arqueei as sobrancelhas — Quero dizer, nosso líder não curtiu muito essa ideia.

– Desde quando seu líder tem algo a ver comigo?

– Desde que rolam boatos que vocês ficaram juntos nas férias de inverno.

– Hm, e quem sabe disso?

– Bem... — ele tossiu, bebericando sua tequila — Quase todos.

– Não tenho nada com seu líder. — retruquei

Olhei ao redor. Deveria ser uma hora e meia e nosso grupo havia diminuído consideravelmente em Seth, Percy, Clarisse, Chris, eu, Thalia, Nico, Rob e Katie.

Seth, por fim, se desvencilhou de mim.

– Vem, vamos nos enturmar.

Assenti, com a mente aérea.

Era difícil se enturmar quando seu ex-namorado e seu novo acompanhante estavam sentados lado a lado, evitando uma conversa civilizada.

– E então, Annie, você acha clichê? — Katie me perguntou

Encarei seus olhos castanhos, me davam nojo. Como pude pensar que algum dia eu poderia confiar nela? Tudo bem, ela não sabia do meu rolo com Percy, era uma suposição, mas mesmo assim... Suspirei e sorri, deixando meu copo pela metade na fileira acima.

– Bem... — mordi o lábio inferior, tentando me lembrar do que eles falavam — Pedido em namoro, certo? — ela assentiu, sorridente demais — Parece ser legal. — dei de ombros

Seth gargalhou.

– Você fala como se ninguém nunca tivesse te pedido.

– Olha pra cara dela, cara! — Nico gritou, uma fileira acima, as mãos espalmadas ao redor de sua namorada — Não é como se ninguém nunca fosse pedir a Annie em namoro.

Thalia riu, também.

Dei de ombros, corando.

– Não sou isso tudo, desculpem, desculpem. — fingi esnobar, jogando meu cabelo pro lado.

Todos riram. E a conversa continuou. Sem mim.

Rob sentou-se ao meu lado depois de algum tempo. Seu sorriso era brilhante, não cansado e automático, como deveria estar o meu.

– É melhor parar um pouco, não acha? — ele pegou o copo descartável em minhas mãos, jogando a tequila entre o vão de cada fileira

Revirei os olhos.

– Eu estou bem. — insisti

– Da última vez que eu chequei, você repetiu as mesmas palavras das duas últimas vezes.

– Rob...

– Ok, ok, não vou fazer o gentleman certinho, me desculpe.

– Ótimo. — resmunguei

Percebi que ele trazia um buquê em suas mãos. Arqueei as sobrancelhas, confusa.

– O que é isso?

Ele corou, seus dedos ficaram nervosos de repente, e ele agarrou a ponta com poucos espinhos. Por fim, pigarreou.

– É pra você.

Rob levantou o buquê; eram roxas e eu não sabia o nome delas, pelo simples fato de eu odiar flores, mas o fato dele passar o pequeno mico de trazê-las para mim, com aquele cheiro profundo e forte de lavanda, tive que sorrir. Pegando-as com as pontas dos dedos, como se fosse se desfazer com o toque.

– Ai, meu Deus, elas são lindas. Obrigada, eu não sei porque, mas... Obrigada.

Ele riu, coçando a nuca.

– Bem, por me ajudar na adaptação e tudo mais. Foi muito legal o fato de deixar seus amigos de lado apenas para me fazer sentir bem.

– Ah, Rob, não foi nada. Juro, eu nem estava pensando nisso... — abaixei os olhos para as flores — Deus, isso é tão lindo, muito obrigada, mesmo, isso é maravilhoso! Não me lembro da última vez que me deram flores.

– Não precisa disso tudo.

– Ah, cala a boca, elas são lindas, obrigada. — continuei

Inclinei-me sobre ele, beijando sua bochecha. Rob segurou meu pulso e eu pude ouvir gritinhos onde antes era silêncio. Seus olhos estavam tão próximos, eram tão azuis. Tão elétricos e tão perfeitamente atraentes. Engoli em seco, sabendo o que eu queria fazer em seguida.

Intercalei meus olhos entre os seus e os lábios inclinados e entreabertos em minha direção. Desci meus dedos pela sua bochecha, encostando nossos lábios levemente.

Rápido demais.

– Mas que porra...? — era a voz de Percy

Afastei-me em um pulo. O buquê entre meus braços.

Percy avançava, os olhos antes nebulosos estavam repleto de fúria. Ele segurou o colarinho da camisa de Rob, empurrando-o.

– Qual é, cara? — Rob levantou as mãos, confuso

Apertei o buque em meus dedos, arfando.

Qual é? – Percy zombou com raiva, aproximando-se dele

Todos pareciam entorpecidos. Os copos descartáveis parados no ar e os olhos vidrados na pequena briga que ocorria.

– Você está achando que pode chegar nela de qualquer jeito? — seu tom de voz era fatal enquanto se aproximava — Hein? — gritou

– Olha, cara, a Annie, ela está ali, ok? E bem, eu acho que você deveria superar o que quer que você tenha tido com ela.

Percy socou seu queixo, eu sabia que ele era rápido e eu mal conseguia me mexer, meus braços eram feitos de pedra, segurando o buque e meus olhos não conseguiam desviar das ações que ocorriam em frente ao meus olhos. Percy segurou sua gola, Rob chutou sua canela, no entanto, não foi o suficiente para que ele o largasse.

– Se você sonhar em encostar nela novamente... Não vai sobrar um pedaço seu para contar história.

– Gosto de me arriscar pelas pessoas certas. — Rob arfou

Percy sorriu — o sorriso irônico e meio diabólico que eu costumei ver enquanto ele falava com Jack. Não pude impedir um arrepio de percorrer todo meu corpo.

– Ela é minha. Minha. — aproximou o rosto de Rob que foi mais esperto ao acertar um soco em seu supercílio

Percy se afastou, enquanto Rob lhe acertava outro soco no estômago e então, eu gritei. Eu nunca tinha visto Percy apanhar e vê-lo com sangue no rosto me aterrorizava.
As pessoas pareceram acordar do transe, mas já era tarde: Percy socou o nariz de Rob que por sua vez, acertou-lhe outro no lábio. Seth segurou Percy pelos pulsos, Rob lhe socou mais duas vezes no rosto. Deixei o buque cair das minhas mãos ficando na frente de Percy.

– Escutou, calouro? — ele gritou atrás de mim — Tente chegar perto dela! Tente beija-la novamente e eu juro, juro que te faço ficar cego!

– Acho que provei o contrário, veterano.

– Seu filho da puta! Mas que tipo de...

– Chega. — falei por cima do ombro

Podia ouvir a respiração pesada de Percy e sabia o quanto Seth deveria usar sua força reserva de bêbado.

– Leve isso pra...

– Enfermaria? — Percy zombou — Você vai me trocar por esse marica?

– Annie, se ele for para enfermaria... — Seth começou a falar

– Annabeth... — Percy sussurrou — Vamos pro meu quarto e vamos fod...

– Cala a boca! — Rob gritou, avançando

– Cara, você está bêbado... Annie, eu vou leva-lo pro quarto e...

Encarei Nico. Ele não parecia acreditar no que estava vendo, Rob só tinha um filete de sangue descendo do nariz e o queixo vermelho. Algo que curaria fácil com gelo. Já Percy tinha um corte na sobrancelha direita, e um filete grosso de sangue descia do canto de seu lábio e seu olho provavelmente ficaria roxo.

Thalia me encarou, parecia relaxada e seus olhos me perguntavam "o que vai fazer?". Eu não queria encarar ninguém, sabia que ficaria constrangida ou algo do tipo, portanto encarei os olhos cor de mel de Seth, tentando parecer decidida enquanto Percy ainda me encarava com os dois olhos pidões.

– Seth, você pode levar o Percy pro quarto dele e eu dou um jeito de passar lá. E Rob... — encarei seus olhos azuis visivelmente magoados — Me perdoe. Eu... — engoli em seco, seguindo seu olhar ao ver o buque no chão — Vou te ver... Logo. — prometi

Encarei Thalia pedindo por ajuda e ela sorria, assentindo. Peguei o buque antes de passar pelos olhos acusadores, pulando todas fileiras até atravessar o vestiário com lágrimas nos olhos sem saber o motivo certo delas parecerem tão sofridas, solucei assim que alcancei a ala feminina. Tapei minha boca com uma das mãos, tentando diminuir o barulho que meus sapatos já faziam contra a escada.

Tive tempo de abrir minha porta antes de desabar sobre a mesma, soluçando alto.
Eu odiava Percy. Eu o odiava com todas as malditas forças que ele deixara no meu corpo. E eu faria o possível e o impossível para vê-lo sofrer. Nem que eu tivesse que sofrer junto com esse infeliz.

***

– Ai, Annie, est...

– Não me chama de Annie. — retruquei com dureza, apertando o algodão com álcool contra o ferimento em supercílio

– Eu só estava te protegendo! — ele resmungou, afastando-se milimetricamente dos meus dedos — Ele ia te deixar como qualquer uma dessas vadias...

Apertei o algodão com toda minha força contra seu corte, vendo-o gemer prolongadamente, dando um tapa estalado em minha mão logo em seguida.

– Você está louca?

– Você está bêbado. — afirmei, jogando o algodão sujo contra o chão limpo do seu quarto e pegando outro — E errado. Você me fez parecer uma vadia. Obrigada, aliás.

– Eu estava te protegendo, quantas vezes irei ter que repetir isso? — seus olhos se cravaram em mim pela milésima vez

Meus olhos pairaram sobre os seus. Um tom de verde escuro com pontinhos claros que pareciam vagar para as extremidades do musgo escuro. Estreitei os olhos, pensando em como ele ficava atraente com aquele corte limpo no canto da boca e o corte vermelho em seu supercílio. Deveria ser cinco da manhã e às nove, tínhamos que estar pronto e nos encaminhando para o jogo em Londres.

Nós nos olhamos, provavelmente segundos, mas pareceu uma eternidade. Eu queria senti-lo e queria gritar com ele ao mesmo tempo. No entanto, tudo que eu fiz foi molhar o algodão em mais álcool antes de perambular pelo seu rosto, limpando qualquer corte superficial que havia sido feito.

– Você está com dor em mais algum lugar? — perguntei, lendo os versos das pomadas, pensando alguma que fosse cicatrizar aquilo o mais rápido possível

– Não. — sussurrou

– Certo. — mordi o lábio inferior, inclinando-me ao colocar a pomada em seu supercílio.

Fiz o mesmo no canto de seu lábio inferior, Percy fechou os olhos, respirando rápido, seu peito subia e descia com uma rapidez absurda. Percebi que deixei meu dedo parado por muito tempo, eu estava prestes a tirá-lo de lá quando ele segurou meu pulso, os olhos ainda fechados enquanto passava o dedo tirando o resto de pomada que ficara na ponta. Por fim, beijou a ponta do mesmo, abrindo minhas mãos e pousando em seu rosto, minha palma sentia a barba que crescia, a maciez de sua pele e as pontas dos meus dedos tocavam o local abaixo de seus olhos, onde manchas claras comprovavam que ele não dormia bem há algum tempo.

– Por favor... Ele não te merece.

– Nem você. — tentei puxar minha mão, mas o aperto em meu pulso aumentou

Ele abriu os olhos. Estavam mais claros. Eu podia sentir sua dor, seu sofrimento e sua mão tremendo enquanto agarrava a minha. Era maior ou tão horrível quanto a minha.

– Ele é um novato. Só quer mostrar que pode ter a líder de torcida na hora que quiser. Annie, e nós? Cadê aquela garota que ficou comigo todo aquele tempo e me prometeu que nunca iria embora?

Franzi os lábios. Sentindo lágrimas invadindo meus olhos, porém eu não me permitiria chorar na frente dele.

Não aqui, não agora. Você não pode fazer isso. Murmurei na minha mente.

– Você a perdeu. Conforme-se. Você queria me afastar de você, não era? Você mesmo disse que era perigoso, que eu não podia me apaixonar por você e olha onde estamos. — ri, sem graça, puxando meu pulso da sua pele e cruzando meus braços, ainda sentada em um pufe azul do seu quarto em frente à cama — Você estava certo, tenho que admitir. Você é perigoso. — murmurei, inclinando-me, eu esperava que meus olhos estivessem parecidos com navalhas que estivesse se remexendo dentro dele, torturando-o a cada segundo — E eu finalmente me dei conta disso. E me afastei.

– Eu juro que eu não vou te machucar. — ele se rastejou, ficando levemente apoiado na cama, suas mãos procurando as minha- Eu juro, juro que vou mudar. Eu te quero tanto, Annie. Eu preciso tanto. Você não entende? Fomos feitos para ficar juntos. Juntos.

– Você provou o contrário. — confirmei — Você não me machucou do jeito que pensa. Você me machucou mais que qualquer pessoa nesse mundo.

– E o que acha que ele vai fazer? Você realmente acha que ele vai ser seu amiguinho, vai te abraçar e vai achar seus felizes para sempre? — ele gritou, levantando-se em um impulso — Você acha?!

– Sabe? — empurrei-o pelo peito, levantando-me também — Eu acho! Sabe por que? Enquanto você estava lá, procurando seu final feliz com Rachel e suas outras putinhas, ele estava comigo! Em meu quarto! Estávamos de boa até você fazer o drama de um bêbado!

– Procurando meu final feliz? — zombou, bufando — Meu final feliz é com você! Quando vai entender isso?

– Quando você me provar isso! Quando você fizer algo que realmente me impressione. Quero dizer, nada que venha de você vai me impressionar. — me aproximei dele, meu indicador afundando em seu peito nu — Porque você fez de tudo. Quero dizer, primeiro, gentleman. — pontuei com um ar irônico — Segundo, traficante. Terceiro, bêbado deslavado e drogado. Pode ter certeza, você não vai me surpreender mais que isso.

Nossos olhares se encontraram mais uma vez. Sua mão subiu da minha cintura, prendendo-me contra seu corpo com força. Arfei ao sentir uma de suas mãos dentro da minha blusa e a outra, apertando minha bochecha. Seus lábios encostaram nos meus com leveza, suavidade. Eu até podia sentir um claro pedido de desculpas que eu não queria e eu não ia aceitar. Respirei fundo, sentindo sua língua lambendo meu lábio inferior com naturalidade. Fechei os olhos, empurrando seu ombro com força.

Nunca mais faça isso. Entendido? — gritei com um dedo rente a ele

Seus olhos não poderiam demonstrar mais sofrimento. Seu rosto era impassível, entretanto.

Encarei a maleta de primeiro socorros que consegui pegar da enfermaria sem ninguém desconfiar. Peguei um analgésico que eu havia lido que curava dores musculares, joguei contra o peito de Percy, sabendo que ele não ia se dar o trabalho de pegá-lo do chão.

Grunhi, de raiva, talvez.

– Vai servir pras dores. — resmunguei virando as costas

– Annabeth. — ele me chamou, baixo o suficiente para que saísse feroz — Se você passar por essa porta... — arfou antes de continuar, pude ouvir baixos passos — Se você passar por essa maldita porta, eu juro que nunca mais... Eu nunca mais vou ser o mesmo. Nunca.

Mordi o lábio inferior. Não chore, você não pode chorar. Você não é fraca.

Engoli em seco. A maçaneta não estava tão distante, talvez alguns três passos e eu teria que correr antes que eu alguém me visse saindo do quarto dele e teria que procurar o quarto de Rob, ainda.

Ou talvez, eu poderia me virar e beijá-lo. Esquecer que talvez ele ainda estivesse sobre o efeito da tequila, esquecer que um dia brigamos ou que ele estivesse tão machucado por causa de um calouro. Eu poderia simplesmente esquecer e ter uma das melhores noites da minha vida.

Mas era difícil esquecer. Era difícil me dar conta de que ele tinha ficado com mil e uma garotas apenas porque queria enquanto eu chorava escondido no meu quarto, aninhada a travesseiros. E quando, finalmente, alguém que parecia me entender, alguém que me abraçava além de Thalia e me fazia gargalhar mesmo que eu quisesse estar deitada, tentando falar com minha mãe, bem, esse alguém tinha que estar preservado. Talvez, Percy tivesse outro surto de bipolaridade e simplesmente desaparecesse, pegando qualquer uma.

Passei a mão pela minha nuca levemente suada.

– Espero que mude para melhor, Jackson.

E com essas últimas palavras, avancei até a maçaneta, engasgando com meu próprio soluço. Eu tinha certeza que ele sabia que eu estava chorando, já que quando eu abri a porta, a visão de seu corpo seminu estava embaçado e minhas bochechas, molhadas.

Notas finais
AI QUE CONFUSO ATE EU TO CONFUSA OK Tipo, o que o Percy quer finalmente? Voltar? E Annie não quer? É isso? Mais opiniões sobre o estuprador? E Rob? Por que vocês o odeiam tanto? Ele é apenas um novato que quer a Annie? Por que o ódio? Próxima semana, em Nightingale.