Nightingale.
65 Can't you see?
Notas iniciais
"I'm dead in the water, still looking for ya"
Eu finalmente acordei do que pareceu um eterno sono.
Bocejei. Me sentindo desconfortável, meus braços doíam e aos poucos, minha memoria voltou.
Eu poderia agir como se tivesse acabado de ter um sonho, abriria os olhos e descobriria que fora tudo real. Mas, não importava, na verdade, eu simplesmente vivi tanta coisa em Califórnia que eu não duvidava de nada mais.
E foi isso que aconteceu quando abri os olhos e me deparei com uma parede suja, coberta de mofo, a tintura descascando aos poucos e várias teias de aranha que fizeram minha nuca suar.
Engoli em seco, encarando o outro lado — uma coluna retangular com as mesmas características da parede cinzenta, no entanto com um espelho quebrado que me deixava ver o perfil do garoto sentado contra minhas costas.
Percebi que minha bunda estava contra o piso frio, o short curto e roxo contra minha pele. Gemi, frustrada.
– Acordou?
Não respondi. Eu queria soca-lo, deixar seu rosto bonitinho sangrando. O problema era que meus pulsos estavam presos por uma corda e quanto mais eu tentava mexer, mais doía. Desisti. As pontas dos meus dedos roçando levemente contra a lombar de Percy.
– Você está bem?
– Quer descobrir mesmo, Sherlock? — zombei
– Annie...
– Annie nada! — gritei contra ela — Onde nós estamos, afinal? Que lugar é esse?!
– Meu galpão.
A voz de Rob preencheu o galpão me fazendo calar a boca.
Virei meu rosto para meu ex-namorado, seus olhos estavam cravados em nós. Percy bufou ao meu lado.
– Que brincadeira idiota é essa, Rogers?
– Não é nenhuma brincadeira, Jackson. — cruzou os braços
– Rob. — gaguejei — O que está fazendo?
– Eu? Nada demais. — revirou os olhos
– Pode crer. — Percy concordou em um resmungo — Agora, dá pra você nos tirar daqui antes que eu arranque suas bolas?
– Suas ameaças são tão clichês, Jackson. Como um garotinho no colegial.
– Eu costumo fazer elas funcionarem. E, não se preocupe, elas causam tanto sofrimento quanto parece.
Rob riu, aproximando-se de nós.
– Agora estamos apenas nós. — ele inclinou-se sobre suas botas negras, andando em direção a nós
– Robert Rogers, — comecei — não importa que brincadeira idiota seja essa, me tire daqui! – gritei a última parte
Ele fez uma careta, estreitando os olhos.
– Calada.
– Calado você, Rogers! — Percy vociferou
Rob sorriu, cruzando os braços. Arqueei as sobrancelhas, confusa.
– O que quer conosco?
– Vingança. — resmungou, como se fosse óbvio
– Ah, não, que surpresa. Todos querem isso, mas por quê? — Percy retrucou
– Vamos começar pro uma parte melhor... Diga-me, como é saber que sua vadia gritou meu nome todas essas noites?
Senti uma pontada de dor quando a palavra vadia pareceu ter deslizado de sua boca, seus olhos não estavam em mim e eu agradeci, pois se eu estivesse, provavelmente eu choraria.
Percy riu.
– Que tipo de vingança é essa?
Rob se aproximou de Percy, deixando seu corpo em pé.
Fechei os olhos, pensando em onde isso levaria.
– É só o começo. Como deve ser para seu ego quando ela gritava meu nome, pedindo por mais e mais... Hã?
Percy riu, encarei a coluna retangular, encarando seu perfil, sua cabeça abaixada com um sorriso. Ele levantou a cabeça, sorrindo.
– Não sei se vai servir, mas aposto que até pro seu ego é horrível saber que todas as vezes que ela negava era porque estava comigo. Quando nos cruzávamos na escada da ala feminina, eu estava com ela. Nos dias que ela estava dolorida, foi comigo. Ela até preparou uma coisa meio Cinquenta Tons de Cinza, sabe? Você deveria ver, foi maravilhoso. E sabe aquela calcinha vermelha que você encontrou meu armário esses dias enquanto mexia em minhas coisas? Sabe de quem era...
Rob não permitiu, dando um soco em seu nariz, interrompendo seu pequeno discurso de quem era melhor. Gritei, tentando me afastar, percebendo que meus tornozelos também estavam presos.
– Covarde. — Percy cuspiu sangue para o outro lado, um filete de sangue escorrendo pelo seu nariz e deslizando sobre seu lábio superior — Vem, me solte, vamos ver quem realmente é o fodão.
– Não vou perder meu tempo com você, essa vadia nunca foi nada para mim mesmo.
– Dá para parar de me tratar como objeto? — gritei — Eu estou bem aqui, se não perceberam! E olha, Rob, eu realmente não sei que porra você está tentando fazer, mas não tem como resolver isso enquanto estou sozinha e vocês dois estão tomando um chá no Starbucks? Sem envolver essa arma presa em sua cintura, que olha, dá pra ver tudo. — ralhei
– Vá direto ao ponto, apenas. — Percy revirou os olhos
– Direto ao ponto? É isso que querem, tudo bem. — deu de ombros, andando de um lado para o outro — Seu pai — apontou para o moreno trancado a mim — matou meus pais, matou minha ruiva.
– Sua ruiva? — perguntei, inclinando a cabeça — Quem é sua ruiva?
– Você não está com ciúmes, está? — Percy murmurou, encarando-me pelo espelho
– Não é da sua conta.
– É da minha conta, sim.
– Dá pra calar a boca? — resmunguei — Estamos sobre a mira do meu ex-namorado maluco, tentando se vingar de seus paizinhos mortos e de sua ruivinha, porra. — respirei fundo ao sentir o tapa forte contra a lateral do meu rosto
Encarei Rob, seus olhos azuis estavam repletos de dor. Era notável. Como se bater em mim doesse mais nele, ergui os olhos, negando que as lágrimas idiotas descessem, deixei meus olhos transparecerem frieza. Rob engoliu em seco e desviou os olhos.
– Assim que você me soltar, tenha certeza que você vai se foder muito. Eu literalmente vou arrancar suas bolas. — Percy ameaçou novamente
– O que quer conosco, Rogers? — vociferei — Quanto mais rápido contar sua historinha emocionante, mais rápido podemos terminar com isso.
Rob estava com um sorriso no rosto quando começou a falar. Eu não passei muito tempo com ele, mas o conhecia. Sabia que seu sorriso era forçado e que seu pé batia no chão com força, mas não era por raiva ou qualquer coisa do tipo, ele estava nervoso.
– Maxwell Rogers. — ele colocou as mãos atrás das costas, caminhando ao nosso redor — Você estava procurando sobre ele, não era?
Engoli em seco, as peças começando a se encaixar. Senti um arrepio passar pela minha espinha, meu corpo começando a tremer lentamente.
– É, Chase, ele era meu pai.
– Não... Não pode ser... Seu pai... Seu pai pode...
– O que ele está dizendo? Annie, o que ele...
– Não foi isso que aconteceu, Annabeth, o pai dele matou meu pai.
– Meu pai? — Percy gritou contra ele — Meu pai? Você sabe o que está falando, cara?
– E por quê nos trouxe até aqui? Se era o pai dele, por que me trouxe? — vociferei
– Você veio no pacote. — Rob nos virou as costas, parecia desconfortável — Não queria que você viesse, mas você estava na hora errada, darling. A pequena vingança é minha, sim, mas tem algo maior que os envolve. Que nos envolve.
– Algo maior? — Percy perguntou, inclinando-se sobre mim — Não existe algo maior.
Existe você nos soltar, de preferência, agora.
– Pare de reclamar, Percy. — resmunguei
– Seria ótimo se você a ouvisse, Jackson. — Rob voltou a andar por uma porta a minha frente, não era bem uma porta, era uma saída, como um portal, sem nada coberto que daria para um lugar sinistro no balcão
– O que vai fazer com a gente?
– Respostas. — ele sussurrou alto o suficiente para que ouvíssemos
Suspirei. Estiquei meus dedos, tentando relaxar meu corpo tenso, o suor descia pelas laterais do meu corpo, as pontas de minhas unhas tocando na lombar de Percy, ele se remexeu.
– Annie. Seu celular está com você?
Balancei a cabeça, encarando o espelho quebrado, percebendo o sangue descer pelo queixo de Percy.
– Você está bem? Esse sangue...
– Não é nada demais. Vamos pensar em um jeito de sair daqui, tudo bem? Quer me explicar detalhadamente quem é esse Maxwell Rogers? — ele perguntou, um pouco agressivo
Encarei o teto. Era alto demais, parecia velho demais, nos cantos, as tinturas saíam e caíam no chão e devido as chuvas rigorosas no inverno, o teto poderia desabar a qualquer momento, em alguns pontos, a cobertura não existia mais e eu podia ver o céu límpido de Hampshire, o que nos fazia ter um pouco de luz em um lugar tão abafado e sinistro quanto aquele.
– Maxwell Rogers era um participante da equipe de... Nossos pais. — comecei — Ele estava na Califórnia quando meu pai foi morto e... Thomas nos disse algo sobre o pai dele...
– Não. — Percy riu, sem nem um pingo de graça em sua voz, ele pendeu a cabeça para cima, apoiando-a em meu ombro, do mesmo jeito que eu estava com ele — Não acredito que você acreditou naquele cara.
– Perseu, calma. — pedi, respirando fundo — Entenda que é... Não sei, o Thomas me disse que o pai dele não planejava matar meu pai com incêndio... Jack queria provas, queria deixar sangue, queria deixar rastros. — Percy não me interrompeu e pelo seu perfil, parecia querer continuar escutando — O incêndio foi totalmente o contrário do que ele planejou. E... Eu tive um... Mini-surto, eu acho, eu lembro do rosto de Jack. Ele parecia confuso.
– Gosto de ouvir sua voz. Eu a ouviria pelo resto de minha vida, se Deus permitisse.
Senti minhas bochechas corarem e bufei.
– Você está pensando nisso? Não estava me ouvindo? Estamos presos em um balcão com um maluco que é meu ex-namorado.
– Isso não melhora as coisas.
– Não! — concordei
– Tudo bem, você está com celular aí?
Se eu tivesse com minhas mãos livres, eu provavelmente daria um soco nele.
– Rob pode ser um maluco, mas não é burro. E meu celular estava em minhas calças, eu 'tô sem ela se você não percebeu.
– Você... O quê?! — abafou um grito
– Se irritar agora não vai adiantar nada. Temos que... Pensar. — suspirei
– Esperar. — ele mexeu os ombros, escorando-se em minhas costas, como se estivesse preparando-se para dormir
– No que você está pensando? — disse, ouvindo minha voz repleta de raiva
– Em esperar. Quer gritar? O mínimo que ele pode fazer é vir te bater e me deixar com mais raiva. Então, podemos ficar quietos, tentando entender o que ele vai fazer e esperar.
– Esperar?
– É, Annabeth. Confie em mim, esperar é a única coisa que podemos fazer agora.
– Esperar? Você não esperaria. — repeti — No que você está pensando?
– Você vai ver.
Encarei seu perfil mais uma vez. Ele estava de olhos fechados, apoiados em mim. Mordi o lábio inferior, sentindo-me desconfortável. Meus pés estavam amarrados com uma corda grossa que arranhava meus tornozelos, meus braços doíam por estar na mesma posição por tanto tempo e eu sabia que se eu me mexesse mais, eu poderia arranjar lindas cicatrizes. Sem contar que minhas mãos estavam presas junto com as mãos de Percy.
Esperar. Eu não sabia fazer isso.
– Você acha que ele está sozinho? — comecei, mordendo o lábio
– Não. Ele não poderia nos trazer aqui... Sozinho.
– O que foi aquilo que ele colocou no carro?
– Deve ter sido algum sonífero em forma de gás. Ele deve ter colocado na caixa do aquecedor ou algo do tipo, não é muito difícil.
– Tudo bem. Estou tentando não surtar aqui, mas não tem como, sabe? Por que você está tão calmo? Por que você... — respirei fundo, vendo Percy dar um sorriso de canto — Por que está sorrindo?
Ele não respondeu, mexeu-se em minhas costas, praguejando e virando o rosto, o máximo que seus lábios podiam fazer para tocar em meu ouvido.
– No canto esquerdo... Por onde ele saiu, está vendo? — ele sussurrou, assenti — Ali atrás é uma câmera, do tipo que sua mãe estava presa lá na mansão do Jack. Ele está vendo e monitorando tudo que estamos fazendo aqui, ele vai desconfiar nesse momento e é por isso que eu não posso te dizer o que vai acontecer... — puxei ar, procurando as palavras para reclamar e achar um meio dele me dizer, mas ele foi rápido demais ao me cortar — Não fale nada. — advertiu
Então, voltou a se aconchegar em minhas costas.
– Vai dormir? — perguntei
– Vou.
– Não está com medo? Não está com medo dele fazer algo contra nós?
Percy grunhiu.
– Tirar sua calça já foi algo contra nós.
Encarei minhas pernas nuas e as puxei contra mim, o que me deixou mais ainda desconfortável. Elas doíam e estavam frias de mais, podia sentir meus pés dentro dos tênis começando a tremer. Respirei fundo.
Controle-se. Resmunguei para mim mesma.
– Annie? — Percy me chamou, levantei o rosto — Tente descansar. Ele não vai fazer nada conosco. Por enquanto.
***
Minha boca estava seca. Eu não bebia nada desde que saí do jogo no dia anterior, o que me dava, pelas minhas contas, umas belas quinze horas ou mais.
O sangue do queixo de Percy tinha parado de descer, mas isso não queria dizer que ele estava com uma aparência melhor. O filete de sangue era grosso e estava seco, como se pudesse pingar no canto de seu queixo. Eu evitava olhar para o espelho, já que da última vez que o fiz, Percy ralhou comigo. “Não me olhe com pena. Não preciso disso”, reclamou.
Então, eu começara a contar as aberturas das paredes. Deveria ter passado umas cinco horas e minha tabela mental tinha 578 rachaduras até Rob passar pela porta com dois copos de água.
Senti minha boca salivar, eu queria gritar, implorar e me rastejar – se eu pudesse – pelo chão. Eu precisava daquela água. Precisava dela, assim como precisava do oxigênio e se ele não me desse, eu provavelmente morreria aos poucos.
Rob deixou um copo de água longe o suficiente de nós. Percy se remexeu atrás de mim, avaliei seu perfil mais uma vez, no entanto, não pude ver a ânsia que estava em meu rosto – era apenas frieza e raiva.
Meu ex-namorado apoiou-se sob os tornozelos, segurando minha nuca com carinho. Eu não queria, mas meu corpo tremeu e se arrepiou com o toque de seus dedos, carinhosos e atenciosos contra meus ralos cabelos.
– O que você está fazendo? Robert, se você...
– Cala a boca, Jackson. Se você não quiser que ela morra, ela tem que beber isso.
Podia ver os olhos verdes me avaliando pelo reflexo, fechei os meus. Tentando relaxar quando senti a água gelada tocar meus lábios. Primeiro minha garganta fechou, tossi muito, sentindo a outra mão de Rob descer para minhas costas. Ofeguei, implorando por mais, ele o fez, de prontidão. A água era gelada e saborosa, tirava o gosto ruim da boca e passava pela minha garganta com voracidade. Achei que não poderia aguentar mais de felicidade quando abri os olhos e me dei conta que havia acabado. Rob sorriu ao meu lado, afagando minha franja bagunçada. Seu sorriso era o típico que me atendia quando nos víamos pela primeira vez.
Quem diria que ele me sequestraria com meu namorado por quinze horas?
– E Percy? – perguntei quando ele se levantou, pegando o outro copo de água, ele parou de costa para nós – A água de Percy. Ele também não vai aguentar por muito tempo. Se quiser fazê-lo sofrer, é melhor mantê-lo hidratado. Ele vai morrer e você não vai ter diversão nenhuma nisso. – tentei, jogando toda a manipulação restaurada em minha voz
– Não quero diversão. – Rob disse, ainda de costas – Quero justiça.
– Justiça ou não, se ele morrer agora, quem quer que esteja te manipulando para fazer isso não vai gostar de saber que ele morreu e...
– Cale a boca, Chase. – Rob resmungou, vindo até nós com o segundo copo de água
Mesmo que Percy estivesse calado, quando ele se aproximou de nós com o segundo copo, pude ver seus ombros relaxarem. Sabia que ele não queria ser humilhado por um copo de água, mas tê-lo era o ponto máximo de nosso dia.
Rob não se abaixou como fez comigo, o que achei estranho, até perceber o que ele queria fazer. Virou a água na cabeça dele que acabou caindo no meu rabo de cavalo, molhando a parte de trás de minha blusa.
Ele sorriu.
– É melhor tentar se aquecer, buddy. Vai fazer quinze graus hoje. O verão de Hampshire está chegando.
Senti a fúria invadir meu corpo, avançando por cada parte.
– Rob! Você não pode fazer isso! Rob! – gritei, arranhando minha garganta
– Se continuar gritando desse jeito, a água não vai ter servido de nada. – ele disse por cima do ombro – Poupe-se, Annie.
E então, desapareceu pelo mesmo lugar que tinha vindo.
Percy balançou a cabeça, tirando os cabelos longos de cima da testa.
– Ele está certo. – sua voz era baixa e rouca demais – Não grite. Eu estou bem.
– Você sabe que não está bem! – ralhei, mexendo minhas mãos – Você sabe! Você pode ter alguma coisa...
– Eu estou bem. Agora pare de gritar, você está me dando dor de cabeça.
– Você disse que tínhamos que esperar? Por mais quanto tempo, Percy? Quanto?
Ele suspirou, encarando o teto.
– Não sei. Mas é a única coisa que podemos fazer nesse momento.
– Você não tem nenhuma arma escondida pelo seu corpo? – resmunguei, senti seu corpo enrijecer, mas não fiz questão de me preocupar com isso, ele estava assim há muito tempo – Você poderia ser um pouquinho amigável com ele , não é? Quero dizer, se você tivesse dito um “olá” “bom dia” ou essas coisas que homem falam, nós nem estaríamos aqui.
– Isso não tem nada a ver, Annabeth. – ele riu baixinho – E se continuar falando, a água não vai ter servido de nada.
– Não me importo de não ter água no corpo, se você também não tiver.
Os ombros dele caíram, cansados. Ele suspirou e senti seus dedos tocando minha lombar, calmamente, em um carinho íntimo. O máximo que poderíamos nos tocar, seus dedos subiam e desciam até a barra do meu short, fazendo o mesmo percurso infinitas vezes. Suspirei, tentando relaxar com a ponta de seus dedos.
– Droga.
– O que foi? – perguntei, virando meu rosto rapidamente para o espelho
Seus cabelos ainda estavam molhados, o sangue seco impregnado em seu queixo, tinha saído, não o suficiente para tirar o rastro, mas o suficiente para não me sentir preocupada. No entanto, pequenas gotas voltaram a cair.
– O que você fez? – ralhei
– Eu mordi. Que merda.
Respirei fundo, tentando ignorar seus xingamentos atrás de mim. Se estressar não vai adiantar de nada, certo? Nada.
Foram-se minutos até que o sangue estancasse o suficiente para não cair de seu lábio inferior. Ele tossiu, encolhendo-se e parando de mexer os dedos em mim.
Senti a raiva subir sobre mim mais uma vez. Eu não queria estar aqui. Não queria nem ter vindo para Hampshire. Poderia continuar morrendo aos poucos em minha casa em Califórnia, eu não me importaria. Talvez nem quisesse ter conhecido Percy, por que... Porque eu tinha que ser tão idiota.
– Se eu morrer... – ele começou
– Você não vai morrer! – ralhei, evitando gritar – Nem pense em dizer algo do tipo.
Percy riu, mexendo os ombros calmamente.
– Tudo bem. – concordou – Mas... Se acontecer algo comigo — encarei o espelho, surpresa, ao ver seus olhos verdes perdidos no teto — Quero que saiba que eu estou muito orgulhoso de você.
Eu ri, nasalmente. Bufando enquanto beliscava mais uma vez sua lombar.
– Você é um idiota! — gritei, batendo meus pés presos contra o chão — Eu te amo! É isso que eu quero dizer antes de morrer, eu te amo pra caralho e eu te odeio, sabe por quê? — encarei a parede suja a minha frente, segurando um soluço — Porque mesmo quando eu queria te esquecer, você ia me proteger como uma porra de um gentleman e é por isso que eu te odeio. Porque eu não queria que você fosse um gentleman... Na verdade, eu nem queria ter te conhecido, talvez eu nem estivesse aqui, prestes a ser morta pelo meu, oficialmente, ex-namorado.
– Isso é seu discurso pré-morte? — ele riu, sem graça
– Não é pra rir! Não tem nada de engraçado aqui.
– Vai dar tudo certo. Eu prometo.
Ele tossiu mais uma vez. Ignorei a sensação de querer abraça-lo e toquei sua lombar com os dedos.
– Vai dar tudo certo. – repeti com a voz baixa – Tem que dar tudo certo.
Foram-se mais horas.
Percy tinha conseguido dormir por segundos. Sua cabeça pendeu para o lado enquanto sua baba caía até o queixo. Sorri. Ele parecia ter se esquecido de todo o sofrimento que seu corpo carregava ao cair daquele jeito. Tentei parecer confiante. Nada daria errado. Eu tinha que confiar nele, alguém viria nos salvar e tudo daria certo.
Não confiei nisso por muito tempo. Quando ele acordou, estava atordoado e nem conseguia endireitar seus ombros com elegância. Seu rosto estava pálido e não importa o quanto eu arranhasse minha garganta pedindo por mais um copo de água para ele, ninguém vinha.
Até que Rob passou com um cara de óculos escuros e uma touca preta, ele vestia jeans escuros e um casaco verde.
– Achei que fosse demorar mais.
– Ah, eu tinha que dar uma passadinha aqui. – o desconhecido disse – Não posso demorar muito. – avisou
Eles sorriam, como se fossem velhos amigos se reencontrando. Não reconheci sua voz, muito menos seu queixo quadrado e o sorriso que tiraria o fôlego de qualquer uma.
Percy virou o rosto, mas aposto que ele não via nada.
Rob e ele vinham em nosso direção com calma, até o desconhecido empurrar minhas pernas para o lado e agachar-se a minha frente. Ele tirou os óculos escuros, me dando uma visão de seus olhos – uma imensidão negra, mas não parecia realmente dele, era artificial.
Perdi o fôlego. Senti meus olhos arderem, ofeguei, batendo meus pés no chão e empurrando-me para trás com força. Percy se remexeu, mas eu não conseguia parar de tentar sair dali. Eu queria gritar, mas apenas soluços estrangulados saíam de minha garganta.
O desconhecido sorriu. Os olhos diminuindo.
– Jay. – Rob ralhou, não parecia confortável, ele cruzou os braços, desviando o olhar de nós – Não importa o que você tenha feito, isso ficou para trás.
– Você sabia. – solucei – Você sabia que ele tentou me estuprar? Ele é seu amigo, não é?
Forcei minha mente a tentar lembrar de alguma coisa, algo que poderia me comprovar que ele era amigo de Rob.
Jay. O cara que o tirou da boate no primeiro dia que nos conhecemos.
– Ele quem? – Percy gritou, sua voz continuava rouca, ele se remexeu, do mesmo jeito que eu, tentando se virar – Quem é você? – virou o rosto, tentando enxerga-lo de alguma forma
– Jay, você disse que só queria vê-lo. – Rob continuou
– Você é muito linda mesmo, princesa. – podia sentir as lágrimas rolando pela minha bochecha, seus dedos prendendo-as em suas mãos enquanto eu virava o rosto, tentando não encarar seus olhos – Uma pena que dois marmanjos idiotas queiram te proteger.
– Por favor, não. – sussurrei, ignorando toda aquela agonia e dor que me predominava no dia em que aquilo aconteceu
– Pequena vadia. – Jay sussurrou
– Não fale assim com ela, Jay. – Rob tentou mais uma vez
– Não fale isso! Me solta! Eu vou acabar com suas raças, seu idiota! Se gosta dela, por que fez isso, Rogers? Por que não a deixou quando podia? Sua raiva é comigo, não com ela! – Percy continuou gritando
Jay revirou os olhos e voltou a colocar os óculos escuros.
Ele não parecia ter nossa idade, deveria ter vinte e um ou mais. Parecia um universitário com as roupas, embora largadas, davam um ar de elegância e riqueza.
Abafei meus soluços, sentindo meus ombros tremerem.
– Ele não vai fazer nada com você, meu amor. Está me ouvindo? Annie, eu estou aqui. Eu vou te proteger, se acalme. Meu amor. – Percy sussurrou, o rosto virado
Assenti, negando-me a continuar chorando. Engoli em seco e abaixei o olhar, ignorando os dois presentes na sala.
–...bom trabalho, Rob. O suficiente, na verdade.
– O que vai fazer agora? – ele perguntou, enquanto os dois viravam as costas para nós
– Sair da cidade. A vingança é sua. Eu só te ajudei porque estava te devendo uma, esqueceu?
Não ouvi nada. Não precisaria.
Contei até cinquenta, até sentir minha respiração normal.
– Annie. – Percy me chamou
– O quê? – funguei, tentando fazer com que minha voz estivesse normal
– Posso te pedir uma coisa?
– Se você não for falar de morte de novo... – tentei fazer graça, mas não foi muito bem vinda pela parte dele
– Não é nada disso. Fale baixo. – advertiu
Seu rosto virou-se, sua bochecha roçando em meus cabelos.
– Eu tenho um canivete em meu bolso, eu vou tentar tirá-lo, mas se ele for muito longe... Você tem que dar um jeito de pegá-lo, tudo bem?
– O que... Por que não disse isso antes?
– Porque agora eu estou com medo. E com raiva.
Eu quis rir de seu tom de voz, mas deixei isso para depois. Percy abaixou-se, inclinando o corpo para baixo cada vez mais até que sua cabeça batesse em minha nuca, levantou as pernas, como se fosse fazer um movimento de ginastica artística e balançou ambas as pernas. Fez isso por dois minutos até eu ver o brilho do canivete prateado, rezei para que ele caísse direto no vão entre nossas mãos, entretanto não foi isso que aconteceu.
O canivete caiu três dedos longe de nossas mãos.
Percy encarou o objeto brilhante e bufou.
– Sua vez.
Assenti. Inclinei-me pro lado, puxando minhas mãos comigo. Era pouco o espaço, mas suas mãos apertadas tão fortemente em cordas grossas deixava o processo bem mais difícil. Encarei a parede a minha frente, inclinando ainda mais meu corpo, levando-o ainda mais para o lado até que consegui tocar a ponta dos meus dedos no canivete.
Senti o suor descendo pelo meu rosto até que meu indicador e dedo médio o agarrou. Voltei a posição inicial, usando meus dedos embaralhados para procurar o botão onde faria o canivete se abrir. Suspirei, aliviada quando o fiz. Percy grunhiu.
– O que foi? – reclamei
– Nada. – sua voz era um sussurro
– Você não ‘tá bem? O que...
– Você me cortou. – disse – Seja mais cuidadosa com isso.
Inclinei meus dedos, tocando em sua lombar, sentindo o líquido pastoso grudar meus dedos. Lambi o lábio inferior e assenti.
Eu podia fazer isso. Eu tinha que fazer isso.
Posicionei o canivete em cima de uma das cordas, não fazia ideia se essas estavam no meio, no começo, no final... Apenas mexi meu corpo lentamente, encarando a parede onde Rob provavelmente estaria nos encarando, pensando o que faria conosco. Continuei mexendo-me para frente e para trás, tentando ser discreta, enquanto Percy suspirava.
– Posso te dizer uma coisa bem engraçada? — ele perguntou, engolindo em seco
O canivete pendia em minha mão enquanto eu o forçava contra as cordas grossas ao redor de seu pulso. Na verdade, eu não ligava para o que ele ia dizer e nem queria saber, no entanto, tentei mandar um sorriso pelo espelho.
Percy engoliu em seco, seu pomo de Adão mexendo lentamente, sabia que ele deveria estar com a garganta seca e sofrendo horrores, mas ele deu um sorrisinho de canto e apoiou a cabeça na minha.
– Ai. — ele fez uma careta, estava prestes a pedir perdão quando ele continuou a falar — Quando eu estava com outras garotas...
– Desde quando isso é engraçado? — perguntei, parando os movimentos abruptamente
– Escuta, chata. Quando eu estava com elas, Katie, Calipso, eu falava seu nome. Não sei se elas percebiam, mas eu dizia seu nome, como se você estivesse ali... Comigo.
– Me comparar a elas é uma coisa que não posso perdoar.
Ele riu, o som foi curto e grosso, como se ele não tivesse energias suficiente para tal coisa.
– É. Nem eu me perdoo.
– Você fazia isso com Rachel também?
Percy pareceu pensar. Os olhos ainda fechados, mas o sorriso não brincava ali. Continuei com os movimentos fortes do canivete, tentando esquecer o que acabara de perguntar, me sentindo idiota e infantil.
– Não lembro. Eu sempre estava... Chapado ou drogado demais para pensar nessas coisas. E acho que todas as vezes que achei que transei com ela, na verdade, ela só me fez pensar que isso aconteceu, sabe?
– Ela é realmente um anjo. — resmunguei
– É. Ela é.
Percy tossiu novamente.
– Você está bem? – perguntou – Não está com sede?
– Isso não importa agora. – vociferei, suspirando, segurando o canivete com força entre meus dedos trêmulos
– Vamos sair dessa.
– Eu sei. Só cala a boca. – pedi
– Está irritada. – disse, em uma afirmação
Não respondi. Senti uma das cordas caindo sobre meus dedos.
– Está solto? – sussurrei
– Falta uma.
Tentei ignorar as cordas arranhando meus dedos enquanto repetia os movimentos, esticando já que meus pulsos ainda doíam.
– Preciso te contar uma coisa. – ele continuou
– Percy, você está fraco...
– Você também.
– Eu, pelo menos, tenho um copo de água e ainda consigo falar normalmente, você está respirando com dificuldade. Por que você não fica calado e se poupa? Tente dormir.
– Sabendo que você está correndo perigo? Não dá. – ele bufou e se remexeu, podia sentir suas mãos mais livres atrás de mim – Robert veio falar comigo antes disso.
Meus dedos gelaram. O canivete ficou preso entre algumas cordas e forcei meus dedos a não tremerem já que se isso acontecesse, eu perderia o fio da meada e tudo seria horrível.
– O que ele falou? – me ouvi falar, a voz falha
– Ele disse... Disse que gostava de você. Que queria te ver feliz, mas isso não faz sentido depois de tudo isso. Não... O que ele quer de nós? Ele não pode ter feito isso sozinho. Mesmo se isso que ele disse do meu pai, dos pais dele... Não faz sentido.
– Percy. Tudo bem. Está tudo bem, ok? Só fique calmo e não force sua voz, seu corpo, sei lá... Só fique bem.
– Eu estou bem, droga! – ele gritou, embora não tenha passado de um ruído rouco
Assenti, sem ligar. Forcei meus dedos a voltarem para seu trabalho.
Mas não era a mesma coisa. Ruídos de carro, como em uma racha se perdiam ao nosso redor. Não fazia ideia de onde estávamos, no entanto, parecíamos estar em um lugar particularmente calmo.
– O que é isso?
Rob apareceu na porta onde sempre vinha, ele franziu o cenho e tirou a arma do quadril, saindo de minha visão.
No mesmo momento, senti a corda arrebentar.
Percy suspirou, mexendo os dedos.
– Vou te tirar agora. – prometeu, virando-se cuidadosamente
– Não, não. – resmunguei – Sente-se. Agora. Rob está por perto. Ele vai ver e vai ser pior.
– Não posso te deixar presa.
– Você mesmo disse que ele gosta de mim. Ele não vai fazer nada comigo. Agora, sente. – obriguei-o
Percy pareceu entender o que eu queria dizer e imediatamente, senti suas costas contra as minhas. Seus ombros subiam e desciam com certa dificuldade, procurei seus dedos, sentindo suas mãos cruzando-se com as minhas.
Poseidon irrompeu por onde Rob deveria estar.
– Graças aos Céus. – ele sussurrou, correndo até mim
Gritei. Rob segurava uma arma apontada em nossa direção. Senti todo meu corpo tremer, quase chocalhando, quando ele a engatilhou. Eu conhecia aquele som, conhecia o que aquilo dizia, ele estava nos ameaçando.
Poseidon parou de correr até nós, ele gelou, ajeitou a postura e apoiou a mão no quadril. Era óbvio que estava preparado para sacar a arma.
Ele tinha mais experiência, de qualquer maneira.
– Vire-se para mim, assassino. – Rob disse, em alto e bom tom
Seu queixo estava erguido, como se fosse superior.
Poseidon sorriu e piscou para mim antes de se virar.
– Assassino? Sabe do que está falando, criança?
– Não me chame de criança, seu babaca!
Poseidon assentiu, como se concordasse. Ele cruzou os braços, deu uma volta em seu próprio eixo e começou a andar. Rob franziu o cenho, confuso e avançou alguns passos enquanto o pai de Percy encarava o local, ficando entre nós, pousando os olhos em seu filho.
– Pai. – Percy disse, a voz baixa e fraca
Poseidon balançou a cabeça e virou-se para Rob.
– Bom esconderijo. Não entendo como ficou quase dois dias fugindo de mim. Você é bom, garoto. – franziu os lábios e passou os dedos pelos cabelos – Pena que não fez isso sozinho.
– Pena que você vai ser morto. Da mesma maneira. Ou de maneira pior, claro. – Rob deu de ombros e abaixou a arma, ficando atrás de Percy.
– Ah, até porque estou sendo acusado de algo que eu nem sei. Vamos, criança... Me diga o que eu fiz.
O olhar de Rob se perdeu por segundos até assumir uma fúria que meu corpo se arrepiou. De medo.
– Você matou meu pai, Maxwell Rogers. E minha mãe, Elizabeth Rogers. Vocês levaram minha irmã, Georgia Rogers, viva da minha casa.
Poseidon hesitou. Percy se remexeu, mas continuou em silêncio.
– O que está falando, moleque?
– Eu sei! – Rob engoliu em seco e cravou novamente os olhos em Poseidon – Não adiante mentir. Você sabe que eu sei. Sabe que eu posso te matar agora mesmo. Então, diga o que aconteceu e será melhor para nós dois.
Poseidon avançou um passo.
Rob ergueu a arma novamente.
– Fique longe! Eu não quero te matar agora, Jackson, mas se for o caso, nem as maiores ordens irão me impedir...
Ele não percebeu, mas Poseidon se aproximava aos poucos. Eu estava torcendo internamente para que ele sacasse aquela arma e desse um tiro em qualquer lugar de raspão em Rob, então poderíamos sair dali são e salvos. Não foi isso que aconteceu, entretanto.
Robert percebeu que Poseidon estava pensando em tirar um de nós dois dali, provavelmente Percy e quando se deu conta, puxou Percy pelo pescoço. Era de se esperar que eu subisse junto com ele, mas Percy arfou, segurando os braços de Rob ao redor de seu pescoço. Ele ofegava, como se o simples esforço de ficar em pé fosse demais para ele. Seu queixo ainda tinha a mancha de sangue, seus olhos estavam fundos e sua pele bronzeada, pálida demais.
Rob colocou a arma rente a sua cabeça. Grunhi.
– Robert... Não faça isso. Você está louco. – sussurrei, tentando me virar aos poucos
Ele não em respondeu, entretanto.
– Me dê respostas! Por que fez isso? Inveja? – ele gritou, empurrando Percy junto com ele para trás
– A polícia está atrás de você, garoto. Aquele seu amigo... Jay, não é? Ele é um afastado da Scotland, ele pode ter te ajudado... Mas ele te trouxe mais problemas. Se soltar meu filho agora...
– Não vou soltá-lo.
Poseidon respirou fundo e em segundos, sua arma estava engatilhada, também em sua mão.
– Solte meu filho, seu moleque! Se ele tiver com mais um arranhão, se ameaçar um tiro, você vai morrer no inferno! Solte meu filho agora!
– Ah, agora o papai virou protetor? – Rob riu, louco – O filhinho sabe se virar, não é, Perseu?
Ele não respondeu. Abaixou o olhar e segurou os braços de Rob, tentando afastá-los de si.
– Meu filho. Agora. – Poseidon ameaçou
– Respostas.
– Você vai sair perdendo, garoto. A polícia está atrás de você. Se deixa-lo sair, eu juro, dou minha palavra, que coloco você para fora do país em algumas horas.
– Que palavra? Que caralho de palavra você tem, seu velho de merda?
Poseidon respirou fundo, avançando calmamente, como um leão, esperando o movimento certo para dar o bote.
De alguma maneira, eu me sentia no mesmo lugar de Rob. Quando tudo era escuro, quando eu não fazia ideia do porquê da morte de meu pai – que até hoje não fazia sentido -, eu nem ao menos sabia como ele tinha morrido. Era horrível se sentir assim. Mesmo nesse momento, eu sentia compaixão em relação à ele. A única pessoa que poderia te dar respostas estava com uma arma apontada para sua cabeça caso ele mexesse o dedo no gatilho daquela arma.
Percy ofegou. Ele estava fraco, desidratado, poderia desmaiar a qualquer momento. E eu estava presa, com as mãos atadas.
– Não se aproxime! – Rob gritou
O som de tiro era forte, me deixou surda por segundos quando atingiu um ponto às minhas costas. Rob havia atirado perto do pé de Percy que começava a sangrar no dedo. Ele grunhiu, poderia perceber que ele controlava um urro de dor.
– O que quer, garoto?! – Poseidon gritou, era visível seu desespero – Quais respostas? Quais?
– Por que matou meu pai?
– Solte meu filho. – pediu, mordendo o lábio inferior, por fim, suspirou.
Poseidon abaixou a arma, guardou no quadril e cruzou os braços.
– Essas pessoas que estão tentando fazer você me matar são as mesmas que me fizeram matar seu pai. Talvez, você não acredite. Eu não ligo. É a verdade. E sua irmã... Ela está viva. – Poseidon finalizou – Agora, solte Percy agora mesmo.
Sirenes ecoaram. Senti o alívio percorrer meu corpo. Eu deveria estar feliz, certo? Estávamos a salvos, mas quem eram essas autoridades que faziam pessoas matar outras? Olhei para o rosto de Percy, ele suava, seu queixo tremia e seus olhos estavam pesados enquanto ele se apoiava contra o corpo de Rob.
– Onde ela está?
– Não está longe.
– Onde? Como ela está agora?
– Pode saber por si mesmo se soltar Perseu.
– Onde? – vociferou
– Rachel Elizabeth Dare. Solte meu filho.
Ele soltou.
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