Nightingale.

3 Beat in my face.


Notas iniciais
HERE I AM, ONCE AGAIN!
Eu não sei de onde tirei isso, MAS HEY!
Vinte e nove leitores?? Já?? SEJAM BEM VINDOS, URSINHOS!
Sim, capítulo surpresa pra mim e pra vocês.
Boa leitura!

"It's a big bad world but I aint ashamed to like the lights in my hands and the beat in my face... Be-be-beat"

O pub do meu tio, na verdade, era bem californiano. O tipo de pub que eu entraria de cara na minha cidade e só sairia cambaleando, com uma bebida na mão e um garoto na minha cama. No entanto, eu não tinha mais essa liberdade, então aqui estava eu com Silena e Thalia.

Algumas horas atrás, estávamos sentadas na minha cama de casal olhando, de modo entediado, o meu closet aberto.

Silena escolheu centenas de combinações, mas acabei indo com uma calça jeans rasgados do começo ao fim, um casaquinho preto colado um palmo abaixo do meu quadril e uma mistura de cores abstratas na frente, nada muito chamativo. A noite na Inglaterra era bem diferente da Califórnia — calor, muito calor -, logo decidi que meus shorts estavam suspensos por tempo indeterminado, e não, eu não acreditava que no verão fizesse tanto calor como Silena insistia em dizer. Calcei uns coturnos pretos de tachinhas bem legais, meus cabelos totalmente lisos, uma maquiagem bem normal e echarpe rendado nas pontas cinza.

Bem, eu estava apresentável para Hampshire — nossa cidade. Certo, ok, eu tentava procurar um mínimo erro no espelho, felizmente, não conseguia achar nada além de alguns retoques no batom opaco nos meus lábios. Eu também não curtia o fato de não mostrar meu corpo belo e lindo, mas fazer o quê, não é? Você é expulsa de sua casa, preocupar-se com isso deve ser uma besteira.

Thalia apareceu do meu lado, com suas típicas calças de couro, uma blusa cinza e os cabelos meio castanhos presos em um rabo de cavalo alto, como sempre, sua maquiagem estava pesada demais, no entanto, continuava linda com os olhos azuis límpidos e elétricos. Calçava sapatilhas, e as batia freneticamente.

Silena estava totalmente diferente de nós. Uma sapatilha branca, uma legging cinza, botas e uma blusa roxa. Sério, como essa garota conseguia ficar linda com qualquer coisa? Ela tem algum problema.

Quando todo mundo — e sim, quando quero dizer,todo mundo é, literalmente, todo mundo se entupindo nos corredores para sair — decidiu dar o fora, Afrodite nos ofereceu uma carona para o pub, o que não foi muito legal porque ela parecia estar estressada colocando uma música super sem graça pra tocar.

Voltando ao pub do meu tio. Tinha aquele ar quente de qualquer bar, as luzes eram fracas, mas não coloridas, aposto que meu tio falaria que era algo gay, de qualquer maneira, o teto era alto, os móveis, rústicos, tinha até um jukebox! Um palco ao fundo estava montado, alguns caras bem bonitos estavam com violões e guitarras, conversando com um cara que aposto que não tinha nada a ver com aquilo, e eu tinha quase certeza que era meu tio. Silena desapareceu assim que chegamos, só sobrou eu e Thalia, as duas ignoradas, excluídas e atraentes daquela escola.

Sentamo-nos nos bancos que rodavam perto do balcão, observando a banda que começaria. Um panfleto estava em cima, mostrando a playlist, o que eu pude ver é que seria uma banda indie. Legal, sem popzinho ridículos.

- Duas tequilas. — Thalia pediu, piscando pro garçom — Só limão.

- Duas cocas. — meu tio disse, escorando-se e cortando nosso barato — E ai, pirralhas.

- Ares. — revirei os olhos — Larga do nosso pé, cara! Já não basta a tia Dite, sério, não sei como minha mãe te convenceu, mas aposto que faço melhor.

- Sem essa, loirinha, sem bebidas alcóolicas, sem agarração. Só uma adolescência chata e sem graça em Hampshire.

- Não acredito que estou ouvindo isso do tio Ares... Você consegue imaginar isso, Annie? Aquele cara super legal que nos dizia que tínhamos que viver a vida loucamente, como se tudo pudesse acabar amanhã?

- Pirralha falsificada, as pessoas mudam. — nos empurrou dois copos grandes de coca e bufou — Agora, parem de acumular poeira no meu bar e vão dançar como vocês dançavam naquelas festinhas de moleques.

Thalia, como uma boa adolescente madura que é, deu língua pro nosso tio e me puxou para ficarmos em pé perto do palco.

- Nickzinho está ali. — cantarolou, apontando atrás de mim

- Vai ficar com ele. — dei de ombros — Não se preocupe comigo, lady. Eu vou atrás do meu moreno.

Minha prima riu e balançou a cabeça.

- Eu duvido, o cara só te deu fora, colega.

Sorri ao ver ele sozinho, pela primeira vez em muitos dias, trazia um copo de cerveja, os cabelos bagunçados, casaco e calça. Certo, Annabeth californiana entrando em ação.

- É melhor você ir atrás do Nico para não ficar sozinha. — avisei e saí em busca dele

Por sorte, nenhuma ruiva nojenta chegou antes de mim, fiquei ao lado dele, bebericando minha coca e observando o palco, os cantores dedilhando nos violões e essas coisas normais.

- Legal, não é? — apontei para o palco

Percy me olhou, como se não tivesse percebido minha presença, deu de ombros e bebeu um gole enorme de sua cerveja.

- Pode pegar uma dessas pra mim? Sabe, fui proibida de beber e tal, então...

- Desculpa, costumo seguir as regras.

- Você não tem cara que segue regras. — dei um sorriso sarcástico

- Você também não tem cara de alcóolatra.

Dei de ombros, rindo baixinho.

- É a vida. Vai me arranjar uma dessas ou vou ter que me agarrar com um cara qualquer pra conseguir?

Percy fez uma cara de desgosto, negou com a cabeça e continuou sério avaliando o palco.

- Vai me ignorar mesmo, cara? Tô tentando falar com você há dias!

- Pra quê? Se for alguma aposta idiota sua, por favor, me tira dessa.

Então, ele era o tipo de cara certinho? Deve ser por isso que não me lembro dele na casa de Thalia, se ele fosse alguém parecido com um californiano, eu não estaria batendo boca com ele, realmente.

Revirei os olhos, fixando meus olhos firmemente para o palco, mas Percy não saiu dali. Continuava batendo o pé com a música que tocava no jukebox bebericando sua cerveja... Aquilo estava me dando água na boca. Balancei a cabeça negativamente e prometi a mim mesma que não beberia nada por essa noite, e que por isso, eu tinha que arranjar um jeito de ficar com o Percy. Aliás, eu até poderia descobrir se ele é gay.

- Indie, não? — perguntei, apontando com a cabeça para o palco

O moreno assentiu, como se não desse a mínima importância para que eu estava falando. Legal, além de esnobada, sou ignorada. Que tipo de garoto é esse?

- Olha aqui, — virei para ele, dando um belo gole da minha coca como se fosse um copo repleto de tequila que me desse coragem — se isso for um desses joguinhos masculinos de ignorar para receber atenção, devo dizer que isso está dando certo e pode encerrar com isso agora mesmo.

Percy deu um sorriso de canto.Um maravilhoso sorriso de canto,dando de ombros.

- Eu estou comprometido, Annabeth.

- Sério? A ruiva nojenta? Vai trocar a loira gostosa pela ruiva nojenta? Que bela troca, não?

- Você tem um ego muito inflado, garota, sabe, isso deve ser bom para você... Monopolização de atenção, todo mundo babando em você, eu acho isso desnecessário, mas sabe de uma coisa? — inclinou-se aproximando nossos rostos com um sorriso de escárnio, os olhos verdes pareciam mudar de cor quando estavam mais pertos — Pode ficar com acerveja, você precisa mais dela do que eu.

Foda-se o que eu disse sobre não beber.

O moreno metido deixou o copo de cerveja na minha mão, saindo e deixando-me com uma cara de "em que tipo de lugar estou?”. Respirei fundo umas dez vezes, contando até dez em três idiomas diferentes. Dei o copo de cerveja para algum garoto que passava, meus passos guiando-me freneticamente para o balcão. Escorei-me, derrotada, aquilo foi como um tiro em cheio no meu ego, no que eu podia me confiar. Respira, conta, respira.

Meu tio se aproximou de mim, um pano branco sobre o ombro coberto por uma jaqueta de couro e os olhos com seu típico óculos de sol, claro, sem esquecer de seu sorriso de "sou melhor que você".

- O que aconteceu, princesa?

- Sem ironias, tio. Eu realmente preciso de uma bebida.

- Sem chances. Por que não vai dançar? A pirralha ali aproveitou bem a banda. — apontou para algum ponto atrás de mim que não fiz questão de olhar

- É sério, tio.

- Ela levou um fora, simples assim.

Silena. Ah, claro, ela também só aparece nessas horas.

- Eu vou te dar um soco, garota. E como você viu isso?

- Calipso viu isso e toda a festa sabe que você levou um fora do capitão do time.

Arregalei meus olhos, intercalando-os entre o riso estrondoso do meu tio e da expressão indecifrável de minha prima.

A festa toda sabia que eu tinha levado um fora do capitão do time. Capitão do time! Eu nunca levei um fora, não que eu me lembre, no entanto, aposto muito bem que o capitão do time nunca me deu um fora.

- Cadê a mini-vadia? Ela está brincando com fogo. Um fogo não muito legal.

- Você levou um fora do Percy?

- Oh, não. — afundei meu rosto em minhas mãos e joguei meus cabelos para trás — Quem disse isso?

- Eu ouvi aquela Drew dizendo alguma coisa pra uma prostituta que ‘tava passando ali, sei lá. — Thalia deu de ombros e riu alto — Você levou mais um fora, Annie!

- Eu não sei se arranco fio por fio dessa Calipso ou arranco o pinto daquele metido.

Meu tio riu, tipo muito alto, e bateu a mão no balcão.

- Dá tempo de fazer os dois.

A banda já tocava algo, algo que tinha “heart” no meio porque ele repetia isso demais. No entanto, o que me chamou atenção e talvez, meu tio estivesse falando disso, Percy estava no segundo degrau que dava pro palco, os caras continuavam cantando, como se aquilo fosse normal e a nojenta número dois — Calipso -andava toda idiota até ele.

Uma escolha.

Sorri para meus parentes ali presentes e atravessei aquela longa multidão, foi como todos estivesse prevendo o que eu iria fazer, abriam espaço enquanto passava, outros me empurravam, mas eu não estava ligando muito. A ruiva nojenta estava na primeira fila, observando Calipso gritando, provavelmente tentando soar sexy, enquanto falava com Percy.

- Licença. — sussurrei em seu ouvido que também deveria ser nojento, ela não saiu da minha frente, então a empurrei antes que ela pudesse subir o primeiro degrau

Percy me encarava, surpreso e irritado ao mesmo tempo, era como se ele não quisesse nem saber o que eu estava fazendo ali, mas não me quisesse ali. Segurei seu pescoço, sorrindo docemente.

- Não é nada pessoal com você. — avisei, puxando sua nuca contra mim e lhe beijando

Ele ficou parado por algum tempo, mas depois de eu arranhar seu couro cabeludo por alguns segundos, senti suas mãos subindo minha cintura, inclinando-se sobre mim e finalmente dando um beijo de verdade.

E como ele beijava, cara. Eu tive que me separar dele, meu pulmão ardia implorando por ar, senti minhas bochechas esquentarem quando seus olhos bateram levemente antes de abrir, dando-me a visão de íris límpidas esverdeadas.

- Obrigada. — dei leves tapas em sua bochecha, virando as costas, voltando com meus coturnos calmamente até o balcão — Ninguém me dá um fora. — dei várias batidas seguidas no balcão vendo meu tio me encarar risonho enquanto Thalia continuava rindo, avaliando Percy, que eu não olhei, e Silena, bem, ela estava com aquela cara de que tudo que eu faço é errado, mas eu sei que ela me ama

Minhas primas sumiram de vista, novamente, em poucos minutos, portanto fui obrigada a ficar com meu tio, escorada em um balcão, sem fazer nenhum contato visual com o moreno metido.

- Sem ofensas, tio, mas o que eu faço para sair dessa festa sem graça? — bocejei, quase dormindo

- Sei lá, pega um táxi.

- Sério? — meu sorriso se abrangeu

Se isso fosse sério, eu poderia andar sozinha pela primeira vez em Hampshire, e claro, que isso me causou uma imensa alegria.

- Não. Vamos, eu vou te levar até o colégio.

- Calma aí, eu tenho um prédio para mim, não é? Minha mãe disse isso! — reclamei

- É, tem sim, pirralha, mas ele está reformando ainda. Teve algum vazamento ou algo do tipo, quem sabe, talvez sua tia as leve pra conhecer amanhã. Enquanto isso, vamos logo.

Nota mental: sempre ser bastante cuidadosa ao fazer uma festa. Quando eu finalmente estivesse de volta para Califórnia, teria o máximo de cuidado de saber as datas em que minha mãe chegaria e expulsar todos os empregados – principalmente Mary e Sam – de casa.

Notas finais
E aaaaaaaaaai! O que acharam? Bem, eu nem to falando muito por dois motivos: tá todo mundo dormindo e meus pais tem sono muito leve e eu deveria estar estudando. Segundo: eu sou tímida e eu não sei o que falar porque sei lá.
Enfim, eu vou tentar responder todos os reviews no final de semana por motivos de eu ter prova amanhã e eu to postando aqui, mas enfim, eu sou vida louca, mesmo.
Reviews?