Nightingale.
50 All To Yourself.
Notas iniciais
"We've got no reason to leave, 'cause all I need is you and me"
Minhas costas estavam contra o ferro dos armários. Meu coração batia forte contra minha caixa torácica, minhas mãos estavam em volta da cintura dele enquanto suas mãos puxavam meu rosto contra o seus lábios. Nos afastamos e ele encostou a testa na minha.
– Você é linda, sabia?
Seu tom era suave, os olhos azuis focados em mim. Ele sorriu.
– Eu tenho um presente para você. — seu tom de voz era suave, acariciei suas costas
– É? E o que seria?
Rob sorriu, tirando algo do bolso. Era mais uma de suas flores. As pétalas estavam amassadas, mas eu ainda sentia o cheiro natural e doce que exalava da cor exótica.
Sorri em agradecimento. Tentei pegar a flor cortada pela metade, Rob afastou minhas mãos e sorriu, acariciando os fios acima de minha orelha, colocando a flor ali.
– Obrigada. — agradeci e joguei minha franja para um lado
Rob fez uma careta, afastando-se, estava pronta para deixar minha franja no meio novamente, no entanto, ele o fez antes que eu tivesse tempo.
– Droga. — resmungou
– O que foi? Você não gostou?
– Você fica sexy com qualquer coisa. Isso não te irrita?
Gargalhei, apoiando minhas mãos em seus ombros e beijando seu queixo ao ver um sorriso perambular pelo seu rosto.
– Te irrita?
Ele balançou a cabeça, negando.
– Então, também não me irrita. — mordi o lábio inferior, sorrindo — Eu me sinto tão eu com você. — murmurei, acariciando sua nuca
– Isso é bom? — perguntou, com o cenho franzido
– É maravilhoso. — confirmei
– Fico feliz, sabe, você faz a mesma coisa comigo só que mil vezes pior.
Ri. Deixando nossos corpos mais juntos.
– Dramático.
– Não, é sério, você me deixa tão louco que... — seus olhos estavam fechados com força, acariciei sua bochecha, incentivando-o — Quero que você seja minha.
Não posso ser sua, porque já sou de outra pessoa, queria responder, como se fosse óbvio.
Entretanto, apenas assenti.
– Eu sei que você tem um passado com aquele cara, mas eu queria que você tivesse um presente e um futuro comigo.
Sorri.
– O que você quer dizer com isso, Robert? — inclinei a cabeça para deixar nossas testas encostadas novamente
Ele suspirou, dando-me a visão de olhos azuis elétricos.
– Quero dizer... — ele pigarreou — Quer namorar comigo?
Eu sorri.
Então era isso que significava ter um novo começo? Deixar a raiva e o sofrimento de lado, abafar a dor e sorrir, assentindo, aceitando um pedido. Era assim que começava um novo futuro, então?
***
Era sexta feira. Fazia uma semana que o "incidente" com Percy havia ocorrido. O treino no sábado foi cansativo e irritante para ambos. Consigo lembrar que assim que terminamos o treino (sem o conselheiro e treinadores), Percy veio até mim. Seu rosto, embora suado e vermelho com alguns arranhões na altura da bochecha, estava sorridente. Ele me abraçou, mas meus braços ficaram caídos ao lado do meu corpo.
– O que foi? — ele havia dito
Dei de ombros. Percy me pediu para trocar de roupa. Ele tinha uma surpresa.
Ninguém viu quando saímos para os corredores vazios da Goode. Era sábado, todos deviam estar em suas casas, estudando para as provas ou curtindo seu tédio. Eu queria poder ser uma dessas pessoas. Minhas mãos tremiam nos meus braços cruzados, Percy vinha ao meu lado com um sorriso incentivador que falhava sempre que seus olhos caíam sobre mim. Não podia reclamar, a última vez que havia me olhado no banheiro, as olheiras não tinham sumido e eu não tinha passado nenhuma maquiagem (não queria ficar atraente para a pessoa que eu tentava evitar), meus cabelos estavam cacheados demais, portanto fiz um coque forte no topo da cabeça.
O chuveiro não mudava para o estado morno, assim eu tive que me jogar embaixo da água fria, eu me senti congelado. Agora, contudo, eu suava, podia sentir a pele abaixo dos meus ombros suando, caindo até o tecido do meu casaco roxo.
Percy me puxou para um corredor que eu não conhecia, um corredor antes da sua sala de música. Sua mão segurava meu cotovelo enquanto me puxava. Fiquei surpresa ao curvarmos por mais um corredor desconhecido, ele abriu uma porta e senti um ar quente atravessar meu rosto. Percy me empurrou para frente e a porta de ferro fechou com um estrondo.
As luzes foram acesas — elas eram opacas e quase não iluminavam nada, mas me davam uma visão da piscina enorme.
Avancei alguns passos, deslumbrada com a piscina de cor clara, as luzes faziam com que ela ficasse mais bela, talvez. Andei mais até estar centímetros de distância da piscina, acima de mim, se estendia uma passarela de ferro com um corrimão e duas portas afastadas.
Dois braços se projetaram ao redor de minha cintura, seu queixo foi pousado em meu ombro e mordi o lábio inferior.
– Esse é meu segundo refúgio. — ele estava sorrindo — Bem vinda.
– Não sabia que tínhamos uma piscina interna. — sussurrei
– E ela é quentinha. — deu um beijo quente em meu pescoço afastando meu casaco
– Pode entrar. — murmurou, os lábios rentes ao meu ouvido — Podemos entrar. — se corrigiu
Suspirei ao sentir seus beijos subindo pelo meu pescoço, suas mãos penetrando em minha barriga e apertando meu seio por cima do sutiã.
– Nem tudo se resolve com sexo. — soltei um muxoxo, tentando me afastar
Não me afastei, não conseguia. Suas mãos apertavam meus seios e sua língua vagava pelo roxo de seus chupões do dia anterior.
– Resolve com o meu sexo. Venhamos e convenhamos, você quer e eu também. Vamos ser fáceis, vai.
Bufei. Afastando-me. Percy revirou os olhos, segurou minha mão entre seus dedos até estarmos sentados com os pés descalços dentro da água.
– Talvez seja por isso que eu não esteja com você. Talvez tudo se resuma a...
– Você vai ser muito... Idiota, se falar isso. — arqueei uma sobrancelha — Nós não tínhamos transado quando fomos para a casa de Jack pela primeira vez. E todas as vezes que fiquei com você quando éramos mais novos... Até porque você era virgem. Então, não, essa desculpa não é válida.
Lambi o lábio inferior e encarei a água. Nossos pés dançavam lado a lado, fazendo redemoinhos ao redor de nossos tornozelos.
– Agora, me diz, por que ainda não estamos juntos?
– Porque eu não acho certo! — reclamei, todas as palavras que eu havia ensaiado fielmente e toda a raiva que eu vinha guardando desapareceu ao ver seus olhos verdes me fitando
– Certo? Qual a última vez que você fez algo certo?
Aquela frase foi seguida de uma briga árdua, mas eu não havia a esquecido. Passou-se minutos, horas em que eu estava com Rob e outras pessoas ao meu redor, mas a única coisa que eu via e pensava a respeito era: qual a última vez que eu fiz algo certo? Ele quis dizer que nenhuma das minhas decisões foram certas.
Talvez fosse verdade. Se eu não tivesse pisado o pé para conhecer Jack e conversar com ele, nada disso teria acontecido. Se eu não tivesse confiado tanto em Thomas, talvez eu não estaria me sentindo tão magoada e traída. E nem teria me sentido tão culpada pela morte do meu pai e pelo trauma da minha mãe. Sem contar o sofrimento que Thalia passou quando foi sequestrada.
E se eu não tivesse tomado a decisão de ser tão teimosa a ponto de conquistar o único garoto que vinha me ignorando, eu não estaria sofrendo por ele.
Suspirei. Ele estava certo. Eu nunca tinha tomado a decisão correta, mas eu estava tomando a decisão certa agora. Estava com Rob. E ele era a decisão certa.
Ele era o certo.
– Aconteceu alguma coisa? — ouvi sua voz
Rob estava inclinado ao meu lado, um dos braços sobre meus ombros, seu sorriso era grande, mas seus olhos pareciam preocupados.
– Você está aérea, como daquela vez. Você vai me dizer o que aconteceu, afinal?
Encostei minha bochecha em seu ombro. Não tinha ninguém em nossa mesa, o que eu achava bom.
– Não foi nada. Só estou preocupada com minha mãe. — menti
– Ela não te ligou ainda?
Assenti. O sinal tocou. Respirei fundo e levantei-me.
– Preciso ir. — disse e inclinei-me sobre seu rosto, depositando um selinho — Nos vemos mais tarde?
Rob assentiu enquanto eu carregava minha mochila apressada entre as pessoas.
Era aula de história. Eu sabia tudo sobre as guerras civis dos Estados Unidos, sobre os motivos suspeitos de Hitler e sobre todo tipo de assunto.
Não precisava de história.
Portanto, antes de virar no corredor a esquerda, virei meu corpo até me esconder em um dos corredores vazios, perto da sala dos professores. Eles não costumavam ficar lá no horário de almoço.
Deixei minhas costas contra a parede gelada, pensando aonde ir. Claro que eu tinha minha primeira ideia, mas ela não parecia a mais correta.
O corredor ficou vazio e assim que avancei um passo, o som dos meus coturnos contra o piso se intensificou. Não liguei quando saí correndo, virando esquinas nos corredores e me escondendo de inspetores.
Esperava que a porta pesada de ferro estivesse trancada. Percy me dissera no mesmo dia enquanto trancava a porta que conseguiu a chave com Afrodite e apenas os funcionários as tinham.
Mas ela estava aberta. Usei meu ombro e meu quadril para abri-la. O fato de Percy abri-la e fecha-la com tanta elegância apenas com seu braço me fez pensar que ela seria leve como qualquer porta. Estava errada, claro. Tive que fazer um grande esforço para fazer a porta se mover e se fechar sem muito barulho.
Suspirei aliviada ao entrar no local. As lâmpadas estavam ligadas e meu corpo se encheu de surpresa ao perceber que alguém nadava ali.
Usava uma sunga preta e os ombros largos e brancos enterravam dentro da água e voltavam com rapidez.
Eu deveria saber, me martirizei. Virei as costas pronta para procurar meu próprio refúgio.
A clareira. Claro. Por que eu não tinha pensado nisso antes?
– Não precisa ir embora. — Percy avisou
A voz dele encheu meu coração de medo. E prazer. Era bom ouvir a voz dele ofegante depois de uma corrida rápida na piscina quente.
Tossi e passei as mãos com pesar pela minha bochecha, quente.
– Eu entrei na porta errada. – minha voz estava trêmula e denunciava o quanto eu estava com medo, pigarreei novamente e mexi na ponta da minha blusa social – Já estou de saída.
– Porta errada? – ele riu levemente, forcei meu corpo a não se virar e continuar parado – Você sabe que é quase impossível. Perdeu a inteligência... Quer dizer, é isso que acontece quando se anda com pessoas como o Rob, certo? – ele perguntou
Não, ele não tinha feito isso.
Virei-me. Senti minhas bochechas arderem quando deixei a mochila cair sobre meu braço e avançar. Percy estava enxugando o cabelo com uma toalha branca, suas pernas ainda estavam enterradas na piscina e seu corpo estava todo molhado, um sorriso grande inclinava a ponta de seus lábios.
– Como ousa...
– Soube que vocês estão namorando. – ele pigarreou, desviou o olhar, deixou a toalha cair em torno do pescoço e apoiou um dos braços fora da piscina – É verdade?
– Você não precisa saber da minha vida. Não é da sua conta. – vociferei
– É... Não deveria ser. Uma pena que é. – ele mordeu o lábio inferior, levantando-se em um pulo
Suas pernas eram malhadas, como eu me lembrava bem, no entanto, pareciam chamar tanta atenção com a falta de pano, as gotas escorrendo de seu pescoço, passando pela sua barriga e caindo no pequeno vão que dava entre sua pele e sua cueca. Engoli em seco, eu não poderia estar olhando para aquilo. Era errado.
– Gosta da visão? – inclinou a cabeça para o lado e sorriu, dando de ombros – Quer dizer, não me diga, não é da minha conta. – deu de ombros
Revirei os olhos e cruzei os braços.
– Olha aqui, eu não acho certo seu jeito idiota de tentar me ter de volta. Você não vai entender que acabou?
– Eu entendi. – ele riu, levantou as mãos em forma de rendição, entretanto seus passos estavam mais pertos – Não se preocupe. Entendi o recado. Longe. Eu e você. Não existe mais. Ok, ótimo.
– E por que ainda está se aproximando?
Percy riu.
– Pela lógica, se você acaba com alguém é porque não existe mais desejo...
– Ah, é? – ergui a mão, impedindo que ele chegasse mais rápido, dando um passo para trás a cada passo dele – Você terminou comigo por que não me desejava mais?
Ele coçou o queixo, eu podia ver seus pelos irrompendo pela pele.
– Isso foi uma exceção. Voltando, se você não sente mais desejo por mim... Quer dizer que não importa o quão perto...
Meus coturnos se bateram contra alguma coisa e me senti cair. Minhas pernas doíam, assim como minha bunda, o piso era congelante e fazia minhas pernas arrepiarem mesmo com meus jeans. Percy continuou com o sorriso cínico no rosto ao se agachar em frente a mim, apoiando as mãos nos joelhos enquanto eu lhe encarava com raiva.
– Eu esteja. – completou, inclinou-se sobre mim
Levantei minha mão, pronta para soca-lo aonde quer que fosse para sair daquela armadilha. Percy pousou suas mãos em cima de minhas coxas e mesmo com as mãos livres, não o impedi de sair.
– O jantar vai ser amanhã. Desça às sete, por favor.
E com o último aviso, virou as costas e desapareceu pelo meu lado esquerdo.
– Puto! – gritei com todas minhas forças, batendo o pé, podia ouvir sua gargalhada perto – Você é o cara mais canalha de todos!
– Obrigado! – ele gritou ao longe
Continuei murmurando milhões de xingamentos enquanto sua risada abaixava e eu pegava minha mochila, jogando-a sobre o ombro.
– E olha aqui! – voltei a elevar o tom, caminhando com passos pesados procurando-o – Eu não vou seguir isso, só porque você quer! Eu não sou obrigada! Eu...
Parei de gritar ao ver que ele não usava nada além de uma toalha que pendia de seu quadril.
Foco, vamos lá, foco!
– Eu adoraria que você fosse. – sussurrou, passou a mão pelos cabelos molhados e voltou a sorrir, cinicamente
– Não, isso é... Totalmente sem lógica. É sua família. Não tenho nenhum dever com isso.
Percy puxou a toalha do quadril. Engoli em seco, forçando meus olhos a não descerem até lá. Virei de costas, e batuquei a ponta do meu coturno, impaciente.
– Ah, qual é! – ele gritou, podia ouvir sua voz mais perto – Não é como se você não tivesse visto antes.
– Antes eu não estava namorando. Agora, eu estou e não quero trair meu namorado. Ah, quer dizer, não quero ser igual a você. – comentei, enojada
Percy bufou, suas mãos pousaram em meu quadril. Dei um passo para frente. Ele está longe, longe, longe, não ceda...
– Você vai ou não?
– Talvez sim. – resmunguei e olhei por cima do ombro – Mas não me obrigue. E eu ainda vou falar com meu namorado sobre isso. Veremos se ele irá aprovar.
– Aprovar? Você está brincando, não está?
Sorri e continuei andando. Falta pouco, não olhe, não olhe.
– Chase! Você está de brincadeira, certo?
– Quem sabe. – dei de ombros, sabia que ele estava atrás de mim, talvez de toalha, mas não arrisquei olhar para trás
Apressei o passo até estar segurando a maçaneta, trazendo-a para meu corpo com força e então, ela se fechou em um estrondo.
Sorri, embora eu quisesse bater a cabeça na parede.
Esperei que não demorasse muito para tocar e quando menos esperei, avistei Rob debruçado sobre um bebedouro.
Pensei em virar as costas, mas antes que o fizesse, ele levantou o olhar e franziu a sobrancelha. Limpou a boca com as costas das mãos e sorriu, meio confuso.
– O que está fazendo fora da sala?
– Eu... Hm, estava com um pouco de dor cabeça. Pensei em pegar um pouco de Tylenol no meu quarto.
– Ah... Você está suada... Não está com febre ou algo do tipo? – seu tom de voz era baixo, enquanto ele se aproximava
Toquei em minha testa, o suor descia sobre ela e eu não tinha percebido. Provavelmente fora o aquecedor.
– Eu estou bem. – afirmei a voz trêmula – Hm, você está planejando algo para nós amanhã às sete?
– Isso é um jeito de me pedir para sair? – ele sorriu, avançando e segurando minha mão
Sorri, eu tinha que inclinar o rosto para trás para conseguir encarar os olhos azuis dele, afastei-me um pouco apenas para verificar os fios negros caindo pela testa, aproximando-se da sobrancelha.
– Na verdade, não. É um jeito de te avisar que irei sair.
– É? – ele passou os braços pelos meus ombros, fazendo nossos corpos colarem – Com quem? Vai para uma festa e nem chama seu namorado?
Mordi o lábio inferior e beijei seu queixo, abraçando sua cintura, sentindo seus dedos acariciarem meus cabelos.
– Não é... Bem, eu vou sair em um jantar de família com Percy.
– Seu ex.
– É.
– E você vai sair com ele?
– Basicamente.
– Um jantar em família?
Rob franziu os lábios e desviou o olhar.
– Tudo bem.
– Tudo bem? – repeti, incrédula
– É, eu confio em você.
– Você...
– Eu sei que não vai fazer nada demais. E bem, se você diz que vai ser um jantar em família, tudo bem, eu confio em você.
– Eu... Cara, obrigada. – disse, sem saber realmente o motivo
Rob riu.
– Por que obrigada? Não devia fazer isso?
– Não, quer dizer, sim! Quero dizer, faz tanto tempo que ninguém confia em mim. – dei um selinho em seus lábios demorado
O sinal tocou e fomos inundados por uma massa de corpos que corria para sua próxima aula.
– Então, nos vemos amanhã. O que acha se eu te levar em casa, hoje depois da aula?
– Eu adoraria.
Rob assentiu, beijou minha testa, lançou-me um sorriso e me perdi do seu cabelo negro com um sorriso no rosto.
Meu corpo foi lançado para todos os cantos até que eu estivesse a caminho da minha próxima aula: Matemática II. Deixei meu corpo cair em uma das últimas cadeiras e encarei a cabeça careca do meu professor que escrevia cálculos e equações no quadro.
Ele confiava em mim. Isso era bom, certo?
Não.
Não quando você tinha uma tentação, um perigo, um desejo louco pelo garoto que te levaria ao jantar.
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