Night and Sun
10 Capítulo 10
Notas iniciais
“Falei que conseguia.” Ciel disse orgulhoso, arrotando alto e rindo da cara de nojo que seu amigo sentado a sua frente fez.
“Nojento. Não acredito que você comeu uma pizza inteira.”
“Não qualquer pizza amor, uma pizza gigante de carne. Morra de inveja das minhas habilidades.” Declarou, acariciando o estômago por cima da camisa escura, pegando o celular do bolso para checar as horas. “E para de ser tão fresco. Agora você vai ganhar uma pizza de graça.”
Alois rolou os olhos, mas sorriu, chamando o garçom e mostrando que haviam comido a pizza super mega gigante e, de acordo com a promoção, poderiam ganhar outra pizza.
“Eu tenho que ir, se não vou me atrasar para o trabalho.” Ciel disse, levantando enquanto passava uma mão pelo cabelo.
“Antes de ir, comprei isso para você.” Alois pegou algo do bolso da calça e entregou ao outro rapaz.
Ciel olhou para sua mão e arqueou as sobrancelhas finas, um meio sorriso aparecendo em seus lábios.
“Vou virar pirata agora?”
“Deixa de ser mal educado seu porra e coloca logo.”
Ciel ri baixo, mas acena com a cabeça e coloca a peça sedosa sobre seu olho danificado enquanto fechava-o, fazendo um nó meticuloso atrás de sua cabeça.
“Como fiquei?”
“Uma boneca, agora vai embora. Antes que seu chefe apareça do nada para passar o pau na sua cara.”
“Ui, radar de escrotice. Seus níveis estão passando do normal.” Ciel disse antes de caminhar até o amigo e beijar a boca rosada rapidamente e sussurrar, “Obrigado, adorei. Eu te vejo depois, ta bom? Cuidado.”
Alois sentiu suas bochechas ficarem só um pouco quentes, mas riu quietamente, levando uma mão para gentilmente bater no rosto do outro. “De nada, amor. Agora sério, vai. Sei que está morrendo de saudade.”
Ciel acena com a cabeça e sorri para seu amigo mais uma vez antes de caminhar pela pizzaria e sai do estabelecimento, caminhando rapidamente pelas ruas com um sorriso no rosto.
–
“Boa noite crianças, papai chegou!” Ciel declarou alto ao entrar na loja, abrindo os braços para dar mais ênfase, fazendo Finny rir atrás do balcão e fazendo Bard rolar os olhos. Ambos imediatamente fizeram um acordo silencioso de não perguntar ao rapaz sobre o tapa olho.
“Boa noite Ciel!”
“Oi menino.”
Correndo a única órbita visível por aquela parte da loja, deixando um ‘tch’ baixo escapar de seus lábios quando não viu Sebastian lá.
“Ele está na sala dele.” Finny disse com um sorriso maroto no rosto, gesticulando com a cabeça para o corredor atrás da porta de madeira.
Assim que disse, Ciel rapidamente caminhou até lá, fechando a porta para o corredor assim que passou, lambendo os lábios e mordendo-os, parado em frente da porta da sala de chefe, encarando-a por alguns segundos antes de bater.
“Pode entrar.”
A voz profunda estava abafada pela barreira entre eles, mas mesmo assim trouxe um arrepio ao corpo do rapaz.
Abriu a porta lentamente, entrando no escritório, seu coração palpitando em seu peito ao ver seu homem atrás da longa mesa de mogno, olhando alguns papéis que estavam sobre ela, um par de óculos no topo do nariz bem esculpido.
“Oi bonitão.” Ciel disse brincalhão, caminhando até parar em frente da mesa, fazendo com que o outro levantasse a cabeça para olhar para ele.
O mais velho ficou em silêncio, apenas encarando seu empregado, correndo as órbitas vermelhas pelo corpo magro escondido pela calça escura levemente apertada e a camisa social azul escura de mangas curtas, que era pelo menos dois ou três números menores que o rapaz, delineando a cintura fina e os quadris largos. E aquele tapa olho... Deixava Ciel ainda mais bonito, misterioso e simplesmente, uma delícia.
Sem dizer nem mesmo uma palavra, Sebastian se levantou e caminhou até o mais novo, parando perto dele antes de gentilmente pegá-lo pelo pulso e puxá-lo para perto, pressionando seus lábios contra os macios num beijo faminto, suas mãos encontrando os quadris por baixo da camisa e apertando a pele que adorava.
Ciel gemeu baixo, se surpreendendo com a ação, mas respondeu ao beijo rapidamente, colocando os braços magros em volta do pescoço longo, tendo que ficar um pouco na ponta dos pés para alcançá-lo.
Pressionando os corpos juntos, o mais velho lambeu o lábio inferior de Ciel, que abriu a boca imediatamente para que os músculos quentes se encontrassem e rolassem um sobre o outro, gemendo ao sentir as mãos grandes deslizarem calmamente para sua bunda e apertar os montes macios.
“Você beija muito bem.” Sebastian comenta rouco, movendo para apoiar a parte baixa de suas costas na beirada da mesa.
“E você nem é tão ruim assim.” As palavras tiram uma risada baixa do mais velho, que abriu um pouco as pernas para que o rapaz se acomodasse no meio delas.
Ciel apoiou as mãos nas coxas do outro, um som baixo de deleite deixando sua garganta ao sentir os músculos fortes ficarem tensos sobre seu toque.
“Eu me diverti bastante noite passada.” Sebastian comentou, encarando o mais novo com olhos desejosos, suas mãos acariciando a pele gostosa dos quadris de seu empregado por baixo da camisa extremamente curta.
“Hm, eu imaginei. Mas eu me diverti bem mais depois que fomos para sua casa.”
Sebastian riu baixo com as palavras, apertando os quadris do rapaz, sorrindo antes de abaixar a cabeça para roçar os lábios sobre o pomo de Adão de seu empregado, aquela pele macia fazendo seu membro pulsar dentro de sua boxer. Sem poder evitar, o mais velho mordeu o lado do pescoço pálido, sugando e mordiscando, fazendo Ciel jogar a cabeça um pouco para trás, gemendo alto, arrastando seu próprio membro enrijecido pela coxa torneada do outro.
“Aargh... A-ah AH! Morde... Isso, mais forte vai... AGH! Nng... S-sua língua... ”
Cada som, cada grunhido e choramingo que caia daqueles lábios fazia Sebastian ficar mais e mais louco, e já estava pronto para colocar uma de suas mãos dentro da calça do rapaz e apertar aquele órgão duro que pressionava contra sua coxa.
Até que alguém bateu na porta.
“Puta que pariu, por que eu nunca consigo?!” Sebastian reclamou alto, suas sobrancelhas franzidas em raiva, quase rosnando, rangendo os dentes em frustração.
“Merda, desgraça do caralho...” Ciel dizia baixo cada palavra como um mantra, fechando os olhos e respirando fundo para tentar se acalmar.
Os dois se afastaram e se arrumaram, tentando esconder as óbvias ereções e, quando o mais velho julgou estarem prontos, mandou quem estava na porta entrar.
“Oi, Sebastian, o distribuidor ligou, perguntou se a entrega dessa manhã veio certa.” Bard disse ao entrar no escritório, seus olhos correndo entre os dois machos, sabendo muito bem o que podia ter transpirado entre os dois no breve período em que Ciel estava na sala.
“Droga, nem chequei ainda. As caixas estão lá em casa.” O moreno disse, caminhando ao redor da mesa para se sentar novamente.
Após alguns poucos segundos pensando, deixou um suspiro sair dos lábios e abriu uma de suas gavetas, retirando algumas folhas de lá e levantando-as para o loiro pegar.
“Aqui, tudo o que eu pedi está anotado. As caixas estão na sala. Vai lá, confira tudo e me liga para confirmar. Pode me entregar as folhas depois, deixa que eu ligo para o distribuidor.”
Bard assentiu, pegando as folhas e passando o olho rapidamente, tirando um cigarro do bolso e colocando atrás da orelha. “Ok, a senha do portão é a mesma de sempre né?”
“É sim. Agora vai logo, tenho que voltar ao trabalho.”
Ciel sorriu, porque sabia muito bem o que significava voltar ao trabalho.
‘Desde quando ficar pegando no meu pau é trabalho, seu mentiroso?’
“Phantomhive acompanhe Bard. São muitas caixas e eu não quero chegar em casa e ver vocês dois lá.”
Bom, pelo menos Ciel pensou que sabia o que significava.
Bard riu das palavras, balançando a cabeça de leve em divertimento ao sair do escritório. Enquanto Ciel fumegava com raiva por dentro.
“Sim senhor.” Disse por entre os dentes, se segurando para não fazer nenhum gesto obsceno para seu chefe, simplesmente saindo do escritório e batendo a porta atrás de si.
–
Com a janela abaixada, a cabeça recostada no descanso do banco e um cigarro queimando por entre seus lábios rosados, Ciel roubava a atenção de muitos na calçada. O vento balançava o cabelo escuro e o rapaz sorria com charme para todos que passavam.
“Ei, Bard. Bard, Bard, Bard, Bard-dirapitupiti, BARD!”
“O que foi porra?!” O loiro berrou, parando bruscamente no sinal vermelho, virando para olhar o outro com irritação clara em seus olhos.
“O tempo está agradável não?”
“Seu bosta! Eu estou dirigindo, para de me encher o saco com essas coisas inúteis!”
Ciel fez um biquinho, movendo-se para deitar a cabeça do ombro largo do colega, tragando a fumaça do cigarro.
“Desculpa Bardzy.”
O loiro bufou com raiva, mexendo o ombro um pouco para espantar o outro como se fosse um mosquito, rolando os olhos.
“Palhaço.”
Passaram mais um tempo em silêncio, aproximando-se da casa de seu chefe pouco a pouco, e Bard olhou de relance para o rapaz.
“Ele gosta de você.”
“Oi? Quem?”
“O coelhinho da páscoa. Sebastian seu imbecil!”
Ciel riu da raiva de seu colega, jogando o toco de seu cigarro pela janela enquanto o outro colocava a senha no portão.
“Por que você acha?”
“Quem falou foi a Mey-Rin e o Finny, não eu. Mas eu acho que eles têm razão. Sebastian age muito diferente perto de você. Não que isso seja bom ou ruim, mas acho que ele fica nervoso, abobado sei lá. E acredite quando eu digo pirralho, que Sebastian não fica nervoso muito menos abobado por causa de qualquer pessoa. Ou qualquer um.”
Ciel suspirou baixo antes de bufar, abrindo a porta da caminhonete do colega e saindo do automóvel, esperando para que o outro fizesse o mesmo antes de dizer, “Bom, não parece, por que ele está me tratando como se eu fosse qualquer um.”
Eles caminharam calmamente pelo jardim, o mais novo aproveitando o tempo para olhar mais a propriedade, já que da última vez estava ocupado demais.
“Você que pensa moleque. Sebastian está doido por você, e você vai perceber. Ele não é muito bom em esconder suas emoções depois de um tempo.”
‘Tomara que ele esteja certo. Porque eu não quero ficar doido com ele e ser posto de lado... Não, nãonãonãonãonãonão, eu NÃO quero que ele fique doido por mim, eu não estou nem vou ficar doido por ele. Eu só quero a bunda dele. É. ’
Entraram na casa e Bard entregou algumas das folhas e uma caneta para o rapaz enquanto caminhavam até a sala.
“Nas folhas tem escrito o nome do produto, a marca e a quantidade. Confira os três e escreva um ‘OK’ no que estiver certo e marque um X no que veio errado. E se puder a data de validade também. Esse distribuidor é bom, mas Sebastian gosta de dar uma olhada em tudo.”
Ciel assentiu, correndo os olhos rapidamente pelas folhas e depois pelas caixas, indo até as primeiras agrupadas e abrindo-as, checando o que lhe foi pedido.
–
Após 20 minutos, eles já haviam olhado treze caixas, deixando apenas mais vinte e duas para a inspeção.
Enquanto trabalhava, Ciel não pôde deixar de reparar na falta de fotos novamente e aquilo lhe incomodou mais do que deveria. Podia ser algo muito bobo ou simples (Sebastian podia não gostar de por fotos pela casa), mas alguma coisa lhe fazia crer que não era por um motivo estúpido.
“Ei Bardzy!”
O loiro olhou para o rapaz brevemente antes de voltar a sua tarefa, abrindo outra caixa de papelão. “Para de me chamar disso!”
“Ta bom, ta bom. Ei Bard!”
“O que é?!”
“Por que o Sebastian não tem nenhuma foto de família pela casa?”
Bard parou de se mover (até de respirar, se Ciel confiava em sua audição) por um momento, parecendo uma estátua por um segundo antes de suspirar alto e balançar a cabeça.
“Desculpa Ciel, mas isso é uma coisa que você tem que perguntar para ele por si próprio.”
“Mas-”
“É sério. Esse assunto não é fácil e é pessoal dele. Ele não conta para qualquer um. Pergunte para ele você mesmo.”
Ciel franziu o cenho, uma leve preocupação crescendo em si, fazendo morder seu lábio inferior. “É muito sério?”
“Digamos que você vai vê-lo com outros olhos.”
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