Night and Sun
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Mas que desgraça.”
Olhos azuis correram pelas prateleiras vazias da geladeira, encontrando apenas duas embalagens de comida chinesa que pareciam extremamente suspeita, três garrafas de água e um queijo vencido.
“Nem para eu ter uma droga de cerveja.”
Ciel Phantomhive era um jovem estudante de vinte e um anos, passando por alguns sérios problemas financeiros.
E isso só ficará mais evidente ao sair do banho e procurar por algo para lanchar em seu apartamento depois das onze da noite e não encontrar absolutamente nada. E isso já aconteceu várias vezes. Nessa semana. Sem falar que fazia um dia que não fumava um belo cigarro.
Não podia ficar mais um dia sem comer alguma coisa quente e não requentada.
Resmungando, Ciel acabou de se vestir, colocando uma cueca boxer preta enquanto pegava seu celular, mandando uma mensagem rápida para seu melhor amigo para só ligar para ele daqui a duas horas.
Deslizando uma camiseta branca sem mangas por seus braços magros e uma calça jeans skinny com as barras obviamente cortadas por uma tesoura, o estudante pôs o celular no bolso antes de ir ao banheiro para pentear seu cabelo sedoso, correndo os dedos esguios pelos fios escuros.
Caminhou até seu guarda-roupa, pegando um par de botas de combate pretas e um moletom verde escuro que era dois números menores do que deveria ser, mostrando a curva de sua cintura com facilidade e que deixaria parte de seus quadris a mostra se ele se esticasse.
Ciel passou um pouco da colônia (que era meio barata) antes de pegar a chave de seu carro na vasilha da bancada da cozinha e sair de seu apartamento.
“Amor, que saudade!” O jovem abraçou seu carro, um Lexus preto GS 300 usado que comprou quando tinha míseros 17 anos. Apesar de ser bem velho (quando ele comprou o carro, ele já era usado, desde 1990 e alguma coisa), o rapaz tinha um carinho especial pela sua lataria, afinal é seu primeiro carro até hoje.
“Que fome da porra.” Murmurou sozinho, dirigindo pelas ruas desertas da cidade, correndo os olhos por qualquer restaurante ou drive-thru ou qualquer lugar que pudesse saciar seu enorme apetite antes que o resto do gosto do chiclete (que ele achou no porta luva) acabasse.
Já fazia meia hora que estava procurando e não achava nenhuma droga aberta. Bom, já era quase meia noite, mas mesmo assim!
“Ótimo, agora isso.” Vendo que sua gasolina estava quase no limite, Ciel acelerou e correu até o posto mais perto, achando um a poucos quarteirões de onde estava.
Parando e saindo do seu lixo de carro, ele correu os olhos pelo posto, suspirando ao ver que tudo estava completamente deserto.
“Merda!” Ciel sussurrou com raiva para si mesmo, sentindo uma enorme raiva ao perceber que realmente estava tarde. Não acharia mais lugar algum para comer.
...
Após encher o tanque de seu querido carro, o estudante estava procurando por alguns trocados para deixar em cima da máquina que usou.
“Só mais dois dólares...” Enfiou a mãos nos bolsos, achando mais algumas moedas, juntado-as ao monte já um pouco alto. Ainda bem que ele raramente colocava suas roupas para lavar.
Sorriu triunfante ao ver que conseguiu a quantia necessária, tentando ignorar o fato de ter acabado com quase todo o dinheiro que estava em sua carteira. O jovem suspirou, caminhando até seu querido carro.
Abriu a porta do motorista e se abaixou, sentando-se no banco de couro velho. Ligou o motor e apoiou seu braço direito no banco ao seu lado, se preparando para dar a ré. Até avistar uma placa num canto do posto, escrita ‘Night and Sun’ em branco em letra cursiva num fundo preto.
Aquilo era... Uma loja de conveniência! Era disso que precisava, um lugar que venderia deliciosa comida processada por um preço baixo.
Desligando seu carro novamente, o estudante caminhou até a loja, lambendo os lábios ao pensar em comprar um pacote gigante de batatas, nachos e um refrigerante. Colocou seus dedos ao redor do puxador prateado da porta de vidro da entrada, estando prestes á abrir quando viu um papel no canto escrito ‘Precisa-se de ajudante’.
‘Um emprego seria bom... Vou ter que pagar o aluguel daqui algumas semanas mesmo... ’
Empurrou a porta com pouca força, escutando um sino tocar quando o fez, pisando dentro da loja pela primeira vez. Ciel passou os olhos pelo estabelecimento, dando de ombros quando este chegou a seus padrões.
Andando até o grande balcão, o estudante viu o um garoto loiro que deveria ser da sua idade, com um sorriso estampado no rosto jovem e os olhos verdes esmeralda brilhando. O estudante correu os olhos por todo o corpo do rapaz sem nenhum senso de vergonha.
‘Não é muito meu tipo, mas ele é bonito. ’
“Boa noite! Meu nome é Finny, em que posso ajudá-lo?”
“Oi, boa noite, eu vi a placa ali na porta. Vocês ainda estão contratando?” O jovem de olhos azuis cruzou os braços sobre o balcão de vidro, sua voz em um tom leve de flerte. “Meu nome é Ciel a propósito.”
“Ah, estamos sim. Aqui, é só preencher o requerimento.” Finny abaixou-se, pegando uma folha de papel antes de entregar para o rapaz na sua frente junto com uma caneta. “Nosso chefe está aqui. Você pode fazer sua entrevista agora mesmo, se quiser.”
“Eu quero sim.” O estudante assentiu enquanto terminava de escrever suas informações, entregando o requerimento de volta ao loiro.
“Aguarde só um minuto enquanto eu falo com ele.”
“Pode ser.”
...
“Entre.” Uma voz profunda ressoou da porta de madeira no fundo da loja depois que Finny bateu nela gentilmente.
“Tem um cara ali fora que quer a vaga. Eu disse que ele podia falar com você.”
“Tudo bem, eu já vou.”
O loiro sorriu, seus olhos normalmente inocentes com um brilho de travessura, encarando seu chefe com uma expressão brincalhona, o qual deixou o outro homem confuso.
“O que foi? Por que está me olhando assim?”
“Acho que você vai gostar muito dele.”
O homem arqueou as sobrancelhas em leve interesse, cruzando as mãos e descansando a cabeça nelas.
“E por que acha isso?”
“Você vai ver.”
Bufando, o chefe se levantou de sua cadeira, correndo seus dedos elegantes por seu cabelo. “Tudo bem, eu já vou. Mas... Ele é... Você sabe, atraente?”
“Eu já disse Sebastian. Você vai gostar mais do que qualquer um.”
...
“Ele já vem.” Finny disse ao retornar ao balcão, vendo o rapaz de olhos azuis na ponta do mesmo, se curvando sobre ele.
“Obrigado.” Ciel sorriu ao loiro, que sorriu de volta e pediu licença para reorganizar algumas mercadorias.
No curto período de tempo em que o outro menino saiu, o estudante já tinha dado uma boa olhada pela loja. E escolheu o que iria comprar para comer. Dois cheeseburgers com bacon de microondas, um pacote de batatas, uma lata de Dr.Pepper e uma mini garrafa de vodka. Tudo por meros vinte e cinco dólares.
“Ei, cuidado. Isso não agüenta tanto peso, sabia?” O chefe da loja disse, encarando a pele do quadril exposta pelo minúsculo moletom do rapaz na sua frente, lambendo os lábios ao ver como a pele era deliciosamente pálida, parecendo até cremosa, a visão testando seu bom senso quando seus dedos coçaram para tocar e apertar o que via.
O som de uma voz máscula fez um tremor correr pelo corpo esguio de Ciel e ele teve que se controlar para não lamber os lábios.
Retirando-se do balcão, o jovem virou-se para o dono da voz e teve que pressionar suas cochas uma contra a outra para controlar sua ereção.
Olhando de baixo a cima o homem em sua frente, o primeiro que Ciel viu foram pernas longas e aparentemente definidas escondidas por uma calça social cinza. Um torso longo, esguio e forte sobre um colete na mesma cor da calça e uma camisa preta de botão e mangas longas, que estava com os dois primeiros botões abertos, deixando á mostra a pele branca que fazia um bom contraste com as roupas.
Subindo seus olhos para o pescoço que o jovem adoraria morder, finalmente parou suas órbitas azuis no rosto do que seria o homem mais bonito que o estudante viu na vida. Olhos vermelhos o fitavam seriamente, uma boca com lábios finos, mas carnudos em uma linha reta numa expressão de poucos amigos, um nariz perfeito sobre ela, ao lado altas maçãs do rosto marcavam presença, no topo da cabeça cabelo liso e sedoso negro num corte belo, alguns fios caindo ao lado da face.
‘Porra, eu acho que eu vou explodir se olhar para ele por muito tempo. ’
“Perdão. Meu nome é Ciel.” O estudante sorriu charmosamente, mostrando um pouco dos dentes perfeitamente brancos, esticando a mão ao homem estupidamente bonito na sua frente, seus olhos com um brilho de flerte.
O chefe da loja encarou a palma branca e aparentemente macia antes de rolar os olhos e dar ás costas ao rapaz, caminhando de volta á sua sala e dizendo ao rapaz mais novo para segui-lo.
‘Era muito bom para ser verdade. Ele tinha que ser idiota. ‘
O estudante pensou ao entrar na sala, sentando-se na cadeira em frente á bela mesa de madeira, assistindo o homem sentar-se na outra cadeira com assento de couro do lado oposto de onde estava.
“Meu nome é Sebastian Michaelis e eu sou dono dessa loja, como eu espero que você já tenha notado, se não pode se levantar e ir embora de uma vez.” O homem disse rudemente, inclinando-se em sua cadeira, cruzando suas longas pernas elegantemente.
“Sim, eu já tinha notado isso sim.” O estudante respondeu, rangendo os dentes em irritação com a atitude do homem.
‘Quem esse merda pensa que é? Tudo bem, ele pode ser esse deus, mas não é melhor do que eu para falar assim comigo!’
“Bom, no seu formulário você escreveu que está disponível em qualquer hora após ás sete da noite todos os dias.” Sebastian disse, colocando seus óculos de leitura e lendo os papéis que o jovem preenchera há poucos minutos.
‘Ele deve estar de brincadeira com a minha cara? Que porra são esses óculos? Ele ficou mais sexy! Inferno!’
“Isso, eu tenho aula até ás sete então depois disso eu estou disponível.” O jovem respondeu, franzindo o cenho em irritação quando o homem nem olhou para ele para conversar.
“Então você poderia ficar no turno das oito até ás três.” O moreno falou, finalmente retirando os olhos dos papéis para fitar o rapaz, retirando seus óculos e cruzando as mãos sobre a mesa. “Se quiser o emprego volte aqui amanhã no horário do seu turno.”
“Tudo bem, eu vou-”
“E mais uma coisa.”
“O quê?” Ciel perguntou por entre os dentes, com raiva por ter sido interrompido no meio de sua fala.
“Quero ver sua mercadoria.”
“... Am?”
“Tenho que repetir? Quero ver sua mercadoria. Tire a roupa. Meus clientes não aceitam qualquer coisa.”
“O quê?! Não vou tirar o caralho da minha roupa! Vai se fu-”
“Está tudo bem. Isso foi apenas um teste.” O homem disse calmamente, um sorriso brincalhão em seus lábios, obviamente divertido com a reação que receberá. “Muitas pessoas acham que apenas por ser uma ‘lojinha’ de conveniência de posto, acham que podem fazer o que querem. Só queria ter certeza que você não é uma delas.”
“Esse é o teste mais idiota que eu já vi na vida.” Ciel disse com um leve sorriso estampado em seu rosto com seu próprio comentário. “Mas se é só isso, eu já vou indo. Amanhã vou estar aqui.” Levantou-se, vendo seu (com sorte) futuro chefe fazer o mesmo e passar as mãos por sua roupa.
“Não se atrase.” Sebastian disse ao se aproximar do jovem, que o olhou estranhamente ao ver que o outro estava perto demais.
“Nunca me atraso.” O estudante respondeu, um tom ousado em sua voz, lambendo os lábios ao ver o outro levantar a mão e estende-la. Deixando um suspiro de alívio (e decepção) quando o homem apenas retirou um fio que estava em seu minúsculo moletom.
“Acho bom.” Sebastian sorriu, um sorriso estranhamente charmoso, que fez Ciel se lembrar de sua ereção, apertando suas coxas uma contra a outra para tentar escondê-la enquanto o homem abriu a porta para ele. “Pode ir.”
...
“Que porra...” Ciel murmurou enquanto pegava o pacote de batatas que queria no balcão, vendo Finny sorrir para ele.
“E então como foi?” O loiro perguntou animadamente, pegando o dinheiro que o outro jovem lhe entregou, colocando o pacote de batatas numa sacola de papel antes de dar a sacola para o estudante.
“Uma desgraça. Ele sempre é tão imbecil assim?”
“Quem, Sebastian? Não, ele é um dos caras mais legais que eu conheço. Ele nunca gritou ou foi grosso com algum dos empregados ou clientes.”
“Então ele só não foi com a minha cara. Porque aquele homem ali não tem nada a ver com que você acabou de falar.” O rapaz comentou, sentindo-se meio emburrado pelo homem ter lhe tratado daquela forma exclusivamente.
“Era só porque era a entrevista. Ele é meio durão durante a entrevista para ver com quem está lidando. Mas você vai ver! Amanhã ele vai ser o cara que é de verdade com você!” O rapaz de olhos verdes explicou animadamente, esperando animar o outro para que ele voltasse. Não podia deixá-lo ir só por causa disso. Ele sabia que Ciel seria perfeito para seu chefe!
“Tomara que sim, Finny.”
...
“Finalmente! Se é pra deixar essa merda de celular jogado, nem devia ter comprado essa porra!” Ciel disse rudemente para seu melhor amigo pelo telefone após sair da loja, caminhando de volta para seu carro.
“Vai se fuder, Ciel! É só a segunda vez que você liga! Estava ocupado! E você mandou uma mensagem dizendo para não te incomodar até ás 2! Então vai tomar no cú!”
“Tá, ta Alois, esquece. Você não vai acre-”
“Antes de você me contar, quer ir beber? A gente pode comprar um whiskey ou uma caixa de cerveja. Cada um paga metade.”
“É, só se eu tirar dinheiro da bunda para pagar metade de um whiskey, seu-”
“Então espero que dinheiro não seja a única coisa que caiba na sua bunda.”
Arregalando os olhos com as palavras e pelo som da voz grave, Ciel engoliu um seco, seu membro contorcendo-se dentro de sua boxer com o tom leve de flerte usado. Lentamente se virando, Ciel quase gemeu ao ver Sebastian parado a poucos pés de si, um sorriso sedutor nos lábios que o rapaz estava se segurando para não beijar.
‘Porra, tomara que ele não me peça para tirar a roupa agora. Eu sei que eu ia tirar se ele pedir com essa cara. ’
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