Night and Sun
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“Olha, não me leve a mal, mas que porra você acabou de dizer para mim?”
A pergunta fez com que Sebastian risse, irritando Ciel ainda mais, só não sabia se era porque o homem estava rindo dele ou se porque o som másculo e rouco fez ondas de calor percorressem seu corpo.
“Acalme-se Phantomhive. Foi apenas uma piada. Só vim te entregar esse papel, você não me deu tempo de fazer isso lá dentro.”
“Espera aí, Alois. Não caralho, cala a boca. E não desliga se não te mato.” O jovem disse ao telefone, ouvindo seu amigo retrucar, mas ele retirou o aparelho de perto da orelha.
Aproximando-se do homem de cabelo escuro, o estudante pegou o papel que estava na mão de seu futuro chefe, correndo os olhos por ele brevemente.
“São os horários e turnos de todos os funcionários. Talvez ache algum melhor para você ou queira trocar com algum dos outros.” Sebastian explicou, gesticulando sobre a folha de papel.
“Entendi.”
“Tudo bem então, pode ir embora.”
O estudante rolou os olhos com as palavras, assentindo e dizendo um baixo ‘tchau’ para o homem, entrando em seu carro.
Sebastian assistiu o rapaz, lambendo os lábios ao ver como ele rebolava de um modo bem discreto e leve, nem deveria perceber que o fazia.
‘Ok, o que eu disse não foi nenhuma brincadeira. Eu adoraria ver o que cabe na bunda desse menino. ’
–
“O que você estava dizendo?” Ciel perguntou para Alois, ligando o carro e acelerando lentamente.
“Seu filho da puta! Por que fez aquilo?!”
“Calma, imbecil. Eu consegui um emprego e eu estava falando com meu chefe. E ele é um idiota!” Ele disse já irritado, abrindo o pacote de batatas, pegando algumas e enfiando-as na boca, mastigando propositalmente alto para irritar seu amigo.
“Por quê? O que ele fez?”
“Primeiro, quando ele apareceu, eu estendi minha mão para cumprimentá-lo e sabe o que ele fez? Ele olhou para a desgraça da minha mão e me deu as costas!”
“Que estúpido!”
“Depois disso, eu já entrei no escritório dele puto da vida. Além de ele me interromper várias vezes enquanto eu falava, no final da entrevista ele me mandou tirar a roupa porque ele queria ver minha ‘mercadoria’.”
“Não acredito! E você tirou?”
“Lógico que não, Alois! Pensa um pouco para variar!” Ciel quase berrou, franzindo o cenho com a estupidez do outro rapaz. “Eu o mandei ir se fuder, mas depois ele disse que foi só um teste para ver se eu não era qualquer ou alguma coisa assim que tira a roupa para as pessoas.”
“Há! Que idiota! Além de ser isso, como ele é? Bonito? Sexy? Aposto que-”
“Nossa, Alois, ele é muito bonito. Ele parece um modelo, é ridículo! Ele deve ter uns vinte e sete, vinte oito anos. Juro que fiquei muito duro quando ouvi a voz dele, é bem rouca e máscula... E profunda. E quando eu olhei para a cara dele achei que ia gozar.”
“Sério? Hm, então quando ele te pediu para tirar a roupa deve ter sido meio sensual.”
“Até que foi um pouco... Sei lá Alois, foi tudo tão de repente que eu não sabia o que pensar.”
“Um-hum, entendo. Mas então boneca, já que você não quer ir ficar louco, eu vou voltar para meu cara aqui.”
“Ecaa, seu nojento! Você atendeu ao telefone bem depois de fuder?”
“Meu Deus, você me insulta Phantomhive! Como ousa falar isso de mim?!”
“...”
“Foi bem depois de ser fudido, amor. Desligando, te vejo amanhã na aula.”
Com isso, ambos desligaram e Ciel concentrou-se na rua, já estacionando em frente ao seu prédio, esticando os braços magros e arrotando alto antes de pegar mais uma mão cheia de batatas e sair do carro com o pacote.
–
“Ei, seu bosta, vamos embora.” Ciel disse com um tom de tédio, chutando de leve o tornozelo do seu amigo. “Tenho que ir para casa e trocar de roupa para ir trabalhar.”
“Ah, ok. Eu vou com você. Quero conhecer seu chefe.” Alois brincou enquanto deixavam a universidade, caminhando até o carro do outro rapaz. “Cara, seu carro é uma merda. Quando você vai trocar esse pedaço de lixo?”
“Você que é uma merda. Entra logo, quero chegar lá rápido.” O estudante rolou os belos olhos azuis, ligando seu carro e acelerando assim que o outro fechou a porta.
...
“Ei, o que você vai vestir? Coloca aquela sua camisa sem manga! Você fica bom nela.” Alois gritou do quarto de Ciel, que estava no banheiro passando sua colônia, já vestido em sua boxer vermelha.
“A regata azul escura?” O rapaz gritou de volta, caminhando de volta ao quarto e pegando uma calça cargo cinza, colocando-a com facilidade. “Eu ia vesti-la de qualquer jeito.”
“Pff, você parece uma bicha falando ‘regata’.” Alois ri, procurando a peça mencionada pelas gavetas do quarto do estudante.
“Ah, me chupa, Alois. Até parece que você pode falar alguma coisa, o rei do palácio dos viados que fica com a garganta doendo o dia inteiro de tanto mamar pin-”
“Nossa, que estresse! Não precisa falar assim! O que você tem? Está nervoso assim desde ontem.” Alois jogou a camisa no rosto do amigo antes de cruzar os braços e fazer uma cara de emburrado.
O estudante de cabelos escuros suspirou ao retirar a camisa do rosto, balançando a cabeça de um lado para o outro levemente, vestindo a peça de algodão.
“Desculpa, eu só estou nervoso de voltar para lá.” O rapaz passou a mão pelo olho direito, a órbita incolor e sem vida sendo escondida por uma pálpebra pálida que possuía uma cicatriz larga que ia de cima a baixo pela pele delicada. “Ainda mais sem minha lente de contato para tampar isso. Com meu olho assim, talvez aquele babaca me demita, eu não sei.”
Assim que as palavras saíram da boca de Ciel, seu amigo suavizou o olhar e aproximou-se dele, colocando seus braços magros em volta da cintura do outro. “Não seja bobo. Se ele te demitir por causa disso, então ele não te merece lá.”
O estudante olhou para seu amigo loiro gentilmente por alguns breves segundos antes de rir baixo, dando um leve tapa em seu braço. “Gay.”
“Viado.” Alois retornou, beijando a bochecha do outro rapaz antes de lhe devolver o tapa, apertando um dos lados da bunda de seu amigo. “Anda bundão, põem suas botas de revoltado e vamos para o seu trabalho.”
–
“Como eu estou?” Ciel perguntou para o loiro, virando-se para seu amigo depois de dar uma voltinha, sorrindo brincalhão. “Super sensual?”
“Você se acha muito.” Alois rolou os olhos com as palavras do outro, mas riu um pouco mesmo assim. “Anda, vamos entrar.”
“Ok, ok. Mas prepare-se.”
Ao abrir a porta, o estudante de cabelos escuros pôde ver Finny sorrir para ele e acenar para ele, outro loiro, que era maior e aparentemente mais forte e mais velho, do lado dele.
“Oi Ciel! Que bom que veio!” Finny exclamou, parecendo extremamente excitado que o rapaz apareceu. Talvez pelo fato que isso daria uma chance para Sebastian. Não que ele comentaria isso. Não agora, pelo menos.
“Ei, Finny.” Ciel respondeu com um sorriso, acenando de volta, gesticulando para Alois, que repetiu o gesto. “Esse é meu amigo, Alois.”
“E esse aqui é Bard. Ele também trabalha aqui, mas seu turno acabou de terminar.”
“Oi. Então você é o novato? Bem vindo.” O loiro disse, saindo de trás do balcão, apertando a mão dos dois jovens. “Bom, eu já vou. Estou morrendo de fome e sono. Tchau para vocês, até amanhã.”
Assim que Bard saiu, o som de outra se abrindo atraiu a atenção dos dois amigos e Ciel conseguiu ouvir seu amigo loiro engolir um seco.
“Puta que pariu.”
O dono da loja vestia um blazer de veludo num tom de vinho, uma camisa social branca, calça jeans escura e levemente apertada e sapatos sociais marrons. Em outras palavras, o homem era puro sexo sobre pernas.
“Phantomhive, então decidiu vir.” O homem sorriu friamente, aproximando-se dos jovens e retirando as mãos dos bolsos da calça. “Assumo que vai trabalhar aqui.”
Discretamente, Sebastian correu os olhos pelo corpo de seu mais novo empregado, apreciando a pele pálida exposta, lambendo os lábios em desejo de querer tocá-la como bem quisesse.
“Sim, eu vou. Até trouxe um cliente. Esse é meu amigo, Alois.”
Imediatamente, o loiro esticou a mão, a qual foi prontamente segurada num aperto firme. “É um prazer.” O jovem disse, sorrindo para o dono da loja.
“O prazer é todo meu.” O homem respondeu, as palavras tendo um som meio suspeito por trás delas, que fez com que Ciel rangesse os dentes quietamente.
“Enfim, Alois, toma a chave do meu carro. Vai dormir no banco de trás. Cuidado com ele, ouviu?” Ciel entregou as chaves para o amigo, que o olhou estranhamente mas não disse nada, apenas assentiu.
“Ok, te espero lá.” Dando um beijo na bochecha do amigo, o loiro depois se virou para o dono do estabelecimento, que parecia um pouco menos simpático do que antes. “Tchau, senhor.”
Sebastian apenas acenou com a cabeça, sentindo seu interior se revirar com o fato do rapaz loiro ter beijado o outro. Não tinha certeza do porque, apenas não queria ver de novo. “Uma regra muito importante na minha loja. Não traga seus namoradinhos para cá.”
“O que? Olha, Alois é só meu amigo, tudo bem?” Ciel resmungou, já se sentindo irritado e emburrado com a situação.
O chefe apenas suspirou, massageando as têmporas lentamente. “Tudo bem. Apenas vá para o balcão. Finny vai te dizer o que fazer.” Dito isso, virou-se e passou novamente pela porta que levava de volta ao seu escritório.
–
Trabalhar com Finny era bom. O rapaz era muito educado e simpático, totalmente diferente de seu chefe. Ensinou Ciel alguns truques com os clientes, como elogiá-los, além de lhe dar uma lista de todas as mercadorias que tinham em estoque para facilitar o trabalho.
O único momento meio desconfortável que tiveram, foi quando o loiro perguntou de seu olho, mas apenas Finny que ficou desconfortável. O estudante lhe disse que fora um acidente e nada de mais. Não totalmente verdade, mas não era mentira também.
Só não estava pronto para dizer o que aconteceu ainda para outros.
Já eram 11 horas e Ciel estava se apoiando no balcão, esperando Finny voltar do breve recesso que tomou para ir ao banheiro.
“Já não falei que isso não agüenta muito peso?” A voz rouca falou atrás de Ciel, causando um arrepio correr pelo seu corpo, uma mão quente pressionando contra a parte de trás de seu quadril fazendo seu membro contorcer-se dentro de sua boxer.
“Desculpa, eu me esqueci.” O estudante murmurou, afastando-se do balcão e virando-se para seu chefe.
“Tudo bem, só não faça de novo. Preciso de ajuda. Tem um novo display que estou acabando de montar, mas tem uma peça que se nega em cooperar.” Sebastian disse, parecendo honestamente chateado, o que fez o rapaz pensar em como ele parecia até meio fofo.
“Deixe-me ver.”
Aproximou-se do display que estava no canto do balcão, pegando a peça que estava do lado dele e tentando encaixá-la no local apropriado que seu chefe indicou.
Concentrou-se no que fazia, tanto que fechou um dos olhos para ter um foco melhor na órbita em que podia enxergar. Apenas percebeu o que fez quando notou um pequeno estremecer que o outro homem deu.
“Ah.” Rapidamente colocou uma de suas palmas sobre seu olho sem vida, tampando também a pálpebra marcada. “Desculpa, está muito feio? E-eu posso tampar se quiser. Posso por um pano ou-”
“Ei, ei. Acalme-se. Sei que me acha um imbecil, mas não sou insensível. Não tem nada de mais, apenas me surpreendeu, só isso.” Sebastian gentilmente colocou seus dedos ao redor do pulso do menor, puxando de leve sua mão para longe de seu olho. “Não precisa tampar.”
“Mas e se os clientes não gostarem? Vai te trazer prejuízo, eles podem ir embora ou sei lá o que.”
“Qualquer um que se sente incomodado com isso ou com qualquer um dos meus empregados pode ir se fuder e ir embora da minha loja. Não precisamos de gente assim aqui. Agora relaxe.”
Ficaram um tempo se encarando sem perceber o que estavam fazendo, Sebastian ainda segurando delicadamente o pulso fino antes de balançar a cabeça e se afastar um pouco.
“O-obrigado.” Ciel queria se chutar por gaguejar e por parecer tão patético, ainda mais ao sentir um calor no rosto, enquanto o dono da loja se deliciava com o tom corado que as bochechas pálidas ganharam.
“Então muito bem. Avise-me quando acabar isso, tudo bem?”
O estudante assentiu, lambendo os lábios levemente quando seu chefe se virou, olhando para a bunda definida que estava escondida por uma camada de jeans.
“Não se preocupe com isso, ok?” Sebastian disse com um sorriso charmoso, virando-se mais uma vez e colocando alguns fios de cabelo do rapaz mais novo atrás da curva de sua orelha.
Ciel segurou sua respiração nos breves segundos em que isso aconteceu até seu chefe voltar ao escritório, o aroma da colônia cara do homem ainda pairando no ar e em suas narinas.
‘Porra. ’ O estudante pensou ao pressionar suas cochas uma contra a outra, para tentar controlar a ereção furiosa que implorava por atenção.
Vulgarmente, apertou-se por cima da calça em uma tentativa fútil de se controlar, lambendo os lábios e deixando um suspiro sair.
‘Preciso gozar e preciso agora. ’ Pensou consigo mesmo, arrastando os pés lentamente até o banheiro. Estava á prestes a bater na porta para checar se Finny ainda estava lá quando um som rouco lhe paralisou.
‘Mas o que?’
Encostando a orelha na porta de madeira, barulhos rápidos... Úmidos e escorregadios podiam ser ouvidos, em conjunto com uma respiração abafada e gemidos baixos e profundos.
‘Porra! Porra, porra, porra, porra! É o Sebastian! ’
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