Night Watchers - Primeira Temporada
92 Um Toque de Magia (Vol. 8) - Capítulo 6
Pelas grutas secretas de Cila, o ânimo voltara a acalmar… O demónio Abaddon aguardava respostas por parte de Lezard e à medida que o tempo passava ficava cada vez mais ansioso. Tudo o que queria era encontrar o feitiço para ver-se livre de Vanda e então, estar apto pra realizar o “Grande Projecto” com os restantes quatro demónios da ordem superior.
Giovanni, o vampiro, estava de barriga cheia e adormecera encostado a uma das rochas existente na gruta. Lunatik e o demónio da impaciência, Verin, estavam distraídos a fazer uma tarefa… Carregavam os corpos e os restos mortais completamente queimados para um dos cantos.
A uma dada altura, depois de Abaddon estar farto de andar de um lado para o outro à espera de notícias, algo inesperado acontecera… Vanda Soares, a humana que tinha o demónio aprisionado a ela, aproveitou o momento de fraqueza de Abaddon e emergira do vazio onde a sua alma aguardava ser salva, voltando a ter o comando do seu próprio corpo. Desta vez, não perdera a força nem sequer caíra ao chão. A mudança não a fizera perder a força e conseguiu manter o controlo. A jovem tinha agora mais vontade de viver do que alguma vez antes.
Verin — Se não tratarmos disto vai ficar aqui um cheiro insuportável! Talvez o Lezard consiga desfazer-se dos corpos…
Avisou Abaddon… Ou assim pensou ele.
Vanda ficou um pouco nervosa. Mas conseguiu manter a postura e fazer-se passar pelo demónio.
Vanda — Sim, de certeza, claro…
Disfarçou.
Verin — Espero que sim! Não gosto do cheiro a carne queimada!
Criticou. O demónio da impaciência era muito esquisito e estava a habituado a outro tipo de condições. Vanda não sabia o que havia de responder, então decidiu ser arrogante como Abaddon seria se ali estivesse…
Vanda — Faz como o Lunatik… Continua a trabalhar e não te queixes!
Verin respeitou a decisão do suposto Abaddon e calou-se, continuando o trabalho que estava a fazer. Devagar, Vanda começou a deslocar-se até à saída da gruta…
Vanda — Em breve, tudo irá mudar!
Continuou a agir como o demónio. Lunatik e Verin estavam novamente distraídos e concentrados no trabalho. Giovanni continuava a dormir. E Vanda viu uma hipótese de fuga… Sem hesitar, escapou sorrateiramente da gruta, sem ninguém dar por isso…
*
O som das pancadas na porta era audível por toda a vizinhança… O responsável pelo barulho não estava minimamente preocupado com o que os donos da casa iam achar. Tinha de falar com eles o mais rápido possível e nada o ia impedir.
Ao abrirem a porta de casa, o casal Zodiev deu de caras com Emília Almeida… Ou melhor, com o ser que andava a fazer-se passar por ela. Cristina e Frank não ficaram satisfeitos com aquela presença e isso era mostrado nas suas expressões faciais.
A falsa Emília entrou pela casa a dentro, no seu jeito desengonçado… Por muito medo que sentisse, aquele era um momento de verdade. Tinha de encarar os dois demónios…
Emília — Já chega… Estou farto! Fiz tudo o que vocês pediram… O meu trabalho está feito!
A criatura correu o risco do casal Zodiev poderem acabar com a sua vida ali mesmo… Mas tudo o que queria era ser livre. Frank fechara a porta de casa…
Frank — Parece que ainda não percebeste muito bem o que está aqui em jogo…
O ser que tinha a figura de Emília interrompera o demónio…
Emília — Sei pois… A minha vida! Só que parece que vocês é que estão a esquecer-se de algo… O nosso acordo era eu ajudar-vos até terem informação suficiente. Depois disso seria livre… Vocês prometeram que não iriam perseguir-me!
Este sabia que se tentasse fugir sem cumprir a sua função, Cristina e Frank encontrá-lo-iam onde quer que ele estivesse e iria pagar.
Cristina — A mim não me parece que o teu trabalho esteja finalizado… Acho que ao Frank também não!
Exclamou com o seu ar pesado e ameaçador.
Emília — O que querem mais? Matei o casal de Night Watchers por vocês. Descobri tudo que havia a saber acerca dos seus dois filhos, Leonardo e Ema Almeida. Raptei a avó dos jovens… O que é que falta? Já têm tudo o que precisam pra exterminar aquela família… Assim como fizeram com a minha!
Afirmou cheio de dor, enquanto recordava o que acontecera… Frank e Cristina tinham assassinado toda a sua família, apenas por diversão… Aqueles hediondos demónios banharam-se no sangue de uma família de seres pacíficos que detestavam qualquer demonstração de violência. Depois de ter visto o que eles fizeram com os seus entes queridos, passou a temê-los mais do que nunca e estes aproveitaram-se da situação para o obrigarem a praticar vários tipos de atrocidades. A falsa Emília sentia a sua alma poluída… E agora, o casal estava a tentar repetir o mesmo com a família Almeida.
Frank — Ainda bem que te lembras do que aconteceu… Porque se não fizeres tudo o que te pedimos, terás um fim pior do que aquele que demos aos da tua raça!
Ameaçou-o.
Emília — Mas eu estou cansado…
Admitiu com tristeza.
Cristina — E o que é que nós temos a ver com isso? Por nós até podias nem te aguentar de pé… Só serás livre quando eliminares os dois jovens da família Almeida!
Insistiu.
Emília — Não compreendo como é que vivem tão afastados dos outros demónios e conseguem ser tão cruéis como eles!
Frank — Nós preferimos fazer as coisas ao nosso gosto… O mundo dos demónios está cheio de regras! No final quem possui sabedoria somos nós… Vivemos como humanos e aterrorizamos pelas sombras! Não temos de nos esconder e podemos massacrar o que quisermos, quando quisermos! Admito que temos um pequeno atrito com a família Almeida… Quando o casal de Night Watchers descobriu que eramos demónios tentaram acabar connosco. Deram-se mal, como a história pode contar. Agora, tudo o que resta deles são memórias e provas físicas de que existiram. E nem isso queremos que aconteça! Temos de os varrer da face da Terra… A todos! Ninguém se mete com os Zodiev!
Tudo não passava de uma simples vingança e a falsa Emília lamentou-se por ter sido apanhada no meio da tempestade.
Emília — E não se preocupam com o vosso filho? Ele e o Leonardo são amigos…
Já que não havia outra maneira, decidiu falar do filho dos demónios... Talvez assim conseguisse chegar a algum lado.
Cristina — O Hugo está bem… Nós sabemos que eles começaram uma relação de amizade recentemente! Desde que ele conheceu aquela rapariga prodígio, tem andado muito intrometido!
Referindo-se a Melissa.
Frank — E não… Não queremos saber! Não é suposto o Hugo ter amigos!
Completou.
Cristina — E desde quando é que te demos autorização pra falar do nosso filho? Não sabia que os Botos tinham-se tornado em idiotas sentimentais…
Exclamou, revelando quem era a falsa Emília… Um Boto era uma criatura do folclore brasileiro que vivia nas águas, de aspecto humano e com o corpo adaptado ao seu meio ambiente. Possuía pele muito macia, membranas nos dedos que se assemelhavam a barbatanas e os seus olhos eram completamente azuis. Esta espécie apenas saía da água por uma razão: Reprodução, a qual tinha de ser feita com humanos. As fêmeas encontravam um rapaz e engravidavam dele. Os machos achavam raparigas e engravidavam-nas. Mais tarde, voltavam para vir buscar as crianças que nasciam fora de água. Tinham a capacidade de transformarem-se em outras pessoas, como os metamorfos. Viviam em pequenos ou grandes grupos, ao qual chamavam de família.
Cristina — Se bem me lembro, a tua raça não deixa de pertencer às trevas… Vivem na água e saem cá para fora pra terem relações sexuais! E depois de engravidarem as humanas, ainda raptam-lhes os filhos!
Atirou-lhe à cara.
Cristina — Que feio!
Exclamou com ironia.
Emília — Não interessa. Isso é algo que faz parte da nossa natureza! Nós não matamos, nem gostamos de o fazer! Somos pacíficos e apenas procuramos conforto!
Defendeu o nome da sua espécie.
Frank — Trevas são trevas! Não te faças de coitadinho como um descendente da luz! Vais fazer o que nós dissermos! Até ao fim!
Os olhos de Frank ficaram completamente pretos…
Frank — Eu não preciso de ameaçar-te de morte… Se quiser posso obrigar-te a fazeres tudo o que eu quiser! Conheces o meu poder…
Ameaçou-o.
Emília — Claro que conheço… Abdel, senhor da escravidão!
Afirmou, o que deu a conhecer que demónio era o pai de Hugo. Abdel era o demónio da escravidão. O seu poder era grande… Todos os que ficavam sob a sua influência eram obrigados a serem escravos da hedionda criatura. Frank era apenas um nome humano que tinha adoptado. A falsa Emília, o Boto, conhecia muito bem as capacidades de Abdel e preferia fazer directamente o que este pedia-lhe, de modo a que o demónio não tivesse a oportunidade de exercer o seu poder. Era melhor fazer tudo de livre e espontânea vontade do que ser submetido à escravidão.
Cristina — E não nos temos de lembrar do que é que sou capaz, pois não?
Apoiou o marido.
Emília — Não… Eu sei muito bem Aeshma!
Respondeu com firmeza, mas com um ar rendido… Cristina era Aeshma, o demónio que fazia com que os homens enlouquecessem e executassem actos cruéis quando eram submetidos à sua energia. Tal como o seu marido, possuía um nome humano para esconder a sua verdadeira identidade. Principalmente a Hugo… O casal não queria que o filho soubesse que demónios é que eles eram.
Cristina — Então parece que nos estamos a dar bem… Não é?
O Boto não via outra saída senão fazer tudo o que os demónios queriam. Estava encurralado…
Emília — Sim… Eu faço-o! Podem ficar descansados. Têm-me na vossa mão!
Respondeu de forma calma, mas por dentro o Boto estava furioso.
Frank — Assim é que é falar!
Cristina — Falando no nosso pequeno trabalho… Como está a velha Emília? A nossa informante está boa?
Perguntou com ironia, referindo-se à verdadeira Emília Almeida.
Emília — Como vocês pediram! Acorrentada… Fraca… Torturada…
Informava-os, sem qualquer prazer no que estava a dizer.
Cristina — Mas que mulher resistente para a sua idade!
Admitiu com alguma admiração.
Cristina — Enfim… Sabemos tudo o que precisamos, ela já não tem utilidade! Não precisamos mais dela. Mata-a!
Ordenou. O Boto engoliu a seco… E os demónios repararam.
Frank — Há algum problema, Boto?
Perguntou no seu tom ameaçador.
Emília – Não… Claro que não! Já disse!
Respondeu com alguma revolta e dirigiu-se até à saída…
Frank — Ainda bem!
Cristina — Qual é a pressa?
Cristina, Aeshma, bloqueou o caminho à falsa Emília…
Emília — Tenho alguém para matar! Vou sujar as minhas mãos por vocês… Mais uma vez!
Encarou-a e em seguida, contornou-a e continuou o seu caminho.
Frank — E não voltes a aparecer assim! Não gostamos de surpresas!
Fez um último aviso, mas não obtivera resposta. O Boto simplesmente saiu da casa dos demónios e bateu a porta com força na cara deles.
*
Finalmente a hora de almoço tinha chegado… E como prometido, Melissa, Leonardo e Camila dirigiram-se à casa de Érica Rodrigues. Os jovens ainda não sabiam de Ísis, não tinham conseguido comunicar com ela durante toda a manhã. Em compensação, Melissa ligara a Hugo para juntar-se a eles. Porém, ainda não tivera coragem de contar-lhe que iam jantam com o pai e a madrasta dela. Então, quando os quatro adolescentes chegaram a casa da Night Watcher, já ela estava acompanhada por Isabella. As duas mulheres organizavam vários tipos de armas e material, como se estivessem a preparar-se para uma excursão ou algo do género. A televisão estava ligada, mas sem som… Nenhuma das duas parecia estar interessada no que estava a passar.
Melissa — Mais um pouco e diria que iam fazer uma longa viagem…
Reparou assim que entrou. Érica já os esperava, então tinha deixado a pronta destrancada para os jovens entrarem.
Érica — Não diria longa… Mas não deixa de ser uma viagem!
Melissa — De certeza que vamos precisar disto tudo só pra irmos até às grutas?
Perguntou enquanto olhava para o excesso de material que ali estava.
Érica — Talvez! Hoje vamos investigar uma última vez o local… Temos de ter a certeza do que vai ser necessário para quando lá entrarmos!
Camila — Se vamos enfrentar aquele demónio e a sua equipa, não é melhor irmos menos carregados? Porque se formos com esta tralha toda, somos apanhados em 5 segundos!
Interveio Camila, no seu tom reprovador usual. No entanto, a afirmação da jovem fazia algum sentido.
Melissa — Era aí que eu queria chegar!
Concordou.
Isabella — É por isso que uma última investigação tem de ser feita! Isto é um trabalho muito sério e vamos precisar de toda a ajuda que conseguirmos obter!
Explicou a nova Night Watcher.
Leonardo — Não devíamos fazer isto com o grupo inteiro?
Perguntou. Leonardo sentiu-se muito tentado em contar aos amigos o que sabia. Principalmente porque estavam prestes a entrar num local perigoso e porque a cura para Abaddon estava lá escondida. Isso era informação muito importante que poderia ajudar na destruição do demónio. Tirando todas estas conclusões, o jovem decidiu que não podia esconder tal segredo. Era peso a mais para ele. No entanto, optou por contar num momento em que todos estivessem presentes. Excepto Hugo. Leonardo não gostava do facto de ele participar naquelas reuniões… Não confiava nele.
Érica — Era preferível, mas não podemos perder tempo. Depois actualizamos que falta! O Rodrigo está a trabalhar, mas está a par de tudo. Onde está a Ísis?
Érica sentiu a ausência da jovem bruxa.
Melissa — Gostávamos de saber o mesmo! Ela faltou às aulas e não atendeu nenhuma das chamadas! Tentámos contactá-la a manhã inteira e nada…
Érica — Que estranho…
Disse com ar pensativo.
Melissa — Não digas isso Érica! Tenho tentado não me preocupar…
Camila — Aqui em Cila se desaparecemos por algumas horas é mau sinal, estou só a avisar…
Expressou-se sem qualquer problema.
Melissa — Obrigado por dizeres o que eu não quera ouvir Camila!
Agradeceu-lhe de uma forma falsa e Camila sorriu no mesmo registo.
Hugo — Se calhar era melhor irmos até casa dela… Só pra ficarmos mais descansados!
Tentou ajudar.
Érica — Se calhar até é uma boa ideia… Mas primeiro, eu e a Isabella temos uma informação importante a passar-vos. Descobri algo que poderá estar relacionado com as grutas que encontrámos!
Do lado de fora, o som da conversa da Night Watcher era abafado… No entanto, Lezard percebia cada palavra que era dita. Já há algum tempo que o feiticeiro espiava pela janela tudo o que estava a acontecer no interior da casa.
Leonardo — Que informação?
Perguntou alarmado, com receio de que Érica já tivesse descoberto o que ele estava a esconder.
Érica — Encontrei uma referência nas Crónicas dos Night Watchers, relativamente a Cila…
Érica foi interrompida…
Hugo — Uau, existem livros sobre os Night Watchers?
Perguntou cheio de admiração.
Érica — Alguns… Todos eles fascinantes…
Mais uma vez, voltara a ser interrompida…
Leonardo — Hey, amigo?
Falou para Hugo…
Leonardo — Estamos a tentar trabalhar, ok?
Disse com um ar um pouco arrogante. Todos ficaram espantados, principalmente Melissa, que achou aquela atitude um pouco invulgar da parte de Leonardo. Hugo parou de sorrir e pareceu ficar um pouco desanimado.
Hugo — Ok… Eu não volto a interromper!
Camila — E depois eu é que sou a desbocada!
Afirmou em baixo tom. Leonardo olhou instantaneamente para ela…
Leonardo — Cala-te! É o melhor que fazes…
Por duas vezes consecutivas, Leonardo fora desagradável. Agora sim, Melissa sabia que passava-se algo com o amigo…
Leonardo — Continua Érica…
A Night Watcher ainda estava um pouco intimidada a olhar para os jovens, depois do ambiente pesado que tinha ficado no ar.
Érica — Ahh, sim… Claro! Como estava a dizer, descobri algo! Numa data remota, uma criatura poderosa e mortífera habitou em Cila. O Night Watcher responsável pela vila naquela época, teve de pedir ajuda à Ordem para abater a monstro! Vários Night Watchers deslocarem-se até aqui e nenhum deles conseguiu destruir a ameaça… O seu poder era terrorífico e forte demais. A única hipótese foi aprisiona-la!
Explicou resumidamente.
Melissa — Que criatura era essa? Ainda está viva? Não estou a perceber a relação com as grutas…
Melissa ficara confusa.
Isabella — Espera… Vem aí a melhor parte!
Avisou-a.
Érica — Não sabemos… Era algo desconhecido, Os Night Watchers não tinham qualquer registo sobre a criatura! A única coisa que sabemos é que eles aprisionaram-na num local secreto aqui em Cila. Um local que ninguém conhecia…
Melissa — Nas grutas!
Completou a jovem. Percebera o que Érica estava a tentar dizer.
Érica — Exactamente. É disso que estou desconfiada!
Afirmou com convicção.
Camila — E vocês querem lá entrar? Já não basta um demónio poderosíssimo, agora também existe lá dentro um monstro antiguíssimo que ninguém consegue matar? Isto é suicídio! Como podem sequer estar a ponderar lá ir?
Camila estava escandalizada. Os restantes elementos observavam-na, sem saberem o que dizer…
Camila — Basta, pra mim já chega! Estou fora… Não contem comigo! Isto é uma loucura…
Camila virou as costas e preparou-se pra sair…
Melissa — Camila, espera! Nem sequer estás preocupada com a Ísis?
Camila — A Ísis deve estar óptima. E eu tenho onde ir… Não posso faltar mais às aulas por causa desta maluqueira toda!
Ao acabar de falar saiu da casa da Night Watcher, ignorando qualquer tipo de oportunidade de ali ficar. Lezard viu a rapariga a sair e sorriu… Durante aquele tempo, vira a aura de todos os que estavam ali presentes, viu a força, a agilidade, a inteligência e a importância de cada um deles. Existiam ali elementos relativamente fortes, mas aquela rapariga era a mais fraca e a mais insignificante. Poderia muito bem começar por ela… Então, satisfeito com o que estava prestes a acontecer, afastou-se da casa.
Érica — Deixa estar Melissa… Não podemos obriga-la a ficar! Eu até entendo o ponto de vista da Camila!
Aquilo era verdade, sabia muito bem os perigos que corriam. Todos entreolharam-se, excepto Leonardo… O jovem estava concentrado em outra coisa.
Melissa — Então qual é o plano?
Perguntou enquanto puxava uma cadeira para sentar-se. No entanto, quando o fez, partiu a cadeira como se fosse um simples palito. Érica, Isabella e Hugo ficaram surpreendidos…
Érica — Está a acontecer outra vez? Estás a perder o controlo da tua força?
Perguntou atenciosamente.
Melissa — Não… Hoje estou um pouco sensível e não medi a força que usei. Desculpa pela cadeira!
Admitiu, envergonhada.
Leonardo — Pessoal?
Leonardo finalmente reagira e todos viraram as atenções para ele.
Leonardo — Está a dar qualquer cena sobre Cila na televisão! Ponham som, rápido!
Isabella era a que estava mais perto e fez o que o jovem pedira. Todos olharam para a TV a tempo de verem uma imagem do ferro-velho da vila. Em seguida um dos trabalhadores começou a ser entrevistado…
Trabalhador — Eu pensei que ia morrer quando vi aqueles animais selvagens a saírem do carro! Eram cinco! E eram meio humanóides, nunca vi nada assim!
Exclamava ainda em choque.
Jornalista — Acha que era uma nova espécie animal?
Trabalhador — Não sei! Mas veja bem… Eles tinham roupas, estavam vestidos! Eram mais ou menos deste tamanho…
E indicou à jornalista a altura das criaturas com quem se tinha cruzado… Os Goblins.
Trabalhador — Garanto-lhe, foi o maior susto da minha vida! Sinceramente acho que as autoridades já deviam ter feito algo… Aqui em Cila existem crimes e desaparecimentos, quase todos os dias! Não acha estranho?
Érica pensou que era mau o trabalhador estar a referir o que se passava em Cila na televisão… Podia atrair atenções indesejáveis e isso complicaria ainda mais o trabalho da Night Watcher.
Jornalista — Acha que estes estranhos animais podem estar relacionados com a série de acidentes que têm ocorrido em Cila?
Perguntou com profissionalismo.
Trabalhador — Quem sabe… A única coisa que eu acho é que deveria existir uma investigação profunda!
Deu o seu veredicto.
Jornalista — Muito obrigado pelo seu tempo!
E virou-se para a camara.
Jornalista — Parece que mais uma vez aconteceu um estranho acidente em Cila! Uma vez mais o terror esteve instalado e os responsáveis não foram apanhados! Iremos manter-nos por perto de forma a podermos estar actualizados acerca do progresso deste caso. Uma boa tarde, eu sou a Carla Faria em directo da vila Cila!
Finalizando a notícia de última hora. Todos ficaram em silêncio durante alguns segundos, enquanto olhavam uns para os outros.
Melissa — Não há plano! Temos de encontrar a Ísis… E rápido!
Todos concordaram.
Érica — Sim, é crucial! Temos de descobrir onde estão os Goblins, antes que algo aconteça!
Apressou-se.
Melissa — Eu e o Hugo podemos ir até casa dela!
Érica — Façam isso! Eu, a Isabella e o Leonardo ficamos por aqui! Se a Ísis souber o que aconteceu, o primeiro sítio onde ela virá será aqui!
Leonardo — Não há necessidade de ficarmos os três aqui! Eu vou à procura dos Goblins!
Melissa — Mas não vais conseguir pará-los… Eles só escutam a Ísis!
Leonardo — Eu sei… Também não é esse o meu objectivo! É mais fácil se algum de nós souber onde eles estão, assim levam a Ísis directamente até lá!
Érica — Boa ideia! Fiquem atentos aos telemóveis, se algum de nós precisar de algo! E agora, mãos à obra!
Todos perceberam o que tinham a fazer e começaram a trabalhar… Melissa e Hugo dirigiram-se a casa de Ísis, Leonardo foi encontrar algum rasto dos Goblins e Érica e Isabella aguardavam…
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