Night Watchers - Primeira Temporada
20 O Louco Por Trás da Máscára (Vol. 2) - Capítulo 7
Notas iniciais
Já praticamente todos estavam em casa e Hugo acabara de deixar Melissa na sua. Ainda tinha pensado em pedir à jovem para ir dar uma volta, mas tendo em conta as condições climatéricas, era melhor ficar para outro dia…
Geralmente, Hugo optava por andar pelas ruas mais escondidas e sombrias pra evitar passar por pessoas. Mas naquela noite não era necessário fazê-lo, não estava ninguém àquelas horas a passear, estavam todos abrigados em casa. O jovem não tinha trazido chapéu e por esta altura já chovia normalmente… Só queria chegar a casa para se secar e meter-se na cama.
Todo este tempo, os jovens tinham sido perseguidos por Lunatik sem terem percebido… E agora, finalmente, um deles estava sozinho como tanto aquele ser desejava. Durante toda a perseguição, Lunatik foi tendo várias lembranças do seu crescimento… Dos vários sítios onde era colocado, sempre onde não existia luz do sol, do comer que lhe era dado, das muitas torturas variadas que lhe foram feitas, das experiencias mágicas a que foi submetido, das drogas que lhe foram dadas e de uma coisa em especial para qual a sua vida tinha sido feita, do momento em que finalmente estava preparado pra trabalhar para os demónios. Quando foi-lhe dada aquela máscara que, até aos dias de hoje, nunca tinha tirada e quando foi baptizado com aquele nome. Havia uma razão para a máscara nunca ter saído… Lunatik, no dia em que os seus “criadores” acharam que este estava pronto para os servir, foi chamado à luz do dia pela primeira vez. Ou pelo menos, era isso que se lembrava. Nesse dia, os seus olhos ardiam, como se estivessem a ser queimados, derivado à claridade. Os demónios puseram-se à sua volta e um deles aproximou-se do humano e queimou-lhe a face toda até a pele borbulhar e parecer um género de pasta densa… Lunatik sabia que não podia gritar, não podia usar a voz, era desrespeito. O processo fora rápido, logo a seguir de ter tido a sua cara queimada, foi-lhe colocada a máscara, de maneira a que colasse à sua pele e ficasse permanente. Um humano normal não teria
aguentado com aquele sofrimento, mas Lunatik tinha tido preparação para aquele tipo de dor. E foi aí que foi-lhe dado o nome que possuía hoje. Todo este processo tinha sido um género de baptismo do qual ele se orgulhava muito.
Era agora que tinha de pôr em prática tudo o que aprendera mais do que nunca… Tinha de concretizar o pedido de Abaddon e não voltaria às grutas sem o ter feito.
Hugo avançava apressadamente em direcção a casa quando foi intersectado por um homem alto, com uma aparência selvática, uma katana na mão e uma máscara que lhe ocultava a cara, Lunatik. O jovem
assustou-se e recuou. Rapidamente recordou-se daquele ser… Da semanada passada, quando fora salvo por Melissa num dos becos de Cila. Foi aquele monstro que o tinha ferido na cara com a sua corrente até o deixar inconsciente. Hugo ficou sobressaltado, tinha de fugir rapidamente…
Tentou virar costas e correr, mas Lunatik já estava a tirar a sua apreciada corrente e lançou-a às costas do jovem, o qual caiu para a frente com o seu impacto pesado. Aflito, Hugo tentou levantar-se o mais rápido que pôde mas Lunatik já tinha avançado na direcção dele e dera-lhe um forte pontapé no estômago…
O jovem ficou agoniado e teve vontade de vomitar, mas juntou forças e conseguiu controlar a dor. Mais uma vez tentou levantar-se e desta vez, foi ajudado pelo “monstro”, que puxou-o para cima apenas com uma mão. A outra agarrava a katana que já estava pronta para o decapitar a qualquer instante. Hugo tinha de fazer algo rapidamente, senão seria o seu fim… Quando Lunatik puxou-o pra cima, decidiu tentar algo diferente
em vez de ataque, agarrou-se à máscara do ser e tentou puxá-la com força. Instintivamente, Lunatik largou a katana e empurrou o jovem para longe. A máscara continuava fixada ao rosto do homem que, revoltado, avançou na direcção do jovem e começou a espancá-lo na cara com os seus punhos pesados… À medida que Hugo ia sofrendo estes golpes estava a começar a ficar fraco e pensou que não ia conseguir safar-se daquela… De repente, algo ficou diferente… Uma força estranha, interior, fria e negra invadiu Hugo, o qual se contorceu no chão e fez com que Lunatik parasse de lhe agredir por uns segundos. Depois disto, o jovem parou e pareceu ficar inconsciente. Lunatik observava atento… Mas pouco
importava, tinha era de acabar o serviço. Então, quando ia a esmurrar o jovem, algo o impediu e prendeu-lhe o braço com uma força tremenda. Tinha sido Hugo… Agarrara o braço do homem com a máscara e de seguida abriu os seus olhos, os quais estavam completamente pretos, negros, como se a escuridão os tivesse invadido. Com um grito de raiva e uma voz estranha, o jovem impulsou Lunatik com pés, o qual caiu para trás. Hugo não parecia humano e o homem de máscara percebeu isso. Na verdade, aquele jovem parecia um demónio e Lunatik não atacava essa raça. Hugo, agora forte, levantara-se do chão e encarava o seu oponente mascarado, que, numa enorme calma, também estava a pôr-se de pé e a
pegar na sua katana. Ao fazer isso, Lunatik retirou-se daquele local. Não podia matar aquele jovem pois parecia-lhe um demónio. Apressado, desapareceu ao curvar para outra rua e Hugo ficara a observá-lo com os seus olhos totalmente infestados por uma escuridão absoluta e uma firmeza que era um tanto assustadora. De seguida, quando se sentiu fora de perigo, o seu corpo relaxou e os seus olhos voltaram ao normal. Já não era a primeira vez que o jovem passava por aquela experiencia e ficara sempre confuso e indignado, era algo que não controlava. Até agora nunca ninguém tinha assistido ao que acabara de acontecer, mas desta vez fora diferente, Lunatik tinha visto e Hugo ficara preocupado que o monstro pudesse contar a alguém…
Assustado e nervoso, sai dali a correr pra chegar a casa o mais rápido que pudesse…
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