Night Watchers - Primeira Temporada
21 O Louco Por Trás da Máscara (Vol. 2) - Capítulo 8
Notas iniciais
Durante o resto da noite não tinha parado de chover e o vento tinha regressado novamente com mais intensidade… De manhã todos puderam comprovar isso, o céu estava muito escuro e aquele ia ser sem dúvida o dia mais severo em termos climatéricos. Os jovens já tinham tido as suas aulas e todos os alunos foram liberados por volta da hora de almoço. Cila
tinha dado o toque de recolher, uma grande tempestade aproximava-se. Melissa, Ísis e Leonardo já se encontravam a sair de um dos edifícios da faculdade. Os outros alunos andavam de um lado para o outro numa correria infernal… Queriam todos ir para casa derivado ao alarme…
Melissa — Nunca vi tanta confusão pra sair da faculdade! Isto é mesmo necessário?
Melissa estava admirada com a confusão que estava instalada.
Ísis — É normal Melissa. As pessoas só querem chegar a casa… O tempo vai piorar!
Melissa — É só um pouco de chuva e de vento! Se estivessem todos calmos era mais fácil!
Leonardo — Diz isso às pessoas…
Responde Leonardo, meio em brincadeira…
Melissa — Como se alguém me ouvisse!
Ísis — Vais para casa a pé?
Melissa — Ya, não demoro assim tanto tempo e desta forma também poupo dinheiro!
Ísis — Pois, é verdade… Acho que vou contigo!
As duas amigas olham para Leonardo…
Leonardo — Sim, eu também posso ir! Não é preciso perguntarem…
Diz o jovem muito rápido e as amigas sorriem.
Melissa — Por este andar nem amanhã lá chegamos! As pessoas às vezes são mesmo irracionais! OU pelo menos parecem! Começo a entender o que o Hugo queria dizer quando afirmou que não gostava de
pessoas!
Leonardo — Deve ser normal… Com os pais antipáticos que tem não deve ser fácil gostar de pessoas!
Só quando acabara de falar é que Leonardo reparou que tinha-se descaído e que não devia ter dito aquilo… Tinha ficado a pensar em Hugo desde que a sua avó, a noite passada, contara-lhe acerca dos pais do mesmo. As duas jovens olharam para Leonardo surpreendidas com o que ele tinha acabado de dizer… Ísis, por não conhecer nada acerca de Hugo e pensar que Leonardo também não. Melissa, por saber algumas coisas acerca dos pais de Hugo e pensar que era a única que tinha essa informação.
Ísis — Eu não conheço os pais dele, pensava que tu também não…
Leonardo — E não conheço. Acho que o vi com eles uma vez… Parece-me. Também foi só um palpite!
Leonardo tentou responder com a maior firmeza que pôde…
Melissa — Bem, foi um grande palpite… Acho que os pais dele não são lá muito simpáticos como dizes. Nunca os vi, mas já ouvi dizer que sim.
Melissa sabia mais que aquilo que acabara de contar, Hugo tinha explicado mais acerca dos pais, mas não era muito justo ela partilhar essa informação com os amigos… Se ele quisesse, contaria ele mesmo.
Leonardo — A sério? Tive mesmo pontaria…
De repente alguém aproximou-se e meteu-se no meio deles…
Camila — Vão pra casa?
Pela primeira vez, Leonardo ficou contente por ver Camila a interromper uma conversa… As atenções foram viradas para a jovem,
o que fez com que a conversa fosse esquecida e Leonardo ficasse descansado pois ia cometendo um grande erro…
Melissa — Sim, se conseguirmos sair daqui!
Camila — As pessoas não têm calma nenhuma!
Os três amigos olham uns para os outros admirados com o que Camila dissera. Pela primeira vez estavam a sair palavras certas pela boca da jovem.
Quando os quatro jovens chegaram à porta da faculdade para finalmente saírem da mesma, depararam-se com uma cena ainda pior. A saída estava quase bloqueada com o excesso de pessoas que estavam a
tentar ir embora.
Camila — ANDEM LOGO PARA A FRENTE! HÁ QUEM TENHA PRESSA!
Gritou camila para a multidão. Alguém lá no meio respondeu: “E NÓS QUEREMOS IR PARA CASA!”
Camila — QUEM É QUE NÃO QUER? QUEREMOS TODOS!
Responde a jovem para o ar. De seguida olha para os três jovens…
Camila — É incrível como as pessoas são insensíveis!
Os jovens não escondiam a admiração que sentiam face ao comportamento de Camila.
Ísis — É assim mesmo Camila! Mostra-lhes!
Melissa olha para Ísis um pouco indignada.
Melissa — Pra mim não disseste isso Ísis!
Leonardo — A situação também é diferente, deixa a Camila descarregar nos outros!
Camila — Vocês ouviram o que eles disseram nas notícias? O ciclone vai passar por Cila esta tarde! Pode dar-se a qualquer momento!
No meio da confusão um telemóvel começou a tocar… Quando Melissa foi à procura do seu, reparou que não o tinha consigo, devia-o ter deixado por distracção no cacifo com outro material.
Melissa — Acho que deixei o telemóvel lá dentro!
Ísis tira o seu da mala e verificou que era o dela que estava a tocar…
Ísis — É a Érica!
Todos olharam para a jovem e esta atendeu a chamada.
Ísis — Sim Érica?
Érica — Olá Ísis! Tudo bem? Estás com a Melissa? Já lhe tinha tentado ligar.
Escutou-se do outro lado a Night Watcher.
Ísis — Sim, por acaso estou. Ela esqueceu-se do telemóvel!
Érica — Oh, então ainda bem que estão juntas. Acham que conseguem aqui passar? Arranjámos algumas informações! E temos algo novo aí à solta… Ontem foram encontradas duas pessoas assassinadas!
Ísis — A sério? Eu, a Melissa e o Leonardo íamos a pé, portanto podemos parar aí! Mas depois tenho de ir logo pra casa, os meus pais não que querem fora com a tempestade que aí vem!
Érica — Claro, compreendo! De certeza que a Melissa e o Leonardo também têm de ir pra casa. Ficarei então à vossa espera! Até já!
Ísis — Ate já!
E desliga a chamada.
Melissa — O que se passa?
Ísis — A Érica pediu pra passarmos lá em casa, disse que tinha conseguido algumas informações.
Leonardo — Agora?
Ísis — Sim, deve ser urgente… Acho que também foram encontradas duas pessoas mortas! Anda aí algo a atacar!
Camila — O quê? Nem com um tempo destes? Incrível!
E de seguida, a jovem mete-se pela multidão a dentro e afasta-se… Era aquela Camila que os jovens estavam habituados a ver e não ligaram…
Melissa — Então como fazemos? Seguimos para casa da Érica?
Ísis — Sim, quanto mais cedo melhor. Convinha não demorarmos muito!
Leonardo — Mas eu tinha mesmo de ir a casa primeiro… Se calhar apanho o autocarro agora e depois vou lá ter! Deve dar tempo…
Melissa — E eu tenho de ir buscar o telemóvel!
Ísis — Pessoal, não nos podemos atrasar…
Insiste Ísis.
Melissa — Fazemos assim, o Leonardo apanha o autocarro e depois vai lá ter. Eu vou ao cacifo ver se deixei lá o telemóvel e tu vais andando para casa da Érica. Apanho-te num instante Ísis, sabes que desloco-me
bem rápido e não me canso!
Diz Melissa a sorrir para a amiga.
Ísis — Por mim pode ser!
Leonardo — Então vou pra uma das paragens! Até já!
Rapidamente, o jovem afasta-se das amigas.
Melissa — Já te alcanço Ísis!
Ísis — Ok, vou seguir o caminho do lado esquerdo! Ate já!
E seguem os seus caminhos. Em frente à faculdade, a qual se situava numa das pontas de Cila, haviam várias ruas. Quase todas iam dar aos mesmos sítios, mas Ísis preferiu dar a indicação à amiga para assim, ser mais fácil encontrarem-se.
*
Nem todos os seres tinham estado abrigados durante noite que passou… Lunatik não tinha regressado às grutas, não podia… O seu objectivo não tinha sido concretizado e não tinha conseguido eliminar nenhum dos jovens como Abaddon pedira. O único que tinha tentado havia revelado que não era bem humano.
Para Lunatik aquilo não era um problema. O que não conseguia realizar num dia, tentava realizar no próximo.
Agora que já era pleno dia e existia claridade, seria mais fácil encontrá-los. Os jovens estudavam e ele sabia isso. Logo, as opções para onde poderiam estar ficavam reduzidas a apenas uma… A faculdade de Cila. E assim foi… Lunatik encontrava-se há horas escondido numa das árvores que existia em frente à universidade.
Já tinha parado de chover e finalmente todos os adolescentes estavam a sair do recinto… Não seria fácil localizá-los no meio de tantos, mas com alguma concentração Lunatik sabia que conseguia. Olhou e analisou cada jovem que passava e até agora nenhum dos seus alvos estava à vista. O homem da máscara tinha certificado que o sítio onde estava era o ideal para conseguir sair, se fosse necessário, sem ser visto por ninguém.
As últimas horas sozinho fizeram-no pensar em todo o seu percurso e chegou à conclusão que trazia consigo uma insatisfação muito grande… Desde que veio da vila Erídano, Lunatik ficou bastante impaciente. O facto de não ter conseguido vingar a morte dos seus quatro “criadores” deixou-o bastante revoltado. Por duas vezes tentara apanhar o Night Watcher que causara aquelas perdas, mas tanto uma vez como outra falhara. Lunatik recordava-se muito bem desses dois momentos… E da cara do seu adversário, no entanto, nunca chegou a saber o seu nome. O que também não adiantava muito, uma vez que não falava. Na primeira vez que o enfrentara, levou uma espada, a qual lhe foi retirada durante o confronto e usada contra si próprio. Não tivera muita sorte e teve de acabar por se
retirar depois de ter sido ferido gravemente na barriga. O Night Watcher
podia-o ter seguido, mas também ele tinha ficado cansado daquela batalha. Nesse dia, Lunatik conseguiu encontrar um feiticeiro que trabalhava para vários demónios da vila e foi curado da ferida que trazia. Claro que muito tempo não passou até à segunda vez que o voltou a enfrentar… Desta vez, a arma que trouxera consigo tinha sido muito útil. A foice deu-lha muita vantagem e por várias vezes teve muito perto de conseguir realizar a sua vingança. Uma das vezes que o atacou, conseguiu causar-lhe um golpe muito ao de leve no lado esquerdo da sua cara. Infelizmente para Lunatik, alguém apareceu numa mota e levou o seu adversário. Não foi possível identificar quem, mas quem era, conhecia o homem que pertencia à Ordem Secreta. Furioso, Lunatik ainda os tentou
seguir por uns momentos, mas acabou por perder o alcance. O Night Watcher tivera sorte…
O homem da máscara sabia que tinha optado por seguir outro caminho e vingar-se em outras pessoas, mas a sua revolta era grande e tinha a certeza que, mais tarde ou mais cedo, voltaria à vila Erídano para acabar de vez com o Night Watcher e com qualquer um que se metesse no caminho. Por enquanto, ia ajudar Abaddon no que fosse preciso e uma vez que os seus serviços não fossem mais requisitados, estaria então disponível para acabar outros assuntos pendentes. Aquele demónio era muito importante e ele sentia-se na necessidade de o agradar…
Farto de ali estar, Lunatik decidiu observar ainda com mais atenção todos os jovens que estavam a sair… E finalmente teve a sua recompensa por tanto tempo perdido… Um dos seus alvos deslocava-se sozinho por entre as pessoas. Uma jovem de cabelos claros e ondulados e olhos esverdeados, Ísis. Parecia ir com pressa e quando saiu do meio das pessoas, seguiu sozinha por uma das ruas que ficava para o lado esquerdo.
Com cuidado e disfarçadamente, Lunatik saiu da árvore e foi atrás da jovem bruxa…
*
Abaddon tinha passado a noite toda bastante impaciente… Por causa das novidades que tanto ansiava, como pela demora de Lunatik. Quando era cedo, já tinha pedido a Carlota pra sair e vir procurar o seu informante, mas só agora é que a metamorfo tinha decidido vir. Não havia necessidade em ter saído cedo… Também merecia o seu tempo de descanso.
Mais uma vez o tempo estava como tanto gostava. E agora que sabia que um ciclone vinha a caminho, Carlota ficou ainda mais empolgada com a ideia de destruição. Aproximava-se do prédio onde Carol, ou Jezebedth, morava e pensava que talvez depois de falar com ela, poderia ficar pelas ruas para assistir à tempestade. Quando estava a chegar à porta, para seu espanto, a demónio estava a chegar a casa ao mesmo tempo. A sua reacção a ver Carlota foi de alguém que parecia estar extremamente aborrecida.
Carol — Já aqui? Nem dão tempo para descansar! Eu tenho um trabalho!
Carlota risse…
Carlota — Pensa que agora tens dois… Há que saber gerir o tempo!
Carol — A procura pela tua informação custou-me a noite toda!
Reclama Carol.
Agora que Carlota analisava alguns factos, chegara à conclusão que não sabia como já tinha sido amiga de Jezebedth. Nunca estava bem com nada e reclamava por tudo. Vendo bem, ela não era muito diferente de um humano…
Carlota — Pára de reclamar tanto e diz-me logo o que conseguiste!
Carol desprezou aquele comentário e foi directa ao assunto.
Carol — Como tinha explicado, uns telefonemas e estaria resolvido, mas não foi bem assim… Tive de contactar um ex-namorado que na altura que ouviu a conversa estava comigo. Fui obrigada a encontrá-lo pra poder contar-me quem é que sabia dessa história do demónio que tinha ficado preso a um humano.
Carlota — E então?
Carol — Tinha sido um duende! Acho que em tempos trabalhou para o demónio em causa e sabia da história. Então peguei em mim e fui à procura do duende. Disseram-me que morava na floresta!
Carlota — Encontraste-o?
Carol — Depois de procurar quase a noite toda? Sim, encontrei…
Carlota estava ansiosa…
Carlota — O que é que ele disse? Há maneira de um demónio livrar-se do humano a que ficou preso?
Carol — Parece que há! Mas temos um problema… O duende não sabia a história toda. Ele trabalhava para o demónio quando este estava preso ao humano. E de um dia para o outro acho que conseguiu livrar-se da alma da pessoa. O duende apenas disse que ele tinha usado um processo qualquer, mas o resto nunca lhe tinha sido contado. O demónio preferiu guardar o segredo só pra ele.
Carlota — Equem é esse demónio?
Carol — Chama-se Verin e é conhecido pelo demónio da impaciência. Pelo que o duende me disse, só mesmo falando com ele é
que era possível saber o que ele fez para depois poderes ajudar Abaddon.
Carlota — Fazes alguma ideia onde está esse Verin?
Carol — Hum hum, sim! Na vila Erídano.
Carlota sorri vitoriosa.
Carlota — Boa Jezebedth! Isso é que foi trabalho!
Carol — De nada! Agora que está tudo resolvido, vou-me embora e não me envolvas mais nisto!
Carlota — Calma… Ainda não acabámos!
Carol — O quê?
Carlota — Preciso de alguém que vá a Erídano procurar esse demónio… Como é de esperar, eu não posso ir, tenho de ficar por cá a ajudar Abaddon! Então pensei…
Carol interrompe…
Carol — Nem penses! Não vou para lado nenhum à procura de ninguém!
Carlota — O que é que será que Abaddon pensaria se soubesse que estavas a viver como uma humana? Ou melhor, o que será que ele faria se descobrisse que recusaste ajudá-lo?
Carol — Carlota, tínhamos um acordo… Não contavas nada sobre mim a Abaddon se eu te arranjasse informação. Foi isso que consegui não foi? Era esse o acordo!
Carlota — Pois era, mas acabou de se estender… Se quiseres que não diga nada a ninguém, vais a Erídano procurar o demónio Verin!
Carol — És mesmo uma puta!
Carlota sorri face à ofensa…
Carlota — Se calhar foi por isso que já nos demos tão bem… Escolhe! Ou ajudas-me ou tenho uma conversa com Abaddon!
Carol sabia que Carlota estava a falar a sério… E se Abaddon soubesse que ela não queria ajudar ou que estava a levar a vida que tinha neste momento, certamente seria castigada. Os demónios da ordem superior, além de serem extremamente fortes, tinham poder sobre os outros, uma vez que eram os principais agentes no meio infernal. Qualquer um que não obedecesse a uma ordem directa, vinda de um dos cinco, era punido e considerado como traidor. E como se não fosse o suficiente, Abaddon era conselheiro chefe dos demónios, conhecido como o “Destruidor”, o que não favorecia Carol em nada. Só o facto de ter mudado o seu nome original, de Jezebedth para Carol, era motivo pra ser chamada a justificar-se…
A demónio pensou muito bem nas opções que tinha mas eram poucas… Tinha de se sujeitar ao que era proposto.
Carol — Como se eu tivesse grandes hipóteses…
Carlota — Eu sabia que podia contar contigo!
Carol — Que piada… Parto amanhã paran Erídano!
Carlota — Quanto tempo deves demorar?
Carol — Não sei, mas algum… Partir amanhã, depois quando chegar ainda tenho de procurar Verin. Não sei a localização exacta do demónio. Vou precisar de tempo!
Carlota — Não há problema. Traz-me é algo de útil! Até lá invento qualquer coisa para Abaddon!
Carol — Não te preocupa mentires ao demónio?
Carlota — Jezebedth… Para sermos alguém temos de ser espertos!
A metamorfo era ousada e Carol já a conhecia muito bem… De repente, fortes e estrondosas rajadas de vento fizeram-se sentir nas ruas de Cila.
Carlota — Parece que a tempestade aproxima-se!
Exclama a metamorfo a sorrir maliciosamente…
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