Night Watchers - Primeira Temporada
22 O Louco Por Trás da Máscara (Vol. 2) - Capítulo 9
Notas iniciais
Ísis estava a cumprir o que tinha dito a Melissa e seguia pelas ruas à esquerda da faculdade. Andava rápido, queria chegar a casa de Érica pois não podia lá ficar muito tempo. Não havia problemas em caminhar depressa, a jovem tinha a certeza que a qualquer momento Melissa iria conseguir apanhá-la.
Enquanto avançava, Ísis apercebeu-se do quanto estava curiosa… “O que andará aí a atacar pessoas?” Questionava a jovem para si mesma… Não deixava de ser estranho, até com um tempo daqueles, Cila nunca estava livre de perigo. Ao mesmo tempo, sentia-se também sortuda… Desde sempre morara ali e andara livremente pela vila. Sem ter nenhuma noção dos seres estranhos que andam aí à solta. Tivera sempre a sorte de nada lhe ter acontecido. Sabendo o que hoje sabe, a jovem tinha consciência de que andar por Cila à vontade, podia vir a ser muito perigoso e até mesmo fatal. No entanto, para Ísis, aquela jornada já tinha começado um pouco mais cedo que a de Leonardo e Melissa. A partir do
momento em que tinha encontrado o Grimório na floresta, foi quando todo aquele mundo mágico em que vivia agora tinha sido iniciado. Mas só quando passou a conhecer Érica é que tudo começou a fazer um pouco mais de sentido. No fundo, a jovem até se sentia feliz por ter acesso àqueles conhecimentos e por ter criado laços de amizade fortes com as pessoas que partilhavam também daquele segredo. Muitas vezes era assim que se sentia, mas nunca o mostrava. Para ela foi como se a sua vida tivesse ganho sentido… Estava ali por uma razão, ajudar pessoas.
A alguns metros de distância alguém a observava com muita concentração… Lunatik, desde que tinha avistado Ísis, não tinha parado de a seguir. Aparentemente, aquele seria um alvo fácil… Aquela rapariga parecia frágil e de certeza que demoraria apenas cerca de 10 segundos pra acabar com ela. Lunatik estava escondido atrás de um carro. As ruas estavam vazias… Podia atacá-la ali mesmo. O que o homem mascarado não estava a contar era que a jovem, naquele preciso momento, olhasse na direcção onde ele se situava escondido… Lunatik permaneceu imóvel pra ninguém dar por ele.
Ísis olhava pra trás atenta… Por alguma razão, teve a sensação de que estava a ser seguida. A jovem possuía uma grande intuição e sabia disso. Geralmente, seguia-se sempre por ela e esta nunca a enganara. “Talvez seja a Melissa que venha aí!” Pensou.
De repente outra coisa completamente diferente chamou-lhe à atenção… O som de um bebé a chorar… E parecia vir dali perto. Por
estranho que parecesse, aquele choro vinha de um carro que ali estava
estacionado, no meio de tantos outros.
O estranho ser que se transformava em bebé já há algum tempo andava a vaguear por Cila e finalmente conseguira encontrar alguém. Como sempre, usou o seu disfarce para enganar a vítima.
A jovem começou-se a aproximar-se da origem do som… Curiosa.
Lunatik também ouvira o choro e reparou de onde vinha quando espreitou pra um dos carros vizinhos que ali estavam… Havia um bebé atrás de um deles. O homem mascarado reconheceu logo que aquilo não era um humano, conseguiu sentir que uma energia estranha e desfragmentada. O seu alvo estava a dirigir-se àquele ser que tinha uma aparência ainda mais frágil que a própria jovem. Lunatik não podia permitir aquilo.
Devia ser ele a atacar a rapariga e não outro ser qualquer. Revoltado, saiu do seu esconderijo e avançou na direcção do carro onde estava o suposto bebé.
Ísis já só reparou no que se passava quando estava ao pé do veículo… Ao ver Lunatik apanhou um grande susto e recuou uns passos. Ele ia não direito a ela, mas sim ao que estava atrás do carro. Era mesmo um bebé e Lunatik segurava-o no ar…
O estranho ser, quando se apercebeu de que ele é que estava a ser a atacado, transformou-se numa névoa densa e escura, escapando às mãos do mascarado. Com bastante raiva, por ter sido interrompido, transformou-se em algo grotesco. Parecia ter o corpo de uma criança de 4 anos, mas com olhos vermelhos, como se estivessem cobertos de sangue, e com todos os dentes que possuía bastante afiados. Ao soltar um barulho incomodativo, idêntico a um guincho ensurdecedor, atirou-se a Lunatik… Num gesto rápido e firme, que durou cerca de um segundo, o
mascarado movimentou na horizontal a sua katana… A cabeça daquele ser, idêntico a uma criança infernal, foi arrancada do corpo, num golpe severo e brutal. Sangue espirrou para todo o lado, inclusive pra cima da jovem Ísis, que assistira a toda aquela cena. O corpo do adversário de Lunatik, caiu imóvel e sem vida no chão.
Ísis, estava estupefacta… Pelos monstros que estavam à sua frente, pela cena chocante e agressiva que tinha assistido e pelo sangue se tinha espalhado em cima de si própria. Não fazia a mínima ideia do que era aquilo que o mascarado acabara de matar, mas pouco lhe interessava… Foi aí que chegou à conclusão que o sentimento de perseguição que sentira alguns minutos atrás era derivado a algum deles. Estava demasiado assustada e não teve tempo de reacção pra fugir. Lunatik já se tinha aproximado, empurrara-a contra o carro… Ísis embateu com força numa das portas do veículo e caiu. O seu coração batia rapidamente e a adrenalina que sentia fez com que conseguisse ter força pra se levantar e tentar correr… Não podia fazer mais nada, não tinha nada consigo pra se defender.
*
Pra Camila era ridículo andar a pé na rua, principalmente quando estava assim o tempo. Se tinha a carta, era preferível vir de carro para a faculdade, assim chegava mais cedo a casa e não tinha de esperar por autocarros, nem de se cansar em vir a andar. Por momentos pensou que se calhar devia ter dado boleia aos jovens, mas isso depois podia implicar ter de ficar em casa de Érica e falar de coisas desagradáveis, como mortes, monstros e planos perigosos. Não era aquilo que certamente queria e no final, concluiu que até tinha sido melhor em não convidar ninguém a vir de carro com ela.
Aborrecida, ligou o rádio para ouvir música, numa tentativa de
entretenimento. Foi aí que olhou para o mar e observou uma coisa que a
assustou… Ao longe, um género de tornado gigantesco aproximava-se devagar… Era o ciclone. Estava finalmente a chegar a Cila e se calhar um pouco mais cedo do que era previsto… “Ninguém está a contar…” Pensou a jovem preocupada. Tinha duas hipóteses… Ou ia pra casa e protegia-se, ou voltava atrás e tentava avisar os jovens que por vezes considerava como amigos afastados. Houve um momento de ponderação e passado uns segundos Camila exclama:
Camila — Que se lixe! Ao menos fico de consciência tranquila!
E num gesto brusco, deu a volta ao volante e o carro virou para a direcção oposta… Camila havia decidido voltar atrás e ir avisar os colegas…
*
Ísis tentava correr, mas estava a ter dificuldades… O embate que deu contra o carro foi muito forte e aleijara-se tato no braço como na perna esquerdos. O facto de estar extremamente nervosa e assustada não ajudava, todo o seu corpo tremia.
Lunatik continuava de katana na mão a seguir a jovem, as suas passadas largas quase que alcançavam Ísis e esta sabia que tinha de fazer algo senão seria rapidamente apanhada. Então, ao curvar uma das ruas, decidiu parar e arriscar investir contra o mascarado. Assim, quando ele curvou a rua, já a jovem estava à sua espera. Ísis foi a correr contra Lunatik com toda a força que teve. O impacto fez os dois serem atirados ao chão. O mascarado não estava à espera daquele momento e a jovem não estava a contar que aquele choque fosse causar-lhe tanta dor, ao cair, bateu com a testa no chão e abriu o sobrolho. Tonta, levantou-se para voltar a tentar fugir, mas não se sentia lá muito bem. Toda aquela algazarra tava a causar-lhe um misto de emoções muito fortes... O que não era agradável a alguém que era tão calmo por natureza. Como se não
bastasse a sua condição física já estava fraca e Ísis sentia que estava em
sérios apuros. Em três segundos já Lunatik estava de pé novamente. A jovem mal tinha tempo de se afastar devidamente e ao tentar correr um pouco mais rápido acabou por perder força na perna esquerda com o esforço que estava a exercer. Consequentemente caiu outra vez. Num instante o mascarado alcançou-a e parou ao chegar perto dela. Ísis virou-se para cima e tentou recuar daquele monstro…
Ísis — Não… Por favor!
Disse a jovem de um género suplicante. Não queria que aquele fosse o seu fim. Sentia que ainda tinha muito a aprender. Estava muito assustada…
Lunatik coloca o pé por cima da barriga da jovem para esta parar de se mexer. Imobilizada, Ísis tenta proteger a cara, mas o soco que o mascarado lhe direccionou com força, ultrapassou aquela barreira e atingiu-a com bastante impacto no olho, o que agravou a ferida que tinha no sobrolho. Automaticamente, a jovem ficou inconsciente… Pra Lunatik era aquele o momento certo. Ia matar a rapariga. Ergueu a sua katana no ar e no momento em que ia executar o grande golpe, foi desconcentrado por uma voz…
Melissa — ÍSIS?
Melissa tinha alcançado a amiga no momento certo. Não compreendia o porquê daquilo estar a acontecer, mas agora também não lhe interessava. A sua melhor amiga corria perigo e parecia já estar gravemente ferida.
Lunatik parou e olhou para Melissa… Não estava a contar que aparecesse alguém. Principalmente aquela jovem. De todos, a seguir à Night Watcher, era quem o mascarado tinha de ter mais atenção. Ele sabia que aquela rapariga era diferente, se bem que nem ele conseguia compreender o que ela tinha de tão especial ou sequer quem seria a jovem.
Melissa — AFASTA-TE DELA! JÁ!
Ao dizer isto, Melissa corre na direcção de Lunatik... Ao chegar ao pé do mascarado, baixou-se e desviou-se do golpe que este tentara dar-lhe com a katana. Ao erguer-se puxou a perna atrás e pontapeou com força o estomago do seu adversário, o que fez com que este fosse projectado pra longe de Ísis. Rapidamente, Lunatik levanta-se e prepara-se pra atacar Melissa. De repente, o vento começou a soprar descontroladamente e ambos pararam face às rajadas assustadores que corriam pelas ruas de Cila. A tempestade aproximava-se…
*
Leonardo já se encontrava a caminho da casa de Érica quando foi apanhado de surpresa pelo vento ameaçador que apoderara-se da vila. Percebeu no momento, que devia ser o ciclone a aproximar-se… Devia ter esperado em casa como a avó lhe tinha acabado de pedir, mas mesmo assim preferiu ser teimoso e vir. Agora estava no meio da rua, todos os estabelecimentos estavam fechados, não havia ninguém à vista e não tinha onde se abrigar. Podia tentar correr até casa da Night Watcher, mas receava não ter tempo suficiente de lá chegar. A tempestade aproximava-se com rapidez… Nisto, deu-lhe a sensação de ouvir algo ao longe…
Parecia o som de um carro e vinha naquela direcção. Quando o veículo parou perto dele, um pouco do vidro foi aberto e do lado de dentro, apenas se viam uns olhos a examinar o rapaz… Quando este ouviu a voz do seu condutor e reparou bem que carro era aquele, reconheceu logo quem se encontrava no seu interior…
Camila — Queres ser levado pelo vento? Entra logo!
Ao ver Camila, Leonardo sentiu-se aliviado. Jamais esperava que aparecesse ali alguém, muito menos aquela jovem.
A correr, Leonardo deu a volta ao carro e entrou.
Leonardo - O que é que fazes aqui?
Pergunta o jovem, espantado.
Camila — E que tal um obrigado?
Entretanto o vento soprou ainda com mais força e todo o carro tremeu… Os dois jovens assustaram-se.
Camila — Pra onde vamos?
Leonardo — Segue pra casa da Érica! Vai por dentro…
Camila — Mas assim demoro mais tempo!
Leonardo — Não faz mal, a Melissa e a Ísis ainda devem estar a caminho de casa dela!
Camila — Ok, é pra já!
Camila entendeu perfeitamente o problema e num piscar de olhos pisou a fundo o acelerador e arrancou dali o mais rápido que pôde.
*
Melissa estava aflita e as coisas não estavam fáceis…
Lunatik não desistia em tentar matá-la e o vento não a ajudava.
Ísis permanecia no chão, inconsciente…
Uma ou outra rajada de vento quase atiravam Melissa ao chão, mas o monstro suportava aquilo muito bem. A jovem tinha de ver-se livre do mascarado e carregar a amiga até um local seguro. Mas à medida que o tempo passava, Melissa sentia que podia não ter hipóteses em se safar. Lunatik não parava de atacar… Andavam os dois em círculos… A jovem, constantemente a fugir e a defender-se dos golpes do mascarado. Entre socos e pontapés furiosos, Melissa Monserrate, tentou várias vezes responder da mesma forma, mas sempre que atingia o seu inimigo, este
recuperava-se muito rapidamente. Lunatik era rápido e a jovem estava claramente em desvantagem, não tinha nenhuma arma consigo e só a sua força não estava a ser o suficiente para enfrentar o misterioso ser que possuía uma máscara.
Sem dar por isso e enquanto recuava pra fugir a Lunatik, Melissa foi contra um dos carros que estava ali estacionado e ficou encurralada. Foi aí que olhou para longe e viu algo que parecia ser um tornado… “Oh não!” Pensou… Tinha de fazer algo naquele momento, senão as coisas iam acabar mal. Lunatik, mais uma vez, tentou golpear a jovem com a katana... A jovem desviou-se e a arma enterrou-se no capô do carro. Era aquela a oportunidade de Melissa. Enquanto o mascarado tentava arrancar a sua arma do veículo, ela agarrou-lhe o braço e partiu-o, o que fez com que a katana fosse largada. Raivoso, Lunatik deu uma cabeçada à jovem e esta caiu pra trás. Com o único braço que tinha funcional, o monstro da máscara volta a agarrar na sua arma, puxou-a do carro e deu um pontapé a Melissa, que fez com que ela fosse lançada aos encontrões para o outro lado da estrada, perto de Ísis.
Cada vez mais, o vento soprava com intensidade e um ou outro sinal acabara de ser arrancado pela sua força. Melissa começava a ficar cansada e temia pelo pior… Lunatik parecia bem e mais uma vez, dirigia-se direito à jovem que, já com algum certo esforço, tentava colocar-se rapidamente de pé pra enfrentá-lo.
De repente algo aconteceu… Pra Melissa, aquele momento foi gracioso… Enquanto Lunatik atravessava a estrada, um carro entrou a toda a velocidade por ela a dentro, atropelou brutalmente o mascarado e parou uns metros à frente. Uma das portas é aberta e Leonardo sai a correr do veículo. Melissa ficou aliviada ao ver o seu amigo e admirada ao ver que Camila estava com ele.
Leonardo — Estás bem?
Foi aí que o jovem olhou para Ísis e ficou branco…
Leonardo — ÍSIS?
Preocupado, Leonardo corre na direcção da amiga que estava desmaiada e ferida no chão. Melissa junta-se a ele.
Melissa — Ela está inconsciente! Temos de levá-la a um hospital, agora!
Os dois amigos pegam em Ísis e começaram a dirigir-se ao carro. O vento estava demasiado forte e começavam a ter dificuldades em deslocarem-se…
Camila — RÁPIDO!
Teve de gritar Camila… O som do vento era ensurdecedor e mal se ouviam as suas vozes no meio da tempestade que estava a cair sob Cila.
Os três adolescentes entraram no carro e fecharam as portas. Camila observa o estado de Ísis…
Camila — O que é que se passa? O que é que aconteceu?
Pergunta a jovem assustada.
Melissa — Depois Camila… Leva-nos até ao hospital!
Camila nem teve tempo de responder… Lunatik já se tinha levantado sem ninguém reparar e partira um dos vidros laterais do carro… Do lado de Camila. Furioso pelo que tinha acontecido, o mascarado agarrou a jovem pelo pescoço e tentou puxá-la pra fora do veículo. Aflita,
Camila gritava e os amigos tentaram logo socorre-la… Leonardo tentava retirar as mãos de Lunatik do pescoço da jovem e Melissa batia nos braços do monstro. Era incrível como ele era forte… Mesmo depois de ter um braço partido e de ter sido atropelado, ainda se mantinha de pé e com uma resistência fantástica. E nada o fazia largar Camila que já começava a ficar sem ar… Finalmente Melissa decidiu recorrer a uma táctica que não lhe pareceu muito conveniente, mas seria certamente efectiva. Com força, deu uma enorme dentada no braço de Lunatik e só assim, o mascarado largou a jovem que assutada e a tossir, sentou-se direita no
banco e arrancou com o carro o mais rápido que conseguiu.
Leonardo — Camila? Estás bem?
Camila — Sobrevivo! Só quero sair daqui!
Enquanto avançavam, Melissa ia a olhar para trás… Lunatik vinha a correr atrás deles com uma raiva que assustava a jovem. Parecia não querer desistir a nenhum custo.
Melissa — Ele continua atrás de nós!
Camila — Estás a brincar certo?
Leonardo olha também para trás e Camila vê pelo retrovisor.
Lunatik vinha disparado atrás do carro. Já não trazia a sua katana. Aquela atitude estava a ser apenas um reflexo de pura raiva pelo que se tinha sucedido… Por muito que corresse jamais iria apanhar os jovens, o facto de estarem no carro dava-lhes vantagem.
Ao longe a tempestade aproximava-se e já se via alguns veículos, arbustos, caixotes do lixo, entre outros objectos e bens serem arrastados e elevados por estrondosas rajadas de vento. E então, algo aconteceu… Um grande poste de electricidade foi arrancado do seu lugar e caiu sob Lunatik… O mascarado tinha sido atingido com força e ficou para trás, acabando por ser arrastado pela tempestade.
Os jovens assistiram a tudo e soltaram um sorriso aliviados por aquilo ter acontecido… Sem uma única palavra, seguiram
direitos ao hospital, lá estariam seguros da tempestade, Ísis seria tratada e não havia nada mais urgente que isso naquele momento.
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