Night Watchers - Primeira Temporada

19 O Louco Por Trás da Máscara (Vol. 2) - Capítulo 6


Notas iniciais
Novo Capítulo... Revelações começam a ser feitas! Esperemos que gostem... :D

Nas grutas o silêncio reinava… Nem o som de um rato se ouvia. Todos os animais estavam escondidos a anunciar o mau tempo. Abaddon estava muito pensativo… Carlota já lhe tinha contado o resultado da sua missão. O demónio estava de pé frente a uma das paredes cavernosas e a metamorfo encontrava-se sentada numa das pedras que lá estavam espalhadas.

Abaddon — Detesto quando me fazem esperar sem ter certeza que vai valer a pena!

Carlota — Ao menos o meu contacto já ouviu falar de um caso como o teu!

Abaddon — Relembra-me novamente a quem foste buscar informação…

Carlota — A um vampiro! Um antigo amigo!

Respondeu a metamorfo de uma forma calma… Não podia dar indícios de que estava a mentir. O demónio não podia notar.

Abaddon — Esperemos que no final traga-nos algo útil!

Carlota — Não te preocupes! Consegui incentivá-lo muito bem… De certeza que amanhã haverá novidades!

Abaddon — Até lá espero que Lunatik consiga aniquilar aqueles irritantes humanos!

Carlota — Achas que ele vai conseguir?

Abaddon — Lunatik nunca falha… Pode demorar o tempo que for preciso, mas os resultados serão positivos!

Carlota — Não sei como é que depositas tanta fé naquele bicho!

Abaddon — Ele não é um bicho! É apenas um protótipo do humano perfeito! Criado por demónios!

Carlota — Ele é um humano?

Carlota estava boquiaberta.

Abaddon — Sim… Moldado por nós, demónios!

Carlota — Eu pensava que não sabíamos nada acerca dele!

Abaddon — Tudo a seu tempo Carlota, já te expliquei isso muitas vezes…

Carlota — Um humano a trabalhar pra nós… De certeza que não estamos em desvantagem?

A sorrir, o demónio vira-se para a metamorfo…

Abaddon — Ficarás surpreendida! Brevemente a vila será nossa e todos se irão curvar perante mim!

Abaddon gostava de sonhar e Carlota já estava habituada a isso. Por ela, preferia esperar e só depois celebrar…

*

Os quatro jovens, a caminho do bar, falaram de vários assuntos… O facto de ser a primeira tempestade a sério que Melissa vai apanhar em Cila foi um deles. Mas o que teve mais peso foi a conversa que Ísis e Leonardo tiveram com Hugo, numa tentativa de o fazerem ir para a escola…

Os dois jovens não sabiam que a razão que o impedia de ir estudar era a sua horrível condição financeira. E este também não explicou isso a eles. Melissa receava que os seus amigos fizessem muitas perguntas a Hugo, mas tal não aconteceu e a jovem ficou aliviada. Este sentimento não durou muito tempo… Pelo menos até ao momento em que chegaram à porta do bar. Estava realmente fechado e Melissa perdera a aposta.

Ísis — Já sabia! Eu disse!

Hugo — Vês Melissa? Perdeste!

Melissa parecia um pouco desiludida mas rapidamente recompôs-se.

Melissa — Ok, tinham razão! Mas não está certo! Pra onde é que os jovens saem? Parece estar tudo fechado!

Leonardo — Pra nenhum lado, é normal estar tudo fechado! Tempestade. Lembraste?

Melissa — Um pouco de chuva e de vento e ficam todos alarmados!

Leonardo — Desisto!

Hugo — Não era pra amanhã que previam o ciclone?

Ísis — Ya!

Hugo — Então amanhã a Melissa vai entender-nos!

Melissa — Aposto que mesmo assim temos aulas!

Ísis — Da parte da manhã! Eles também só previam para a tarde!

Melissa — É isto que não entendo. Quase tudo fechado e temos aulas na mesma!

Leonardo — Agora falaste bem!

Ao longe já alguém os observava… Escondido…

Hugo — Como podem dizer que é mau não estudar?

Ísis — Não há razão para os estabelecimentos fecharem de manhã!

Melissa — Mas à noite já fecham!

Ísis — Não compares!

Enquanto os jovens conversavam, um carro aproximou-se a começou a abrandar quando estava perto deles… Os quatro amigos pararam e olharam para a viatura que tinha parado por completo ao lado dos mesmos. O vidro do veículo começa a abrir devagar…

Camila — O que é que estão aqui a fazer? Não me digam que pensavam que o “Cais” estava aberto!

Era Camila… Possivelmente estava a caminho de casa e passara por ali.

Melissa — Eu pensava! Porque é que todos falam nisso como se fosse um grande disparate?

Leonardo olha para Hugo e fala com ele num tom baixo.

Leonardo — E os insultos vão começar…

Camila — Porque só um louco é que pensa que com um tempo destes o bar fosse abrir! Mas vindo de vocês nem sei como me dou ao luxo de ficar admirada!

Melissa — Começo a ficar um pouco farta dos teus comentários Camila!

Ísis — Sim. E não sei se reparaste, mas tu também estás aqui!

Camila — Hello? Estou de carro sim?

Leonardo — Pois claro! A menina não podia andar a pé…

Camila — Não sou maluca como vocês! Já vos tinha dito! E de qualquer dos modos vou para casa, não é noite para andar aí!

Melissa — Então é melhor ires andando! Não pedimos que parasses!

Camila teve vontade de responder a Melissa, mas preferiu atacar de outro modo… Sem disfarçar, pôs-se a olhar para Hugo…

Camila — Já vi que este agora anda sempre convosco!

Ísis — Camila!

Exclama Ísis em tom de aviso. Hugo não respondeu ao comentário de Camila.

Leonardo — O que é que tens a ver com isso?

Melissa — Não sejas baixa Camila!

Camila — O que é que eu disse de mal?

Responde Camila a fingir estar a ser ingénua…

Leonardo — Oh, não entendem… Agora é a parte teatral!

Camila — Desculpa, mas achas que tens opinião?

Enquanto os cinco jovens conversavam, ou discutiam, alguém observava de longe todos os seus movimentos… Lunatik tinha encontrado com facilidade os adolescentes e estava escondido a estudá-los. Não
conseguia entender porque é que falavam tanto. Para este ser, o silêncio era o principal… Os únicos que tinham direito a falar eram os demónios, a raça superior para ele. Todos os outros não mereciam. Lunatik lembrara-se de quando o ensinaram que não devia falar, nem usar a voz…Tinha cerca de 8 anos e ainda aparentava um ar infantil. Na cave onde habitara toda a sua vida, fora acorrentado a uma parede e queimado com ferros em brasa por todas as suas costas. Os demónios só pararam quando a criança finalmente aprendeu a não gritar com a dor que lhe era transmitida. Lunatik já não se recordava, ou sequer sentia, mas a sua infância tinha sido triste, dolorosa e muito pesada. Hoje, a sua mente estava moldada apenas para a destruição. E era isso apenas que via para onde olhava. Se pudesse, ia já direito aos jovens e mutilava-os a todos… Mas não podia ser impulsivo, tinha de esperar e seguir as ordens de Abaddon. Eliminar um por um era a estratégia certa. A rapariga que estava no carro era um alvo fácil e podia ser a sua primeira escolha. Mas o veículo dava-lhe vantagem. Certamente quando o alcançasse, já a jovem tinha conseguido chegar a casa completamente segura. Em outro momento apanhava-a… Lunatik decidiu que segui-los seria o melhor plano e depois, aquele que ficasse primeiro sozinho, seria o sacrificado…

Ísis — Não é por nada, mas esta conversa já deu o que tinha a dar!

Camila — Sim, nem sei porque ainda me dei ao trabalho de parar! Já basta ver-vos todos os dias!

E sem uma despedida, Camila arranca com o carro deixando os quatro amigos para trás…

Leonardo — Já devias ter ido há mais tempo!

Grita Leonardo na esperança que Camila ainda o pudesse ouvir.

Melissa — Escusas de te esforçar Leo, ela já não te ouve!

Hugo — Ela é sempre assim?

Melissa — Ya… Não ligues ao comentário dela.

Hugo — Não estou minimamente interessado no que ela acha, por isso não faz mal! Mas como é que suportam-na todos os dias?

Ísis — Ele nem sempre está connosco! E também já estamos habituados…

Leonardo — Fala por ti! Pra mim ela cada vez está pior!

Hugo — Acho que ela não vou querer conhecer!

Depois de uma forte rajada de vento, começam a cair os primeiros pingos das nuvens… Ia chover…

Melissa — Não precisas… Visto que isto está fechado o que é nos espera? Casa?

Ísis — Sim, é melhor… Já está outra vez a começar a chover.

Melissa — A tua casa e a do Leonardo são mais perto. Deixo-vos lá! E tu Hugo?

Hugo — Vou contigo, claro. Assim também te faço companhia!

Melissa sorriu e os quatro amigos fizeram-se ao caminho…

Lunatik quando viu os jovens a avançar escondeu-se melhor… A altura de atacar estava a aproximar-se… Tudo o que tinha a fazer era segui-los.


*

Érica e Rodrigo continuavam a sua árdua pesquisa em busca de informações úteis face às várias incógnitas que tinha por decifrar. Ambos encontravam-se sentados à mesa da sala de estar. A Night Watcher analisava o que parecia ser uma vasta enciclopédia acerca de mitologia, um livro que lhe tinha sido oferecido pela Ordem Secreta. Rodrigo acabava agora de fechar um dos volumes de Magia que a sua mulher possuía.

Rodrigo — Nada! Já dei uma vista de olhos em todos os livros de Magia e não há nenhum ritual conhecido que cinco demónios pudessem realizar!

Érica — Hum, então esse “Grande Projecto” deve ser outro tipo de trabalho…

Rodrigo — Ou algo nunca antes visto… Uma coisa completamente diferente do que estamos habituados a lidar!

Subitamente, Érica ficou muito concentrada.

Érica — Deve haver uma boa razão para não haver mais informação…

Rodrigo — Apenas podemos criar ideias… Sem nenhuma base não conseguimos ir mais longe!

Érica — O que não nos leva a lado nenhum!

Érica fecha a enciclopédia que tinha à sua frente.

Érica — Este também não tem nada! Já vimos quase tudo…

A mesa estava cheia de livros empilhados…

Érica — Já nem sei para onde me virar.Vou tentar dar uma olhadela nos seres mágicos.

Rodrigo — E eu os demónios… Tens aí o dicionário demoníaco?

Érica — Está aqui!

Érica puxa um dos livros que estava na mesa e passa-o a Rodrigo.

Érica — Acho que esse não tem nada de útil, já tinha visto no outro dia!

Rodrigo — Temos de insistir… E pelo menos tentar ser mais positivos quando estamos perto dos jovens!

Exclama Rodrigo enquanto abria o dicionário.

Érica — Achas que não somos positivos quando estamos com eles?

Rodrigo — Não sei. Vejo-os poucas vezes. Apenas estou a dizer isto porque se não o fizermos eles podem ficar assustados…

Érica — E não os culpava. Muito já aguentam eles!

Rodrigo — Eles e nós!

Érica — Pois, mas este é o meu trabalho, o meu dever! Só sirvo para isto mesmo!

Rodrigo — E eu fico feliz por não o fazeres sozinha!

Rodrigo observa todos os livros que estavam sobre a mesa… Érica olhava para o seu marido, com alguma compreensão.

Rodrigo — Todas estas coisas são perigosas para alguém as enfrentar sem ajuda!

De seguida olha para o dicionário demoníaco que tinha aberto à sua frente.

Rodrigo — Apenas um Night Watcher por vila é pouco… Ainda pra mais havendo demónios para quase todo o tipo de coisas. São assim tantos?

Érica — Esse dicionário é uma versão nova e mais actualizada. Mas sim, são muitos… E um Night Watcher por vila pode parecer pouco, mas é assim que tem funcionado há muitos anos… E nunca houve problema!

Rodrigo — E tem feito alguma diferença? Sinceramente?

Agora que Érica parava para pensar, talvez Rodrigo até tivesse alguma razão. As coisas têm estado estáveis ao longo dos tempos, mas na verdade, nunca mudaram. Nada acabara, o mal continuava a existir. Os Night Watchers apenas controlavam-no, para não se espalhar por completo. Mas ainda não tinham conseguido pará-lo de vez.

Érica — Talvez não… Ou talvez sim. Pelo menos nada está pior pois não? Podemos estar na mesma, é verdade… Mas ainda estamos seguros!

Rodrigo — Eu cá só desejava que houvesse uma maneira de pôr um fim a todos estes problemas… De vez!

Érica — Todos nós gostávamos, mas não é assim tão fácil!

Rodrigo — Eu sei, é fácil falar…

Rodrigo olhava para o dicionário e desfolhava-o…

Rodrigo — E depois no meio de tantos livros como é que não achamos nada interessante?

De repente cala-se, pára numa página e começa a observá-la atentamente.

Érica — O que é se passa?

Rodrigo — Não sei… Há algo familiar nesta imagem…

Érica levanta-se e a Rodrigo… A imagem apresentava apenas uma máscara tribal… A Night Watcher reconheceu-a de imediato.

Érica — Eu já tinha visto este livro, como é que isto passou despercebido?

Rodrigo — Talvez não estivesses atenta... Já vimos esta máscara não já?

Érica — Sim, sem dúvida que é a do Lunatik. Só não entendo o porquê de estar neste livro!

Rodrigo já estava a ler…

Rodrigo — Está relacionado com um grupo de quatro demónios! Parece que encontrámos algo…

Érica — Sim, curioso. Já há algum tempo perguntava a mim mesmo que género de criatura seria ele.

Rodrigo — O capítulo ainda é longo…

Érica — Tenho muito tempo!

E rapidamente puxa uma cadeira e senta-se ao lado de Rodrigo para ambos iniciarem a leitura…


*

Leonardo tinha sido o primeiro a ser entregue. A sua casa era a que se encontrava mais perto. O jovem mal entrara no seu lar, tirou o casaco e avançou na direcção da cozinha. Tinha fome e decidira que primeiro ia comer, depois ia trocar de roupa e finalmente iria ver um pouco de televisão. A sua casa tinha dois andares. No de baixo, tinha uma sala de estar, uma casa de banho e a cozinha. Em cima tinha dois quartos e duas casas de banho. Maioria das habitações em Cila cumpriam estes parâmetros. Leonardo até tinha umas boas condições de vida… A sua avó quando era jovem, trabalhara imenso e conseguira alcançar algum bem-estar que ainda hoje era reflectido no seu quotidiano.

Ao entrar na cozinha, o jovem não estava a contar que a sua avó, Emília Almeida, estivesse às escuras sentada à mesa daquela divisão. Leonardo assustou-se mas rapidamente percebeu que era ela que estava ali e acendeu a luz…

Leonardo — Que susto avó! O que é que fazes aqui às escuras?

Emília — Estava à tua espera… E gosto de ver os clarões dos relâmpagos, sempre que é noite de tempestade faço isto! Tão cedo em casa?

Leonardo — O bar estava fechado e começou a chover… Não é noite pra estar na rua! Porque é que estavas à minha espera?

Leonardo aproximava-se de uma cadeira para se sentar mas Emília pôs-se de pé e este entendeu que se calhar devia fazer o mesmo.

Emília — Temos de conversar… Há algo que me incomoda!

Leonardo — O quê?

Pergunta Leonardo um pouco confuso.

Emília — Esta noite tomei conhecimento de que têm um novo amigo…

Leonardo — Estás a falar do Hugo?

Emília — Sim, esse jovem que anda sempre sozinho! O filho daquele horrível casal de antipáticos, os Zodiev. Tenho de admitir que fiquei surpreendida!

Como era de esperar, Emília Almeida conhecia quase todos os moradores de Cila… Os pais de Hugo, o casal Zodiev, não eram excepção, se bem que nunca tivera grande contacto com os mesmos.

Leonardo — Sim, ele parece ser fixe. Quem diria… Quase todos os dias era costume vê-lo por aí! E agora já nos conhecemos todos e ele sai connosco.

Emília — Pergunto-me como é que se conheceram…

Leonardo — Na verdade, acho que não ias acreditar avó!

Emília — Testa-me!

Leonardo — Foi naquela noite que apanhámos o Mandurugu. Eu contei-te… Por acaso ele foi a vítima que a Melissa salvou! Tivemos de lhe contar tudo, como é óbvio!

Responde o jovem com descontracção. O que deu a conhecer que Emília sabia acerca da vida oculta de Cila. Leonardo contava-lhe todas as aventuras em que ele e os amigos embarcavam.

E isto já se passava há algum tempo… Tanto um como outro sabiam acerca de tudo, inclusive da Ordem Secreta dos Night Watchers, muito antes de Leonardo ter conhecido Érica. E como apontava, ambos escondiam algum segredo… Algo que só mesmo os dois partilhavam…

Emília Almeida ficou com uma expressão muito alertada.

Emília — E não achaste isso um pouco estranho? Nem parece teu Leonardo… Depois de tudo o que te ensinei!

Leonardo — O que é que isso significa? Há motivo para alarme?

Emília — Não podem confiar nele! Ele não é normal…

Leonardo — Como assim? Isso não tem fundamento nenhum e além disso…

Emília interrompe...

Emília — Os pais dele são demónios Leonardo!

Leonardo ficou espantado e sem reacção.

Emília — Nunca contei-te porque não achei relevante. E os pais dele são muito discretos, penso que devem ter-se afastado do seu objectivo… Alguns demónios hoje em dia estão a viver na nossa sociedade, como pessoas normais!

Leonardo — É possível? Quero dizer, se os pais dele são demónios, o que é isso faz dele?

Emília — Não tenho bem a certeza!

Leonardo — Ele pode ser perigoso?

Emília — Conto contigo para descobrir isso… Fica atento Leonardo!

Leonardo — Podes ficar descansada! Mas sinceramente estou espantado. As pessoas podem enganar-nos tão bem. Ele parece tão normal como eu!

Emília aproxima-se do neto e carinhosamente coloca a mão na sua face.

Emília — Eu sei… Não podes deixar que isso aconteça… Com ninguém, nem mesmo com os teus amigos!

Leonardo — Devia estar mais atento…

Lamenta o jovem.

Emília — É normal certas emoções cegarem-nos… Eu compreendo! Mas nunca te esqueças do teu objectivo principal… Ele é que é importante e é nele que não podes falhar!

Leonardo — E quando chegar a altura não falharei… Vou fazer os pais terem orgulho em mim! Vingarei o nome deles!

Emília Almeida olha para Leonardo orgulhosa e o jovem sorriu…

Notas finais
Reviews ;)