Night Watchers - Primeira Temporada
71 O Começo (Vol. 6) - Capítulo 14
A noite estava finalmente a acabar… E aquela tinha sido particularmente muito longa, pelo menos para os jovens Melissa, Ísis, Leonardo e Camila. Depois de tudo o que havia acontecido era normal acarretarem essa sensação com eles. Principalmente para a última… Além de ter sido a primeira a ir embora, ainda sentia-se anestesiada pelos acontecimentos bizarros da noite.
Assim que Camila Duarte chegara a casa, foi directa ao seu quarto. Não lhe apetecia falar nem ver ninguém, então limitou-se apenas em enfiar-se na cama… Com a roupa que trazia vestida. A jovem nem se apercebera do que estava a fazer, os seus pensamentos não saiam das cenas que tinha assistido aquela noite. Claramente estava em choque e conseguia ter consciência disso. A qualquer momento desejava acordar, esperando que tudo não passasse de um sonho. Mas tal não aconteceu. Por muito que tentasse assimilar toda a informação, apenas chegava a uma conclusão… Estava a ficar louca, como aqueles com quem lidava diariamente. Só depois de ter dado algumas voltas na cama é que se apercebeu que nem sequer tinha trocado de roupa. Atrapalhada, levantou-se e respirou fundo…
Camila — Calma Camila… Tu és superior a isto!
Dizia para si mesma.
Camila — Não estás envolvida nisto, nem tens nada a ver com o assunto!
Tentava convencer-se. Mas era difícil… Além estar num turbilhão confuso de emoções, sentia-se aterrorizada pela violência a que tinha sido submetida. De repente recordou-se de algo que era muito importante para si, algo que até já tinha esquecido derivado à noite que tivera… No dia seguinte seria revelado quem ia ser o representante dos estudantes. E foi aí que se fez luz… Camila tinha em que pensar, não podia perder tempo a dar atenção a coisas que não lhe diziam respeito. Então, voltou a respirar fundo…
Camila — Camila, tens onde gastar energia! Não a desperdices da forma errada! Amanhã vais ganhar a eleição e aí terás muito trabalho… Tanto que nem terás tempo para pensar em monstros!
Devagar e com um ar abatido, a jovem dirigiu-se à casa de banho para trocar-se…
*
Na rua, Leonardo acompanhou Ísis até à porta de casa, uma vez que eram vizinhos a distância entre as suas casas era relativamente pouca, mas mesmo assim o jovem quis ter a certeza que a amiga chegava bem. No entanto, Ísis Rocha sentia-se bem e concluiu isso assim que entrou no seu quarto… Já estava sozinha, mas já não se sentia ameaçada nem assustada. Independentemente do pânico que sentira horas atrás, parecia que nada tinha acontecido, estava aliviada. Na verdade, até ficara um pouco fascinada com todo o mistério mágico que aquelas histórias tinham. Já há algum tempo que a sua vida tinha tomado um significado diferente derivado à descoberta de Magia… Agora, tudo estava diferente outra vez. A atmosfera podia ser negra, mas o facto de poder ajudar a resolver problemas desta categoria fazia valer a pena. E com isto, ganhara novamente um objectivo que já tinha perdido… Descobrir quem era o dono do Grimório que tinha encontrado e que tanto usava. Com a ajuda de Érica talvez conseguisse vir a saber a identidade do feiticeiro.
Entusiasmada com estas ideias, a jovem foi buscar o Grimório e sentou-se na sua cama a desfolhá-lo, com uma enorme vontade de praticar alguns dos seus exercícios… O cansaço que antes sentira tinha desparecido.
*
Por outro lado, o jovem Leonardo estava de rastos… O confronto com o Wendigo deixara-o cansado e com algumas dores no corpo. Mesmo com o treino, era complicado enfrentar certas criaturas… Principalmente se estas fossem enormes e animalescas.
Já era tarde e assim que entrou em casa, fez pouco barulho… Não queria acordar a sua avó. Quando ia a preparar-se para subir as escadas até ao seu quarto, a luz acendeu-se e o jovem assustou-se… Emília Almeida, ou assim o aparentava ser, estava à entrada da sala de estar a olhar para ele.
Leonardo — Avó… Assustaste-me! O que é que se passa?
Emília — Nada, estava à tua espera… Só isso!
Respondeu com um sorriso bastante alargado.
Leonardo — A sério? Não é costume estares acordada a estas horas…
Reparou o jovem.
Emília — Mas hoje apeteceu-me!
Disse um pouco atrapalhada…
Emília — Podia ter acontecido alguma coisa, não sei. Apenas estava preocupada!
A resposta pegou pois Leonardo sorriu com ternura para ela.
Leonardo — Estás sempre aqui para mim… Mas já te disse que podes ficar descansada, nada me irá acontecer! Ensinaste-me muito bem a defender-me e a tomar conta de mim próprio!
Elogiou-a carinhosamente.
Emília — Fico feliz por saber que criei-te bem! Como foi a noite?
Perguntou de modo a acabar com aquela conversa embaraçosa. Já era mau o suficiente ter de estar a enganar o rapaz, fazendo-se passar por sua avó.
Leonardo — Como foi a noite? Muito agitada! Quando contar-te o que aconteceu acho que nem vais acreditar…
Emília — Estou só de ouvidos!
Tentou encorajar o rapaz a falar.
Leonardo — Avó, não posso actualizar-te amanhã? Desculpa, mas já é tarde e ‘tou cansado! Daqui a poucas horas estou vez de pé… Eu sei que isto pode ser importante, mas já tive o suficiente para uma noite. Não te importas?
A mulher não podia obrigar o jovem a falar, então, optou por concordar com ele. Teria muito tempo para retirar todas as informações que fossem necessárias.
Emília — Claro Leonardo! Temos todo o tempo do mundo… Mas está tudo bem?
Leonardo — Sim! Não são más notícias… Também não poderei dizer que são boas! Enfim, depois falamos! Estou cheio de sono! E a eleição do representante dos estudantes é já amanhã… Tenho de aparecer com boa cara, caso seja eu o escolhido!
Era melhor não insistir muito com o jovem, então a mulher decidiu apenas agir normalmente, deixar as coisas fluírem naturalmente.
Emília — Fazes muito bem… Tens de manter a boa aparência!
Leonardo — E aí está algo que eu nunca pensei ouvir da tua boca…
Disse com um ar surpreendido.
Emília — Eu gosto de ti como és, sabes disso! Vá, agora vai descansar e tem uma boa noite!
O jovem sorriu e começou a subir as escadas…
Leonardo — Boa noite ‘vó!
A mulher ficou a observar o rapaz até este desaparecer para entrar no seu quarto. Assim que isso aconteceu, suspirou em alívio… Leonardo não tinha desconfiado de nada. Desajeitadamente, mostrando a sua verdadeira postura, caminhou para a sala…
*
Melissa Monserrate fora a última a chegar a casa… E talvez a única que ainda não sabia o que pensar acerca de tudo o que acabara de descobrir. Assim que entrou em casa verificou que tanto o seu pai como a sua madrasta já estavam a dormir. Tentou fazer o mínimo barulho para não despertar ninguém e felizmente sentia-se calma… Caso contrário, provavelmente já teria partido algo.
Por um lado a jovem queria descansar para o dia seguinte correr-lhe bem, mas por outro estava demasiado ansiosa para conseguir dormir. Era verdade que sentia-se um pouco aliviada por ter alguém que a ajudasse a descobrir o que se passava com ela, no entanto tudo era tão surreal que Melissa ficou a achar que a sua chegada a Cila fora realmente uma nova etapa da sua vida. A partir de agora, tudo seria diferente… A jovem sabia que devia sentir-se assustada, mas inexplicavelmente ficou com a sensação que a sua nova vida era importante e essencial, não apenas para ela, mas também para os que estavam ao seu redor.
Ao final daquele dia, Melissa deixou de se lamentar de tudo o que perdera e deixara para trás… Tudo passou a ser, de um certo modo, secundário. Existiam coisas mais importantes… Como os perigos que caminhavam nas sombras das noites e as pessoas que sofriam e perdiam a vida derivado a esse factor. Além de tudo isto, deixou de se sentir sozinha, como aconteceu no primeiro dia que chegara à vila. Tinha criado bons amigos… Pessoas diferentes de todas as outras que antes conhecia. E para acrescentar, quase todos eles estavam envolvidos na história dos Night Watchers, o que ia fazer com que embarcassem numa jornada única, perigosa e inesquecível…
Todos estes pensamentos vaguearam na mente da jovem, enquanto trocara de roupa e lavara os dentes. Quando se ia deitar foi quando chegou a uma conclusão… Talvez aqueles atributos tenham sido concedidos a ela, de modo a que pudesse ajudar os que precisassem… A jovem acreditava que o destino pregava destas partidas e uma vez que tudo era tão estranho, talvez algo do mesmo calibre tivesse acontecido a si própria de forma a que conseguisse adaptar-se melhor às novas circunstancias… Era uma incógnita cheia de magia, que a estava a deixar radiada.
Descansada e orgulhosa pela sua atitude, Melissa Monserrate encostou a cabeça na almofada e fechou os olhos … Ia dormir bem aquela noite.
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