— Sei que disse que iria vê-la apenas na terceira noite de Junho e eu costumo cumprir minha palavra. No entanto, algo atraía-me para cá, para tua presença, Constanze... — Ele dizia numa urgência que, se eu ainda possuísse um coração, estaria totalmente fora do compasso. Senti meu corpo ser carregado e levado para a enorme cama coberta de rubro e dourado, e ao acomodá-lo ali, pousou sua mão sobre meu rosto com uma delicadeza incomparável, fazendo-me fechar os olhos por alguns instantes. — Sonho todos os dias em tocá-la, minha dama, em ter teu corpo nu junto ao meu, em unir nossas almas, nossos desejos. Permita-me entrar em teu universo, meu anjo. — Minha resposta foi puxá-lo para mais perto, retirar suas vestes o mais depressa possível e assim tomar seus lábios com voracidade. Minhas mãos exploravam cada pedacinho de seu bem desenhado e lívido corpo, enquanto os seus lábios deslizavam do meu pescoço aos ombros.

Tudo o que ele se propunha a fazer, fazia com cuidado, atenção e respeito e perguntava-me em pequenos espaços de tempo como me sentia. — Muitíssimo bem, Ansgar, de que outro jeito poderia sentir-me? — E ele retrucava. — Entregando-se a um ser das trevas... — Vê-lo daquele jeito apertava-me o peito, e beijando-o mais uma vez, tentava reconfortá-lo. — Veja bem, senhor de Arcenaux, não diga isso. Estou entregando-me a um homem nobre de espírito e não quero que pense o contrário. — Foi a vez dele beijar-me, com mais fervor que das outras vezes e eu satisfiz-me por fazê-lo sentir melhor.

Ele fez-me sua, e meu ele tornou-se.

Relutante, desatou seu corpo do meu e caminhou até um móvel ao lado da porta, de lá retirou uma pequena caixa de veludo verde escuro e retornou a cama. Ao abri-la perante mim, não pude conter a emoção, nem as lágrimas que corriam por minha face. — Constanze Meert, dar-me-ia a honra de ser minha por toda a eternidade?