Night Symphony
4 Capítulo 4
Notas iniciais
— Ansgar, vos imploro, não façais isto. Não suportaria se fosse levado de nós. Qual é o significado disto, afinal? — Palavras de minha amada Tilda, que partiram meu coração. Entretanto, não posso negar que minha paciência chegava ao fim, precisava tomar a frente nesta guerra e fiz algo que me arrependo até hoje. — Estou fazendo o que nunca teríeis coragem de fazer. Protegei nosso filho e ficai segura. — Fui ríspido com a mulher que jurei amar e respeitar até o último dia, e para que?
Um desejo súbito de sangue e vitória dominou-me, aquele ser maligno informou-me que assim seria, roguei que o céu cinzento desse-me forças e minhas presas dolorosamente mostrassem-se e penetrassem a carne de meus inimigos. Pelo canto de olho, vi que minha esposa e filho observavam-me aterrorizados, nunca haviam visto semelhante monstro, nunca presenciaram nada parecido com aquilo, e eu preferia que assim continuasse. Agora nada mais importava, estava pronto para arrancar a cabeça daqueles seres odiosos se assim fosse preciso e cada segundo valeria a pena, não fosse a visão que acabara de ter.
Minha Tilda, meu Elric, banhados em sangue. Aqueles homens podres sabiam que minha família era minha fraqueza e tiraram vantagem em minha distração. Os filhos da noite completavam minha missão. Jurei vingança e vingança alcancei, no entanto, vingança não os trouxe de volta.
Meu coração tornou-se negro, assim como minha alma. Jamais sentiria outra vez, até que conheci Constanze. Ela me fez sentir-me vivo novamente, me fez ter razões para sorrir — mesmo que sejam sorrisos de escárnio. Embora eu creia que nada disso adiantou, já que ela tem tão errada ideia de mim. De qualquer jeito, isso não surpreende-me, já que sou tão obscuro quanto o inferno.
Eu sou um monstro.
Destruo quem mais amo.
Fui desperto de minhas lembranças por uma batida na porta, e quem mais podia ser, a não ser meu fiel amigo Art? Provavelmente veio trazer-me notícias de Ustrich, país vizinho que nos fornece equipamento bélico. — Ora Art, não esperava ninguém. O que se passa? — Pela expressão do velho mordomo, pude perceber que era disto que se tratava. — Sir Sindre Askeland, Milord.
Askeland... Ele e eu não tínhamos muitas afinidades, mas como líder que sou, sabia que era melhor deixar as diferenças de lado.
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