— Quero mostrar-te uma coisa, vem comigo. — Ele envolve minha cintura com suas mãos firmes e frias, levando-me a um aposento vermelho escuro com detalhes em dourado. Minha boca entreabre-se e meus olhos brilham, assim como os dele, antes quase sem vida e seus lábios... Tomam uma coloração vermelha viva que eu nunca havia visto. Sem tirar as mãos de mim, ele aproxima seus lábios de meu ouvido e sussurra, provocando-me um arrepio imenso. — Esse é teu novo quarto. E essa, — Abre os braços dramaticamente. — É tua nova casa.

Não pude evitar o sorriso nervoso, apavorado que meus lábios desenharam. — Ora, senhor de Arcenaux, só pode estar brincando. — Sorriso que murchou ao perceber que sua expressão continuava serena, petrificada, como se não tivesse entendido uma piada. — Por que acha que estou brincando, senhorita Meert? Há algo de errado com a casa ou com o quarto? Posso fazer as modificações que quiser. — Com um movimento rápido, encosto minha mão em sua boca, arrancando-lhe um olhar confuso. Depois de contemplá-lo e pensar nas possibilidades, apenas uma vinha-me à cabeça; selei seus lábios com um beijo suave, mas que deixava transparecer o que sentia por ele. Logo em seguida, corri o mais rápido que pude.

Sim, sabia que ele pensaria que há a mais distante possibilidade de fazer o que praticamente ordenava, porém não há. Minha família precisa de mim. Por incrível que pareça, não foi difícil passar pelo velho mordomo, sugeri mentalmente que ele e seu senhor estavam tramando algo, com certeza eu estaria em seus domínios novamente, mais cedo do que eu pensava.