Night Symphony
2 Capítulo 2
Cinco meses passaram-se desde minha fuga e estranhamente, o ser sombrio de quem fugi naquela fatídica noite nunca mais deu sinal algum de sua existência. Porém, numa noite — não havia de ser de outra maneira — eis que me vejo novamente à sua frente. Foi rápido demais, não deu tempo nem para respirar, meus joelhos enfraqueceram e então, não me lembro de mais nada.
Depois de um tempo, com dificuldade abri os olhos e tentei ajustar minha visão ao ambiente. Percebi que estava no mesmo cômodo gelado e escuro do qual me afastei há cinco meses — que pareciam uma eternidade — e levantei-me depressa, procurando um modo de sair de lá; porém, não obtive resultado. Retornara aquele que me aprisionou. — Eis que a rebelde retorna ao lar. Minha querida, que saudades eu senti... — Seus braços vinham ao meu encontro, mas meus instintos gritavam para desviar-me. Pensei que esse gesto o enfureceria, no entanto, ele apenas sorriu e cerrou seus olhos. Estava se controlando para não ser grosseiro, tenho certeza. Imediatamente senti-me culpada, mas agora nada adiantava. — Volto mais tarde.
Eu me esforço para ser gentil, tento demonstrar o que sinto por ela. Por que ela age assim?! Esses eram os pensamentos de Lord de Arcenaux, logo que ele adentrou seu escritório. Será que nada que fizesse surtiria efeito? Será que ele teria que passar sua existência sem a mulher que ama? Não, isso ele não permitiria. — Lord de Arcenaux? — Palavras de Art, o mordomo, por quem Ansgar nutria uma enorme consideração e que não podiam vir em pior hora. — Que é? — O aristocrata perguntava, seu rosto mergulhado nas mãos. — A senhorita Meert, senhor. — Será que algo ocorreu a ela? Terá ela fugido novamente? — Art, houve algo com ela? — O mordomo balançou a cabeça negativamente. — Quer falar com Vossa Excelência.
Sem dúvidas Ansgar não estava esperando aquilo, e levantou-se depressa, pedindo que a deixasse entrar. Art imediatamente o fez e a figura assustada e pálida de Constanze pôs-se à porta, iluminada pela vela que o velho trazia. — Milady. É uma surpresa, devo admitir, tê-la neste recinto... — Senhorita Meert simplesmente o silenciou. — Desejo lhe pedir perdão, Milord. Fui imatura e insensível. — Constanze estava de joelhos, algo que ela jamais havia feito, nem mesmo para seus pais — que Deus os tenha — Ansgar, num gesto rápido a levantou e a fez olhá-lo, manteve seus braços sob controle enquanto pronunciava um discurso com a respiração ofegante. — Pelos céus, senhorita... Não deve ajoelhar-se perante mim, eu é que devia fazê-lo! E o faria mais de mil vezes se assim fosse necessário.
Pelo tecido fino do vestido de Constanze era possível ver marcas dos dedos de Ansgar, tamanha era a força que ele aplicava em tão delicada carne, porém não era isso que a inquietou; ela estava preocupada com sua liberdade e com o sentimento que crescia em seu peito toda vez que o aristocrata pousava seu olhar sobre ela. Poderia ela ter os dois? Liberdade e a afeição de Arcenaux? Ele seria capaz de deixá-la livre? A donzela que o fez sentir outra vez... O semblante atemorizado de Constanze o acordou do transe em que se encontrava e então tomou coragem de fazer a única coisa que almejava desde que a viu pela primeira vez.
Afrouxando suas mãos nos braços da garota, sem soltá-los e a rodeou até parar logo atrás de sua... presa? Como quiserem chamá-la, caros leitores. Uma mão descansou no ombro quente e pequeno e ali ele depositou um leve beijo; levou dois dedos até a jugular de sua amada, fazendo uma pequena pressão, neste ponto seus olhos já haviam tomado uma coloração escarlate que denunciava a sede e a necessidade que possuía pelo sangue de Constanze. E então, permitindo que suas presas se mostrassem, as mesmas foram mergulhadas na pele alva e convidativa, inocente e intrigante e pôde assim experimentar o sangue mais puro que o mais fino vinho.
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