Palavras, lembranças, tormentos, tudo isso e muito mais habitava minha mente, e sou uma prisioneira eterna da mesma. A cada minuto que se passava, eu tinha a certeza que precisava sair de lá o mais rápido possível, embora eu esteja ciente dos problemas que isso causaria. Lord de Arcenaux é um nobre, um cavalheiro, mas isso não o impedia de passar-se por um monstro, sanguinário filho da noite — minha avó sempre falava sobre os "filhos da noite" e da doce canção que produzem. Batidas na grande porta de mogno fazem-me saltar, e corro abri-la, pensava ser outra pessoa. — Pois não? — Era Graf, se não me engano, um dos criados do nobre senhor desse castelo. — Peço perdão por incomodá-la, senhorita, vim trazer teu jantar. — Um sorriso involuntário desenhou-se em meus lábios ao ver a simplicidade do pequeno homem. — Não há problemas, dê-me aqui, — Com cuidado tomei a bandeja de suas mãos calejadas e a coloquei sobre a mesa de madeira escura. — Obrigada, Graf! — Estava prestes a fechar a porta, quando ele abriu a boca para dizer algo. — Sei que a senhorita deve estar com medo, ou ressentida com o mestre, mas apesar da monstruosidade aparente e do modo como age às vezes, ele é um bom homem. — E, com um sorriso, recolheu-se. Como eu queria acreditá-lo, Graf...

Nem havia me dado conta do quanto estava faminta! Porém, ainda sentia um vazio dentro de mim, que nenhum alimento poderia suprir. Não sei dizer se era saudades de casa ou pior, saudades de Arcenaux. Não há um só momento em que eu não me repreenda por minhas atitudes, mas não pude conter-me, era apenas o que aparentava; talvez eu seja demasiadamente atenta às aparências. Deixei estes pensamentos de lado e tratei de despir-me; enquanto a renda abraçava meu corpo, ouvi novamente batidas na porta e, imediatamente fui abri-la. Qual não foi minha surpresa quando à minha frente vejo o excelentíssimo Lord de Arcenaux, olhando-me como se fosse devorar-me a qualquer momento, lábios entreabertos e mãos atrás de si. Por um instante pareceu desconfortável, e perguntou-me se podia entrar; sem pensar, permiti.

Seus passos eram lentos, calculados, passos de um predador encurralando sua presa, passos que me despertavam os instintos mais pecaminosos, passos que arrastavam-me para as sombras. Finalmente estava ele atrás de mim, sua respiração em meu ouvido, podia ouvi-lo sorrir ferozmente e oh... Aquilo excitava-me de tal maneira que me entregaria agora e pra sempre; Suas mãos faziam seu caminho por minha cintura e arranhavam levemente minhas costas, deixei escapar um gemido um pouco alto e disse-lhe, com um tom de voz quase inaudível. — Lord de Arcenaux, esses são modos de entrar nos aposentos de uma dama?