Night Secrets.
8 Fúria.
Notas iniciais
Todos conversavam animados à minha volta e eu mal conseguia prestar atenção no que diziam. Sentia agonia toda vez que me perguntavam algo ou quando ela tocava-me na frente de todos. Beijou-me o rosto e fiz força para não retorcê-lo em uma expressão enojada. Não conseguia mais, tinha que dar um basta nisso.
Levantei dando uma desculpa educada e me encaminhei para o banheiro. No meio do caminho percebi que alguém me seguia “Deus, que não seja ela!”, continuei a passos firmes e logo entrei no local olhando para trás com surpresa quando notei um movimento da maçaneta “ Não acredito que ela vai entrar aqui!”, pensei até ver que estava errado, era apenas outro rapaz.
Parecia um armário, alto e loiro, braços fortes e ombros largos, encarou-me de cima a baixo para depois ir até o fundo do local se aliviar. Fingi arrumar meu cabelo diante do espelho, não iria abaixar minha calça até o brutamonte sair dali. Aproximou-se da pia, lavou as mãos e passou ao meu lado pegando toalhas para secá-las.
Notei um olhar malicioso no reflexo do espelho. Preferia não ter visto e fingi não notar. Tomei meu celular em mãos e fingi que iria ligar para alguém. Ele refez o caminho passando atrás de mim e em um movimento rápido colou o corpo ao meu.
Estremeci ficando completamente estático em seguida. Murmurei um “Com licença” e tentei me retirar. Em vão. Segurou-me, uma mão no meu pescoço, uma na barra da minha camisa, tentou levantá-la.
Sussurrou em um tom que ele deveria achar que era sensual, algo como “Até que para um homem você é bem gostoso...” Senti nojo. Ameacei gritar e ele tampou-me a boca com força, esfregando-se contra minhas costas. Disse que no fim eu iria gostar.
Em um movimento meio desajeitado pela posição e pelo fato de que eu me debatia insistente, tentou abrir minha calça. Aproveitei o momento e tentei fugir, senti um puxão realmente forte nos cabelos, havia enlaçado os curtos fios do meu pequeno moicano em uma mão e com a outra puxou meu corpo de volta a si.
Fechei os olhos e desejei morrer. Não gostava de homens como todos achavam, talvez apenas um ou outro, excessões. Justo naquele momento aquele que era minha maior excessão irrompeu pela porta chamando-me, provavelmente havia notado a minha demora e veio ver se eu estava passando mal.
O que vi naqueles orbes castanhos ao se depararem com aquela cena foi algo que eu rezo para nunca mais ter que presenciar. Ódio, tão grande e poderoso que parecia triplicar-lhe as forças.
Sentir-me ser solto e com um baque surdo o meu agressor cair sobre o chão do local. Bastava um, apenas um soco. Mas não para Tom. Ele socou-lhe até desfigurá-lo, não dando nem ao menos tempo de reação, parecia um animal furioso.
Tentei puxar-lhe quando percebi que estava batendo a cabeça do corpo inerte sobre o piso claro, manchando-o de sangue. Não queria parar, gritava para que eu me afastasse, alguém em breve ouviria. Em uma última tentativa abracei-me desajeitado ao seu tórax e com toda a minha pouca força o afastei. Sujei-me com o sangue que estavam em suas mãos, segurei-lhe o rosto transtornado implorando que voltasse a si.
Tranquei a porta enquanto tentava amenizar o estrago de nossas roupas, retiramos os casacos. Saímos do local, fomos até a mesa e pagamos nossa conta. Nos despedimos com a desculpa de que eu estava enjoado, recusei a companhia de minha namorada. Saímos do restaurante para a noite fria sem saber se o deixamos vivo ou não, não tive coragem para fazê-lo e para Tom nada disso importava. Eu havia saído ileso afinal.
Notas finais
Bjs ;*
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