Nicole Jeans redefine Jonas príncipe-
2 Capítulo 2- O vestido
Notas iniciais
Se as notícias que dona Antonieta trouxera eram verdades o príncipe Jonas e o rei e rainha de Jibravta estavam chegando a Sungril hoje, véspera de natal, minha festa preferida. Minha família se reunia na casa dos meus avós maternos, gostava desse clima de união, fraternidade, mas meu pai e minha mãe sempre relembravam o principal motivo de existir o natal,o grande acontecimento para nós comemorarmos, foi o nascimento de Jesus Cristo.
─ Nick, Nick ─ minha irmã entrou saltitante no quarto ─ papai está chamando todos na sala para dar um aviso.
A porta do meu quarto ficava em um corredor que dava direto na sala. Dei um pulo da cama e em dez segundos já estava na sala, minha casa não era grande. Meu pai estava em pé ao lado da mamãe, o semblante era triste, minha vó estava sentada na cadeira de balanço olhando para o porta retrato do vovô na mesinha ao seu lado, meus irmãos Julius e Peter estavam sentados no sofá, enquanto me esperavam; sentei no braço do sofá, já Elize deu um pulo no colo do Julius.
─ meus queridos, eu e sua mãe recebemos essa carta há 3 dias, demoramos para contar a vocês porque não sabemos o que nos espera. A família real está chegando hoje à nossa província, mas mandaram cartas antes para nos preparar sobre o anúncio que será feito ─ meu pai pausou, seus olhos já não seguraram as lágrimas, minha mãe o abraçava de lado, tentando trazer um conforto que só ela era capaz ─ a carta dizia que os homens da família se preparassem porque os mensageiros do rei ouviram rumores de que a aliança progressista estava armando um ataque aos países da aliança libertária.
Meu pai desabou, ele caiu de joelhos, minha mãe já não o consolava, mas chorava junto com ele. Minha vó continuou sem expressão, parecia ter entrado em choque, meus irmãos colocaram a mão na cabeça, se entreolharam, o Julius abraçou forte a Eliza, e eu não tive nenhuma reação, como a vovó eu achava que ia impludir, muitas sensações percorriam minha mente e meu corpo, só não conseguia externar.
Em meio aos soluços meu pai continuou ─ ainda não acabou, todos os homens deverão se alistar ─ ele direcionou seu olhar que estava nos meus irmãos agora para mim ─ e as garotas entre 17 e 25 anos de famílias de classe média baixa deverão ir servir no palácio, já que poucos homens estarão fazendo a guarda e a maioria estará no campo, tentando afastar o mais longe possível a guerra da capital.
Eu já não pensava mais em nada, não consegui digerir todas aquelas informações. Já não bastava meu pai e meus irmãos irem para a guerra, meu país entrará novamente em batalha, e nesse momento desesperador eu não poderei estar ao lado da minha família, no colo da minha mãe, recebendo o abraço protetor do meu pai, no afago da minha avó e protegendo o meu solzinho, elize. Nessa hora eu só percebi que estava chorando quando olhei para meu vestido que estava molhado com alguns pingos.
─ Pai, olha, vai ficar tudo bem com a gente, eu, o senhor e o Peter vamos ficar bem, vamos cuidar um do outro, vamos voltar vivos e vitoriosos─ meu irmão Julius tinha puxado essa confiança, coragem do meu pai ─ e quanto à Nick estará segura no palácio, não deixaremos o conflito chegar lá.
─ filhos, sei que vocês são corajosos, destemidos, mas era para eu estar lá só, não vocês, eu que devia proteger minha família.
─ o que me deixa revoltado é saber que os da nobreza não serão abalados em nada com essa guerra ─ Peter falou bufando.
─ vamos esperar o pronunciamento oficial, depois da libertação dos escravos nosso país tem avançado, mesmo que lentamente, mas há esperança, não sabemos quando, mas um dia chegaremos todos a sermos iguais ─ minha mãe sempre com uma palavra de conforto.
Desde que a carta chegou meus pais não nos deixaram sair de casa, agora entendo que eles não queriam que a gente soubesse pelos comentários das pessoas, mas queriam nos contar pessoalmente as notícias.
─ e pra terminar todas as famílias da província de Sungril foram convocadas para passar natal no Castelo Real de verão ─ a família real tinha sempre um “palacete” em cada província quando faziam suas visitas.
─ não acredito pai! ─ quase gritei, faltava mais alguma coisa para piorar? Esse natal seria talvez nossa última reunião de família juntos antes da guerra.
***
Depois da reunião infeliz que meu pai fez a casa parecia está morta no natal, as luzes pareciam não brilhar, as casas não tocavam músicas e as ruas estavam vazias.
Já era de tarde quando mamãe chamou minhas irmãs e eu para irmos no seu quarto.
─ Filhas, sei que todos estão muito tristes com os acontecimentos, sei o quanto vocês queriam ir para a casa do vovô Leonardo e vovó Júlia, ano que vem iremos, só não iremos esse ano está bem? ─ Minha mãe conseguia mesmo nos fazer acreditar que no ano que vem poderíamos estar juntos.
─ mãe, eu queria tanto ver todos meus primos, tios, o vô, a vó... ─ Eliza falou fazendo biquinho.
─ eu sei filha, mas dessa vez não vai dar, mas... tenho uma surpresa para vocês! ─ minha mãe falou tentando abrir um sorriso.
Eliza subiu seu olhar curioso ─ qual mãe?─
minha mãe abriu seu guarda roupa e tirou dois vestidos lindos, um amarelo mais curto, com uma saia rodada, um véu alaranjado fazendo um “V” invertido, um caimento lindo, parecia está sendo iluminado pelos raios de sol. O outro era maior, era branco com prata, a coisa mais linda que já tinha visto na vida, com manga longa de renda, com abertura nas costas que o deixava sensual, a renda ficava na parte de cima, até o pescoço, e sua saia aberta me lembrava uma bailarina.
Mamãe nos vendo boquiabertas estendeu logo o amarelo para Eliza e o branco para mim.
─ o que isso significa mamãe? ─ eu não estava pensando direito ultimamente.
─ para o baile Nick. Fiz esses vestidos para vocês desde que seu pai recebeu a carta, foi um milagre ter conseguido terminar ─ realmente foi um milagre, minha mãe aproveitou a folga, achei que estivesse trabalhando em algo para um dinheiro extra, mas ela sacrificou esse tempo pra fazer esses vestidos deslumbrantes.
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