Newho:Escolhidos do Destino
1 Ordinary can became amazing
Notas iniciais
Ordinary can became amazing
Prologo
Calor. Nenhuma palavra explica melhor a minha volta pra casa naquele dia. O ônibus estava lotado e eu tinha cedido meu lugar para um senhor cheio de bolsas. Uma menina levantou atrás de mim e, com uma certa agilidade, me sentei. Faltavam três pontos para o meu mas depois de um dia inteiro na ANCH (Academia Brasileira de Ciências Humanas) alguns minutos sentado são uma vitória. Minha mochila estava quase vazia. Só levei ela porque tenho um certo nervoso de não ir a escola de mochila. Hoje o dia foi repleto de palestras sobre robótica e foram tão chatas que só de lembrar já bocejo. Sexta eu tenho prova de Matemática e ainda não estudei. Na verdade é bem provavel que eu não estude. Estudo em tempo integral e amanhã tem mais palestras, quinta tenho aula de reconhecimento externo (minha turma vai a UFF ver o campus de Psicologia e como faço Psicanálise é bom pra mim) e sexta já é a prova. Meu ponto já era esse e quase passei direto. Num pulo puxei o sinal e desci rápido. Subindo a rua já me pus a procurar a chave do portão. Dezessete anos e só recebi a chave de casa a poucos meses. Sempre vi minha mãe muito minuciosa comigo, como se tivesse medo do que eu ia me tornar quando crescer. Empurrei o portão que, com o vento, fechou sozinho. O terreno é dividido em duas casas: a do meu avô, na frente e a minha, atrás obviamente. Temos tentado ter mais contato com meu avô desde a morte da minha avó. Eles estavam fazendo quarenta e cinco anos e ela era tudo que ele tinha. Sempre fomos mais próximos da minha avó. Quando queríamos a ajuda dele era "Vó, pede pro meu avô..." e agora tentamos nos aproximar.
Abença, vô. -Gritei na janela do quarto dele. Mesmo longe, provavelmente no banheiro, escutei a voz do meu avô: "Deus te abençoe".
Sempre achei a palavra "Deus" errada de alguma maneira. Era como se falassem "o céu é verde".
Entrei em casa e fui para a cozinha, beber alguma coisa. Meu padastro brincava com meu irmão mais novo na sala. Meu pai sumiu quando eu tinha três anos e, as vezes, acho quê é por isso a preocupação exacerbada da minha mãe porém, de tempos pra cá, acho que é algo mais.
Entrei no quarto e joguei a mochila no vão entre o guarda roupa e a porta, tirei o uniforme, peguei uma cueca no armário e, enrolado na toalha, fui ao banheiro. Coloquei a toalha e a cueca sobre o vaso sanitário e me olhei no espelho. Meu cabelo estava começando a crescer demais, preto e cacheado, meus olhos, sempre claros e vividos, estavam fundos e cansados, e minhas veias dos braços ficavam muito ressaltadas. Fiquei alguns segundos olhando a marca de nascença que tenho no torax. Algo como a cara de um lobo. Minha mãe me disse que meu pai tem uma igual. Na verdade, ela diz que somos muito parecidos em tudo. É nesses momentos que eu mais sinto ela preocupada mas omitindo o porque.Tomei uma ducha quente e, sem comer nada, cai na cama.
O sono chegou rápido.
Eu estava correndo no topo de um prédio. Quanto mais perto da beirada mas eu acelerava. Eu queria parar mas só podia observar. Na minha mão direita tinha uma chave, antiga e pesada. Tenho que proteger a chave deles. Cheguei ao parapeito e saltei alto. No ar, me transformei numa criatura. Um homem cão. Antes de perder altitude eu pude ter um vislumbre da paisagem e descobri onde estava. Pude ver claramente os contornos do Taj Mahal. Eu estava na Índia. O choque contra o chão foi barulhento mas por sorte não tinha ninguem para me ver. Tão rápido quanto virei criatura, virei gente de novo. Eles estavam atrás de mim. Já tenho a chave então posso voltar pra casa. Um forte vento me arremessou na parede do fundo de um beco vazio. Assim que me recompus e virei vi eles: Um homem alto e forte, com cabelos e olho roxos que carregava uma adaga brilhante e uma mulher de cabelos azuis de óculos escuro. Me levantei num pulo e minhas unhas alongaram, como garras. Garras que desci pelo rosto do homem, antes que ele pudesse sacar a adaga, com um corte profundo e firme. Ia ficar pra sempre. Da adaga saiu uma luz que me arremessou de volta a parede.
-Jaxer... O que você fez? -A voz saia de minha boca mas não era minha, mesmo assim era uma voz familiar.
-Não se preocupe, velho amigo. Seus poderes só estão adormecidos. -Ele se aproximou e pegou a chave do chão. -Obrigado pela chave, e não se preocupe. Vai viver pra quando a hora do seu filho chegar. Qual nome dele? Andrew? -Ele levantou o pé e me golpeou na face.
Acordei respirando pesado. Sentia a pulsação do sangue no meu pescoço e o suor frio na minha pele. Minha garganta doía como se eu tivesse gritado alto.
-Andrew o que foi? -Minha mãe perguntou preocupada, passando pela porta do meu quarto.
-Foi só um pesadelo, mãe. Fica tranqüila. Vou voltar a dormir.
Me virei mas não queria dormir. Era meu pai. Minha hora de que? Eu não sei mas eu não queria dormir.
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