Notas iniciais
Vamos lá gente, curtam e mandem mensagens. Várias pessoas leram mas quase sem retorno

Gênesis

Capítulo um

Segurando na traseira de um caminhão e sem deixar o skate tremer, fui descendo a rua da escola. Eu tinha que entrar na escola as sete horas e já eram sete e dez.

Quando cheguei na frente da escola, pulei do skate e pegando ele do chão, corri pra a entrada. Noite passada tive um pesadelo e só fui voltar a dormir às quatro da madrugada, logo, tive dificuldades pra acordar.

No quadro de aviso estava indicando que a palestra de matemática empresarial ja tinha começado no auditório.

Joguei o skate um pouco a frente e subi nele. Com duas remadas tive impulso de chegar do outro lado do pátio, ouvindo a repreensão do supervisor.

Peguei o skate e entrei no auditório. Mandy me mandou uma mensagem dizendo que estava no fundo direito. Esperei até meus olhos se acostumarem com a escuridão e fui na direção dela.

–Demorou. Onde você estava? -Ela sussurrou pra mim.

–Tive um pesadelo horrível. Voltei a dormir só quatro horas... Ele falou algo útil? -Fiz gesto indicando o palestrante que no momento falava sobre algo relacionado a contabilidade.

–Nada com nada. Não entendo o porque disso.

–Cade os meninos? -Perguntei, curioso.

–Bruce está triste por causa daquela idiota e o Rick, você sab...

A professora que cuidava da supervisão chamou nossa atenção e disse para prestarmos atenção. Afirmamos com a cabeça e ficamos em silêncio.

Amanda era menor que eu, tinha cabelos cumpridos e pretos e o nariz pontudo. Ela era minha melhor amiga desde que entrei no ANCH. Ela, Bruce e Rick. Não entendiamos o porque daquelas palestras. Fazemos psicanálise, uma ciência humana e tinhamos de ficar dois dias vendo palestras de matemática, robótica, mecatrônica. A escola queria mostrar que temos várias áreas pra seguir mas acaba sendo entediante. Mandy pretende seguir publicidade e propaganda, já eu quero continuar com psicanálise. Sempre tive paixão por linguagem corporal. O sub consciente fala muito e nem notamos. O palestrante estava de braços cruzados enquanto o professor de física fazia um comentário aleatório no microfone. Isso indicava, em poucas palavras, que ele não se importava com o que o professor dizia.

Abri minha mochila e tirei meu moletom. Duas coisas que sempre adorei são moletons e tênis. Meu moletom era cinza, parecido com minha calça jeans cinza que eu usava pra escola, e no meio tinha uma lua amarela e uma caixa telefônica, como as inglesas porém azul marinho, no meio. Meu tênis era do mesmo tom de azul.

Botei o capus e, por dentro do casaco, conectei o fone no celular.

Mandy botou a mochila no meu colo e, usando a mesma de travesseiro, se deitou. Eu comecei a acarinhar sua cabeça.

Me peguei pensando, alguns minutos depois nos meninos.

Bruce estava triste desde que a Steph terminou com ele. Ele tem faltado mais aulas que o normal e quando vai, fica quieto e triste. Rick é mais fácil de entender: ele é preguiçoso.

Peguei o celular, tentando não acordar Mandy, mesmo ela tendo um sono pesadíssimo, e mandei uma mensagem pra eles perguntando quando eles viriam pra escola.

Bruce me respondeu quase imediatamente que viria para a palestra de nove horas. O cansaço da falta de sono da noite passada me abateu então pus uma música apropriada e fechei os olhos.

–Qual o nome dele mesmo? Andrew? -A voz era vívida como se fosse ao pé do meu ouvido. Um sussurro.

Acordei num pulo quando alguns alunos que gostaram da palestra aplaudiram. Eu respirava pesado e suava frio. Maldito pesadelo. Mandy acordava devagar, se esforçando para não voltar a dormir. Por sorte ela não notou meu estado. As luzes ascenderam e esperei meus olhos se acostumarem. O auditório é grande. A arquibancada forma um "U" e no meio tem a sala de iluminação. O palco é baixo com quadros e uma mesa para os professores responsáveis. Todos estavam saindo para beber água e se preparar para a próxima palestra.

–Vamos, Mandy... Bruce deve estar procurando a gente.

A escola parecia vazia. Tirando quem veio a palestra tinham sete ou oito pessoas. Fim de ano é assim mesmo.

Bruce estava sentado num banco, semelhante a bancos de praça, ouvindo música. Ele não notou que encaravamos ele. Mandy tirou a camera da mochila (uma kodak z981) e, abaixando um pouco, fotografou Bruce. A foto ficou incrível. Os raios do sol no fundo e as flores da parede da escola mais o contraste do cabelo loiro claro e pele alva com os olhos e o casaco, ambos negros, fizeram essa foto uma das melhores de Mandy. Passamos na frente dele e, quando nos viu, apontei pra cantina.

–Tio me vê um croissant de frango, um guaraná natural e... -Fiz uma pausa esperando o pedido de Mandy.

–Um croissant de frango também. -Entreguei o dinhei!ro e me virei pra Bruce e Mandy.

–Como foi a palestra?

–Dormimos muito.

–Bruce, posso postar? -Mandy mostrou a foto. Nos fins de semana ela trabalhava de fotógrafa em shows, eventos desportivos e coisas assim. As redes sociais sempre são cheias de fotos porque muitas pessoas que contratam procuram pelas redes sociais.

–Pode, ficou muito boa. -O tio da cantina entregou os salgados e meu guaraná.

–Vamos logo pro auditório pra não perder o lugar.

–Pera, cadê o Rick? -Bruce olhou ao redor mas estava estampado na cara dele que não era Rick que ele procurava. Steph. Eu e Mandy nos entreolhamos.

–Daqui a pouco ele chega. Vamos logo.

–Qual a palesta de agora?

–Um maluco lá que vai falar de clonagem. Deve ser aqueles nerds bem nerd. -Falei entre mordidas no salgado.

Entramos no auditório e, no mesmo fundo onde estávamos, achei quatro bancos vazios. Fomos até lá e, usando minha mochila, separei um banco para Rick.

Passaram-se quinze minutos até o começo da palestra. Mandy já estava dormindo de novo, Bruce estava encolhido, com capus e de fone, com seu olhar perdido. O palestrante subiu ao palco e não era nada igual a o que eu pensava. Ele era forte e careca. Os primeiros botões da camisa estavam abertos, deixando um pedaço de uma tatuagem tribal, no começo do pescoço, a mostra. Ele parecia mais um presidiário do quse um cientista. Enquanto um estagiario da escola regulava o microfone o palestrante olhava para a platéia como se procurasse alguém.

–Bom dia. Sou Carlos Eduardo e vou palestrar sobre clonagem.

Em meia hora de palestra tudo que notei foi como o tal Carlos se expressa mal. Ele falava como um robô.

A porta do auditório abriu e pude ver Rick entrando. O palestrante também olhou e seguiu Rick com os olhos até ele sentar ao meu lado.

–Cara estranho. Ficou me olhando. -Rick disse enquanto nos cumprimentava.

–Fala mal pra caramba, nem parece palestrante.

A palestra foi longa e passei grande parte conversando com Rick.

Quando a palestra acabou nós esperamos todos saírem. Mandy estava acordando devagar enquanto Bruce também se recompunha. O tal palestrante ficou na porta do auditório, recebendo perguntas e parabenizações.

Quando vimos poucas pessoas na porta nos levantamos e fomos a porta. O diretor agora falava com o palestrante. Passamos e pude sentir o olhar dele pesado nas nossas costas.

O céu tinha ficado nublado de repente. A fila do almoço já estava gigante. Por ser uma escola de tempo integral, a ANCH dava dois lanches e o almoço.

–Vamos almoçar lá em casa. -Rick disse. Ele morava a dez minutos da escola e era o mais perto pra nós.

–Num posso. Tenho que resolver a aula externa de amanhã. -Mandy era a representante de turma.

–Só vou se o Bruce...

–Vamos logo. -Bruce passou de cabeça baixa e voz chorosa. O motivo era óbvio mas nenhum de nós viu. Olhamos ao redor e Rick chamou nossa atenção. Seguimos seu olhar e vimos Steph com o rosto colado em um menino.

–Vão falar com ele.

Eu e Rick fomos atrás dele. Durante todo o namoro deles eu nunca gostei de como Steph tratava Bruce. Ele fazia o que ela queria sempre. Quando convidavamos ele pra sair bastava um "você vai, Bruce?" dela e ele não ia.

Eu queria dizer que era melhor daquele jeito, que ele ia encontrar alguém melhor ou até que isso ia acontecer cedo ou tarde.

–Estamos aqui. -Foi tudo que consegui dizer, tocando o braço de Bruce.

Daí pra frente a caminhada foi silenciosa. Bruce levantou o rosto mas sua tristeza era evidente. Faltavam três ruas para a de Rick quando entramos numa rua aparentemente vazia mas com as calçadas cheias de carros o que nos forçou a andar pela rua.

–Ei, vocês três. -A voz veio de nossas costas mas pude rapidamente reconhece-la. Nos viramos e o tal palestrante estava parado nos olhando. -Vocês são fortes demais e nem sabem ainda. Me pagaram muito pra matar vocês e sinto muito mas vocês nem vão saber o porque. -De trás de cada carro saiu uma pessoa e fiquei em choque quando notei qie todas as pessoas eram ele. Cópias exatas do tal Carlos Eduardo.

Notas finais
Quero ver o retorno em, seus lindos. Ah mandem mensagem com um nome e um poder, se der encaixar eu boto na história.