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7 Terror! Lilith de Hades.


Notas iniciais
Uma viagem interrompida da pior forma imaginável. O exército da morte toma conta do trem imparável.

Todos os soldados urraram naquele momento, espadas que se ergueram logo pós, suas bocas cadavéricas emitindo uma luz fria e azulada, assim como os seus olhos faziam – exceto pelos grandes esqueletos que possuíam como única luz o vermelho brilhante em suas órbitas oculares vazias. Foi nesse momento que o apito do trem tocou bem alto e ecoou sobre o rio Esmeralda e embora sua velocidade estivesse reduzida, ele não dava nenhum sinal de que iria parar por conta daquela tropa incrivelmente ameaçadora.

VAPT!

Uma flecha havia atravessado através da garganta de um elfo zumbi, atirada pela arqueira Iris que logo estava mudando de vagão. Duas grandes bolas de fogo do tamanho de bolas de praia foram atiradas por dois cajados que saíam das janelas à esquerda da locomotiva, enquanto duas outras de gelo eram atiradas pelos cajados à direita, atingindo uma boa quantidade de soldados que se viram facilmente derrotados. Ao dar uma lenta olhada no que acabara de acontecer, o comandante minotauro empunhou firme sua espada e cortou o ar na direção do trem e quando se pensou que esse havia sido um movimento inútil, um estrondo vindo da barreira invisível que dois magos juntos projetavam no exterior da locomotiva indicava que sem aquela defesa, o golpe daquela espada poderia tê-los arrasado.

Enquanto isso, Elizabeth vasculhava em sua mala a procura de sua espada e quando a encontrou, desembainhou de imediato, fechou e guardou a mala, depois retornou para perto dos quatro magos que cuidavam a defensiva e de outros dois espadachins que no vagão estavam.

–Sabe manejar isso, majestade? – questionou em tom descontraído de voz um dos espadachins. Humano, alto, de cabelos negros e lisos que tocavam-lhe os ombros, vestindo uma camisa branca por baixo de uma calça de couro preta, aparentando ter no máximo vinte e cinco anos com base na escala de idade da Terra.

–Não tão bem quanto você, Balmore, aliás, ao vê-lo aqui agora, sinto-me uma novata em treinamento. – respondeu ela com um sorriso nos lábios.

–Não se sinta assim, majestade. – desembainhou a espada e fincou, através da janela, sua lâmina na boca de um soldado gnomo zumbi que havia saltado na tentativa de invasão – Por mais que eles não sangrem, ainda sinto como se minha lâmina estivesse sendo manchada. – puxou a lâmina e o gnomo, solto, caiu na margem do rio Esmeralda.

O trem finalmente havia chegado em terra firme, estraçalhando todos que estavam em seu caminho e sendo atacado por todos os lados, sendo que em cima dos vagões já se encontrava o comandante.

–Não há como manter a barreira para o trem inteiro nessas condições, majestade! – exclamou um dos magos para Elizabeth.

–Não tem problema. Preocupem-se em nos proteger dos grandões. – referiu-se aos gigantes esqueletos que avançavam.

Os golpes de fogo e gelo dos magos continuavam sem nenhuma pausa. Muitas flechas já haviam sido lançadas pela arqueira Iris e a barreira tinha evitado, por bem mais de uma vez, que os esqueletos gigantes tentassem destruir ou virar o trem. Eles tinham força suficiente para isso. Em cima de um dos vagões estava o minotauro comandante, que logo encontrou seu oponente, um espadachim que subia ali.

–Você não deveria se opor a nós, Balmore. – alertou com sua voz fria e ecoante, apontando a espada na direção do homem já de pé sobre o vagão que por sua vez sorriu labialmente.

–Prefiro morrer a deixar o meu orgulho ser pisoteado pela sua rainha, terceiro comandante das tropas de Hades, Taurus.

–Então você irá morrer! – vociferou o comandante e as espadas de ambos se cruzaram.

No último vagão, os garotos observavam atônitos pelas janelas de ambos os lados. Os espadachins que estavam junto a eles já tinham suas espadas desembainhadas, inclusive Erdhon, o orc, parecia faminto por uma luta e qualquer receio que tivesse tido antes daquele momento já tinha desaparecido por completo. Alex sentiu-se como se estivesse em um filme, era inacreditável tudo aquilo, todos aqueles zumbis que mesmo desengonçados, eram rápidos e consideravelmente fortes. Mas o garoto tinha um sentimento de angústia no peito, pois imaginava se cada um ali estava mesmo agindo por vontade própria ou se era apenas efeito do poder da morte que os controlava. Seria horrível ser controlado assim, pensou, isso faz o meu sangue ferver de raiva, é como se brincassem com suas vidas, como se não fossem nada além de bonecos.

–Alex, tá tudo bem aí, cara? – indagou Yuri com a mão no ombro do amigo que por sua vez estava cerrando os dentes sem nem ao menos se dar conta.

–Hein? Ah, claro, está sim. – mentiu com um falso sorriso – É impressionante, né?

–Não faz ideia do quanto. – juntou-se a ele na mesma janela para observarem – E os magos também são o máximo. Gelo e fogo, eles são incríveis. Também vi algumas flechas que aquela gostosa lançou, ela não erra uma.

–Você se amarrou nela.

–Não vou negar isso. – ambos começaram a rir por alguns segundos, mas logo tornaram a observar a batalha.

Os barulhos vindos do chocar de lâminas cada vez mais constantes indicavam que a batalha entre o espadachim Balmore e o comandante Taurus estava bem acirrada. O homem se movimentava com maestria e tentava investidas perigosas contra a criatura, que por sua vez tinha a vantagem do escudo preso na outra mão e não só bloqueava, como também contra-atacava ferozmente, até que veio o primeiro acerto e uma espécie de sangue bem escuro pingou bastante em cima do vagão, acompanhado de um gemido profundo e ecoante.

–Maldição! – vociferou Taurus que havia sido atingido na costela.

–Ao contrário dos seus soldados, você não é seco, comandante. – comentou ofegante o espadachim – Era só isso que eu queria saber. – em seguida tentou uma perfuração com ambas as mãos empunhando a espada contra o peito esquerdo de seu oponente, mas este reagiu e na barriga o perfurou, fazendo o sangue vermelho do homem se misturar ao seu, com a diferença que esse sangue escorria bem mais.

Balmore havia sido atingido em cheio e impotente contra a dor que tomava conta do seu corpo inteiro, caiu de joelhos perante o inimigo que não mais sentia a necessidade de colocar a mão escudada sobre o ferimento na costela e agora preparava o golpe final.

–Você continua incrivelmente forte, Taurus. Mesmo após a morte. – disse com um fraco sorriso nos lábios que tinham no canto um pouco de sangue escorrendo, dada à gravidade do seu ferimento.

O comandante hesitou por alguns instantes, ainda que estivesse bem atento ao outro e com uma gargalhada, disse:

–Se eu não fosse zumbi e meu corpo não se regenerasse tão rápido, teria sido derrotado pelo grande espadachim Balmore. Adeus, nobre guerreiro! – quando escutou isso, o homem calmamente fechou os olhos, mas não tirou dos seus lábios o sorriso e no segundo seguinte sua cabeça estava liberta do corpo.

Bastou uma investida com a espada para decapita-lo e Taurus, que sorria satisfeito, chutava pra o lado seu corpo morto e assim como a cabeça, este caiu do trem em movimento que já estava a quinhentos metros do rio Esmeralda e tinha pela frente mais esqueletos gigantes à espera. O sangue de Balmore havia sujado a janela do vagão o qual ele protegia e chocada, Elizabeth tapava a boca com a mão, seus olhos arregalados e sua mão trêmula.

–N... Não... Não... – murmurava incrédula, pois aquele que tinha fama por ser um lendário espadachim, havia diante dos seus olhos, tombado perante o terceiro comandante do exército da morte.

Iris, que estava passando naquele vagão, olhou aflita para a rainha de Atena, mas logo respirou fundo e determinada, voltou a patrulhar os outros vagões.

Taurus continuava a andar sobre os vagões, não seria derrubado facilmente pelo movimento do trem, não era um principiante, assim como o seu derrotado inimigo também não era. Mas parou de andar porque novamente alguém subia ali em cima para enfrenta-lo, e se mostrou surpreso ao olhar na direção da cintura dessa pessoa. Uma faixa azul celeste amarrada em um quimono preto que esvoaçava com a ventania, os cabelos brancos e presos em um rabo-de-cavalo e os olhos verdes penetrantes, agora estavam repletos de ódio.

–Não posso acreditar nisso. – começou ele, que parecia fascinado com o que via – Uma rainha. E uma rainha do trono de Atena.

–É a última que verá em sua infeliz existência. – retrucou com a mais absoluta frieza e em seguida começou a andar na direção do seu inimigo, a espada empunhada com uma das mãos que naquele momento não tremiam como há minutos atrás.

–O reino dos doze grandes novamente perderá um de seus soberanos perante o exército da morte! Rainha de Atena, pereça diante de mim!

Taurus partiu para cima de Elizabeth que continuava a andar calmamente em sua direção. Tentou um corte transversal e rápido, mas apenas encontrou o vento e seus olhos não conseguiram acompanhar a esquiva da mulher, que estava no chão e logo usava a sola do pé para acertar com força a barriga dele. Este recuou, meio atordoado, enquanto ela se colocava agilmente de pé e tentava acertá-lo com um corte de baixo para cima, na transversal, em direção ao seu peito, contida pela lâmina do mesmo e acertada na lateral da cabeça pelo escudo de ferro que tinha gravado a figura de uma caveira.

Elizabeth quase caiu do trem, não fosse pela agilidade e incrível resistência para se recuperar a tempo de agarrar-se na janela do vagão. O sangue escorria e manchava um pouco seus cabelos brancos e também a orelha, mas ao invés de entrar, ela tornou a subir e outra vez estava cara a cara com o inimigo. Taurus gargalhava, claramente debochando, mas não teve tempo para fazê-lo por mais tempo quando a mulher começou a desferir sobre ele uma série de golpes com a espada. Seu escudo se mostrou mais necessário naquele momento, até que um solavanco desestabilizou ambos que precisaram deitar e se agarrar no vagão, pois o trem perdia velocidade rapidamente e não demorou até estar totalmente parado sobre os trilhos.

–O que está acontecendo? – indagou ela, incrédula.

Nem mesmo Taurus pareceu entender a princípio a razão daquele acontecimento. Os soldados viram uma ótima oportunidade para invadirem a locomotiva e todos os espadachins entraram em ação, lutando arduamente para protegerem seus espaços e, claro, suas vidas, contra os que já haviam invadido. No grande vagão vazio, sacerdotes bloqueavam todas as possíveis entradas com uma camada luminosa dourada e os druidas cuidavam dos ferimentos que algumas pessoas tiveram devido ao último solavanco.

Iris lançava três flechas por vez nos soldados que partiam em sua direção e ao ver que eles logo se levantavam, começou a usar flechas de gelo, que quando os acertasse, congelasse completamente seus corpos apodrecidos.

Do lado de fora, os soldados que cercavam a frente do trem iam abrindo passagem para que uma única entidade transitasse livremente. Mostravam-se extremamente respeitosos, aqueles que usavam lança fincavam-nas no solo e os de espada, as erguiam, em diagonal para cima. Um quimono preto, que tinha na cintura uma faixa de cor preta amarrada, um manto cinza escuro cobrindo o seu corpo esbelto, nele a figura de uma caveira clara com uma coroa negra em cima, mas não dava para ver completamente, visto que os longos e lisos cabelos loiros atrapalhavam. Seus olhos eram azuis bem claros e havia uma sombra bem escura ao redor deles, contrastando com a pele clara como a neve. Os lábios estavam rosados, clarinhos, por pouco não poderiam ser distinguidos por causa da cor tão próxima a pele. Sua expressão era a mais indiferente imaginável, como se não possuísse nenhuma emoção e a mais próxima, era tão fria quanto os corações dos seus soldados, pois esta era a descendente do lorde lendário Hades, aquela que ninguém na locomotiva, exceto talvez pelos garotos, queriam ver. Lilith, A Predadora.

Quando os olhos de Elizabeth conseguiram encontrar a figura que tão bem conhecia, ficaram arregalados. Seu corpo inteirou foi invadido por um profundo, frio e cortante pavor. Taurus se levantou e no descuido da mulher, tocou levemente em sua nuca com o punho da espada. No instante seguinte, ela sentiu como se seu corpo inteiro estivesse sendo agarrado, impedindo-a de se mover quase que completamente, exceto do pescoço pra cima.

–Me deixa em paz, desgraçado! – vociferou alto e ao longe, os olhos de Lilith focalizaram a mulher.

Alex e Yuri deixaram o último vagão – sendo praguejados por Erdhon que era contra aquela atitude – porque não conseguiam ver direito dali e seguiam em direção ao grande vagão vazio, mas se depararam com soldados zumbis e espadachins travando batalhas brutais, onde sangue espirrava e manchava ao redor – sangue dos espadachins, pois aqueles soldados eram secos.

–O que vamos fazer? – questionou-se Yuri, desorientado.

–Olha ali. – apontou Alex para o corpo de um gnomo espadachim assassinado que carregava consigo duas afiadas espadas.

Os garotos se aproximaram da criatura e pedindo desculpas, tomaram do gnomo suas espadas, cada um ficando com uma.

–É pesada. – disse Yuri que vorazmente cortou a cabeça do soldado que tentou ataca-lo, deixando o amigo impressionado – Mas eu gostei. – sorriu maliciosamente.

–Como, demônios, você sabe manusear algo que nunca sequer pegou antes? – indignou-se e no instante seguinte viu-se na necessidade de esquivar agilmente de outro soldado, ágil demais, constatou Yuri, e contra-atacou o soldado de modo que outra cabeça fosse arrancada.

–Me diz você! Como caralhos desviou desse ataque? Eu jurava que morreria. Ainda bem que não, mas cara! Que maluquice! – retrucou freneticamente, sentindo o coração bater na garganta com o temor de que pudesse ter visto Alex ser gravemente ferido.

–Não faço ideia. – murmurou enquanto olhava para a espada que empunhava – Foi algo tão natural na hora, mas quando penso um pouco, foi loucura. Talvez... Talvez estejamos despertando as habilidades que temos como descendentes.

–Ah é? Pois eu acho melhor a minha acordar logo de uma vez ou vamos acabar mortos na droga desse trem! Yah! – gritou Yuri enquanto cortava a cabeça de outro soldado – Vem, zumbi dos infernos! Agora o bicho vai pegar!

Os garotos começaram a lutar com os zumbis que apareciam e o barulho incessante de cruzares das espadas se misturava com os dos outros vagões. Porém, sem que pudesse evitar, Alex foi atingido com uma perfuração no peito direito e não demorou a cair de joelhos no chão, sangrando. Ao ver isso, Yuri berrou e enfurecido, cortou violentamente o soldado pela metade, chutando suas partes para longe. Abaixou-se perto do amigo, assustado e desesperado, vendo o sangue encharcar seu quimono preto e ouvindo-o gemer de dor.

–Alex! Alex! Não faz isso comigo, cara! Alex! – chamou com absoluta urgência e depois olhou na direção onde ficava o grande vagão vazio, ainda que não desse para vê-lo e gritou – Alguém! Me ajuda aqui! Depressa!

Iris, que acabara de chegar ao vagão, arregalou os olhos com o que viu e antes de partir às pressas em direção ao vagão vazio, somente disse:

–Vou buscar ajuda, vossa majestade. Já volto!

Yuri assentiu e tornou a olhar o amigo, que estava para ficar inconsciente no chão. Então ele levantou sua cabeça até um ângulo onde pudesse facilitar sua respiração e manteve-se a segurá-lo dessa maneira.

–Vai ficar tudo bem, cara. Você vai ver. Vai ficar tudo bem.

Do lado de fora, Elizabeth estava deitada de bruços no chão rochoso, não conseguia se mexer e tampouco continuar a lutar contra Taurus, que estava ao seu lado e aguardava ansiosamente a aproximação de Lilith. Esta, por sua vez, caminhava a passos lentos, sem qualquer expressão no rosto, exceto pelo olhar frio que lançava sobre a recém-capturada.

–Vossa majestade, eis aqui a rainha de Atena. – declarou Taurus após reverenciar a já próxima mulher.

Elizabeth sentiu como se todo o terror que seu corpo e alma pudessem ser capazes de sentir, estivesse naquele momento ao limite e até além. Tremia e respirava aceleradamente, sem conseguir pensar em nada, pois sua mente estava travada apenas no medo. Lilith parou de andar quando ficou cerca de dois metros próxima da capturada e nada disse, nem mesmo ao comandante, que estava cabisbaixo em sua reverência.

–O que pretende, Lilith? – questionou Elizabeth, sua voz tremendo e entrecortando, mas sem conseguir encarar aquela que com os olhos azuis celestes a encarava.

Erguendo o braço para o lado, a descendente de Hades começou a emitir através da mão uma luz bem semelhante aquela que saía das bocas e dos buracos dos olhos de seus soldados, um frio azul que começou a ganhar forma, até se transformar completamente em uma espada. Em seguida, pela primeira vez falou e com uma voz que apesar de não ecoar, era gélida, ordenou:

–Estendam os braços dela sobre o chão!

Dois soldados seguraram ambos os braços de Elizabeth e estenderam-nos sobre o chão, na direção daquela que os ordenara. Em seguida, Lilith pisou – revelando uma bota preta camuflada com o que parecia pele de urso polar – em cima da mão esquerda da mulher, que gemeu alto com a dor que sentiu, mas isso não foi comparado ao ato seguinte, quando a espada recém conjurada foi cravada em sua mão direita e dessa vez, um grito extremo ecoou por todo o local, enquanto o sangue escorria no chão.

–Vossa majestade Lilith, é como deve me chamar, maldita. – quase que sussurrou essas palavras, sua voz tomada pelo mais frio tom de desprezo.

Yuri, assim como todos, escutou o grito e rapidamente olhou através da janela, ficando chocado com a cena que presenciou. Não conhecia aquela mulher loira, mas conhecia a que estava caída e ferida no chão, acabando por ficar completamente incrédulo e incrivelmente desesperado. Sentiu como se sua alma fosse completamente esvaziada e tudo o que pensasse em fazer tivesse uma inutilidade do tamanho daquela locomotiva parada. Voltou-se para Alex, que estava sendo atendido por um gnomo que emitia das pequeninas mãos uma luz verde sobre o peito já exposto – havia rasgado aquela região do quimono – de Alex.

–Mais uma rainha miserável que assume o trono de Atena. Terá o mesmo destino que a sua desprezível irmã teve. – disse Lilith, erguendo para o alto a espada e com a intenção de cortar a cabeça de Elizabeth, começou a descê-la, enquanto a mulher no chão chorava de dor e tristeza, suas lágrimas se misturando ao sangue vindo do ferimento da mão direita.

–Ora, ora...

Lilith parou instantaneamente ao escutar aquela voz masculina. Seus olhos, por segundos, se arregalaram, ainda que permanecesse olhando para baixo e os soldados abriram espaço para alguém passar. Um homem alto, loiro, vestindo uma camisa preta com a estampa da banda Metallica, calça cinza e tênis preto, se aproximava calmamente com as mãos nos bolsos. Tinha uma expressão de absoluta tranquilidade e um vestígio de cinismo no olhar, autoconfiante o bastante para que sequer olhasse os soldados a sua volta, focava apenas nas mulheres que estavam logo adiante.

–Eu não faria isso se fosse você. – continuou assim que ficou parado próximo a elas.

–Você... – Lilith, agora, o olhava notavelmente surpresa e deixou de pisar na mão esquerda da rainha de Atena quando continuou a falar – Pensei que tivesse orgulho o bastante para não pisar novamente neste mundo. Mas uma vez motivo de vergonha, sempre motivo de vergonha, não é mesmo... Bruce, descendente de Ares? Veio proteger o seu querido filho?

–As notícias correm mesmo. Pelo visto a Capital não é a única que monitora a estrada das dimensões. Apesar de que... Não me viram passar, não é? – sorriu cinicamente.

–Impertinente. Não interfira naquilo que não é de sua conta!

–Está enganada. Você está ameaçando a vida da minha amiga. – olhou para Elizabeth, que em estado de choque, sequer havia notado sua presença ou qualquer outra coisa – Isso está me irritando, sabe?! É melhor não me deixar irritado tendo consigo somente a terceira divisão do seu exército.

No segundo seguinte, Bruce estava atrás de Taurus, com as mãos nos bolsos e este, por sua vez, deitou no chão e partiu-se ao meio da cintura até o crânio, completamente aniquilado. Lilith encarou friamente o homem e foi a única, entre todos, que conseguiu acompanhar todo o processo dessa rápida execução.

–Vai precisar de outro comandante. – zombou com um sorriso que deixava claro as semelhanças com seu filho Yuri – E então, Lilith? O que vai ser? Você parte em retirada ou eu seguro a barra até o rei Richard chegar? – olhou a mulher de canto, completamente desafiador.