New World Madness – Interativa
8 O homem de cartola
Notas iniciais
O que começou com um beijo e com mãos bobas, se tornou algo bem mais profundo. Nossos corpos moviam-se intensamente naquela deliciosa dança, cada toque, cada carícia e cada beijo era tão envolvente que não conseguíamos parar. Não me lembro quanto tempo demorou para que nossos uniformes já não estivessem mais em nossos corpos, mas sei que não me arrependo de acabarmos daquela maneira. Foi um ótimo dia para primeiras vezes. Primeira namorada, primeiro beijo e primeira transa em uma só tarde. Tudo estava bem, até o momento que chegamos ao ápice. Ela repousou a cabeça em meu peito, e foi aí que senti aquele líquido quente escorrer em minhas costelas. Não, não é o que você pensa. Na verdade ela estava chorando. Será que não consegui satisfazê-la?
— O que foi, Kate?
— Desculpa. Por favor, me ajuda, me salva..
Seu clamor era um sussurro doloroso. Sua voz demonstrava uma mescla de medo e desespero. Não sabia o que estava acontecendo mas tinha certeza que não era nada bom. Ela vestiu o uniforme e decidi fazer o mesmo. Pensei no que falar mas não tive tempo, por que naquele momento as coisas começaram a fazer sentido. Foi em questão de segundos. No pescoço de Kate surgiu uma espécie de coleira, que estava ligada por uma corrente. Ela foi puxada brutalmente para o meio de mata, e eu a observei gritar por socorro mais uma vez. Sem pensar duas vezes fui atrás dela. Acabei por parar em um campo aberto, estava fora dos limites e a barreira protetora da academia acabava ali. Continuei indo atrás de Kate que ainda foi arrastada por mais uns metros, até parar aos pés daquela poltrona. Nela estava sentado um homem de cartola, com roupas dignas de velhinhos e uma espécie de cajado em mãos. Mas minha surpresa veio quando o tal homem levantou e pude ver seu rosto.
— P-PAI?!
O homem riu alto enquanto eu ainda estava em choque. Ele era idêntico a meu pai, o que me fez ficar completamente confuso.
— Ora, ora, ora. Se não é o pequeno David Wilkerson. Mas não, eu não sou seu pai, apesar que este corpo um dia já foi dele. Meu nome é Drake, rei e soberano dos Darak e consequentemente dos Reverse.
Ele se sentou novamente. Kate estava em silêncio no chão, seu corpo tinha machucados e arranhões por conta de ter sido arrastada. Não entendia muito bem o por que de tudo aquilo, a confusão estava estampada em meu rosto.
— Olhando para esse seu semblante posso adivinhar que não lhe contaram nada. Como imaginei, a diretora Lins não teria coragem de lhe dizer o que aconteceu naquele dia.
— E o que aconteceu?!
— Ah, então você quer saber? Terei prazer em contar. Nós, Darak, vivemos no mundo sombrio. Infelizmente não podemos sair de lá facilmente, e quando uma pequena fissura se abre quando um de vocês desperta, apenas um de nós pode passar. Mas naquele dia um dos nossos absorveu um Crow com um dom que tanto queríamos: O dom da hiper-dimensão. Com esse dom poderíamos abrir um portal para cá e depois para Terra. Tudo estava indo como o planejado, e começamos a abrir o portal para Lafren. Foi aí que seus pais apareceram. Sua mãe, deu a vida para selar o portal, e seu pai sacrificou-se para nos impedir de detê-la. Eu, como rei, obviamente absorvi seu pai e tcharam! Me tornei o Reverse mais poderoso. O infelizmente estamos presos no mundo sombrio mais uma vez, mas logo isso acabará.
— Se-Seu maldito!
Meu sangue fervia em minhas veias, queria arrancar a cabeça dele é estava prestes a fazer isso. Mas então meu corpo começou a pesar e cai de joelhos. O que estava acontecendo? Drake riu mais uma vez.
— Parece que Kate fez o trabalho direitinho. Deixe-me lhe falar sobre o dom dela: Succubus. Ela suga a energia de qualquer ser ao tocar em alguém. No seu caso, foi ainda mais intenso!
—D-Desculpa David. E-Eu..!
— Calada!
Drake acertou o rosto dela como cajado, o que me fez juntar o resto de minhas forças e avançar contra ele. Uma atitude que logo me arrependi de ter tomado. Com um movimento de seu cajado ele lançou uma espécie de corte utilizando o ar. Segundos depois, eu estava caído ao chão gritando de dor, enquanto meu braço esquerdo estava caído ao lado de meu corpo. Sim, ele arrancou meu braço. E a dor que eu sinto nesse momento é agoniante e intensa.
— Vai me dizer que não é um dom maravilhoso, David? Controlar o ar dessa maneira é simplesmente fenomenal!
Então esse era o dom de meu pai. Queria poder fazer algo, mas eu estou tão frio.. Perdi muito sangue.. Não posso morrer aqui.
— Ora, David! Não vá morrer tão rápido! Ainda quero te ver sofrer mais um pouco, assim como seu pai.
É, meu pai. Ele se sacrificou por nós, por mim. Antes de morrer, posso fazer o mesmo. Me sacrificar por alguém. Como meu último ato, estiquei meu braço direito e usei minhas últimas forças para lançar aquele raio, que atingiu em cheio a corrente, a destruindo. Kate correu assim que a soltei. Que bom. Drake se levantou com raiva e começou a chutar meu estômago, o que me fez cuspir mais do pouco sangue que ainda resta em meu corpo.
— Você e sua família com essa mania maldita de ser herói! Você não é um herói David, e nunca será! Tsc.
Estava perdendo a consciência, mas pude ver Drake se afastando e desaparecendo. Também pude ver Kate voltando com dois garotos. Eles se aproximaram e pude ver Kate chorando.
— Me ajuda aqui, Jhonatam!
— E o que acha que estou fazendo, Aiden?!
Antes que eu pudesse pensar em falar algo, tudo ficou escuro e eu apaguei.
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