Notas iniciais
Esse capítulo é basicamente o que diz o titulo. Achei necessário após ver os comentários do último capítulo. Espero que gostem!

Quando acordei desejei que tudo não passasse de um sonho, ou melhor, de um pesadelo. Ver o corpo de meu pai não foi fácil para mim, e descobrir a verdade daquela maneira realmente me deixou um pouco abalado. Dentre todas as coisas que me aconteceram naquela tarde a pior delas eu só me lembrei quando me sentei naquela cama da enfermaria; Eu perdi meu braço esquerdo. Me envolveram com faixas, mas a dor ainda me incomoda. Olhando bem ao redor notei que ao meu lado sentada em uma cadeira estava Kate, ela dormia toda torta e seu rosto avermelhado indicava que ela chorou por horas. Isso me fez lembrar que ela me deve explicações, assim que ela acordar irei perguntar algumas coisas. Suspirei pesadamente e deitei novamente. Eu devia saber que tudo estava bom demais para alguém como eu, que só me dou mal. Eu não escolhi essa vida, eu não escolhi passar pelo que passei, eu não escolhi nada. Mas, pensando bem, acho que está na hora de escolher. Sinceramente minha vontade é de tacar o foda-se e sair por ai vagando sem rumo. Mas isso seria fugir das responsabilidades e eu sempre fiz isso. Mas não dessa vez. Está na hora de mudar, de se tornar forte, de crescer. Sempre estive preso ao passado, mas isso vai mudar hoje.

Enquanto eu viajava em meus pensamentos Kate acordou, e rapidamente se jogou sobre mim pedindo milhões de desculpas.

— Desculpa! Desculpa! Me perdoa David!

Aquilo estava me incomodando. Não gosto de choro, chorar não muda nada. Aprendi isso ao perder meus pais.

— Tá bom, agora engole o choro.

— E-Eu entendo se não quiser mais ser meu namorado e..

— Do que você está falando? Se eu não quisesse, você não estaria aqui. — Ela sorriu. Mas antes que ela pudesse me agarrar eu logo perguntei. — Outra coisa que quero é que você me explique é: como você se tornou escrava daquele ser?

Ela hesitou por uns segundos, até que se deitou ao meu lado e começou a falar.

— Eu nasci em uma família pobre, e para ajudar, meu pai me abandonou com minha mãe quando eu tinha apenas dois anos.. O problema é que minha mãe não me amava, ela me via como uma praga que acabou com seu casamento. Eu cresci apanhando e ouvindo reclamações, mas tudo isso mudou quando eu fiz quinze anos. Estavamos precisando de dinheiro e por isso minha mãe me obrigou a fazer programas. Eu já estava desanimada da vida e acabei aceitando a realidade. Só que quando eu me deitei com o primeiro cara meu dom veio a tona. Sim, eu o matei. Suguei toda a energia vital dele. Foi aí que Drake apareceu. Eu estava com medo, em pânico, sem saber o que fazer e ele me ofereceu ajuda. Na hora aceitei, mas me arrependi assim que chegamos ao castelo dele. Bem, acho que não preciso falar o que aconteceu lá... Por último, ele me mandou pra cá. Ele mandou eu encontrar você e fazer o que fiz.. e foi isso.

A história dela mexeu comigo. Dei um beijo em sua testa e repousei sua cabeça em meu ombro. Quem diria que a mulher durona que me obrigou a namorar com ela teria um passado sofrido. Passamos algumas horas ali conversando assuntos aleatórios, até que o médico da academia chegou e me deu alta. Despedi Kate antes de ir para meu quarto, não era permitido mulheres no dormitório mssculino e não estou afim de arrumar mais problemas. Assim que entrei em meus aposentos notei que minhas coisas chegaram. Roupas, objetos e algumas outras coisas que tinha em meu antigo quarto na Terra estavam ali. Resolvi tirar o resto do dia para organizar minhas coisas e depois descansar. Amanhã vou dar início ao meu plano.

Notas finais
Spoiler: No próximo capítulo, um novo lema surgirá: Um por todos, e todos por um!