Notas iniciais
Boa leitura! :3

Hanamiya’s POV on

Um mês. Estamos vivendo juntos há exatamente um mês. Tudo tem corrido bem até agora, exceto por uma briga onde Akashi insistia em dizer que Kiyoshi respirou o ar dele e quase o furou com uma tesoura. Tentei levar esse acontecimento da forma mais normal possível e ignorei. Após isso, Kise mudou de quarto com Kiyoshi e não tivemos mais problemas.

Neste exato momento, estou eu terminando de fazer o café enquanto presencio uma nova briguinha infantil, dessa vez entre Kise, Kiyoshi e claro, aquele que não poderia faltar, Midorima.

— Midocchi, me empresta! – Kise estica os braços para tentar pegar o lobo de pelúcia na mão do outro e este o para, apoiando sua mão livre na face do loiro. – Por favor!

— Claro que não, idiota. – afirmou Midorima desviando o lobo da mão de Kiyoshi, que também tentava “roubá-lo”. – Este é o item da sorte de hoje, suas mãos o contaminarão.

— Eu passo álcool em gel! – gritou Kise com os braços para cima e um sorriso vitorioso no rosto. Eu não acredito no que ouvi... E para que esse escândalo?

— Não!

— Midorima! Por favor, nós só queremos ver! – agora era Kiyoshi quem tentava persuadi-lo. – Depois te devolvemos.

— Não! Eu disse que não! Será que é difícil para voc... – antes que ele pudesse terminar sua frase, aproveitei o momento de distração e peguei o bicho de pelúcia de suas mãos, entregando-o a Kiyoshi. – Por que você fez isso?!

— Porque vocês me irritam! Essa gritaria logo de manhã me deixa com dor de cabeça! – respondi e voltei para a perto da pia, pegando a garrafa de café e levando-a até a mesa. – Cadê o Abacaxi?

— É Akashi. – corrigiu Kise que mexia no lobo junto a Kiyoshi.

— Que seja. – afirmei sem interesse e sentei-me a mesa. – Onde ele está? Não vai tomar café?

— Não, ele disse que não está se sentindo muito bem hoje e que só comeria uma fruta.

— Hum... Tudo bem.

Assim seguiu o café da manhã, algumas briguinhas e reclamações da parte de todos, mas como sempre, no final deu tudo certo.

Terminei meu café e tomei um banho rápido, como havíamos começado às aulas a pouco tempo, ninguém queria deixar uma impressão ruim se atrasando.

O turno de aulas seria o matutino, ainda estávamos em adaptação e começar com força total não ajudaria a ninguém, então, poderíamos sair juntos de casa e voltar juntos também. O carro do Kise já havia chegado e segundo o próprio, tinha algum tempo desde a última vez que este fora ligado, ou seja, teríamos que ir mais cedo para verificar a disponibilidade do veículo.

Saímos. Conforme todos esperavam, o carro estava pegando. Agradeci mentalmente por isso, eu nunca fui de reclamar por ter que andar a pé, não é sempre que tenho um carro a meu dispor, mas hoje não estou com nenhuma vontade. Enfim, com o carro verificado, só tínhamos um problema... Quem irá dirigir?

— Midocchi! – disse Kise animadamente. – Quero ver o Midocchi dirigindo!

— Eu não vou dirigir. – Midorima respondeu da forma habitual. – Decidam entre si quem irá dirigir, escolham qualquer um, menos o Makoto.

— Oe, por que não eu? – perguntei arqueando uma sobrancelha e me fingindo ofendido. – Vai dizer que não confia em mim, Midorima?

— Exatamente, então não deixaria um carro comigo dentro em suas mãos. – respondeu de forma direta e continuou. – Se não quer dirigir Kise, peça que Kiyoshi ou Akashi façam isso por você.

— Akashi?! Tá louco?! – retrucou Kiyoshi assustado. – Prefiro deixar nas mãos do Hanamiya.

— O que disse Teppei? – o ruivo perguntou no mesmo tom seco de sempre. Cara estranho.

— Nada, nadinha. – Kiyoshi respondeu de imediato dando um sorriso sem graça, que mais parecia medo do que simpatia.

Desde que foi ameaçado com uma tesoura, Kiyoshi passou a ter cuidado ao falar com Akashi. Não sei o motivo, mas ele parece ter medo daquele baixinho estranho. Bem, concordo que ele assusta um pouco, mas nada terrível, então não tem motivo para ter medo.

Após alguns minutos de discussões chegamos a um consenso e o escolhido para dirigir foi Kiyoshi. Não foi escolhido, na verdade, ele se ofereceu, já que começaria uma nova briga entre Midorima e Kise se não aparecesse um motorista.

Chegando aos prédios da universidade, teríamos que nos separar. Akashi e eu ficamos no mesmo prédio, Kiyoshi e Midorima também, e apenas Kise foi para uma sala afastada. Marcamos um ponto de encontro e todos voltariam juntos para casa ao término das aulas.

***

Comparado aos meus primeiros dias de aula anteriores, neste sinto como se eu tivesse passado pelo céu. Tudo correu bem e quando estava indo para o ponto de encontro, encontrei Akashi, andamos juntos e em silêncio todo o percurso. Agradeço por ter sido ele, se fosse Kise ou Kiyoshi estaria puxando papo agora.

— Makocchi! Akashicchi! Que bom que vocês chegaram! – afirmou Kise me abraçando. – Já estava ficando triste e me sentindo sozinho!

— Kise, se não quiser perder um dente é bom me soltar.

— Makocchi, deixa de ser chato! – choramingou ele. – Vocês todos têm companhia para ir até a sala, eu sou o único que não!

— Eu agradeceria se estivesse no seu lugar! – retruquei. – São só algumas horas, poderia não deixar sua chatice aumentar nesse curto período de tempo?!

— Makocchi, que cruel!

Enquanto Kise continuava tentando me abraçar e eu tentava me soltar, vimos ao longe Kiyoshi e Midorima vindo em nossa direção.

— Oi pessoal! – falou Kiyoshi sorridente.

— Kiyocchi! – gritou Kise me largando e abraçando Kiyoshi. Obrigado Kiyoshi. – Como estão sendo seus primeiros dias? Legais? Você está gostando?

— Sim, estou gostando. – afirmou Kiyoshi sorridente. Ele tem muita paciência, admiro isso. – E os de vocês?

— Normais. – respondeu Midorima. – Vamos embora? Meu pai me ligou dizendo que gostaria de me encontrar hoje após a aula, ele tem assuntos a tratar com o reitor e se encontra em sua sala, precisarei passar por lá antes de voltarmos para casa. Alguma objeção?

— Você vai dirigir. – eu falei e recebi o olhar surpreso de Kise, que me lançou um sorriso malicioso. Ele entendeu o recado. – Ninguém aqui é seu motorista, se tem que ir a algum lugar diferente, dirija você mesmo.

— Mas... – ele tentou falar.

— Isso! Midocchi dirige! – confirmou Kise interrompendo o outro.

***

Finalmente. Depois de termos que ouvir uma palestra sobre o efeito emocional que a obrigação de dirigir naquele momento causaria a Midorima, conseguimos colocá-lo no carro. Ele estava no banco do motorista e Kiyoshi no do carona, ele auxiliaria o outro, era o único com paciência e vontade para isso. Nós três ficamos no banco de trás, eu atrás de Kiyoshi, Kise no meio e Akashi atrás de Midorima.

O percurso até a sala da reitoria foi normal. Não sei o motivo pelo qual Midorima tem medo de dirigir, ele dirige bem e não tivemos nenhum problema no trajeto.

Ao chegar ao prédio, avistei alguns seguranças e disse que era melhor ficarmos no carro esperando Midorima conversar com seu pai. Ele saiu dizendo que não demoraria e realmente não demorou, poucos minutos depois já estava de volta, sentado ao banco do motorista por livre e espontânea vontade.

— Olha, parece que evoluímos! – brinquei tentando provocá-lo.

— É melhor ficar quieto se não quiser voltar a pé para casa. – retrucou ele. – Já estou muito estressado por ter que dirigir, não me provoque.

— Ui! Vamos logo então, senhor estressado.

— Você tem algum compromisso agora à tarde Makocchi? – Kise perguntou.

— Sim.

— Huuuuum, posso saber qual? – perguntou novamente, desta vez olhando-me de forma sugestiva.

— É... – fiz uma pausa. – Não!

— Makocchi!

— Calem a boca os dois, eu preciso de concentração para fazer isso.

— Pelo amor de Deus, é só dirigir!

— O loiro aqui é o Kise, era para você conseguir fazer duas coisas ao mesmo tempo.

— Eeei, que cruel Akashicchi!

Brincadeiras a parte, Midorima deu partida no carro e voltaríamos pelo mesmo caminho de onde viemos, quando Kise soltou a seguinte frase:

— Eu conheço um atalho para o apartamento!

— Atalho? – Kiyoshi perguntou.

— Sim, meu amigo estudou aqui e disse que por trás do prédio da reitoria tem uma estrada que dá na parte traseira daquela lanchonete onde tomamos café outro dia. – afirmou empolgado. – Deveríamos ir por lá!

— Não me parece uma boa ideia Kise. – falei pensando na possibilidade daquilo dar certo.

— Claro que é, Makocchi! – protestou ele. – Vamos por lá Midocchi! O que de mau poderia acontecer?!

***

Kise desgraçado. Estamos perdidos.

— Acho que nos perdemos. – choramingou Kise, me abraçando de novo. – Faz alguma coisa Makocchi!

— Cala a boca, idiota! – o empurrei. – Foi você quem fez isso! Eu falei que não era uma boa ideia!

— Mas eu não sabia que isso ia acontecer!

— Vocês podem ficar quietos para eu poder pensar? – Midorima falou levando a mão ao queixo. Eu vou arrebentar esse idiota!

— Agora você vai pensar né?! – reclamei. – Por que não pensou antes de obedecer a esse idiota?!

— Makoto, reclamar não vai adiantar!

— Pessoal, pensem pelo lado bom, pelo menos não estamos a pé. – Kiyoshi falou tentando nos acalmar. Acho que ele tem razão, vou me acalmar.

Quase no mesmo momento que ele disse isso o carro fez um barulho estranho e o motor desligou liberando uma enorme quantidade de fumaça. Ai minha puta que pariu, não pode ser!

— Boca maldita!

— Acho que agora estamos a pé. – disse Kiyoshi sem graça.

Agora que o pouco de paciência que me restava havia acabado, eu decidi sair do carro. Estava muito quente lá dentro.

— Aonde vai Makocchi? – perguntou Kise saindo junto comigo e sendo seguido pelos outros, menos Akashi, que continuou dentro do carro mexendo em seu celular.

— Está muito quente.

Eu precisava voltar para casa logo, tinha um compromisso durante a tarde e não poderia faltá-lo.

— Gente, acho que o carro está sem água. – falou Kiyoshi, que havia aberto o capô e mexia em algo lá dentro desviando-se da fumaça que ainda insistia em sair. – Kise, tem água em algum lugar por aí?

— No carro? – perguntou o loiro pensativo. – Acho que não.

— Então... Acho que teremos que empurrar... – disse Kiyoshi desanimado. Ótimo, empurrar para onde?

— Empurrar pra onde? Estamos perdidos, esqueceu? – eu perguntei.

— Empurrem, eu guiarei. – afirmou Midorima.

— Oe, qual parte do “estamos perdidos” você não entendeu?!

Então, ignorando totalmente a minha presença, Kiyoshi e Kise começaram a empurrar o carro, enquanto Midorima controlava o volante. Akashi ainda mexia em seu celular.

— Era só o que me faltava, ficar perdido no meio do nada! – frisei a última palavra e continuei. – Ainda por cima com um idiota do Pikachu, um idiota... Idiota! Um idiota fofinho e um idiota psicopata! – terminei meu “desabafo” e fui para ajudá-los.

— Makoto... O idiota fofin... – Kiyoshi começou a falar.

— Não pergunte! – rebati antes que ele pudesse terminar a frase e recebi olhares confusos. Não quero falar sobre essa questão. Não agora.

Enquanto empurrávamos o carro refazendo o trajeto de onde viemos, Akashi disse que havia encontrado o caminho enquanto mexia em seu GPS e seguindo as orientações dele – enquanto empurrávamos o carro – conseguimos chegar ao apartamento. Claro, todos sujos e suados.

Teria que correr e me arrumar para meu compromisso. Droga! Odeio me atrasar.

***

— Kise, tome um banho antes de deitar na minha cama! Você está imundo! – reclamei ao sair do banheiro e ver Kise mergulho em minha cama. – Ou melhor, não deite aí nem tomado banho! Você tem a sua cama!

— É só graxa Makocchi! – ele e Kiyoshi, que estava em sua cama, riram. – Não faz mal.

— Mas suja então, saia daí! – falei puxando o lençol enquanto empurrava o folgado para o chão.

— Makocchi! – ele reclamou ao cair. – Que malvado!

— Makoto, dê um desconto, Kise está cansado. – riu Kiyoshi.

— Isso, eu estou cansado!

— Então vá descansar em outro lugar! – afirmei empurrando Kise com um dos pés. – E eu já falei, sua área é Educação Física, não Direito, pare de defendê-lo!

— Não fique com ciúmes, quando for preciso te defendo também! – Kiyoshi respondeu sorrindo e senti um estranho esquentar em minhas bochechas. – É porque o Kise é o mais injustiçado aqui.

— C-cala a boca! – rebati no mesmo instante. Não sei o motivo, mas... Eu estava estranhamente nervoso. – Não preciso que ninguém me defenda... E não estou com ciúmes!

— Makocchi, não seja mal, Kiyocchi só quer nos ajudar! – falou Kise encostando-se a parede. – Onde você vai? Àquela hora não me respondeu.

— Respondi. – sorri sarcasticamente. – Não é da sua conta.

Peguei um casaco e saí do quarto, ainda a tempo de ouvir uma última reclamação do loiro idiota.

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! ^^