Notas iniciais
Boa leitura! ^^

Midorima’s POV on

Quatro dias se passaram e já é sexta-feira, ainda sinto um leve cheiro de fumaça em meu cabelo, às vezes penso estar sentindo a substância lançada pela cabeça do Kise quando o mesmo resolve pensar, mas logo me dou conta que é realmente o fedor daquele carro nojento. Foi realmente uma bela estreia, com direito até a fumaça na cara e graxa na roupa, gostava tanto daquele cardigan azul marinho. Como se não bastasse, ainda tenho que me preocupar com as broncas e ordens do meu pai, ele realmente pensa que devo me hospedar no apartamento do chato do filho do presidente, aquele sem sal e metido.

Ficar se lamentando não resolveria nada, afinal ninguém é médico sem estudar. Levantei-me da cama, vesti meu roupão e fui tomar café, até porque daqui a pouco terei que partir para mais uma incrível jornada utilizando a banheira do Kise.

— Bom dia Midorimacchi! — me desejou Kise com aquele mesmo entusiasmo de sempre.

— Bom. — desejei somente por educação, apesar de crer que isto não mudará em nada no dia dele. — Seu carro já foi revisado?

— Sim, o mecânico disse que está tudo ok agora.

— Onde está o restante do bando? — perguntei, afinal sempre tomávamos café juntos.

— Kiyoshicchi foi comprar pão, Akashicchi fazendo suas maluquices de sempre e o Makotocchi não sei.

— Como assim não sabe? Você sempre sabe tudo.

— Penso que ele não tenha dormido aqui, se dormiu, arrumou muito as coisas e saiu bem cedo.

— Isso é bom, que ele se encontre com as meninas fora deste apartamento. Aqui é um lugar de respeito e não vou permitir pornografia!

— Ou com os meninos. — afirmou Kise. Eu realmente não tinha a ideia que o Makoto era desses, afinal não aparentava ser. — Cadê sua namorada Midocchi? Nunca a encontrei.

— Não é possível ver coisas que não existe meu caro, tenho muitos problemas para pensar em arrumar mais um.

— Por que você não vira padre? Padres são legais.

— Claro, amanhã entrarei para o seminário.

— Sério Midocchi?! — perguntou a anta boquiaberta.

— Mas é claro, que não.

Quando fechei a boca, eis que o Kiyoshi abriu a porta trazendo consigo os pães, um bolo de laranja e uma revista sobre jogos.

— Bom dia Midorima! — disse Kiyoshi com um sorriso tão grande que quase me engoliu.

— Bom. — desejei com uma animação de morte.

— Olha o que eu trouxe para você, eu sei que você gosta de bolo de laranja então comprei para te dar. — disse me oferecendo o bolo.

— Esse bolo é muito bom! Muito obrigado. — agradeci com um leve sorriso, afinal Kiyoshi havia realmente me agradado, tudo é bom quando o dia começa com o bolo de laranja da padaria da esquina.

A porta se abriu novamente e desta vez foi o Makoto quem entrou.

— Vocês acordados há esta hora? —perguntou já sabendo a resposta.

— Imagine que todos estão dormindo e que tudo isto é apenas uma visão sua. — afirmei ironicamente.

— Idiota. — disse tentando me ofender e correndo para o quarto.

— Oh, Makoto chegou com o espírito do Usain Bolt! — afirmou Kiyoshi sorridente.

— Bolt é o nome da bota que ele está usando? — perguntou Kise.

— É sim Kise, agora encha sua boca com pão e fique em silêncio. — disse tentando amenizar a pergunta idiota.

— Na ausência do Makoto quem fez o café? — perguntei.

— Eu. — afirmou Kiyoshi. — Está bom?

— Desce um pouco quadrado, mas desce.

— Tá gostoso, docinho, docinho. — disse Kise falando enquanto mastigava.

— Fiz antes de sair para buscar o pão, sei que vocês gostam de café fresco e não poderia deixá-los beber o de ontem.

— Penso que terei que chamar o estranho do Akashi para tomar café. — afirmei enquanto levantava para ir ao quarto do mesmo.

***

— Oh, nossa que situação! — quando abri a porta do quarto me deparei com uma figura de cabelo vermelho totalmente nu.

— Isto que dá entrar sem bater. — afirmou Akashi já vestindo a cueca enquanto eu estava me virando de costas.

— Seu indecente, isto que dar vir fazer uma boa ação e chamá-lo para tomar café. Da próxima vez você passará fome seu ingrato.

— Agora quer que eu peça desculpas por você abrir sem bater? — Akashi ironizou.

— Não, só quero um pouco de respeito. De onde eu vim não costumamos cumprimentar os outros com este troço de fora. Ande, vamos tomar café e vê se lava esta mão.

Sai do quarto e retomei ao meu lugar a mesa, Kiyoshi e Kise estavam tão distraídos conversando que nem perceberam o ocorrido. Falavam sobre tijolos, só eles mesmos que se interessam por isso a esta hora da manhã. Pouco tempo depois eis que Makoto sai do quarto já arrumado para ir à aula.

— Onde você estava mocinho? — perguntou Kise com uma mão na cintura e a outra erguendo sua caneca, não sei o porquê disso, só sei que o chão não tem culpa e não merece ser molhando por consequência da ação do mesmo.

— O galo está doente, então tive que sair e ir fazer o trabalho dele. — respondeu Makoto ironicamente.

— Onde estava? — perguntei com um pouco mais de severidade.

— Tive que resolver alguns problemas agora cedo. — respondeu agora deixando sua ironia e ficando com um pouco de nervosismo.

— Suponho que tudo abriu mais cedo só para te atender a esta hora. Pensa que somos idiotas? Pensa que não sei que não dormiu em casa? Só preciso de uma explicação convincente para não perder o pouco de confiança que tenho em ti. — afirmei com mais severidade ainda.

Makoto tremeu, pela primeira vez vi o rapaz hesitando em responder alguma coisa, parecia pensar muito bem antes de pronunciar qualquer palavra. Penso que algo estranho está acontecendo e preciso descobrir o que é.

— O Makoto está com a mesma cor desta xícara. — afirmou Kiyoshi levantando uma xícara branca com uma rosa estampada. — Coma alguma coisa, parece sentir fome.

— Vou comer, preciso me apressar e ir correndo para a aula. — disse Makoto já passando margarina no pão.

— Não vai esperar e ir conosco? — perguntei.

— É Makocchi espere! Desta vez o Midocchi irá fazer altas manobras com o carro, vai ser legal. — disse Kise simulando estar com as mãos em um volante.

— Não, realmente preciso ir. — Makoto pegou o pão e saiu rapidamente pela porta, imagino que ficar sozinho conosco no carro após o ocorrido seria muito difícil para ele.

— A mulher dele deve estar parindo. — disse Akashi debochando enquanto saía do quarto e vinha em minha direção oferecendo um aperto de mão.

— Dispenso seu cumprimento. — afirmei ignorando a ação do pervertido. — Coma rápido, enquanto vou me arrumar. — já estava me levantando para ir tomar banho quando Akashi me interceptou e falou em meu ouvido.

— Não diga isso a ninguém, pegará mal para você. — disse em tom de segredo.

— Me solte, não costumo falar sobre coisas pequenas. Coisas bem pequenas! — afirmei e sai para meu quarto ainda ouvindo a conversa.

— Midorimacchi só costuma dizer coisas grandiosas, coisas volumosas. — afirmou Kise inocentemente sem saber sobre o que falávamos. — Um verdadeiro sábio.

Consegui ouvir o som dos risos do Akashi, era estranho, nunca havia ouvido algo tão bizarro em toda minha vida.

— Que bicho mordeu o Makoto? — questionou Kiyoshi. — Me preocupo com o que possa estar acontecendo com ele.

— Acho que ele deve ter brigado com a namorada, ou com o namorado, fico confuso às vezes. — disse Kise. — Ouvi dizer na faculdade que o Makocchi está namorando três de uma vez só.

— Quem disse isso? — perguntei em voz alta chegando o rosto para fora do quarto.

— Estava conversando com uma menina, mas não faço ideia do nome dela. — Kise respondeu.

— Descubra e eu te dou um pirulito. — Akashi propôs de forma maléfica.

— Um pelo nome e outro pela notícia, que tal?

— Fechado, mas só depois de me dizer os dois. — Akashi que sempre pareceu neutro começava a entrar na história.

— Deixe-no em paz, caso contrário conto esta proposta a ele. — disse Kiyoshi mostrando certa revolta que sumiu quando Akashi tirou uma tesoura do bolso e cortou uma linha que saía de sua blusa. — Quero dizer, ele não está fazendo mal a ninguém, então pare de perturbá-lo. — falou em um tom mais ameno.

— Te dou uma barra de chocolate se você descobrir esta informação Kise, se for ainda hoje te dou duas. — Akashi não levou fé nas palavras de Kiyoshi e aumentou a oferta.

— Já chega! — Kiyoshi se levantou dando um murro na mesa. — Se quiser se distrair faça isto com outra pessoa, não envolvam o Makoto no meio disso.

Após ouvir isto logo corri do quarto e fui tentar impedir a discussão, mas falhei.

— Está com ciúmes? — Akashi provocou dizendo. — Pena que o Makoto não está nem ai para você.

Estas palavras soaram cruéis, mas foram caladas com um soco que o Kiyoshi deu no rosto de Akashi, este por sua vez não aguentou e caiu ao chão. Quando o ruivo enfiou a mão no bolso para apanhar a tesoura eu intervi.

— Parem, aqui não é um campo de batalha! Akashi guarde esta tesoura! — após dizer o mesmo guardou. — Kiyoshi você foi longe demais, não quero que isso se repita!

— Desculpe Midorima, não consegui me controlar. — ele pediu mudando seu olhar de ira para um reflexivo. — Me desculpe.

— Este infeliz me machucou. — afirmou Akashi se levantando com a mão no rosto e partindo para cima de Kiyoshi, mas Kise o impediu segurando-o pelo braço.

— Não se atreva a continuar com isso! — afirmei olhando para ele. — Acho melhor faltarmos aula nesta manhã, não vou enfiar os dois no mesmo carro. — Akashi, lembre-se do que conversamos aquele dia, não quero ouvir a voz dos dois.

Finalmente tudo se acalmou, pedi para que o Kiyoshi fosse para o quarto com Kise e que o Akashi ficasse longe dele, pelo menos por hoje. Já que perdi as aulas matutinas, vou me preparar para as aulas de segunda. Creio que um dia de sossego neste lugar seja impossível e eu ainda nem consegui tirar o cheiro de fumaça do meu lindo cabelo, preciso ir urgente a um cabeleireiro.

Tomei banho, fiquei em meu quarto estudando e mais ou menos após duas horas ouvi um riso histérico vindo do quarto do Kiyoshi e fui verificar o que era.

— Que palhaçada é esta? — perguntei tentando receber alguma explicação, mas logo vi o porquê, Kise usava uma blusa na cabeça e um lençol como saia. — Kise, o que é isso?

— Kise, o que é isso? — ele me imitou afinando a voz.

—Já chega. Kiyoshi o que está acontecendo aqui?

— O Kise está imitando a garçonete do bar da praça, ele imita direitinho.

— Ele realmente leva jeito para isso. — afirmei ironicamente.

— Sim. — afirmou o próprio e após um tempinho... — Ei, não levo não! Tá pensando que sou o que, hein? — o deixei no vácuo.

— E quando vocês a conheceram? — perguntei me sentando na ponta da cama do Kiyoshi.

— Ontem no final da manhã, Kise entrou lá querendo comprar doces. — respondeu ele e logo mudou a postura alegre, para uma mais séria. — Sobre o que aconteceu hoje...

— Não acontecerá novamente. — o interrompi. — Sua vida não me interessa, mas quero nos livre de algumas demonstrações de afetividade.

Acabei sendo um pouco grosseiro, mas ele precisava saber disso. A conversa foi interrompida por mais uma batida de porta, esta manhã a porta foi uma das protagonistas. Logo me dei conta do regresso de Makoto e corri para a sala com intuito de evitar o contato do mesmo com Akashi. Não precisei me preocupar mais quando vi que o Menino Problema havia saído, não pretendo perder meu tempo encarando e questionando o Makoto, então voltei para os meus estudos e o ignorei até o final do dia.

Não houve jantar, afinal o café da tarde foi muito reforçado e todos estavam sem fome. Com tudo calmo resolvi me deitar e tentar relaxar um pouco. Uma leve chuva se iniciava e o som das gotas caindo sobre telhado me agradava muito, tudo muito tranquilo até que ouvi um estrondo assustador de um raio e a luz piscou rapidamente. Já não me bastasse o barulho eis que um ser loiro pula em cima de mim e se esconde debaixo do cobertor.

— O que você está fazendo Kise?! — perguntei me levantando da cama com o susto que levei.

— Um raio! Me protege! Me protege! — Kise estava encolhido no colchão de tanto medo, este tremia muito e fique sem saber o que fazer.

— Somos os únicos acordados?

— Sim. — ele respondeu trêmulo demais chegando a gaguejar.

— Apesar de todos terem acordado com o barulho, se quiser pode dormir aqui no meu quarto.

— Sério? Sério mesmo Midocchi? — perguntou surpresa e dando um suspiro de alívio, após ver que assenti.

— Sim, mas na outra cama. Vá lá vai. — quando acabei de falar ele saiu correndo e foi pegar seu travesseiro e cobertor e se deitou na cama. Eu me deitei na minha, coloquei o óculos no criado-mudo e me ajeitei para dormir.

— Midocchi.

— O que foi Kise?

— Por que você se faz de durão às vezes?

— Não sei, só ajo naturalmente.

— Você é tão legal, é uma pena que as pessoas pensam o contrário.

— Terei que ir embora daqui. — terminado pude reparar que Kise havia se levantado da cama e agora me olhava.

— Mas, por quê?

— Meu pai quer que eu more com o filho do presidente, aquele gordinho metido a besta.

— Mas você não vai, né? Diga que não, por favor!

— Não sei ainda sobre o que irá acontecer, mas o mais certo é que a qualquer hora o reitor anuncie a minha mudança de prédio.

O jovem loiro se mostrou triste com a notícia, ele era maluquinho, mas tinha bom coração. De todos ali é o que eu mais gosto. Acho que vou sentir falta daqui.

Midorima’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3