New Ways...
34 Capítulo 32
Notas iniciais
Akashi’s POV on
O dia amanheceu chuvoso. Adoro dias assim. Eles me fazem pensar em várias coisas e me faz sentir até um pouco mais... Vivo.
Olhando pela janela, conseguia ver as árvores e os pingos que batiam na janela e se estouravam em outros pingos. Era tudo tão delicado — desde o modo como a chuva caía rápida e escorregava pelas folhas das árvores até o fim quando espatifavam-se no chão, formando poças.
As árvores mesmo estavam de um modo encantador, quase sem folhas e com as que sobravam com um tom âmbar. Seus galhos retorcidos e finos se estendiam até o branco do céu coberto de nuvens.
Estava um pouco frio, então cobri Ryouta mais um pouco. Eu não me importava com o frio, gostava dele.
Saí do quarto, parecia que eu era o único acordado, só havia o silêncio na casa. Meus pés encostavam-se ao chão frio e meus dedos estavam rosados.
Entrei na cozinha e peguei o pouco de brigadeiro que havia sobrado na geladeira e sentei-me no sofá.
Depois de comer, subi e coloquei uma roupa de frio e decidi que iria sair.
Peguei meu guarda-chuva grande e negro e sai pela porta para aproveitar mais o dia.
Fumaça saia da minha boca, o que era legal.
Dias assim me dava vontade de desenhar, coisa que não fazia desde meus 16 anos. De repente me deu uma saudade daquele tempo, que chovia e eu logo pegava meu bloco de folhas para desenhar o que me viesse à mente. A maioria — para não falar todas — as pessoas achavam meus desenhos um pouco sombrios, mas era o meu estilo e eu nunca conseguiria mudar isso.
Enfim, ao sair de casa, decidi que iria comprar folhas de ofício para voltar aos meus hábitos chuvosos.
Várias pessoas caminhavam nas ruas, em sua maioria, casais. Pareciam felizes, compartilhando o frio.
Continuei andando pela rua e após comprar o que estava em minha mente desde a manhã, fui comer algum doce. Até que uma mulher entrou no recinto que era como uma lanchonete. Ela era bonita, confesso, mas parecia ser muito tímida. Tinha bochechas rosadas e cabelos avermelhados como os meus... Nossa, ela era realmente parecida comigo.
Quando ela me viu, seus olhos se arregalaram. Minha expressão havia se tornado sombria e temerosa. Era minha irmã. Eu tinha certeza.
Antes que eu pudesse me levantar, a mesma se aproximou e se sentou na minha mesa.
— O que faz aqui? — perguntei-lhe.
Ela, então, fez uma expressão um tanto perturbada. Parecia que seu peito estava queimando, pois havia muita dor em seu olhar. Demorou um pouco até que respondesse.
— N-nossa mãe faleceu há duas semanas. — ela tentava com todas as forças segurar as lágrimas.
— Sua mãe. — eu disse frio.
— Por que você é assim agora? Não era assim antes... Eu senti sua falta por todo esse tempo e agora precisava te contar, mas tinha que saber onde você estava morando, então cheguei até esse lugar e ia perguntar sobre você, mas acabou que o destino nos uniu.
— Olha, Azusa... Perda com relação à pessoas que nunca fomos ligados geralmente não doem. Eles nunca sequer prestaram atenção em mim. Lamento muito sua perda, de verdade. — Não queria ser tão rude com a Azusa... Ela era minha irmã e foi a única que tentou manter contato quando eu sai de casa.
Sentei-me ao seu lado e a abracei. Afinal, ela era minha irmã e seu ente — talvez o mais querido — havia partido.
Eu estava lá, todo durão, enquanto abraçava-a, mas não consegui mais continuar com essa pose quando as lágrimas dela começaram a cair em minha blusa. Meu coração se apertou.
— Azu-chan... — levantei seu rosto, passando os dedos sobre as gotículas de água em seu rosto — para de chorar...
— Eu sei que você sente a dor também, Aka-nii.
— Vamos sair daqui. Venha, vou te levar para minha casa. — levantei-me e segurei sua mão para que fossemos juntos.
Fazia muito tempo que não sentia isso... Ela era o familiar mais próximo a mim.
Ao chegar perto de casa, estavam todos na porta, nos observando e percebi que ainda estávamos de mãos dadas.
— Quem é ela, Akashicchi? — Ryouta veio logo perguntando com uma expressão nada agradável.
— Que memória de peixe você tem, Ryouta. Essa é minha irmã. Lembra que a vimos no shopping?
— Ah! — todos soltaram um longo ah, em sinal de alívio.
— Pensaram que ela era minha... minha... n-namorada? — eu devo ter ficado um pouco vermelho, pois Hanamiya logo abriu um largo sorriso.
— Entrem, antes que peguem algum resfriado. Está bem frio hoje.
Fomos todos para a cozinha e Makoto nos fez chocolate quente.
— Então, Azusacchi, o que faz por aqui? — Ryouta parecia empolgado.
— An... Na verdade... — ela tomou a expressão triste de novo.
— Ela veio me fazer uma visita apenas. Afinal, aquela vez no shopping foi a primeira vez que tínhamos nos visto depois que eu... Sai de casa. E eu tava meio que ocupado com outra coisa naquele dia.
Quando disse isso, as bochechas de Ryouta ficaram muito rosas. Achei engraçado.
— Ei, o nome da minha mãe é parecido com o seu! — Ryouta parecia realmente empolgado.
— E qual é o nome dela? — Azusa perguntou.
— É Asuna. Ela é muito legal, assim como você.
Azusa sorriu.
Que bom que estava finalmente se divertindo... Ela estava precisando.
***
Enfim, Azusa voltou para casa nesse mesmo dia, afinal, mesmo nosso pai sendo um idiota completo, ele precisava de ajuda também.
— Azusacchi é muito legal, Akashicchi. — Ryouta comentou sentando-se ao sofá ao lado de Shintarou. — Ela poderia vir aqui mais vezes.
— Ela se parece com você, Maria. — Makoto falou, estava sentado ao outro sofá e Teppei deitado sobre seu colo.
— Vocês mantêm contato por telefone? Ela parece se importar com você. — Shintarou disse.
— Não, não temos contato, a encontrei por coincidência. — respondi. — Mas ela é a pessoa com quem mais me importo naquela maldita casa.
— Segure sua revolta, Maria. Eu não sei o que houve entre vocês, mas você não deve colocar seus irmãos no meio, eles devem sentir sua falta.
— Só a Azusa, meu irmão mais velho é igual aos meus pais. — expliquei um pouco sem paciência. — Não quero contato com nenhum deles e pronto. Você não precisa ficar falando o que devo ou não fazer.
— Akashicchi, calma! — Ryouta se levantou, andando até mim e sentando-se ao meu lado no tapete. — Makocchi só quer te ajudar.
— Deixa ele, Kise. — o moreno disse. — Eu quem não deveria ter dado opinião.
— Família querida da minha vida! — Kazunari adentrou a sala com uma animação desnecessária. — Não se exaltem! Vamos aproveitar esse maravilhoso final de tarde para fazer algo juntos!
— Takaocchi tá muito animado desde que o Midocchi e ele começaram a se dar melhor.
— Tenho meus motivos, Kisecchi! — confirmou Kazunari. — Estava pensando, o que vocês acham de jogar alguma coisa?
— O que sugere Takao? — Shintarou perguntou.
— Sei lá... O que acham de verdade ou desafio?
— De jeito nenhum! — Makoto negou. — Já brincamos disso e não deu certo, não quero mais estragos.
— Brincamos? Não me lembro...
— Você ainda não morava aqui, Takaocchi. — Ryouta explicou. — Pra mim foi muito divertido, não sei o porquê deles não gostarem.
— Eu quase apanhei do Miya-chan. — comentei rindo.
— Você tava implorando pra apanhar, Maria.
— Ah, nem tava. — dei os ombros. — Só queria fazer com que vocês assumissem o amor infinito que um tinha pelo outro.
— E conseguiu. — concordou o de cabelos verdes. — Acho que se não fosse por aquilo, ninguém estaria nessa situação hoje.
— Poxa... Eu também queria ter participado. — Kazunari choramingou. Acho que todos aprendem isso com o Ryouta. — Hum... Podemos brincar então de... Eu nunca!
— Eu nunca? — Shintarou questionou. — Que tipo de brincadeira é essa?
— Não explica senão ele não vai querer jogar. — me adiantei. — É o tipo de jogo que o papai ficaria cheio de ‘não me toque’ pra falar as coisas.
— Não tenho idade pra ser teu pai. — protestou. — E pra falar a verdade, jamais teria um filho como você.
— Mas é. — respondi, sem dar muita importância à expressão irritada que ele carregava. — Você é o papai e o Miya-chan a mamãe. Agora Kazunari, pegue bebidas, ‘eu nunca’ sem bebidas não é ‘eu nunca’.
— Eu sinto que isso não vai dar certo... — Makoto comentou ignorando o que falei. — Mas ok, não vou ser o chato e vou jogar também. Pode me render algumas risadas.
— Só jogo se me explicarem como funciona. — Shintarou bateu o pé. — E já adianto que não fico contente com o fato de ter bebidas envolvidas.
— Relaxa, Midorima. — Teppei disse, levantando-se para ir a cozinha pegar as bebidas. — Vai ser divertido.
— Tá, só quero que alguém me explique.
— É simples. — Makoto começou, sentando-se ao tapete perto de Kazunari. — Nós falaremos coisas que nunca fizemos na vida e caso alguém tenha feito, vira um copinho. Caso ninguém tenha feito, a pessoa que disse vira um copinho. Só.
— Que tipo de brincadeira é essa? — Shintarou perguntou incrédulo. — Isso é só mais um motivo pra encherem a cara.
— Ah, larga de ser chato, Midorima! — protestou o moreno. — Não temos nada pra fazer, não custa nada brincar disso pra passar o tempo.
— Sua vida perversa, Makoto, vai te fazer tomar todas.
— Bebida entra, a verdade sai. Você não sairá ileso também, Midocchi. — respondeu em tom provocante. — Sua cara de bom moço não me engana mais.
— Sou quase um santo. — Shintarou falou, ajeitando os óculos.
— Podem parar de se amar, deixem pra hora do jogo. — comentei, me juntando a Ryouta. — Cadê o Teppei? Foi fabricar as bebidas?
— Só achei vodka. — ele voltou com uma garrafa em mãos. — Serve?
— Claro!
— Já peguei os copos! — Kazunari voltou com seis copos pequenos e se sentou à roda que formamos sobre o tapete. — Podemos começar?
— Sim.
Todos concordaram. Kazunari distribuiu os copos entre nós e Teppei pôs a garrafa no centro do círculo.
— Posso ser o primeiro? — Ryouta perguntou levantando os braços, animado. Todos assentiram. — Bom... Eu nunca me atrasei e perdi o ônibus!
— Já andou de ônibus alguma vez na vida? — Makoto questionou irônico, pegando a garrafa e enchendo um copinho. — Algum de vocês já andou de ônibus, caralho?!
— Eu disse que sua vida te derrubaria. — lembrou Shintarou. — Já começou a despencar.
— Cala a boca, Midorima.
— Pessoal, vamos continuar! — Teppei interveio o início de uma discussão. — Miya-chan, beba a dose.
Makoto encarou o copinho cheio, o pegou e, de uma vez só, terminou com o conteúdo dele.
— Essa porra é muito ruim! — reclamou ele, torcendo o rosto numa careta. — Continuem, não quero ser o primeiro a ficar bêbado.
— Akashi, é você. — Teppei disse.
— Ok. — assenti. — Eu nunca acordei depois do meio-dia.
— Akashicchi!
— Você é um cretino. — Shintarou comentou. — Só quis fazer com que todos nós bebêssemos.
— Como o Makoto disse: Bebida entra, a verdade sai. Quanto mais bêbados, mais divertido.
Takao serviu todos os copos, menos o meu. Todos beberam.
— Parece que bebi um vidro de álcool puro... — o de cabelos verdes disse, também fazendo careta. — Troço ruim...
— Makocchi está ganhando!
— Não comemore Kise, isso não é bom!
— Midorima, agora é você. — Teppei disse.
— Está bem... Eu nunca dancei em público.
— Midocchi! — o loiro ao meu lado reclamou. — Vou ter que beber!
— Sem reclamar Ryouta, você não é fraco igual ao Miya-chan!
— Fique na sua, tampinha ruiva! — Makoto debochou.
— Pare de roubar os apelidos alheios, Makoto!
— Kisecchi, bebe! — Kazunari entregou o copo cheio para Ryouta.
O loiro bebeu, fazendo uma careta divertida e, animado, pediu para que continuássemos.
— Só o Akashi que não bebeu, pelo amor de Zeus, alguém o faça beber! — Makoto falou. — Você, Takao!
—Ok, Mako-chan! — concordou Kazunari, levando uma mão ao queixo, ficando em postura pensativa. — Eu nunca... Eu nunca engoli um mosquito!
— Só um idiota já engoliu um mosquito. — falei com tédio.
— Vou ter que beber de novo! — choramingou Ryouta ao meu lado.
— Kise... — Shintarou segurava o riso, juntamente com os outros.
— Beba de novo, Kisecchi.
Kise bebeu a nova dose.
— Vocês são cruéis. — reclamou o loiro.
— Você que é muito “vivido”. — debochou o moreno das sobrancelhas espessas.
— Miya-chan, é sua vez.
— Eu nunca fiz xixi na cama. — Makoto disse.
— Todo mundo já fez xixi na cama! — Shintarou rebateu indignado.
— Eu não. — o moreno negou. — Não tenho culpa se vocês não têm controle sobre suas bexigas. Podem ir bebendo.
— Seu filho da puta, conseguiu me fazer beber! — afirmei, pegando o copo que Teppei serviu e bebi. Os outros, menos Makoto fizeram o mesmo.
— Eu sempre soube que o absoluto já tinha feito xixi na cama!
— Vai te catar, seu escroto! — ri, tacando uma almofada em sua direção.
— Kiyocchi, agora é você. — Ryouta anunciou.
—Sim... Eu nunca botei fogo em alguma coisa acidentalmente. — Teppei falou e logo sorriu, olhando pra mim. Outro filho da puta.
— Isso aí, amor! Botou ele pra beber de novo! — Makoto comemorou, dando um beijo na bochecha de Teppei. Os outros riram. Inclusive eu.
— Vocês estão de complô contra mim. — disse me fazendo de aborrecido. — Tem que ver isso aí.
— Para de mimimi e vamos logo!
— Kisecchi, você!
— Eu nunca bebi a ponto de não lembrar como voltei para casa. — Ryouta cruzou os braços, endireitando a postura ao falar. — Bebam todos!
— Ah, eu não quero mais jogar isso. — Shintarou disse, já tentando se levantar.
— Shin-chan! Não! — Kazunari o segurou. — Fica mais, tá legal.
— Vai amarelar Shintarou? — provoquei o outro, que me fitou em desafio.
— Não vou cair nisso, Akashi. — ele respondeu, ainda tentando se levantar. — Me deixe sair, Takao!
— Deixa ele, Takao. — Makoto falou. — O Midorima é fraco assim mesmo. Tão fraco ao ponto de estragar o nosso momento “em família” por bobeira.
— Eu fico se vocês pararem com a palhaçada e brincarem a sério. — ele se sentou novamente.
— Hihihi, papai tá curioso pra saber sobre as nossas travessuras. — ri com a malícia estampada no rosto. — Sendo assim então, como é minha vez de falar... Eu nunca fiquei com um homem estrangeiro. Bebe duas, Midorima. A minha e a do Ryouta.
— Mas... Mas...!
— Sem “mas”! — Makoto, concordou, bebendo a dose que devia. — Todos estão concordando, não seja o estraga prazeres.
— Midocchi, toma. — Ryouta estendeu o braço com o copinho cheio. — Todo mundo tá fazendo, você também tem que fazer.
— Midorima, pense em aqui como se fosse Las Vegas. — Teppei sorriu. — O que acontece aqui, morre aqui.
Shintarou deu uma última olhada em volta. Todos aguardavam uma decisão do mesmo.
Após alguns segundos pensando, ele retirou o recipiente das mãos de Ryouta e tomou de uma vez só.
— Oh Deus, isso é horrível... — reclamou, abaixando a cabeça em direção ao seu próprio peito enquanto esticava o braço para que Kazunari enchesse o copo novamente. — Que isso morra aqui!
— Morrerá Shin-chan!
Shintarou tomou o segundo copo.
Após a crise de “não brinco mais”, continuamos o jogo. Era a vez de Midorima.
— Eu nunca dei um soco em alguém. — falou, olhando para o casal ao seu lado direito.
— Isso foi quase uma indireta. — Makoto disse, pegando seu copo que já estava cheio e bebendo. Teppei fez o mesmo.
— Vocês são um casal muito revoltado. — comentei rindo.
— Vocês que imploram por apanhar! — respondeu o moreno. — Takao, por favor.
— Certo Mako-chan! — assentiu, abastecendo os copos vazios. — Eu nunca tive um sonho erótico com alguém desse grupo.
Olhei em volta. Todos continuavam quietos. Até que...
Makoto bebeu.
— Seu safado! — falei, fazendo os demais rirem. — Sempre soube! Foi com quem? Ryouta? Shintarou? Comigo? Admita! Você sempre quis meu corpo sensual!
— Claro, mergulhado no chocolate. — debochou ele, levemente corado. — Contar detalhes não tava no contrato! Não preciso falar com quem foi! E antes que diga algo, nós ainda não estávamos namorando, Teppei.
— Tudo bem, Miya-chan. — o maior puxou o moreno, o aconchegando em seu peito.
— Que bonitinho... — ironizou Shintarou. — Essa melação vai continuar ou podemos voltar ao jogo?
— Seu insensível! — debochei. — Continuemos, vai Miya-chan.
— Todos vocês, bebam, por favor. — Makoto pediu. — Eu nunca fiquei com uma mulher.
— Isso não vale Makocchi!
— Você sempre foi aboiolado’ então? — Shintarou perguntou e tive que segurar o riso. — Sempre soube que você é bicha de nascença.
— Homossexual Shin-chan. — corrigiu Kazunari.
— Essa palavra é muito grande, não vale a pena gastar energia dizendo ela para o Makoto.
— Se fosse em outra época, eu ia socar a sua cara. — Makoto comentou com uma expressão de tédio. — Agora eu sou um rapaz do bem, te perdôo Midorima.
— Obrigado, amigo. — agradeceu o de cabelos verdes, bebendo junto dos outros. — Mas eu sei que você não faz isso por medo de quebrar a unha.
— Vamos pra próxima antes que eles comecem a se amar aqui de novo. — falei, enchendo meu copo novamente. — Teppei!
— Eu nunca assisti um strip-tease.
— Poxa Miya-chan, assim você enfraquece as coisas!
— Fica quieto, Akashi! — mandou o moreno, olhando ao redor. — Ninguém?
— Eu. — Kazunari levantou um braço, levando o outro até o copo e bebendo. — Eu já!
— Onde você viu isso? Nunca havia me dito. — Shintarou olhava assustado para ele.
— Ér... Shin-chan, eu já tive outros namorados e namoradas, então...
— Discutir relação é pra outra hora! — Makoto debochou. — Vamos pra próxima. Kise!
— Eu nunca fiz sexo com mais de uma pessoa. — Ryouta disse, deixando-nos um pouco surpresos. — Só uminha!
— Ouvir o Kise falando que já fez sexo é uma coisa traumatizante. — Shintarou comentou, bebendo outra vez. — Me faz até querer beber mais.
— Pois é... Kisecchi é tão inocente... — Kazunari concordou e Shintarou o olhou de canto. — Que foi?
— O que é seu está guardado!
— Shin-chan!
Todos beberam e o jogo seguiu.
— Eu nunca transei com alguém do mesmo sexo que eu. — falei. — Virem. Todos.
— Eu não, Akashicchi! — Ryouta protestou com um rubor fofo no rosto. — Foi uma menina...
— Você pelo jeito nunca transou com ninguém. — Shintarou se dirigiu a mim. — Olha a sua cara, o mínimo que as pessoas deveriam fazer ao te ver, é sair correndo.
— Eu concordo com o Midorima, você nunca falou sobre isso com a gente. — Makoto disse. — Você é virgem, Maria?
— O que?! Não! — neguei. — Só não me sinto muito à vontade em expor minha vida assim.
— Sei, sua carinha de moça já condena.
— Somos amigos, você não precisa se preocupar, Akashi. — Teppei sorriu. — E também, todos estão fazendo isso.
— Aaah, bebam logo, seus putos!
Beberam e o jogo continuou.
— Eu nunca transei sem camisinha. — Shintarou disse e houve um silêncio no local.
— Saí ileso dessa vez. — eu falei, comemorando por dentro.
— Até porque você nunca transou né? — o mesmo que disse antes, me perguntou.
— Cala a boca!
— Vocês dois são muito barulhentos. — Makoto falou, pegando seu copo e virando a dose. — Me deixam com dor de cabeça.
Teppei fez o mesmo.
— Barulhentos são vocês. — Shintarou começou. — O amor entre você e o Kiyoshi já me acordou várias vezes de madrugada.
— Não tenho culpa se você prefere nos ouvir a dormir! — Makoto retrucou de forma irônica. — E você tá aumentando um pouco, não tá não? Várias vezes?
— Sim, várias vezes. — Shintarou respondeu ajeitando os óculos e fechando os olhos. — O amor de vocês não deixa ninguém dormir em paz, que tal se amarem em silêncio?
— Fala com a minha mão, Midorima. — Makoto estendeu a mão para o outro, que deu os ombros. — Vamos continuar isso.
— A bebida tá acabando, Makocchi.
— Vamos jogar até terminar, depois paramos. — sugeri e eles concordaram.
— Posso falar? — Kazunari perguntou e assentimos. — Hum... Eu nunca fiz oral em alguém.
— Takao?! Meça suas palavras!
— Shin-chan! Eu não consegui pensar em outra coisa...
— Milhões de coisas no mundo e você pensa logo isso? Pervertido!
— Pare de bobagens, Shin-chan! — rebate Kazunari. — Todo mundo aqui sabe o que é fazer um oral.
— Você quem pediu pra brincarmos a sério, Midorima. — Makoto comentou. — Não reclame.
— Quero só ver quando o Kiyoshi começar a soltar as intimidades de vocês.
— Eu vou agredi-lo, mas a brincadeira vai continuar. — respondeu simplesmente.
— Miya-chan! — Teppei o olhou indignado.
— Ninguém vai beber dessa vez não? — perguntei. Já estava cansado de ouvir todos discutindo.
— Eu não sou fã disso não... — Shintarou falou. — Existem partes do corpo humano que não devem ser lambidas, então, passo.
— Quanto frescura, Shintarou. — o provoquei.
— Você já fez por acaso, tampinha ruiva?!
— Não. — respondi. — Mas não quer dizer que eu seja fresco.
— Vocês tão se soltando muito depois que beberam. — Makoto pegou o copo e virou, junto a Teppei. — E falando muito também.
— Hum... A boca de vocês é bem nervosinha... —Shintarou comentou de forma maliciosa. Não pude deixar de rir.
— Cala a boca, Midorima, nos poupe de comentários. — Makoto disse. Ele estava levemente corado.
— Own, ficou com vergonha. — debochei e ele me mostrou o dedo do meio. — Que gracinha.
— Miya-chan, ignore. — Teppei passou um dos braços pelos ombros do moreno ao seu lado. — É sua vez.
— Sim... Quero terminar com isso logo, então... Eu nunca transei com uma mulher.
— Makocchi! — reclamou Kise.
— Todo mundo bebe e pronto, vamos parar com essa palhaçada.
— Miya-chan ficou bravo... Você não devia tê-lo feito ficar com vergonha, Shintarou.
— Só beba, Akashi.
Assim o jogo acabou. Não me recordo quem bebeu mais e não sei dizer se realmente alguém sai ou saiu ganhando no jogo, só sei que foi engraçado e não me importaria em jogar novamente.
***
Já era tarde da noite, mas eu não conseguia dormir. Estava pensando em várias coisas e imagens da minha infância vieram à minha cabeça. Talvez fosse por conta da bebida...
Lembrei de quando minha mãe afagava meus cabelos e sorria para mim quando eu fazia algo como um desenho. Ela era tão meiga... Quando fazia sanduíches para que eu os comesse na hora do intervalo na escola. Quando era rígida quanto aos deveres de casa.
Acho que isso tudo tem posto minha personalidade à prova. Afinal, por que fugi de casa? Qual era o meu propósito? Acho que o único maluco nessa história toda sou eu. Sempre fui o filhinho do papai, tive tudo na vida e tudo muito fácil. Acho que eu queria mostrar que eu podia ser diferente daquilo. E se eu não tivesse conseguido nada quando sai? E se eu nunca mais tivesse contato com a minha irmã? Como seria se eu tivesse continuado naquela realidade?
No meio de todas essas perguntas, percebi que cometi muitos erros na vida, mas valeu à pena... Não teria conhecido esses caras com quem divido um “lar”. Não teria sequer conseguido gostar de alguém de verdade.
Eu fui tão frio e tão insensível minha vida toda, acho que perdi algumas coisas sendo assim. Mas acho que fui agraciado com pessoas tão boas.
Sinto-me muito gay agora, mas é a verdade. Eles são minha família agora, é tudo o que tenho.
Estava tão imerso em pensamentos que nem percebi o quanto a hora havia passado. Já era tarde e eu não tinha desenho algum feito, então, subi as escadas a fim de ir aos meus aposentos e iniciar minha obra de arte.
Em um dos quartos vazios que era usado como sala de TV, perto da janela, tinha uma mesa que eu usava pra estudar. Coloquei as folhas de ofício nela e comecei a procurar algum lápis na minha mochila. Acho que, por sorte, achei um. Tinha ganhado aquele lápis do Ryouta. Ele me deu quando disse que gostava de lápis. Foi gentil da parte dele.
Mas... O que eu iria desenhar? Comecei a pensar e então me veio à cabeça, não diferentes tipos de desenhos, mas diferentes tipos de árvore.
Eu sou um inútil mesmo. Não quero desenhar árvores e a chuva parou de cair lá fora. Estava tudo silencioso, o que indicava que estavam todos dormindo. O sol até começava a querer sair, sendo barrado pelas nuvens esbranquiçadas.
Decidi que isso era o que eu gostaria de desenhar e comecei. Os traços fluindo para o papel, o grafite sendo gravado nele e o branco sendo preenchido pelo negro.
Estava indo tudo muito bem até, depois de tanto tempo ainda sabia desenhar.
Comecei com outro desenho, um gatinho. Ia dá-lo à Ryouta. Ele... Disse que gostava.
— O que você está fazendo? — uma voz eufórica perguntou atrás de mim.
Obviamente, levei um susto e fiz um risco no desenho.
— Agora são dois gatos.
— Para quem? Dá pra mim! — ele parecia muito feliz.
— Bem... A intenção era essa antes de você me fazer estragá-lo. — minhas bochechas ficaram rosadas, tenho certeza.
— Desculpa Akashicchi. — ele parecia realmente triste.
— Relaxa, faço outro para você. — sorri para ele.
Amassei a folha e a acertei no lixo como se fosse uma bola de basquete. Ryouta saiu dizendo que ia comer brigadeiro ou algo do tipo. Comecei novamente minha jornada ao desenho. Tinha que desenhar o gato pra ele. Enquanto traçava o papel, uma idéia veio à minha cabeça.
Depois de uns 20 minutos terminei o desenho do loiro e iria começar o outro.
Imaginei desenhar uma casa, ou melhor, um prédio e na frente seis pessoas, seis caras, seis amigos. Daria muito trabalho, mas valeria à pena. Seria uma memória de que tudo aquilo aconteceu mesmo.
Esses seis estariam sempre na memória desse lugar, vários acontecimentos, amizades feitas.
Nunca os esquecerei, assim como nunca me esquecerei da minha mãe... Que ela esteja em paz.
Ao terminar os desenhos percebi como me importava. Isso tudo me tornou uma pessoa diferente — uma pessoa engraçada e gentil por dentro. E, o melhor era que ninguém naquele recinto me julgava pelo meu jeito. Sei que as vezes temos nossas brigas e discussões, mas o que sempre prevalece é nossa amizade e eu valorizo muito isso.
Quando os mostrei o desenho, eles ficaram felizes, pude ver em seus semblantes. Decidimos emoldurar e pendurar no corredor onde ficavam fotos nossas como recordações.
E assim nosso dia acabou. O sol saiu por um momento dando-me inspiração e clareza para fazer algo tão bonito e depois deu lugar ao luar envolto de nuvens cinzas. Tudo estava calmo e sereno.
Deitei-me e dormi imediatamente.
Akashi’s POV off
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