New Ways...
35 Capítulo 33
Notas iniciais
Hanamiya’s POV on
Eram aproximadamente cinco e dez da manhã, quando o relógio despertou... Muito cedo... Bom, esse é preço que teremos que pagar por estar em uma casa boa... Apenas estiquei o braço em direção ao criado mudo e desliguei o barulho irritante.
Olhei para o teto e depois ao redor, ainda estava escuro... Kiyoshi ainda dormia com um dos braços sobre mim e o rosto próximo ao meu... Não sei como ele não ouviu o despertador.
— Teppei... — o chamei. — Teppei, está na hora de acordar.
— Hum... Acordar não, amor... — resmungou ele, enquanto me juntava mais em seus braços. — Tá tão cedo...
— Sim, mas temos aula. — me virei em sua direção. — Vamos, de tarde eu deixo você ficar deitado o tempo que quiser.
— De tarde o Seiji-kun ficará aqui... — ele continuou falando de forma manhosa. — Só mais um pouquinho, prometo que não vou me atrasar.
— Hum... — o olhei desconfiado. A luz estava baixa, mas pude perceber que ele sequer havia aberto os olhos. — Tudo bem, mas só até eu terminar de preparar o café, assim que terminar, eu venho te chamar.
— Obrigado, meu fofinho. — Kiyoshi sorriu, depositando um beijo em minha bochecha. Senti meu rosto todo esquentar.
— Não fale essas coisas. — eu disse, enquanto me soltava dele e me levantava. — Me deixa com vergonha.
— Você só fica mais fofinho quando está com vergonha.
— Kiyoshi!
— Está bem, você é fofinho de qualquer jeito, até emburrado! — ele se deitou debruço. — É meu fofinho.
— Vou te ignorar ou não consigo sair daqui nunca. — falei, ignorando a vergonha que sentia e o fato dele estar rindo da minha cara. — Já estou voltando pra te chamar.
— Estarei deitado te esperando.
Ai, ai... Esse folgado... Não sei como posso ter me apaixonado por ele...
Espera... Eu disse apaixonado? Ok... Eu gosto dele... Mas acho que “apaixonado” é coisa de menininha do ensino médio. Eu gosto do Teppei e ponto. Sem essa de “apaixonado”.
***
— Bundinha Miya-chan. — Akashi entrou na cozinha me cumprimentando, carregando um leve sorriso. — Precisa de ajuda?
— Bom dia e... O que houve com você? — estranhei. Ele nunca sorria. Ainda mais de manhã. E nunca estava de bom humor... AINDA MAIS DE MANHÃ. — Está bem... Quem é você e o que fez com a Maria?
— O que é isso? Não posso estar bem humorado? — o ruivo riu. — Acordei feliz, apenas isso.
— Sei... Seu safado... Sei bem o motivo dessa felicidade. — eu ri de forma maliciosa. — Cadê o Kise? Não consegue se levantar agora?
— Você sempre leva as coisas pro lado pervertido. — ele sorriu da mesma forma que eu. — Ele está no banho.
— Eu, né? Eu. — continuei preparando o café, ainda rindo do ruivo que não tirava o sorriso do rosto.
— Bom dia família! — disse Takao chegando à cozinha também carregando um sorriso bem largo no rosto.
— O que está acontecendo com vocês? — perguntei, me virando para encará-los e ambos me olharam um pouco curiosos, mas ainda sorrindo. — Que animação é essa? Ainda tá muito cedo! Por que todo mundo parece feliz há essa hora?!
— O que você tem contra minha felicidade, Miya-chan? — Akashi perguntou em tom debochado. — Teppei não compareceu da forma correta novamente, né? Seu humor continua o mesmo.
— Cale a boca. — falei, voltando a preparar as coisas.
— Ah, por falar nisso, cadê o Teppei? Pensei que ele sempre viesse com você na hora de arrumar o café. — Akashi perguntou.
— Ele geralmente vem, mas estava com sono e pediu que eu o deixasse dormir mais um pouquinho... — respondi sem olhar para ele e ouvi uma risadinha. — O que é?
— Você tem que dar permissão pra ele fazer esse tipo de coisa? — ele continuou rindo. — Ai, ai... Não pensei que você fosse assim, Miya-chan.
— Você tirou o dia pra me irritar, né?
— O dia mal começou, espere pra ver. — Akashi continuou com aquele sorriso maldoso no rosto. Takao apenas observava a cena.
— Posso te ajudar arrumando a mesa, Mako-chan? — o moreno perguntou. Acho que não quer me ver irritado com ele também, por isso desconversou. Assenti, vendo-o ir em direção a copa.
— Bonzinho ele, não? Ficar com o Shintarou o fez bem. — finalmente abriu a boca para dizer algo que preste. — Até pro próprio Shintarou.
— Não queria, mas, infelizmente, agora tenho que concordar com você, Maria. — suspirei e o encarei novamente. — Midorima parece mais solto, se é que posso usar essa palavra, ele melhorou um pouco.
— O que as donas estão falando sobre mim? — ouvimos a voz de Midorima e logo depois, o mesmo passou pela porta da cozinha. — Sei que sou muito importante e invejado, mas não gosto que meu nome fique passando pelas rodinhas de fofoca Bom diaque meu nome fique passando pelas rodinhas de fofoca. porta da cozinha. das duas.
— Você havia dito algo sobre ele ter melhorado Makoto? — Akashi me olhou rindo.
— Não, foi coisa da sua cabeça. — respondi indo levar o café para a mesa. — Bom dia, Midorima.
— Bom. — o de cabelos verdes me respondeu. — Onde está o seu namorado?
— Deitado.
— Nós vamos nos atrasar. — falou ele. — Todos os outros já estão de pé.
— Ele não vai se atrasar, não se preocupe. — fui para a sala de jantar, deixando-o com Akashi antes que começasse a fazer perguntas ou reclamar sobre o Kiyoshi.
***
Já estávamos a caminho da faculdade. Felizmente não nos atrasamos, Kiyoshi se levantou e arrumou rápido e não tivemos problemas com Midorima. Já havíamos chega à entrada do campus. O movimento de alunos era bem maior do que o normal... Me parece que todos os outros também chegaram um pouco mais cedo do que de costume... Não sei o motivo, mas acho que o dia de hoje está estranho. Desde a hora do café... Estão todos estranhos... Tudo diferente... Isso me traz uma sensação ruim...
— Oooh! Estou tão animado! — Kise afirmou. Era como se pudesse ver seus olhos brilhando. — Vou poder ver meus colegas da sala depois de tanto tempo!
— Quinze dias, Kise. — eu lembrei, cortando a animação do outro. — Isso não pode nem ser considerado “tanto tempo”, por favor, guarde sua animação pra você.
— Nossa Makocchi! Você está mais mal humorado do que o normal. — choramingou ele, se encostando ao banco do carona, onde eu estava. Akashi estava no bando de trás junto com o loiro, e Kiyoshi dirigia. Midorima e Takao vinham no outro carro. — Aconteceu algo?
— Não... — respondi, fitando o vidro da frente e percebi que Kiyoshi me olhou desconfiado.
— Miya-chan, o que houve?
— Nada... — me virei para a janela, fitando o movimento nas ruas.
— Tem algo te incomodando?
— Não...
— Mesmo?
— Sim, não se preocupe. — afirmei, a fim de tranquilizá-lo, porém, eu mesmo não acreditava nas palavras proferidas por mim. O dia havia começado de forma realmente estranha...
Kiyoshi pareceu ter acreditado, já que não fez mais perguntas e continuou a procura de uma vaga para estacionar o carro.
Após conseguirmos achar a tão procurada vaga, cada um seguiu seu caminho para sua respectiva sala.
***
Minha aula havia terminado e como imaginei, ainda não sabem como farão para reabrigar os alunos que tiveram seus apartamentos queimados, a única certeza é que, durante as férias, que estão próximas, um alojamento será construindo dentro campus. Espero que não nos separem... Seria um problema ter que me acostumar com pessoas novas...
Já podia avistar Kise e Kiyoshi próximos aos carros. Akashi vinha ao meu lado em silêncio, apenas esboçando o sorriso costumeiro.
— Makocchi! Akashicchi! — o loiro pulou, abraçando a mim e ao outro que estava ao meu lado. — Como foram suas aulas?! Animados com a notícia da viagem?!
— Viagem? — perguntei. Aah... A viagem que darão aos dez melhores alunos da universidade. — Aah... Pra mim tanto faz.
— Seria divertido se nós seis conseguíssemos juntos. — Kiyoshi falou animado. — Não acha, Kise?
— Sim Kiyocchi. — Kise concordou e sei sorriso sumiu por um breve momento. — Mas acho que não seria possível... Pelo menos não pra mim...
— Acha que ainda continuará a o loiro. ente corado. Kiyoshi passar um braço pelos meus ombros e dar um beijo rcom dificuldades, Kise? — perguntei, sentindo Kiyoshi passar um braço pelos meus ombros e dar um beijo rápido em minha bochecha. — Kiyoshi! Alguém pode ver!
— Desculpa, eu não resisti... Hi, hi. — ele sorriu sem graça, ficando levemente corado. — E foi só na bochecha.
— Se controle! — pedi, voltando a falar com o loiro. — Responda Kise.
— Não sei Makocchi... — a animação ainda não voltara. — Eu queria tanto poder viajar com vocês...
— Você pode, só precisa estudar mais. — Kiyoshi afirmou animado. — Nós te ajudamos se precisar, você sabe.
— Sim... Obrigado...
— Kisecchi está triste? — perguntou Takao, que havia acabado de chegar com Midorima. — O que houve?
— Ele acha que seria o único de nós que não conseguiria ir à viagem de fim de ano. — Kiyoshi respondeu.
— Oh! Kisecchi, não diga isso!
— Kise, se achar que está com problemas em alguma matéria, nos pergunte, não nos incomodamos. — Midorima falou, tirando um pequeno sorriso de Kise. — Mesmo que nossas matérias não sejam as mesmas, podemos saber uma coisa ou outra.
— Vocês são realmente demais... — o loiro falou baixo, logo, voltando ao seu bom humor habitual. — Eu vou me esforçar para alcançá-los!
— Isso aí, Kisecchi! — Takao comemorou, dando um tapa leve nas costas do loiro, que riu, sendo acompanhado pelos outros.
— Takaocchi!
Todos riam. Aparentemente as coisas estavam normais... Que bom... Continuamos andando para o carro enquanto ríamos e conversávamos, até que um grito chamou nossa atenção:
— Aai! — era uma mulher loira. Estava um pouco distante do carro, mas não poderíamos simplesmente ignorar, já que havia um grupo de homens que pareciam perturbá-la. Quatro caras, pra ser mais exato. — Me solte!
— O que foi gracinha? — um homem de cabelos longos da cor cinza, vestindo uma um blusa vermelha e uma calça preta perguntou e eu jurei conhecer sua voz de algum lugar... Ou pelo menos já ter escutado alguma voz parecida. — Pensei que tivesse dito que queria sair comigo.
— Shougo-kun, não acha que já é o suficiente? — um segundo homem de cabelos, igualmente longos, porém, negros, em vestes completamente escuras, variando do cinza para o preto, que, de longe, parecia carregar óculos de grau no rosto, perguntou e... Essa voz... Eu... Eu a conheço... E... Shougo?
— Kiyocchi, vamos ajudá-la! — Kise chamou, logo correndo para perto do local do ocorrido, fazendo com que o seguíssemos.
— Kise, vá com calma, nós não sabemos se... — pausei o que falava ao me aproximar. Não... Não pode ser...
— Ei, o que vocês estão fazendo com ela?! — Takao perguntou indignado chamando a atenção do grupo e da mulher. Ele estava à frente. Kise e Kiyoshi vinham ao seu lado, enquanto eu, Midorima e Akashi continuamos mais para trás.
— Não deveriam tratar uma moça assim! — dessa vez foi Kise quem se manifestou. — Não têm vergonha?!
— Hum... — Shougo soltou a menina, que foi ao chão e se virou para Kise. — Olha o que temos aqui, Shouichi...
Shouichi. Ouvir esse nome fez meus músculos se enrijecerem. Eu não acredito que ele está aqui...
— Oh, quanto tempo... — ele começou e eu iria preferir nunca mais tê-lo encontrado a ter que ouvir meu nome sendo dito daquela forma. — Hanamiya.
Meus companheiros me olharam assustados. Provavelmente não entenderam nada.
— Makoto, você conhece aquele homem? — questionou Midorima.
— “Makoto”... Hum... Me senti triste agora. — Shouichi começou a se aproximar. — Você nunca me deixou te chamar pelo primeiro nome, Hana-chan.
— Infelizmente, sim Midorima... — respondi. Eu teria que me explicar depois. Kiyoshi me olhava confuso, ele havia percebido que eu estava incomodado.
— Não fale assim, Hana-chan. — quando chegou ao meu lado, ele passou um de seus braços sobre meus ombros e pude perceber o incômodo vindo de Teppei. — Sou Shouichi Imayoshi, prazer em conhecê-los. Vocês são os novos amigos do Hana-chan, não são? E pensar que ele conseguiu se relacionar com alguém além de mim.
— Não me toque! — retirei seu braço de forma brusca, demonstrando certa irritação.
— Oe, se acalme. — o sorriso irônico se fez presente em sua face. Como eu odeio esse sorriso... — Hana-chan está diferente, não acha Shougo-kun?
— Sim. — Shougo Haizaki, um cara desprezível com quem passei metade da minha infância. Claro, não que Imayoshi não seja desprezível, mas ele consegue ser pior do que qualquer outro. — Ainda mais olhando o tipo de pessoa com quem ele anda agora, aposto que são aquelas famílias felizes dos comerciais de margarina.
— Tsc... — eu já estava com raiva. Não queria ter que ficar ouvindo aqueles dois falando daquela maneira. Os rapazes ainda estavam confusos. Percebi que a moça havia aproveitado o momento de distração e fugido, não havia por que continuarmos ali, mas ainda sim ficamos parados.
— Makocchi... — ouvi Kise me chamar, ele parecia assustado.
— Oe, Hanamiya. — Haizaki me chamou. — Quem é o loiro?
Olhei para Akashi. Pela primeira vez ele pareceu demonstrar reprovação, carregava uma expressão irritada. Kise, por sua vez, veio em nossa direção, afastando-se de Shougo.
— Alguém que não merece o desgosto de ter que dirigir a palavra a você. — respondi e Haizaki me olhou num misto de surpresa e irritação. Imayoshi riu baixo, mas o suficiente para que eu pudesse escutar. Os meninos pareceram não acreditar que o respondi dessa forma. Bom, pra falar com esses animais preciso trazer a tona um pouco do que eu era antigamente...
— Desgraçado... — o de cabelos cinza rosnou.
— Você continua mal criado, não Hana-chan?
— Não me chame assim. — bufei e me virei na direção em que o carro estava. — Pessoal, o problema já foi resolvido, a moça foi embora, não tem mais motivo para continuarmos aqui.
— Certo. — Takao, que ainda parecia assustado assentiu e me seguiu junto dos outros.
— Hum? — ouvi Imayoshi resmungar. — Mas já vai Hana-chan? Poxa, pensei que poderíamos nos divertir um pouco.
— Diversão é algo que não se encontra perto de você, Imayoshi.
— Como você é cruel, meu kouhai. — o tom sarcástico em sua voz estava me dando vontade de socá-lo.
— Aprendi com você, senpai. — ironizei no mesmo tom e virei minimamente o rosto... Sabia que estaria sorrindo.
Kiyoshi e o resto dos meninos me seguiram calados até o carro. Me lançavam alguns olhares como se quisessem alguma explicação para o que havia acontecido antes, porém, no caminho eu não poderia explicar, apenas quando chegássemos em casa.
Bem, não preciso nem dizer que o clima dentro do carro não estava nada bom, certo?
***
— Certo... Alguém pode me explicar o que acabou de acontecer? — ouvi Akashi questionar ao entrar pela porta da sala. — Makoto, quem eram aqueles caras? De onde você os conhece? Por que o de óculos falava como se fosse seu amigo íntimo? Por que o outro quer saber sobre o Ryouta?
— Makocchi, eles me pareceram maus! Por que você conhece caras maus, Makocchi? — Kise perguntou demonstrando certa preocupação.
— Bom... — eu comecei. — Sugiro que se sentem ao sofá... — disse e vi que todos aderiram a sugestão. Me surpreende o Midorima não ter dito nada ainda. — Então...
— Por que você o chamou de senpai, Makoto? — Kiyoshi se manifestou. — Eu não gostei da forma como aquele cara se referia a você, me incomodou.
— Teppei... Eu vou explicar... — me sentei ao seu lado. Ele me encarava esperando explicações, assim como os outros. — Como vocês sabem minha família sempre esteve um pouco abaixo da média, financeiramente falando, então, quando era pequeno, mais ou menos até os sete anos, sempre estudei em casa. Depois de um tempo, minha mãe começou a trabalhar na floricultura na qual trabalha ainda hoje e o patrão dela era... Eu não me lembro se ele era diretor ou se contribuía em algo para uma escola com boa reputação na região em que eu morava, sei apenas que ele disponibilizou uma vaga para mim e pude começar a ir à escola. Lá eu conheci o Imayoshi, que estava um ano a minha frente. É isso.
— Só isso? — o ruivo me olhou desconfiado
— Por que eu mentiria pra vocês?
— Está bem, eu acredito Mako-chan. — expôs Takao.
— Mas, apesar dele tentar mostrar ser seu amigo, vocês não me pareceram muito amigos. — Akashi disse. — Muito pelo contrário. E também, você conhece o outro de onde?
— Eles andavam juntos, conheci Haizaki junto com Imayoshi. — expliquei. — Bom, nem de longe somos amigos, quero distância daquele imbecil...
— Imayoshi era sua dama de companhia? — Midorima, que esteve calado esse tempo todo, perguntou e o fitei assustado. O Kiyoshi já parecia irritado, ficaria pior se... — Ele estava quase te engolindo com os olhos, sem falar naquele quase abraço que me transmitiu um sentimento de posse muito grande.
— Aonde quer chegar, Midorima? — ele parecia estar me provocando. Tinha certeza de que estava querendo que eu falasse mais.
— Quero saber se você já provou da língua dele.
— Você já ouviu falar em discrição? Jogar um verde pra colher maduro?
— Não me enrole, Makoto. — Midorima adquiriu um tom sério. — Naquele dia você me encheu o saco pra contar da minha vida e agora fica fazendo este drama todo?
— Tudo bem, você tem razão... — admiti. Não tem motivo para eu esconder isso deles mesmo...
— Sim, eu sempre tenho.
— Eu e Imayoshi... — tomei um pouco de coragem pra falar. Olhei para Teppei e ele me pareceu carregar uma expressão um pouco dolorosa, aquilo me fez hesitar um pouco, mas uma hora ou outra eu teria que falar. — Nós... Ficamos juntos por um tempo...
— Bom, isso não me surpreende, de qualquer forma. — Midorima deu os ombros.
— Uau, bem que aquele sorrisinho condenou a vontade de te ver nu. — Akashi debochou e no mesmo instante, Kiyoshi se levantou e começou a subir as escadas.
— Kiyo-chan! Aonde vai? — perguntou Takao, se preparando para ir atrás do outro.
— Kiyocchi, volte aqui! — Kise também tentou, mas ele continuou subindo as escadas e sumiu de nosso campo de visão ao chegar ao segundo andar. — Kiyocchi!
— Makoto... — Akashi chamou. — Acho que hoje não tem, hein...
— Cale a boca, Akashi! — ordenei e depois me virei para Midorima. — Midorima, acho que o almoço irá se atrasar um pouco hoje...
— Você acha? — debochou ele. — Eu acho que nem jantar teremos, vocês têm muito o que conversar.
— O que acham de pedirmos pizza hoje? — sugeriu Takao. — Assim o Mako-chan não precisa ficar indo pro fogão.
— Ótima ideia, Kazunari! — Akashi comemorou. — Eu estou com vontade de comer pizza mesmo.
— Concordo Takaocchi! — assentiu Kise, sentando-se ao lado de Akashi no sofá e o abraçando.
— Venha Shin-chan! Vamos pedir a pizza! — Takao chamou Midorima e correu para a cozinha, sendo acompanhado pelo esverdeado logo depois. Sorri com aquela cena e comecei meu trajeto.
— Boa sorte Makoto.
— Obrigado Midorima. — sorri, sem olhá-lo e continuei subindo as escadas.
***
Estava em frente à porta do nosso quarto. Como imaginei, ela estava fechada.
— Teppei... — o chamei, dando três toques na porta. — Estou entrando...
Felizmente, a mesma não estava trancada, mas quando entrei no cômodo, estava vazio.
— Teppei? — olhei ao redor e nada. Foi quando ouvi o som do chuveiro ligado. Ele estava lá. Me aproximei da porta e tentei abri-la, esperando que estivesse trancada, porém, não estava.
O vapor quente formava uma nuvem. O espelho estava praticamente branco e só consegui ver vultos, assim como as portas do box.
— Essa água quente assim pode te fazer mal... — falei, me sentando ao chão perto da porta, ao lado de Kiyoshi e abri uma pequena fresta que me deu visão ao seu corpo. Ele estava embaixo do chuveiro, deixava a água passar, inclusive por seu rosto. — Kiyosh...
— Não diga nada Makoto. — escutei sua voz um pouco baixa e embargada. — Você não precisava nem ter vindo até aqui.
— Nós precisamos conversar Teppei.
— Não precisamos. — respondeu de forma séria. — Você não precisa me explicar nada, até porque, você não fez nada. — ele pausou. — Vocês ficaram e nem nos conhecíamos na época, então, não houve nada errado.
— Kiyoshi... — me assustei. Eu pensei que teria que conversar sobre isso com ele, mas... Me levantei e abri totalmente a porta. — Então, por que você saiu daquele jeito?
— Porque... — me fitou, seus olhos pareciam marejados. — Se o Midorima não perguntasse você nem mesmo teria falado sobre a sua relação com ele. Parece que não confia em nós, nem mesmo em mim. Só isso me deixou triste e também, não queria ouvir os comentários idiotas do Akashi.
— Não é isso Teppei... — retirei meus sapatos e acabei entrando naquele pequeno retângulo molhado junto dele, ainda de roupas e fechei a porta. Me aproximei e segurei seu rosto com minhas mãos. — Eu só... Eu me arrependo muito... Definitivamente não é algo que me orgulho e preferia que não tivesse acontecido... Preferia nem ter que lembrar daquilo... Mas se era importante pra você saber, me desculpe por não contar por vontade própria... Não queria te deixar triste...
Ele me encarava em silêncio. Parecia um pouco surpreso, já que seus olhos demonstravam isso e sua boca estava entreaberta. Ficamos nos olhando por um tempo, até que, sem que eu pudesse me esquivar ou impedi-lo, ele me abraçou e consequentemente, me puxou para debaixo do chuveiro, molhando-me todo.
— Teppei! — tentei me soltar em vão. — Teppei, você tá me molhando!
— Essa é a intenção! — ele estava sorrindo. Que alívio... Como me sinto bem em vê-lo assim. Ri junto dele. — Ei, Miya-chan...
— Hum? — perguntei, tirando as peças de roupa que já estavam molhadas e atrapalhavam. Melhor aproveitar que já estou aqui, não? — O que foi?
— É... Eu não sei como você reage ouvindo isso... Talvez pense que ainda está meio cedo, então eu... Eu não quero resposta se você achar que não deve responder.
— Hã? Do que está falando? — havia ficado confuso. Kiyoshi me abraçou de novo, depositando seu rosto sobre a curva do meu ombro. — Teppei...?
— Eu te amo, Makoto.
Quase morri.
Ele realmente havia dito isso? Não creio.
Não posso acreditar!
Meu coração parece que vai explodir... Eu fiquei feliz, muito feliz, mas não consegui fazer nada além de encará-lo boquiaberto.
— Kiyoshi... — ainda sem poder raciocinar direito, o chamei e ele respondeu com um sorriso.
— Não precisa responder Miya-chan. — repetiu. — Eu só quero uma coisa agora.
— O que? — já estava voltando ao normal.
— Isso.
Ele me puxou para um beijo. Um de muitos que se seguiram.
É... Acho que não poderia ter encontrado namorado melhor...
Espero que aquele cara não estrague tudo.
Hanamiya’s POV off
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