Notas iniciais
Olá pessoal! Cheguei tarde mas cheguei! Quero dizer que meus dias de postar o capítulo tarde acabaram, chorei. T_T Enfim, boa leitura! =D

Hanamiya’s POV on

Eu não posso acreditar...

— Ayume? – eu perguntei assustado ao ver minha irmã de pé em frente àquela porta. Ela é a última pessoa no mundo que eu esperaria conseguir chegar ao local onde eu estava vivendo. Todos me olharam confusos, provavelmente por eu conhecê-la. – Como você chegou aqui?

— Nii-chan! – ela correu até mim e me abraçou. – Nii-chan, que bom que eu te achei!

— Você veio sozinha Ayume? – perguntei preocupado retribuindo o abraço. – Mamãe sabe que você está aqui?

— Não... – Ayume respondeu receosa, provavelmente com medo de que eu brigasse com ela. – Eu fugi e vim te ver, nii-chan.

— Own, que fofa Makocchi! Quem é ela? – Kise perguntou com um sorriso.

— É... – hesitei em responder, já que todos me olhavam, mas no final, cheguei à conclusão de que não adiantava nada esconder aquilo. – Ela é minha irmã...

— Oh! Oi irmã do Makocchi! – ele se abaixou para ficar na altura dela e a mesma se escondeu atrás de mim, só deixando um pouco do rosto a mostra. – Me chamo Ryouta. E você, como se chama, fofinha?

A aproximação de Kise pareceu tê-la deixado com medo. Ela me olhava como se perguntasse se poderia respondê-lo e segurava meu casaco com força.

— Cale a boca Ryouta, está assustando ela! – protestou Akashi, empurrando Kise. – Oi Ayume-chan. – ele se abaixou também. – Não precisa ter medo, pode sair de trás do seu irmão.

Ela me olhou novamente e consenti que fosse com Akashi. Ele a deu a mão e saiu junto de Ryouta e Kiyoshi perguntando se ela estava com fome. Fiquei feliz por eles a terem recebido bem, apesar de ainda estar surpreso pela visita repentina e de ainda precisar saber o que houve.

Estava tão chocado com aquilo que nem percebi Midorima ao meu lado, me fitando de forma desconfiada.

— Você não pretende deixar esta menina aqui, né? – questionou ele de forma seca.

— “Esta menina” é minha irmã! – protestei sem arrancar nenhuma reação da parte dele. – Só por hoje Midorima, ainda preciso saber como ela chegou aqui sozinha e o motivo de ter vindo.

— O regulamento da universidade não permite hóspedes não alunos nos apartamentos!

— O que me sugere? – perguntei encarando-o com a mesma expressão séria com a qual ele me olhava. – Que eu a coloque para dormir na rua?

— Isto é problema seu e de mais ninguém!

Nesse momento, Kise, que antes estava na cozinha junto dos outros dois e Ayume, veio ao nosso encontro, chamando a atenção de Kiyoshi e Akashi.

— Midorimacchi, por favor, deixa-a ficar aqui. – implorou Kise com evidente preocupação. – Ela não pode ir pra rua a uma hora dessas.

Todos fitaram o de cabelos verdes esperando uma resposta.

— Ela tem que ficar bem quieta. – respondeu. – E nem pensar em mexer nas minhas coisas!

— Eba! Eu sabia que o Midocchi deixaria! – comemorou Kise, abraçando o outro. – Ela não vai mexer em nada, não é Ayumecchi?!

— Você tá assustando ela, infeliz! – afirmou Akashi, vendo que ela havia se encolhido novamente. – Fique calma, ele não morde e nem é agressivo, só está feliz por ter uma amiguinha nova.

Que surpresa, parece que Akashi tem paciência com crianças.

Kise agora reclamava com Akashi sobre toda hora o mandar ficar quieto, segundo ele, estava manchando a imagem dele para Ayume, que apenas ria dos dois junto de Kiyoshi. Sorri vendo a cena. Estou feliz por eles a receberem bem... Até mesmo o Midorima, que também os olhava com um sorriso fraco.

— Midorima. – o chamei. – Obrigado.

— Disponha, mas que isso não vire rotina. – respondeu, sentando-se ao sofá.

— Tudo bem.

Bom, um problema resolvido, mas, infelizmente, creio que este não seja o pior deles.

***

Todos estavam na sala. Minha irmã havia comido e agora estava sentada no sofá ao lado de Akashi e Kise. O loiro a todo o momento a tentava fazer rir e Akashi o repreendia, assim, fazendo-a rir de verdade. Midorima apenas observava e Kiyoshi parecia preocupado comigo, afinal, eu estava nervoso e com certeza isso era aparente. Para ela ter vindo até aqui, algo deve ter acontecido...

— Ayume. – a chamei abaixando-me em frente a ela no sofá e tomando a atenção dos outros também. – Como você conseguiu chegar aqui?

Ela pensou um pouquinho e demorou a dar a resposta, provavelmente com medo novamente, mas respondeu.

— Eu... Eu achei o endereço nos papéis no... Quarto da mamãe, nii-chan... – respondeu quase num sussurro. – Não briga comigo, por favor.

— Tudo bem... – falei acariciando seu rosto. – Mas não mexa nas coisas da mamãe mais, tá bom? Isso não é certo. – ela assentiu. Olhei para o lado e todos me olhavam surpresos, principalmente Kise, que parecia maravilhado com aquela cena. – Agora me fala como você conseguiu chegar sozinha, Ayume?

— Eu vim de trem. – afirmou, deixando-me surpreso.

— Viu Kise? Ela é mais esperta que você. – zombou Akashi. – Ayume-chan, se deixar o Kise andando sozinho de trem é bem capaz dele se perder dentro do próprio trem, não é nem na estação. – ele continuou, arrancando risos de todos, inclusive de Ayume. Sei que é cruel, mas devo concordar.

— Akashicchi, que maldade! – choramingou Kise.

— Mas por que você não avisou a mamãe? – questionei ao me recompor e ela se encolheu mais ao lado de Akashi. – Ela deve estar preocupada e te procurando.

— Ela não me deixaria vir, nii-chan! – agora ela tinha os olhos marejados. – E eu queria muito te ver.

— Ela poderia te trazer aqui algum dia... Ou, eu mesmo iria até lá, você não precisava ter vindo, ainda mais sozinha e a essa hora da noite.

— Ela não iria querer me trazer, tem que cuidar do papai, você esqueceu? – perguntou como se me corrigisse e continuou. – E você nunca vai lá! Ela disse que você a tem ajudado na loja, mas nunca foi lá em casa depois que veio para cá!

— Ayume, se eu não vou lá é porque estou ocupado toda vez que fico na loja. – respondi, tentei falar da forma mais calma possível. Todos prestavam atenção e pareciam curiosos com o que estava acontecendo. – Você tem o meu telefone, poderia ter me ligado e eu arrumaria tempo.

— É mentira! – protestou ela. – Você não vai porque não quer! A loja é do lado da nossa casa!

— Não é por isso, eu fico lá para a mamãe poder cuidar do papai.

— E depois que sai? Por que você não vai lá? Eu sei que sua aula é de manhã! – ela continuou falando em meio às lágrimas que corriam por seu rosto. – Parece... Parece até que não... Não gosta mais da gente...

Todos me olhavam surpresos. Não sei se era por permitir que ela falasse naquele tom comigo ou pelas coisas que eles estavam descobrindo.

— Ayume, não é iss... – tentei me justificar mais uma vez, mas fui interrompido por ela.

— O papai também sente sua falta, ele também acha que você não gosta mais de nós. – ela disse. – Mamãe não sabe, mas, eu já escutei algumas conversar deles e... O papai sempre diz que gostaria de te ver antes de morrer. – nesse momento, eu nem imaginava o que falar. Eu não tinha nada para falar. – Sabe depois que você saiu de casa nii-chan, o estado do papai parece ter piorado um pouco.

Eu realmente não sabia o que dizer ou fazer. Era como se meu mundo tivesse quebrado. Estava de cabeça baixa, mas tinha certeza de que todos me olhavam. Sem que eu percebesse, lágrimas escorriam por minha face.

Eu não queria ter que conversar sobre aquilo com ela naquele local, na frente de todos, ninguém sabia o que se passava em minha casa e agora eu seria obrigado a contar contra a minha vontade.

— Makoto, acho que a Ayume está com sono. – avisou Kiyoshi e eu levantei minimamente o rosto para ver que ela bocejava e se encolhia mais, encostando-se a Akashi.

— Ah. – limpei um pouco o rosto com a manga da blusa e me levantei. – Venha aqui comigo, Ayume.

— Está bem. – ela disse e seguiu junto comigo para o quarto. A deixaria dormir em minha cama, se fosse preciso dormiria no sofá.

De qualquer forma... Depois que a fizer dormir, terei que conversar com os outros.

***

Saí do quarto. Minha irmã não demorou muito para adormecer, então logo voltei para a sala deixando-a descansando sozinha.

O meu retorno àquele cômodo foi silencioso. Todos me fitavam como se esperassem alguma explicação, menos Kise. O loiro olhava para baixo, parecia pensativo.

— Makoto, o que significa iss...? – começou Midorima e o interrompi.

— O meu pai está doente e o clima lá em casa não está bom. – expliquei. – Ela veio para cá esperando que eu pudesse fazer algo a respeito, mas... – parei. Senti novamente lágrimas descendo. – Mas... Por mais que eu tente... Eu... Eu não consigo...

— Makocchi... – Kise ia falar algo, mas Akashi fez sinal para que ele ficasse em silêncio.

— Durante à tarde eu ajudo minha mãe na floricultura onde ela trabalha. – continuei explicando. – Meu pai não pode fazer algumas coisas sozinho e ela tem que ficar com ele, já que não temos condições de contratar uma enfermeira... Como eu já disse antes, eu não sou como vocês que têm tudo o que quiserem na hora que quiserem, eu não nasci em berço de ouro. – soltei uma risada fraca que mais pareceu um grunhido de dor. – Nem um berço eu tive, para falar a verdade. – a cada palavra que saía de minha boca, mais assustados eles pareciam.

— Makocchi... – Kise me chamou. – Eu... Escutei você falando com sua mãe no telefone. – o fitei assustado. – Não que eu estivesse observando você! – se apressou em explicar. – Eu passava pelo corredor e pensei que era o Kiyocchi, mas então, no decorrer da conversa vi que era você e que, pelo o que eu entendi, está passando por dificuldades. Pensei em contar a todos e talvez o ajudássemos, mas fiquei com medo de você brigar comigo.

Então ele sabia e não contou? Obrigado Kise, você é uma pessoa maravilhosa.

— Você devia ter nos contado Ryouta! – Akashi falou assustando o loiro.

— Makoto, o que seu pai tem? – questionou Kiyoshi.

— Câncer... – respondi e seus olhares penosos pesaram ainda mais sobre mim. Odeio que sintam pena de mim. – Não me olhem assim! Eu sei que as chances dele sair dessa são mínimas, mas... Faço o que posso para ajudar.

— Você trabalha durante a noite também, não é Makocchi?

— Sim. – afirmei e eles me olharam assustados. – Não, não sou dançarino noturno e nem vendo meu corpo! – esclareci e eles pareceram suspirar de alívio, principalmente Kiyoshi. – Eu trabalho em um bar um pouco... Distante daqui, por isso durmo fora às vezes, sou barman de lá.

— Por que você não nos disse desde o começo? – pela primeira vez desde que contei a verdade, eis que Midorima se manifesta.

— Porque sempre que eu falo esse tipo de coisa para gente como vocês, vários olhares de pena caem sobre mim e eu odeio isso! É como se eu fosse incapaz de fazer algo por mim mesmo e pela minha família!

— Você é tão orgulhoso que prefere deixar o seu pai morrer a pedir ajuda? – ele insistiu. Eu realmente não acredito que ele quer começar outra briga agora.

— O tipo de ajuda que queria, eu já consegui. – respondi ainda tentando manter a calma. – Já estou trabalhando e ajudando minha mãe com o tratamento dele, por isso preferi me manter em silêncio. Não queria envolver vocês nisso, apesar de tudo, acho que criei um pouco de afeto por todos aqui.

— Você é realmente ridículo. – falou Midorima e o fitei um pouco surpreso. – Realmente pensa que este seu serviço vai custear o tratamento de seu pai?

— Midorima! – Kiyoshi falou a fim de calar o outro e foi em vão. Eu sabia que tudo o que ele estava dizendo era verdade. Sabia que eu não poderia fazer aquilo sozinho. Sabia que eu não conseguiria sem pedir ajuda. Mas, eu não poderia depender dos outros a vida toda, se eu não os conhecesse a quem pediria ajuda? – Midorima, não fale assim.

— Não preciso que me censurem Kiyoshi, se o Makoto precisar de ajuda sabe onde recorrer, caso contrário continue tudo como está. – ele ia se retirando da sala. – Aliás, Kiyoshi venha arrumar as suas coisas no meu quarto e deixe o Makoto dormir com a irmã.

— Claro. – acatou Kiyoshi, levantando-se.

Midorima ia entrar em seu quarto quando resolvi ir atrás dele e o segurei na porta.

— Midorima, espera. – ele me olhou da mesma forma de sempre, era um olhar superior, mas já havia me acostumado com esse jeito. – Bem...

— Você quer a minha ajuda? – Midorima perguntou. Hesitei um pouco em responder, desviei meu olhar, estava com vergonha.

— Eu...

— Dizer “sim” é muito difícil para você?

— Felizmente você não passou pelas coisas que eu passei e não é fácil para você entender o que eu estou sentindo. – falei e juro que por um segundo vi sua expressão mudar para surpresa, mas depois voltou ao normal. – Eu vou dizer que sim, só me deixe aceitar essa condição.

— Se quiser ligo para o meu pai e peço um emprego melhor para você, no mais eu posso te dar um cheque para custear algumas despesas antes.

— Se você puder, eu aceito o emprego. – respondi sorrindo. Penso que seja a primeira vez que eu sorrio para ele. – O cheque eu dispenso, os meus últimos dias de trabalho foram suficientes.

— Faça como quiser e boa sorte. – falou, depositando uma mão em meu ombro numa espécie de... Carinho? E virou-se para entrar no quarto.

Eu não tinha como agradecê-lo. Acho que ninguém nunca fez isso por mim na vida, somente os meus pais.

Antes que ele entrasse, o chamei novamente.

— Midorima.

— O que foi agora Makot...? – ele se virou novamente e antes que pudesse completar sua frase, o abracei.

— Obrigado. – agradeci enquanto ainda o apertava em meus braços. As lágrimas haviam voltado a descer. Dessa vez de felicidade. Ele tentava se soltar e o apertava cada vez mais em meus braços. – Muito obrigado mesmo.

— Makoto, me solta! – Midorima me empurrava e os outros que estavam na sala, haviam vindo até nós para saber o motivo da gritaria dele. – Você está molhando minha roupa com suas lágrimas, para com isso! Não precisa de tudo isso!

— Me desculpe. – me afastei, secando as lágrimas. – Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo hoje.

— Makocchi está chorão! – disse Kise, me abraçando. – Não chore Makocchi, todos nós podemos te ajudar! Nós gostamos de você, não é gente?

— Sim. – confirmou Kiyoshi, fitando-me de forma estranha. – Gostamos muito.

— Eu diria que dá pra conviver com você, Makoto. – falou Akashi, cruzando os braços. – Mas não é como se eu gostasse.

— Aah, claro! – debochei me soltando de Kise e abracei Akashi. – Eu sei que você me ama, Maria.

— Cale a boca Miya-chan! – rosnou tentando se soltar de mim.

— Voltamos a ser uma família feliz! Que bom! – comemorou Kise e todos riram. — É o melhor aniversário que eu já tive!

É... Acho que, mesmo ficando longe da minha família de verdade, eu gosto de minha nova vida... Formei uma nova família.

Que sensação boa.

— A propósito, Makoto, me desculpe. – falou Akashi e olhares assustados voltaram-se para ele.

— Hum? Pelo o que? – perguntei.

— Por falar aquelas coisas de você durante o verdade ou desafio... Eu não sabia o que estava acontecendo e mesmo assim falei aquilo, me desculpe.

— Tudo bem, Akashi. – sorri e olhei para Midorima que parecia meio estranho. Parecia nervoso. – Está tudo bem, Midorima?

— Também preciso te pedir perdão por te alfinetar naquele dia do almoço...

— Está perdoado. – sorri. – Peço que me perdoe pelo soco também... Eu estava nervoso e você acabou sendo um meio de extravasar.

— Você já pensou em ser um lutador? Foi um belo soco. – questionou, fazendo todos rirem. – Falo sério.

Após o turbilhão de pedidos de desculpa e algumas brincadeiras por parte de todos, inclusive de Midorima, todos fomos para nossos quartos.

Minha irmã ainda dormia. Eu estava deitado na cama de Kiyoshi pensando sobre tudo o que acontecera essa noite. O Midorima pode ser um cara de difícil convivência, mas... Bom, apesar de tudo ele merece respeito. Eu espero que saiba que não mudarei minha postura diante dele, mas que pelo menos mostrarei um pouco mais de respeito. Só um pouquinho... É engraçado vê-lo irritado.

Então, enquanto ainda analisava os fatos que poderiam vir a acontecer daqui para frente, eis que meu celular vibra chamando a minha atenção. O peguei e li a mensagem que havia acabado de receber.

— Está acordado?

Era Kiyoshi. Não sei o motivo, mas, meu coração pareceu disparar na hora que vi o nome dele no visor do celular. Respondi:

— Sim. O que quer?

Não, eu jamais o deixaria saber que havia ficado nervoso. Quase no mesmo minuto o celular vibrou de novo indicando que ele havia me respondido.

— Você está melhor agora?

— Sim.

— Mesmo?

— Sim.

— E por que não consegue dormir?

— Estou pensando no que aconteceu hoje... Estou feliz Kiyoshi.

— Que bom que está feliz! Eu fico feliz que você esteja assim Miya-chan!

Não respondi. Eu não tinha o que responder e minutos depois, meu celular vibra de novo.

— Você sabe que eu gosto muito de você, não sabe?

—...

— Eu falo sério Makoto, se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa, saiba que pode contar comigo também.

— Eu agradeço Kiyoshi.

Eu havia me aproximado bastante dele nos últimos dias. Ele e Kise eram os que me tratavam melhor na casa, Midorima sempre foi o pior e Akashi o neutro, mas acho que agora isso deve mudar.

— Sua irmã está dormindo?

— Sim, por quê?

— Só quero saber se você pode conversar comigo mais um pouco... Se não vai atrapalhá-la...

— Ah sim... Posso.

— Não está com sono?

— Um pouco... Mas acho que não vou conseguir dormir tão cedo.

— Entendo...

Ficamos conversando mais um tempo sobre coisas aleatórias.

Eu gosto de conversar com ele, me deixa calmo. Ele me trata tão bem, acho que deveria começar a tratá-lo assim também...

— Miya-chan, terei que dormir.

— Aah, por quê?

— Midorima acordou e tá toda hora falando para eu desligar o celular, diz ele que a luz do visor está causando dor nas vistas.

— Eu só não falo para você xingá-lo por mim, porque ele pode ter um ataque e vir aqui.

— Kkkkkkkkkk tudo bem. Boa noite Miya-chan! Até depois.

— Pra você também. Até.

Guardei o celular de novo e me virei para a parede. Quando estava quase pegando no sono, o escuto vibrar de novo.

— Não se esqueça de que eu gosto muito de você, viu?Pronto, agora posso dormir em paz kkkk! Durma bem.

Se antes o meu coração havia disparado, agora ele quase estava saindo pela boca.

Eu não sabia como responder. Pensei em ignorar, mas descobri que ficaria mal comigo mesmo se fizesse isso. Merda...

Então, num ato de completa loucura, peguei o celular e digitei para ele novamente.

— Você está com sono, Kiyoshi?

A princípio pensei que ele não responderia, mas logo a resposta veio.

— Não. Por que a pergunta?

— Pode ir para a sala comigo?

Novamente, a reposta demorou a vir. Pensei em desistir dessa ideia louca e dormir, mas ouvi o barulho da porta do outro quarto sendo aberta. Me levantei e saí do quarto também encontrando ele parado em minha porta.

— Oi. – falou sorrindo e com um leve rubor no rosto. Corei também.

— O-oi. – desviei o olhar. Estava com vergonha agora que tinha percebido o que estava fazendo.

— Vamos para a sala?

— Sim. – assenti e saí, sendo seguido por ele.

Chegamos à sala e nos sentamos no sofá.

— Acho que perdi o pouco de sono que me restav... – antes que pudesse completar a frase, Kiyoshi me beijou e logo depois me abraçou.

Após quebrar o beijo, ficamos naquela posição por um tempo. Abraçados, um sentindo a respiração do outro, em silêncio.

— Você se importa em ficar acordado mais um pouco? – perguntou ele.

— Não... – respondi e recebi um sorriso em resposta antes dele voltar a me beijar, me deitando no sofá.

Aai, não acredito que estou fazendo isso...

***

Kiyoshi estava por cima de mim, estávamos deitados no sofá e as coisas haviam ficado um pouco mais... Quentes...

Ele depositava beijos em meu pescoço e havia aberto minha blusa, distribuindo beijos por toda a região que agora ficara exposta. Eu sabia que não deveria deixar aquilo, mas meu corpo não queria afastá-lo.

— Ki... Kiyoshi... – falei seu nome com um pouco de dificuldade. – Não deveríamos... Fazer isso... Aqui...

— Por quê? – perguntou sem parar o que fazia.

— Alguém pode cheg...

— Que pouca vergonha é essa aqui na sala?! – eis que surge uma voz do além assustando a mim e a Kiyoshi, que, sem ter como controlar a reação do susto, fomos juntos ao chão.

— Caralho Midorima! – falei ao me recuperar da queda. – Tem como não chegar igual a um fantasma, cacete?!

— E eu preciso me pronunciar para entrar na sala?! – questionou ele andando até a cozinha. – Vocês tinham que ter mais vergonha na cara para não ficar se esfregando por todos os cantos!

— Midorima... – Kiyoshi tentou falar, mas o outro continuou devaneando pelos quatro cantos do apartamento.

— Estão pensando que aqui é um bordel? Uma casa de Oba Oba? – eu me segurava para não rir enquanto ele continuava falando sem parar. – A cada dia me decepciono mais com você Kiyoshi, realmente esperava mais de você.

— Isso tudo é inveja Midorima? – debochei e ele me lançou um olhar de morte.

— É claro, estou morrendo de inveja. – ironizou ele pegando um copo d’água e voltando em direção ao quarto. – Lembre-se que sua irmã pode acordar e ir atrás de você Makoto. – lembrou abrindo a porta de seu quarto. – Não seria algo apropriado para a idade dela ver o irmão em pleno coito, ainda mais com um homem.

— Obrigado por se preocupar, papai. – respondi antes que ele fechasse a porta. – Kiyoshi, o Midorima tem razão...

— Sim... – concordou fitando-me decepcionado. Levantou-se e logo me ajudou a fazer o mesmo.

— Não fique assim. – falei depositando um breve carinho em seu rosto. – Outra hora pensamos nisso, tudo bem?

Ele sorriu e trocamos um último beijo, em seguida voltando para nossos quartos.

— Boa noite Kiyoshi.

— Para você também Miya-chan.

É... O dia hoje foi realmente conturbado...

Não posso acreditar no que eu teria feito se Midorima não tivesse chegado... Agradeço por isso São Shintarou.

***

O resto da noite foi calmo, dormi bem e só acordei de manhã com Ayume pulando sobre mim e pedindo para que acordasse.

Levantei e como de costume, arrumei o café. Comemos juntos e depois me despedi do pessoal dizendo que levaria minha irmã para casa.

Espero que ela não faça isso novamente... O estresse foi grande e traumático.

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3