New Ways...
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Akashi’s POV on
Finalmente, o recesso passou e as aulas voltariam. Os dias que antes se fixavam em rotina, agora estavam mudados. Para melhor, claro — o clima dentro de casa estava mais ameno, fazendo com que os momentos fossem agradáveis.
Acordei naquela manhã, com uma enorme vontade de não me levantar. Fiquei até tarde pensando nas coisas que tinham acontecido, mas, quando meu pensar encontrou as coisas boas vindas de nós, levantei-me na mesma hora. Afinal, também tinha que acordar Ryouta, que babava em seu travesseiro, com o cabelo desgrenhado e pontudo, o qual cobria uma parte significativa de seu rosto. Peguei meu travesseiro e o investi contra o rosto do loiro, fazendo-o acordar com um pulo. Nesse instante senti uma imensa vontade de rir, o rosto assustado dele era realmente engraçado.
— Akashicchi! — ele parecia bravo.
— Seu babão! — disse, batendo-lhe com o travesseiro novamente e correndo.
Depois disso, me peguei pensando se eu realmente estava bem hoje. Fui para cozinha e Makoto estava lá, como de usual, preparando café.
— Bom dia! — desejei-lhe.
— O que aconteceu com você? Hm... Acho que não quero saber, seu safado. — ele disse, começando a rir. Eu devia estar corado.
— Qual é o seu problema? Se tivesse visto o que eu vi estaria do mesmo jeito. — falei, sentando-me.
— E o que você viu? — ele tinha um sorriso no rosto.
— Ryouta babando. — falei sério e nesse mesmo instante ele desatou a rir.
— Bom dia. — Shintarou invadiu a cozinha, fazendo-nos ficar em silêncio. — Desculpe atrapalhar a fofoca das senhoritas, podem continuar.
— Que senhoritas? — interveio Kiyoshi, saindo de seu quarto, em meio a um bocejo.
— Nenhuma, Kiyoshi. — eu disse e ele pareceu confuso.
— Cheguei! — Ryouta veio saltitando do quarto. Makoto e eu nos entreolhamos e começamos a rir.
— Estão rindo de que? — o loiro perguntou.
— Eles estão assim desde que cheguei, Kise. — o de óculos disse. — Ignore-os.
— Mas eu quero saber! — ele disse, me abraçando.
— Me solta!
— Não até você me contar!
— Fiquem quietos! — Shintarou acariciava suas têmporas, indicando que, talvez, estivesse com dor de cabeça.
Kise me soltou e começamos a tomar café. Makoto estava inspirado porque o café estava do jeito que eu gosto. Doce. Então, tive a feliz ideia de olhar ao redor e me deparei com Kiyoshi olhando para Makoto com uma cara boba e tudo ficou claro.
Pegamos nossas coisas e saímos caminhando para a escola. Coloquei meus fones de ouvido e fui observando a paisagem. Nunca havia notado o quanto era arborizado. Chegava até ser bonito. As árvores, com suas folhas começando a tomar o tom amarronzado do outono, invadiam a beirada da calçada. Uma borboleta voava bem a frente calma que combinava, coincidentemente, com o ritmo da música em meus ouvidos. O sol brilhava bem acima de nossas cabeças, fazendo a paisagem parecer quente e agradável.
O trajeto foi tão rápido e viajante que mal percebi quando chegamos à faculdade e fomos nos dispersando. Tirei os fones e me despedi de Makoto quando minha sala chegou. Mais cedo, durante o percurso, Ryouta deu a ideia de jogarmos basquete com alguns colegas de classe dele. Eles jogariam contra a classe que cursava História, apenas por diversão.
Eu confesso que gostava de basquete, apesar de minha infância ter sido um pouco solitária. Vivia dentro de casa, apenas observando os outros garotos da minha idade se divertindo na rua e quando tentei convencer meus pais de iria apenas jogar, os mesmos recusaram-se a me deixar sair, dizendo que se eu quisesse jogar eles contratariam um técnico particular. Não havia outra escolha, então aceitei de bom grado, porém, depois de algum tempo, o que era para ser divertido, tornou-se chato, afinal, não se joga basquete com uma só pessoa.
No mesmo instante em que a proposta foi jogada ao ar, Shintarou a recusou, dizendo que não jogaria com os outros, mas — não sei como — Ryouta o convenceu de que seria legal. Sabia que ele não havia aceitado por inteiro — sua expressão transmitia isso. Todos concordaram que não seria tanto sacrifício aceitar e marcamos um ponto de encontro perto da quadra.
Estava tão perdido em pensamentos que nem percebi que tinha perdido metade da aula.
***
Após as aulas, encontrei Makoto saindo de sua sala.
— Você acha que é uma boa ideia? — perguntei.
— Não. — ele sorriu.
— Eu acho que devíamos tentar.
— Você? Nossa, que mudança.
Não respondi. Andamos em silêncio pelo resto do percurso e de longe víamos Ryouta brincando com Kiyoshi e Shintarou tentando fazê-los parar. Tudo estava normal.
Andamos até a quadra e pingos de chuva começavam a cair do céu que agora estava cinza, bem diferente de mais cedo. Senti que algo aconteceria nesse dia, porém tentei ignorar a situação e me concentrar. Lá, alguns dos jogadores não estavam e alguém veio nos informar de que eles tinham recebido um trabalho de ultima hora. Então, nós que ficaríamos no banco, tivemos que substituí-los.
A outra turma ainda não tinha chegado, então, não nos apressamos em ir ao vestiário vestir nossas roupas esportivas.
Shintarou parecia um pouco deslocado por entre os corpos seminus, mas logo, tratou de se trocar também. Olhei ao redor e Makoto parecia entusiasmado — para não dizer outra coisa — com Kiyoshi, que nem percebia o olhar fixo nele e bem, confesso que me deu vontade de olhar para Ryouta, mas não o fiz.
Abrimos a porta do vestiário e nos deparamos com o outro time e quando meus olhos se encontraram com outros desafiadores, não acreditei. Um dos adversários era aquele cara que tinha batido no Ryouta, que parecia ter percebido também, pois se encolheu atrás de mim.
— Não tenha medo, Ryouta. É agora que resolveremos isso.
— Mas, Akash...
— Não se preocupe, eu vou marcá-lo e ele não encostará um dedo em você.
Makoto viu que eu parecia diferente e me chamou.
— Akashi, o que está havendo?
— Aquele é o babaca que bateu no Ryouta. — disse, inclinando a cabeça na direção do garoto robusto se alongando no outro lado da quadra.
— E o que faremos?
— Eu vou acabar com ele.
— Tudo bem, só vê se não faz merda. — ele me advertiu.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, Kiyoshi nos puxou. O jogo começaria.
Ficamos em fila para nos cumprimentar e na hora que o outro me viu, percebi um leve sorriso em sua boca. O prendi em um aperto de mãos firme, que ele retribuiu. Enfim, eu teria minha vingança.
Olhei para Ryouta e ele parecia inquieto. Ele olhou de volta e eu sorri, tentando fazer com que ele se tranquilizasse.
Pareceu funcionar, pois o mesmo sorriu de volta, o que me trouxe coragem também.
O jogo começaria então. O apito soou e começamos com a vantagem da bola, afinal, Shintarou era muito alto. Ele foi designado como líder e armador, enquanto Ryouta e Kiyoshi ficaram como pivôs e sobrou para Makoto e eu trabalharmos como alas — eu ficaria do lado direito e ele do esquerdo.
— Shintarou! Aqui! — eu disse e quando recebi a bola corri o mais rápido que pude.
Vi que tinha uma abertura entre o número 2 e o 6 do outro time e então passei a bola para Ryouta, que pulou e acertou a cesta. A primeira.
Corremos para a retaguarda esperando o outro time, que se mostrou bastante confiante e de perto, aquele cara, que descobrimos ser líder, era mais alto do que eu havia visto naquele dia. Eles conseguiram passar por Ryouta, mas Kiyoshi o parou e passou a bola para mim. O time adversário era rápido. Makoto conseguiu uma abertura e passei a bola pra ele, mas ele ficou impedido, tendo que passar a bola novamente para mim. Olhei ao redor e vi Shintarou, ele estava um pouco longe da cesta, mas se arriscasse conseguiria acertar uma de 3 pontos e ganharíamos alguma vantagem sobre o outro time. Não havia tempo, os outros jogadores vinham para me marcar e então percebi que ele conseguiria — fiz o passe. Ele agarrou a bola e jogou. Estávamos todos esperançosos e era como se não houvesse barulho no recinto, a única coisa que todos observavam era a bola e se trajeto linear até a cesta e quando ela chegou, a bola entrou. Ela entrou! Logo, toquei as mãos com Shintarou impressionado pelo jeito como, mesmo nervoso, conseguiu acertá-la sem nem mesmo qualquer erro.
Todos jogavam muito bem, porém, o time adversário avançava. Após muitas cestas, estávamos cansados e suados. Não aguentaríamos mais correr e então olhei para o placar e o mesmo encontrava-se em 15 a 13 para nós. Eles conseguiram nos alcançar, porém, quando menos esperávamos, nosso desejo interior foi atendido e o apito soou mais uma vez, indicando o final do primeiro tempo.
Sentamos no banco do nosso lado da quadra. Como não era um jogo oficial, tivemos que pegar água nos bebedouros da quadra. Joguei água pelo rosto, lavando o suor que escorria pela minha face. Agora bebendo água, olhei para o lado e vi que aquele mesmo ser me encarava. Não tínhamos nos esbarrado durante o primeiro tempo, mas tenho certeza de que ele faria isso acontecer em alguns minutos.
***
O segundo tempo deu-se início e voltamos à nossa tática de passes, porém, o jogo do outro time parecia ter mudado. Eles estavam marcando mais e os espaços que existiam antes, agora eram ocupados por jogadores fortes. E adivinha quem veio para me marcar? Sim... Ele. Agora era o momento.
Desta vez, o adversário começou com a vantagem, nos ultrapassando. Não iríamos desistir tão cedo.
Makoto roubou a bola e no momento que eu ia recebê-la, algo me empurrou e a última coisa que senti foi meu rosto batendo contra o chão duro.
— Akashicchi! — Ryouta veio me levantar, mas dispensei sua ajuda e pus-me de pé sozinho. Minha cabeça parecia girar e minha visão parecia desfocada, mas aos poucos fui me restabelecendo.
Olhei para trás e o culpado parecia sorrir, levantando os braços como se num ato de rendimento. Senti o sangue pulsar em minhas veias e jurei matá-lo quando tudo acabasse.
O jogo prosseguiu e Shintarou continuava com suas cestas de 3 pontos, nos dando vantagem. O placar agora estava 33 a 28, ainda para nós. Estávamos conseguindo. Todos estavam se empenhando bastante nos passes e nas cestas. Erramos alguns, mas nada podia parar nossa sintonia.
Encontrávamos-nos novamente suados e cansados, mas agora nada mais podia nos vencer, nem mesmo nossa própria exaustão.
***
Finalmente, o jogo terminou. Eu não sabia o que fazer — nunca tinha me sentido tão feliz.
Aquele tal garoto parecia irascível com a perda.
— Idiota! Eu mandei se afastar de mim! — ele disse, segurando minha blusa e desferindo um soco em minha face. Nesse momento o reitor da escola passava.
— Posso saber o que está acontecendo aqui?
Porém, ele parecia não ter escutado e jogou a bola em suas mãos na pessoa dona da voz, fazendo os outros do time dele o segurarem, pasmos. Ele foi retirado de quadra e Shintarou o seguiu, falando algo sobre querê-lo fora da instituição.
Eu estava tão atordoado que sequer escutei direito a conversa. A única coisa que vi foi meus amigos me levantando.
***
Mais tarde, todos estavam em casa, já de banho tomado. Pareciam surpresos tanto quanto eu com relação à harmonia entre nós hoje. Shintarou disse que conseguiu que o garoto fosse expulso, o que fez Ryouta triste, porém, tranquilo e se ele estaria bem e seguro, eu não me importaria com mais ninguém.
O cansaço tomou conta de nossos corpos e decidimos ir dormir cedo, afinal, ainda teríamos aula amanhã. Comi algo e quando cheguei ao quarto, Ryouta estava me esperando.
— An... Akashicchi. Obrigado por me defender. — ele corava enquanto dizia.
— N-não foi nada. Eu nunca o deixaria machucar você novamente.
Quando menos esperava ele se levantou e me deu um beijo. Realmente um beijo.
Quando ele me soltou, o abracei e assim ficamos por algum tempo. Eu estava desconcertado e podia sentir meu rosto queimando. Nos deitamos — o dia seguinte nos aguarda.
Akashi’s POV off
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