Notas iniciais
Olá pessoas! Ia postar mais cedo, mas fiquei tão empolgada com a apuração dos votos que acabei esquecendo! xD Bem, de qualquer forma, aí está! :3 Boa leitura!

Hanamiya’s POV on

Deixando claro uma coisa: mesmo com as brincadeiras por parte dos outros e a aproximação, não, eu e Kiyoshi não estamos juntos!

— Eu já disse pra você sair de perto de mim! – falei empurrando-o de minha cama.

— Mas, Miya-chan...! – reclamou Kiyoshi.

— Sai! Eu não quero você perto assim! – continuei tentando empurrá-lo, mas como ele é pesado, não fez a mínima diferença. – Kiyoshi, você tem a sua cama, deite-se nela!

— Mas...

— Sem “mas”! – decretei virando-me de frente para a parede. – Vá para a sua cama.

É ótimo iniciar o dia com uma briga. Ótimo.

Após o acampamento, onde tivemos que dormir com o Midorima, eu e Kiyoshi nos aproximamos bastante. Mais até do que depois do ocorrido na boate. Acho que as brincadeiras dos outros contribuíram para tal feito e penso que isso tenha sido como firmar um compromisso na mente de dele. Mas, não, nós não estamos juntos e ele não pode sair me abraçando, deitando na minha cama e encostando em mim! Prefiro até que não me olhe!

— Miya-chan... – me chamou.

— Já foi para a sua cama? – perguntei sem nem mesmo olhá-lo.

Ele ficou em silêncio. Não havia saído da minha cama ainda e tive a impressão de que estava me olhando. Não se mexia e nem esboçava reações.

Eu continuei parado, esperando algo dele, mas nada veio.

— Kiyoshi o que voc...? – me virei para ver o que ele fazia e fui interrompido por um beijo.

***

— Porra, eu já falei pra você me deixar em paz! – gritei, sem me importar se os outros estavam dormindo, passando pela porta do quarto e ele me seguiu segurando uma de minhas mãos. – Me solta!

Puxei o braço e consegui me soltar, indo em direção a cozinha, deixando Kiyoshi parado no meio do corredor.

Era de manhã, eu teria que preparar algo para comermos agora e depois deixar o almoço deles preparado, para somente esquentarem, teria compromisso à tarde novamente e não estaria aqui para acompanhá-los, então, já deixaria tudo arrumado.

— Vocês dois são escandalosos demais. – disse Midorima chegando à cozinha.

— Já era hora de acordar, não me culpe por sua preguiça. – rebati, enquanto colocava o arroz para lavar e tomava conta do café.

— Arroz no café?

— Terei um compromisso durante a tarde, então deixarei o almoço pronto de uma vez, vocês só terão que esquentar.

— Esquentar? Eu tenho cara de quem come comida requentada? – reclamou ele enquanto sentava-se à mesa.

— Você quer que a comida seja feita na hora? – ele assentiu e continuei. – Então faça você mesmo.

— Esta é a sua responsabilidade. – insistiu ele. – Afinal, esta tarefa foi escolhida por você mesmo. Se não é competente o bastante para cumprir o que fora prometido, não prometa mais.

Meu dia já havia começado mal, aquela discussão estava me deixando ainda pior.

— Até onde eu sei, estou cumprindo minha tarefa. – falei. Autocontrole Makoto, autocontrole é tudo na vida. – Minha tarefa é fazer a comida, eu estou fazendo a comida, só não estarei aqui na hora do almoço, por isso vou deixá-la pronta, só não será exatamente na hora do almoço, será um pouco antes.

— Então aproveite, faça a comida da semana inteira e congele. – ironizou ele.

Contei de um até um milhão, cem vezes.

— Midorima, hoje eu tenho um compromisso e realmente não posso faltar, será que dá pra colaborar? Por favor. – expliquei com o tom mais sério e ameno que consegui, eu realmente precisava da compreensão dele, mas acho que seria difícil. – Eu estou implorando.

— Este pessoal sai para dançar e temos que comer comida fria. – disse Midorima. Parecia mais estar falando consigo mesmo do que comigo, mas aquilo me irritou... Me irritou muito.

Quer saber? Foda-se o autocontrole.

— Olha aqui, eu não sou como você que tem tudo o que quer na hora que quer, tudo bem?! – falei. Acho que falarei mais do que devo... – Eu realmente não queria discutir com você e por isso decidi fazer o almoço antes de sair de casa, sei muito bem que é a minha obrigação e não queria deixá-los na mão. Pensei que você compreenderia e não ficaria reclamando por ter que esquentar a comida e falando esse tipo de coisa sem nem mesmo saber do que se trata o meu compromisso, uma vez que eu sempre venho para cá e faço o que me foi imposto nos horários certos mesmo tendo coisas importantes para fazer!

Falei mais alto do que queria e acabei chamando a atenção dos outros três, que agora formavam uma pequena plateia para nossa discussão.

— Tome cuidado com o jeito como você fala comigo rapaz. – respondeu Midorima em tom de ameaça. – Não tenho culpa dos seus problemas de dançarino noturno.

Aquilo foi à gota d’água. Sem nem mesmo perceber, eu já havia partido para cima dele e minha mão fechada o acertara em cheio no rosto, derrubando seus óculos.

— Hanamiya! – falou Kiyoshi enquanto me segurava pelos braços. – Fica calmo!

— Midocchi, você está bem?! – perguntou Kise enquanto ia verificar se Midorima havia se machucado.

— Eu estou bem, Kise. – Midorima respondeu e me lançou um olhar nada amigável. – Saiba que isto não ficará assim, Makoto. – ele completou sua frase e pegou seus óculos, saindo da cozinha depois.

Kiyoshi me soltara. Meu corpo inteiro tremia e eu ainda estava nervoso. Quem ele pensa que é para falar dessa forma com os outros sem ao menos conhecê-los direito?!

— Devo te parabenizar por isso, Miya-chan. – Akashi sorriu. – Tem coragem de bater em um cara que pode te tirar dessa faculdade apenas estalando os dedos.

— Cale a boca. – falei no mesmo tom sério de antes, enquanto voltava a preparar o almoço. Eu realmente não estava com vontade de conversar, havia escutado o bastante de Midorima e não queria mais confusão.

— Makocchi, por que você bateu no Midocchi?! – questionou Kise indignado, parecia realmente bravo comigo. Não respondi, apenas continuei preparando os ingredientes, enquanto sentia lágrimas correndo por meu rosto. Não sei ao certo se era raiva, só sei que não consegui segurar e as deixei cair. – Makocchi, você está choran...? Makocchi!

Larguei tudo o que eu estava fazendo e saí da cozinha. Não queria chorar na frente deles, apesar de já ter começado, não mesmo. Não queria ninguém sentindo pena de mim.

Entrei no banheiro e fechei a porta.

Não queria ser incomodado por ninguém.

Minutos ignorando as batidas de Kise e Kiyoshi na porta, saí do banheiro e fui direto para a cozinha. Midorima estava lá, sentado tomando seu café da manhã, preferi ignorá-lo e continuar fazendo o almoço, não tomaria café da manhã só para não ter de ficar mais tempo perto dele.

Após terminar tudo, tomei um banho, peguei as coisas que precisaria e saí me despedindo de Kise e Kiyoshi, que insistiam em perguntar se estava tudo bem. Akashi apenas me deu tchau e Midorima nada disse, nem ao menos me encarou.

***

Quando voltei para casa já passava das seis da noite e estava escuro.

Kise estava na sala junto de Kiyoshi, sentado no sofá com um caderno em mãos, enquanto o outro estava no tapete lendo um livro. Akashi e Midorima estavam em seus quartos.

Passei pela porta chamando a atenção de ambos.

— Makocchi! – falou o loiro. – Pensei que fosse voltar mais tarde.

— Não, consegui resolver tudo cedo. – expliquei, andando até ele e sentando-me ao seu lado no sofá. – O que está fazendo?

— Dando uma olhada em uma disciplina que tenho dificuldade no curso. – explicou, deixando-me surpreso. – Isso não entra na minha cabeça por nada e se eu ficar o tempo do recesso sem olhá-la será pior quando eu voltar, já que uma matéria complementa a outra.

— Qual disciplina? – perguntei.

— Cálculo e Matemática financeira. – Kise respondeu carregando uma expressão dolorosa. – Isso é muito difícil, Makocchi!

— Por favor, Kise! Me dê isso aqui, deixe-me ver. – ele me entregou o caderno para que pudesse olhar suas anotações. Estava tudo bem organizado e dava para entender perfeitamente, não sei o motivo de toda essa reclamação. – Kise, você tem problemas com números?

— Sim, não gosto. – choramingou ele. – Mas eu preciso aprender isso.

— Eu posso te ajudar... – falei e tanto ele, quanto Kiyoshi me olharam surpresos. – Se você quiser, é claro.

— Sério?! – Kise estava mais surpreso do que eu esperava. Será que é tão surpreendente assim eu oferecer ajuda a alguém? – Você faria isso por mim?! Eu quero sim! – ele aceitou e me deu um abraço. – Muito obrigado Makocchi!

— Tá’, mas não precisa me abraçar! – reclamei, fazendo os outros dois rirem.

— Você é fofo Makocchi! Tão fofo quanto o Midocchi, só se faz de malvado.

— Cale a boca, idiota!

— Mas é verdade, não é Kiyocchi?!

— Sim, eu concordo com o Kise. – respondeu Kiyoshi. Pensei que talvez ele fosse parar de falar comigo depois de hoje cedo... – Você é fofo Makoto.

Não respondi nada, apenas os deixei rindo. Idiotas.

Ouvi o barulho de uma porta se abrindo, era Midorima, estava no final do corredor, saindo de seu quarto. Ele me deu uma olhada e entrou no banheiro. É... Pelo visto ele não desistirá de uma vingança.

— Makocchi, o almoço estava muito bom! – falou Kise largando o caderno. – Pena que você não estava aqui com a gente.

— É... – concordei. – Tive que resolver umas coisas.

— Algum problema sério, Miya-chan? – perguntou Kiyoshi.

— Não muito... – pensei um pouco antes de continuar. – Mas terei que sair amanhã novamente, provavelmente voltarei no mesmo horário...

— Aaah, mas aí você não vai almoçar aqui de novo?! – questionou Kise parecendo chateado.

— Vou sim, sairei depois do almoço. – olhei na direção do corredor. – Não quero arrumar confusão com o Midorima de novo.

Eles ficaram em silêncio, com toda a certeza ficaram com medo da reação de Midorima, assim como eu, nunca havíamos o visto tão quieto.

Então, sem nenhum aviso prévio ou sinal de chuva, eis que a energia acaba e vários gritos tomam conta do prédio, inclusive no nosso andar.

— Ai meu Deus! Kiyocchi, Makocchi socorro!

— Caralho Kise, você pisou no meu pé!

— Mas eu estou parado!

— Então foi o Kiyoshi!

— Eu também estou!

— Então quem foi?! – perguntei quase entrando em pânico.

— Um fantasma. – uma voz que antes não estava presente no cômodo respondeu, nos fazendo gritar.

— Makocchi me salva! – gritou Kise. – Me deixa te abraçar!

— Kise, você não está abraçando o Hanamiya, está me abraçando. – esclareceu Kiyoshi.

— Vocês são muito medrosos. – a voz ainda desconhecida falou novamente.

— É você não é, Akashi?! – questionei e ouvi uma gargalhada. – Eu sabia filho de quenga!

— Você assustado é a melhor coisa do mundo, Miya-chan. – debochou o ruivo.

— Cale a boca, Maria! – falei.

— Ninguém tem uma lanterna ou um celular?

— Perdi meu celular no escuro, nem imagino onde o deixei. – respondeu Akashi. – E vocês?

— Sem bateria.

— Não sei onde está.

— Também não.

— E o Midocchi, gente? – questionou Kise, fazendo todos se perguntarem a mesma coisa. A casa estava escura e nem sinal de Midorima. Onde ele estaria? No banheiro ainda?

Um barulho vindo do final do corredor, onde era o banheiro, chamou a atenção de todos.

— Midocchi? – perguntou Kise.

— Estou aqui. – falou Midorima, creio que ao chegar à sala, arrancando risos do demais ao continuar sua frase. – Maldição, estava terminando o banho quando a luz acabou.

— Bem feito, eu disse que tomaria banho antes e você não deixou. – debochou Akashi.

— Cale-se. – ordenou Midorima. – Eu preciso de roupas. Alguém poderia ir comigo até meu quarto para poder pegar?

— Você está nu? – questionou Akashi.

— Sim, esqueci minhas roupas no quarto.

— Por que com ele vocês não brigam?!

— Porque foi um acidente! – eu respondi. – Alguém, por favor, vá até o quarto com o Midorima, seria muito desagradável se a luz voltasse nesse momento!

Kiyoshi aceitou, porém, Midorima não quis que ele o acompanhasse, dizendo algo sobre Kiyoshi tentar agarrá-lo. Bom, no final de tudo, eles acabaram indo juntos até o quarto e voltando sem nada ter acontecido.

***

Era por volta de oito horas da noite e nada do retorno da energia. Havíamos pegado velas e ainda estávamos todos na sala sentados no tapete, devido ao calor infernal. O tédio reinava naquele apartamento.

— Por que não jogamos verdade ou consequência? – perguntou Kise esperançoso.

— Não! Isso já nos causou traumas demais! – lembrei, encostando-me na pessoa ao lado, que penso ser o Kiyoshi, uma vez que este passou o braço por cima de meus ombros e me abraçou. Ignorei o ato. – Não vamos jogar aquilo de novo.

— Eu concordo com o Miya-chan. – falou Kiyoshi, comprovando o que eu pensava, eu havia me encostado nele realmente. – O jogo causou alguns conflitos, Kise.

— Aah! – reclamou o loiro. – Mas eu quero fazer alguma coisa!

— Vá dormir. – sugeriu Midorima.

— Eu tive uma ideia. – Akashi falou seguido de uma risada estranha e se levantou, saindo da sala em direção a seu quarto. O que será que esse retardado pensou?

Akashi saiu do quarto indo direto em direção a janela que ficava no final do corredor e dava de frente com a rua. Todos o seguimos e ao me aproximar dele, vi que ele carregava um pote.

— O que é isso Akacchi? – perguntou o loiro que vinha logo atrás de mim.

— Bolinhas de gel. – explicou o ruivo. – Antes de eu fugir de casa, quando acabava a luz, eu e meus irmãos costumávamos ir para a janela e ficar jogando nas pessoas que passavam na rua, era algo engraçado.

Pela primeira vez na vida o vi com um sorriso sincero no rosto, a luz estava baixa, havia apenas uma vela no corredor, mas mesmo assim, pude vê-lo sorrindo.

— E pra que você tem isso? – perguntou Midorima.

— Justamente para essa ocasião.

— Quantos anos você tem? Cinco? – questionou Midorima voltando para a sala. – Não vou compactuar com isso.

— Vocês seguirão o senhor perfeição ou vão querer fazer algo para passar o tempo? – perguntou Akashi direcionando-se a mim, Kiyoshi e Kise.

Acho que não custa nada tentar.

***

— Meu Deus, vocês viram?! – perguntou Kise rindo descontroladamente. – O Makocchi acertou a mulher e ela ficou procurando o que era!

— Sua mira é boa, Miya-chan. – elogiou Akashi com certo deboche ao pronunciar o apelido. – Onde aprendeu isso?

— Obrigado Maria. – agradeci usando o mesmo tom. – Meu passa-tempo costumava ser jogar dardos.

— Cuidado com o Makocchi! – alertou Kise arrancando risos dos outros. – Principalmente quando ele estiver cozinhando, se ele estiver com a faca na mão, já era!

Nós quatro continuamos jogando bolinhas de gel nas pessoas que passavam nas ruas e rindo até o movimento cessar. Após isso, retornamos à sala e lá estava Midorima, sentado sem fazer absolutamente nada.

— O que vamos fazer agora? – perguntou Kise, sentando-se ao lado do de cabelos verdes.

— Que tal se nós contarmos... – sugeriu o ruivo sussurrando as últimas palavras e soltando uma gargalhada alta na intenção de causar medo no loiro. -... Histórias de terror!

Ao ouvir isso, Kise agarrou o braço de Midorima que reclamou um pouco, mas depois acabou aceitando.

Akashi começou a contar as histórias e cada palavra, Kise grudava mais em Midorima e Kiyoshi se agarra a mim. A noite seguiu dessa forma, até que por volta das dez horas, todos resolveram ir dormir, cada um em seu quarto e eu não fui diferente. Estava no quarto deitado, virado para a parede, fitando a mesma. Kiyoshi ainda não estava deitado, saíra do quarto falando que iria beber água. Não disse nada, apenas me deitei e fiquei esperando o sono vir. Não havíamos conversado direito depois do que aconteceu naquela manhã. Eu nem mesmo sabia se ele queria conversar comigo, pensar nisso estava me dando dor de cabeça e não me deixava dormir. Ouvi o barulho da porta se abrindo e logo em seguida se fechando, Kiyoshi então estava dentro do quarto, ele andou até sua cama e depois parou. Não conseguia mais ouvir seus passos e pensei que ele havia se deitado.

Poucos minutos se passaram e eu senti o colchão atrás de mim se afundando e ele se deitando ao meu lado.

— Está acordado Miya-chan? – perguntou próximo ao meu pescoço e sua respiração quente me fez arrepiar.

— S-sim. – gaguejei ao responder. Droga.

— Posso ficar aqui com você um pouco?

Hesitei em responder, eu não sabia o que estava sentindo, ficar perto dele me fazia esquecer a briga e todas as coisas que Midorima me disse, coisas que ainda me perturbavam, mas acho que se eu desse abertura, mais tarde ele poderia usá-la contra mim...

Resolvi arriscar.

— Sim. – respondi e ele se levantou um pouco para fitar meu rosto. Sua expressão era assustada e eu não entendi direito o motivo. – O que foi?

— Eu posso... Mesmo?

— Sim. – respondi novamente recebendo um sorriso singelo. Ele se deitou e me virei para encará-lo.

— Obrigado Miya-chan. – Kiyoshi agradeceu e eu não entendi o motivo. Isso era tão importante assim para ele?

Fiquei quieto sentindo o leve carinho que ele depositava em meu rosto. Estávamos abraçados... Sei, totalmente contraditório ao que eu disse mais cedo, mas... Eu queria aquela aproximação, eu precisava daquilo.

Então, aos poucos ele se aproximou de mim e selou nossos lábios e para sua... Bem, para a minha surpresa também, eu cedi e me deixei ser beijado por ele.

Adormecemos pouco tempo depois.

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3