Notas iniciais
Olá pessoal! :D Queremos agradecer a todos as pessoas que acompanham a fic e também àquelas que comentam, na maioria das vezes demoramos um pouco pra responder por conta do colégio, mas saiba que nós lemos e que adoramos! Obrigada mesmo! *O* Boa leitura!

Kise’s POV on

Uma ovelhinha. Branquinha e fofa, cheia de lã. Ela está saltitando e vindo na minha direção. Olha, ela está vindo! Oi ovelhinh... Akashicchi? Você me atrapalhando a ver a ovelhinha. Saia da minh...

— Acorda e me solta, idiota!

— Akashicchi? O que houve? — disse, o soltando e coçando meus olhos.

— Levante-se, Ryouta. Já passou da hora. — ele parecia irritado.

Minha cabeça ia desanuviando e só então pude perceber a confusão que se formava na sala. Levantei-me e andando devagar encontrei os outros três, falando sobre algo, com semblantes indignados. Midocchi era o que parecia mais incomodado.

— O que está acontecendo? — falei em meio a um bocejo.

— Este cachorro é um demônio! — Midocchi andava de um lado a outro, parecendo bastante irritado. — Um demônio!

— Que cachorro?

— O da vizinha, você não escutou nada? — Kiyocchi disse

— Não.

Eu não fazia ideia do que eles falavam até que, como num ato de provação ao que falavam, comecei a escutar latidos altos.

— Ah, esse.

— Sim, um demônio! Vou matá-lo.— o de óculos parecia realmente estressado. — Akashi, empreste-me a tesoura.

— Você nunca encostará um dedo nela. — o ruivo pronunciou-se.

— Mas que merda de dor de cabeça. — Makocchi saiu, murmurando algo sobre ir tomar um remédio.

— Por que não vamos falar com a vizinha? — eu disse, pensando ser um ideia mais do que sensata.

— Você acha que já não tentamos isso, idiota? — Midocchi respondeu.

— Midocchi! Não seja mal! — choraminguei.

— Parece que a dona do apartamento viajou e deixou o cachorro.

— Irresponsável!

— Acalme-se, Midorima! — Kiyoshi andou um pouco na direção do ser enfurecido, sendo parado por um sinal negativo.

— Não se aproxime de mim! — ele disse, enquanto ajeitava os óculos em sua face.

— Ele deve estar com fome! — eu falei, cortando a cena que se formaria, entristecido pelo fato do cachorro estar sozinho. — Ele deve estar com medo também. Já sei! Vamos levar comida a ele! — continuei.

— A proprietária não deixou chaves, aparentemente, Kise. — Kiyoshi parecia sofrer da mesma dor que eu.

— O que faremos, Midocchi?

— Acho que se triturarmos os confetes de veneno, conseguiremos passá-los por debaixo da porta.

— Midocchi! Falo sério!

— Calem a boca! Minha cabeça ainda dói! — Makocchi voltava da cozinha, com um copo de água em mãos.

Sem algum motivo, Midocchi deixou a sala. Presumiu-se, então, que seria por conta da briga de ontem. Olhei ao redor e o único que parecia não se importar muito com a situação era Kiyoshi — este, perguntava a Makocchi se o mesmo estava bem ou se queria voltar a dormir. Akashicchi parecia um pouco distante também, sentado no sofá, lendo algum tipo de livro — que identifiquei como sendo relacionado à física. Como ele consegue? Bem, cheguei à conclusão de que ele seria mais feliz que eu por fazer o que realmente gosta e não fazer por ser obrigado, como no meu caso.

Resolvi, então, deixar tais pensamentos de lado e voltar ao quarto, que se encontrava zoneado. O arrumei e troquei de roupa, para, enfim, tomar café.

***

Este dia, em especial, parecia um pouco vazio. Será que é por causa das férias?

Senti falta da minha casa pela primeira vez. As coisas por aqui não estavam dando tão certo como davam. Não gosto de ver meus amigos discutindo por coisas bobas, como estavam fazendo. Eu quero todos bem e se divertindo. Bem, pelo menos por agora, não quero pensar nisso. Que cheiro é esse? Makocchi deve estar preparando algo na cozinha.

Levantei-me e andei pelo corredor seguindo o cheiro que vinha da cozinha, porém, algo me interrompeu. A princípio pensei ser Kiyocchi — parecia estar conversando com alguém, provavelmente pelo celular. Furtivamente colei meus ouvidos na porta numa esperança boba de escutar o que se passava.

— Sim. — me enganei, era o Makocchi. — Sim mãe, eu vou hoje à tarde de novo, não precisa se preocupar. — é a mãe do Makocchi! — Não precisa se preocupar, estou de recesso da faculdade ainda, posso trabalhar com você durante à tarde. — espera... O Makocchi trabalha com a mãe dele? — Tudo bem, a senhora pode ficar cuidando do pai, eu tomo contada loja. — ele continuou. — Não mãe, isso não vai me deixar cansado, não estou fazendo nada durante as tardes. — cuidar do pai? Será que está acontecendo alguma coisa na casa do Makocchi? — Não, só vou trabalhar à tarde, o dono do bar está fazendo uma reforma e só vou voltar a trabalhar lá quando minhas aulas voltarem, não preciso trabalhar durante a noite... Sim, estou conseguindo suprir minhas despesas, não se preocupe mãe. — ficou em silêncio. — O que? Por que ela fez isso? Não, não deixe mais. — estou pasmo, Makocchi trabalha à tarde e à noite. — Eu posso conversar com ela se a senhora quiser... — quem será “ela”? — Está bem, mande um abraço para o papai. — fez outra pausa. — Tudo bem, eu também te amo mãe. Tchau.

Rapidamente — quando escutei movimentação em direção a porta — me retirei e voltei para meu quarto. Eu estava muito atônito. Nunca imaginaria que o Makocchi passava, talvez, por dificuldades em casa e que trabalhava durante dois períodos. Acho que eu não deveria contar a ninguém, pode ser que ele fique chateado comigo.

***

Durante a tarde, a única coisa que se passava pela minha mente era se iria ou não conversar com o Makocchi e decidi, enfim, que não diria nada.

Fui até a sala e Akashicchi estava lá. Os outros provavelmente estariam fazendo outras coisas. Era tarde da noite, não sei o porquê dele estar ali.

— Akacchi? — disse para a figura negra, sentada no sofá. Sabia que era ele, apesar do escuro — seus olhos heterocromáticos pareciam brilhar no breu, o que me trazia calafrios.

— O que quer?

— Eu vim beber um copo de água e dei de cara com você, tenho que fazer perguntas.

— Eu estou sem sono. — ele disse.

— Bem, posso acompanhá-lo, se quiser. — no mesmo instante, o vi dar palmadas no sofá para que eu me sentasse, o que me fez duvidar se a situação era realmente real.

Sentei-me e quando eu menos esperava, ele me deu um selinho tímido.

— A-aka...

— Shhh, não diga nada. — ele me interrompeu, colocando um dedo, que identifiquei como o indicador, na minha boca.

Ele acomodou-se em meus braços e ficamos abraçados por algum tempo, em silêncio para que ninguém acordasse. É... Esse dia estava realmente me surpreendendo. Passando a mão por suas costelas, pude perceber o quão pequeno ele era perto de mim e eu gostei disso, gostei do jeito como ele se apoiava em mim, do calor da sua pele. Se eu pudesse, ficaria assim para sempre, porém, temi que alguém se levantasse com o mesmo propósito que eu tinha anteriormente.

— Venha, Akashicchi. Vamos para o quarto, alguém pode nos ve...

— Que porra é essa? — identifiquei o sussurro como Makocchi.

— N-nada, Makocchi, estávamos indo para o quarto, eu vim só pegar água.

— Sei... — ele nos ignorou e foi em direção à geladeira, nos dando a deixa que precisávamos para escapar de tal situação constrangedora.

Chegando ao quarto, dei boa noite à Akashicchi e deitei-me, na esperança de que o mesmo viesse e se deitasse ao meu lado, o que, minutos depois, não aconteceu. Acho que estava com sono demais para me importar com isso e num piscar de olhos, adormeci.

***

O dia seguinte parecia, especialmente, mais estranho que o anterior. Achei que tudo havia sido um sonho, mas ao acordar e vislumbrar o rosto vermelho de Akashicchi me encarando, percebi que tudo fora real. Ele havia realmente me beijado.

Antes que pudesse falar algo, ele saiu, me deixando para trás com meus pensamentos. Arrumei minha cama e sai à procura de café, que, provavelmente, estaria esperando na cozinha.

— Bom dia! — eu disse a todos.

— Bom dia, Kise. — Midocchi e Kiyocchi disseram juntos.

Presumi, então, que não receberia mais “bons dias”. Sentei-me à mesa e me servi.

Olhando para Makocchi, meus pensamentos sobre a ligação de ontem voltaram com força total. Eu queria saber o que estava acontecendo com ele, queria ajudar, mas se falasse algo, ele ficaria bravo comigo ou iria se ofender. Sabia que isso não iria sair da minha cabeça tão cedo, então, tentei me fixar em algo além, como Akashicchi, que não conseguia disfarçar seu olhar. O que será que ele estaria pensando? Em nós dois talvez? Bem, não sei quanto a sexualidade dele. No dia em que eu e Makocchi nos revelamos gays, ele apenas se retirou como Midocchi, sem dar parecer algum sobre o assunto, porém, de repente, ele me beija. Estou confuso. Queria alguém para conversar. Midocchi seria minha escolha, mas acho que ele não se familiariza com esse assunto e eu não quero que ele me deixe por causa disso.

Percebo que estou me entristecendo por causa do turbilhão de coisas que surgem na minha cabeça e então procuro algo para fazer. Corro os olhos pela mesa e bem à minha frente, vejo que há bolhas em meu café. Elas parecem flutuar como se tivessem tomando sol. Isso! É isso. Elas estão tomando sol enquanto se banham.

— Kiyocchi, perto da quadra, na faculdade, tem alguma piscina?

— Olha, Kise, eu nunca cheguei perto, mas existe uma sim. — ele respondeu.

— Ah! O que acham de irmos nadar? Faz tempo que não nado! Vamos, vamos!

— Não. — Midocchi e Akacchi disseram.

— Mas, espera! Ela não está em funcionamento, Kise. — Kiyocchi continuou.

— Ah. — disse triste.

— Ora, não fique triste, existem vários passatempos além de nadar. — o de óculos disse.

— Tudo bem, Midocchi!

Eu realmente queria nadar. Fazia tempo desde que não o fazia. Deixei a ideia de lado e terminei de beber o café, que estava morno.

Kise’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3