New Ways...
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Midorima’s POV on
Todos resolveram contar seus segredos estranhos nestas últimas horas. Ontem foi um espetáculo de confissões, uma mais bizarra que a outra. A que mais me chamou a atenção foi a do Kiyoshi, nunca pensei que ele fosse tão dissimulado a ponto de ficar me agarrando e me tratando bem só esperando algo em troca, isto que ele espera nunca vai se realizar. Do Kise e do Makoto eu espero tudo, até essa de sentir atração por outros homens, não me surpreendi muito, afinal o jeito deles já condenava um pouco.
Só tivemos aulas pela manhã hoje, à tarde todos os professores participarão de uma conferência que acontecerá no auditório da universidade. O almoço já estava quase pronto, pelo cheiro penso que seja fricassê de frango. Pelo menos algo gostoso para me ajudar a engolir tudo o que fora dito ultimamente.
— A comida está na mesa! — gritou Makoto batendo no que parecia ser uma panela. Parecia que estávamos num refeitório de pedreiros e não num apartamento de classe. Por que eles precisavam parecer tão pobres em tempo integral? Por que essa gente não pode ser fina e elegante pelo menos uma vez na vida? Pensei um pouco e acabei me sentindo um estúpido por ficar falando sozinho, acho que vou tomar minha valeriana para tentar me acalmar e não me exaltar durante a refeição.
Fui para a mesa em silêncio, não tinha vontade de conversar com ninguém. O ar estava tenso e qualquer palavra lançada poderia significar uma guerra. O remédio começava a fazer efeito me deixando ainda mais calmo do que de costume, mas logo iria passar e eu deixaria de parecer um retardado.
— Poderíamos brincar de verdade ou desafio novamente. — afirmou Kise quebrando o silêncio.
— Penso que esta brincadeira já fez estragos demais por aqui. — retrucou Makoto enquanto terminava de mastigar.
— Mas...
— Já chega Kise, continue comendo e fique quieto! — acabei me alterando, esta valeriana não adianta e nada quando se tem o Kise por perto.
— Você não precisa descontar sua raiva nele, Midorima! — disse Makoto com um tom de voz tensionado.
— Não me diga agora que vocês têm um romance também?! Já estou farto dessas demonstrações de amor por aqui, talvez fosse melhor ter ficado no apartamento daquele gordo horrendo, pelo menos lá não corro o risco de ser atacado por moleques salientes.
— Você não está com esta bola toda não, Midorima. — disse Akashi me irritando ainda mais.
— Não me lembro de ter me referido a você, tampinha ruiva. — fiz uma pequena pausa enquanto arrumava o talher em minha mão. — Fique na sua.
— Tampinha o quê? — Akashi se levantou me ameaçando com sua tesoura. — Repete.
— Tampinha ruiva ha, ha. — ironizei. — Penso que sua tesoura e você já perderam toda a credibilidade. Não sabe fazer mais nada na vida a não ser mostrá-la para os outros?
— E você não sabe fazer nada além de irritar os outros? Seu retardado, precisa ficar tomando remédios para te deixar calminho, isto é falta de sex...
— Penso que deveria ter cuidado com o que diz. — o interrompi não mostrando nenhuma reação de medo. — Uma palavra minha e você é jogado para fora desta universidade.
—Não tenho medo de você. Vou conter minha tesoura da próxima vez, mas não me irrite mais.
— Faça isso, será melhor para você.
— Parem de brigar e voltem a comer se não a comida esfria, por favor. — disse Kiyoshi tentando encerrar a discussão. — Fricassê frio não é muito gostoso.
— Fricassê é bom até frio. — disse Kise inocentemente.
— Parem, eu sei que sou um excelente cozinheiro, não precisam ficar me glorificando. — Makoto falou esbanjando modéstia e humildade, só que não.
— Está bom demais, Makocchi. O Kiyocchi é sortudo por ser seu nam...
— Cale a boca Kise, continue comendo! — interrompeu Makoto com certa ira. O comentário de Kise poderia trazer à tona a discussão de ontem.
— Me desculpe Makocchi, não vou perturbar mais. — disse Kise com certo receio de continuar falando. — Pega a tigela de fricassê pra mim Midocchi, por favor?
Não pude negar por ironia do destino esta se encontrava em frente ao meu prato. Entreguei a tigela sem ao menos olhar no rosto de Kise, ainda não esqueci as coisas que ele disse ontem à noite.
O restante do almoço foi silencioso. Após, todos foram fazer suas tarefas e eu, como já havia feito tudo, comecei a ler um livro sentado no sofá. Tudo ocorria tranquilamente até que fui atingido por um corpo estranho que caiu sobre meu colo. Foi tão repentino que nem pude tentar me esquivar e o idiota do Kiyoshi já estava em cima de mim.
— Me desculpe Midorima, foi sem querer. — disse ele tentando consertar o que foi feito. — Acabei escorregando no pano de chão, me desculpe.
— Sai daqui! Penso que já fez besteiras demais por hoje. — já estava farto daquele dia e agora me vem este imbecil com esta.
— Midorima, por favor. — disse Kiyoshi tentando se desculpar.
— Já chega! Não me ouviu dizer para sair daqui? Ou melhor, eu saio, pode deixar. — me levantei daquele sofá e fui para meu quarto. No caminho me deparei com o Kise, mas o ignorei e bati a porta para tentar me afastar de toda aquela corja.
Fiquei lá pelo restante do dia, ignorei o meu celular e as batidas na porta me chamando para jantar, só queria ficar sozinho por um momento. Penso que foi um erro ter negado o pedido de ir morar com o filho do presidente, lá pelo menos o gordo iria se distrair com as garotas e me esqueceria no quarto.
***
Um mês se passou, realmente nossa “amizade” estava em crise. Durante este período não faltaram brigas. Minha única distração foi estudar para as provas e fazer as tarefas de casa. Aquele ambiente sufocava qualquer um e eu tinha uma vontade enorme de ligar para meu pai e pedir um apartamento particular. Este por sua vez não daria, creio que ainda guarda ressentimentos do episódio da mudança e não moveria uma agulha para me ajudar, não neste momento.
— Ei, tive uma ideia! — gritou Kise. Por isso senti um leve odor de fumaça pela casa, finalmente ele teve uma ideia.
— Sei que vou me arrepender por isso, mas... — retrucou Makoto receoso. — Que ideia?
Apesar de não ter vontade nenhuma de me aproximar deles, fui ouvir o que o loirinho saliente tinha para falar. É sério, ainda estou sentido cheiro de fumaça!
— Que tal irmos à boate da praça hoje? — Kise fez a tão aclamada proposta.
— Prefiro ensaiar um coral. — afirmei desanimado, no fundo fiquei decepcionado por me levantar da cama só para ouvir aquilo.
— Não seja chato Midocchi, vamos.
— Me chamo Midorima, este é o meu nome. — já estava cansado de ser chamado assim por ele.
Quando virei às costas eis que ouço.
— Por favor, Midocchi.
— Não me chame de... — Kise se mostrava tão inocente que nem me atrevi a continuar minha bronca. — Vamos aonde quiser. — afirmei, mas logo me arrependi.
— Eu não vou à boate nenhuma. — retrucou Akashi.
— Mas é claro que você vai! — fiz um olhar amedrontador. — Quer que eu pegue minha tesoura? — eu estava realmente terrível hoje, digamos que sou o pai da ironia.
— Como quiser. — Akashi respondeu em voz baixa.
— Então vamos nos arrumar! — gritou Kise correndo ao quarto para mudar de roupa.
Uma hora se passou e estávamos prontos. Descemos aquela escada terrível e entramos no carro de Kise. Hoje era o dia de o Kise dirigir, rezei muito para que ele não fizesse nenhuma besteira no volante. A cada freada brusca era um terço que eu rezava, não sou muito devoto, mas preciso da ajuda de todos os santos para me manter vivo naquela situação.
Não demorou muito, ainda bem, para chegar à boate. Aquilo parecia um circo de tanta gente estranha. Era a primeira vez na vida que vi tantas pessoas feias num só lugar. Logo entrei e já veio um garçom me oferecendo uma batidinha.
— Tem álcool aqui dentro? — perguntei mostrando o copo ao garçom.
— Não, só batidinha. — respondeu o garçom com um sorriso de desprezo. Acho que este infeliz está pensando que sou idiota.
Tomei um copo, a batida era feita de maracujá e estava realmente uma delícia. Logo após este acontecido pude perceber que estava sozinho dentro daquele lugar infernal. O som estava abusivo e eu nem conseguia ouvir nada além daquela música terrível. Pobre não sabe se divertir direito ficam aqui ouvindo esta música alta e depois vão procurar um otorrino nos hospitais públicos, povo hipócrita.
Era tudo muito apertado, volta e meia alguém relava em mim então decidi sair da pista e ir sentar no balcão. Este lugar era um pouco elevado e dava para ver as pessoas dançando lá embaixo. Tudo ocorrendo do mesmo jeito, alguns minutos depois passou outro garçom e me serviu uma batidinha, desta vez de morango.
— Esta batidinha tem álcool? — perguntei, afinal odiaria ficar bêbado.
— Se quer álcool compre no mercado. — disse o garçom. Este cara além de ignorante ainda não sabe responder perguntas. Vou tomar assim mesmo.
Logo fui interceptado por uma garota muito atraente, esta por sua vez era um pouco burrinha, pois insistia em conversar comigo em meio ao som alto.
— Perdido por aqui? — disse falando perto do meu ouvido.
— Fui jogado aqui, é diferente! — afirmei gritando um pouco.
— Me chamo Jany Lancaster!
— Shintarou Midorima, prazer em conhecê-la.
— Belo nome. Como que se escreve?
— Depende. — afirmei ironicamente.
— De que? — a burra insistia em perguntar.
— Às vezes escrevo Carlão, Gilberto, Matheus, depende muito da ocasião. —não aguentei e tive que dar uma risadinha.
—Vejo que é bem humorado.
O raio da mulher vê que não quero conversar com ela, mas insiste em puxar assunto comigo.
— Vou dar um rolê por ai. — se estou numa boate tentarei falar como o povo nativo. Sai sem esperar uma resposta. Além de burra era chata e, além disso, eu nunca daria confiança para uma mulher que mal conheço.
Preciso encontrar com o Kise, me esqueci de que ele saiu de casa sem a coleira.
As pessoas faziam questão de relar em mim, tinha espaço, mas queriam ficar agarradinhos comigo. Senti um leve odor de catinga, penso que alguém arou um campo e foi para a boate sem se lavar. Andei um bocado até que encontrei o Kise numa máquina de jogos, este estava apostando com um caminhoneiro para ver quem fazia mais pontos. A aposta foi de cem reais, mas tive medo por duas razões: o Kise ganhar e apanhar ou o Kise perder cem reais num jogo idiota. Era um caminhoneiro, este estava cheio de tatuagens e uma argola no nariz parecendo uma vaca de ordenha. Por que as pessoas fazem isso? Devem se odiar muito.
Senti um leve calor em minha nunca.
— E aí boneca?! — disse o amigo do caminhoneiro quando tentei arrancar o Kise da máquina.
Virei para avaliar o sujeito. Este conseguia ser mais alto que eu, mais forte e aparentava um leve desvio feminino. Não sei o que me dá mais medo, seu tamanho ou sua pretensão para comigo.
Não perdi tempo e logo abracei o Kise para mostrar ao brutamonte que estava acompanhado. O loiro ficou sem saber, mas o grandalhão se virou e foi embora com cara de decepção. Ele realmente me queria, mas não era recíproco e eu não iria enfrentá-lo, não ali.
Não havia mais nada para fazer aqui, deixei o Kise jogando e fui encontrar os outros que estavam perdidos pela boate. Fiz o mesmo percurso para voltar, só mudei um pouco o trajeto por causa de um infeliz de um trenzinho que estava se formando entre a multidão. Novamente passou um garçom por mim me oferecendo uma batidinha. Será que só tinha isso nesta boate? Nem me respondi e já comecei a beber.
Não havia percebido, mas os degraus da escada do bar estavam maiores e mais íngremes. Tropecei duas vezes antes de finalizar a pequena subida, a infra-estrutura deste lugar é horrível. Continuei praguejando até que encontrei o Kiyoshi sentado numa mesinha.
— Kiyoshi. — fui interrompido por um tropeção no vestido de uma mulher. — Que diabos faz sentado aqui?
— Não estou bem não mamãe. — disse deitando sua cabeça na mesa. — Quero dormir.
Este infeliz está caindo de bêbado, tenho que levá-lo ao carro para descansar lá. Tomara que não suje os bancos com seu regurgito. O caminho foi turbulento, o garoto era pesado para apoiar e ainda tive que driblar alguns dançarinos que ousaram a me puxar para o trenzinho. Finalmente consegui deixá-lo ali. Tranquei o carro com um pedaço do vidro aberto e voltei para boate.
Voltando pude ver o Kise jogando seus jogos, ainda vivo, pelo menos não estava caindo de bêbado igual ao Kiyoshi. A droga do trenzinho ainda acontecia e me fez mudar ainda mais o percurso. Passando entre a multidão pude sentir uma apalpada muito ousada, a escuridão acabou escondendo o autor e o mantendo vivo. Detesto que me apalpem. Depois de muito esforço me encontrei com o Makoto e o Akashi sentados numa mesa com várias pessoas em volta. Ouvi algo parecido com estímulos para beberem mais, ambos pareciam esgotados para continuar a disputando quem bebia mais. Chegando aos dois fui surpreendido por outro garçom, novamente servindo batidinhas. Estava tão gostosa que acabei pegando dois copos, não tem álcool mesmo então vou aproveitar.
— Parem com isso! — gritei tentando sobressair à música alta. — Vocês vão se matar!
— Eu sou absoluto, vou ganhar! — gritou Akashi me ignorando e tomando mais um copo com um líquido transparente. Com certeza não era água, ninguém fica bêbado com isso, então pressuponho que seja muito forte para conseguir derrubar os dois.
— Cê’ quer um copo Midorema? — isso foi uma das poucas palavras que pude entender do Makoto. — Só um copo, vai!
— Dispenso, não quero ficar assim como vocês dois! — tentei falar o mais alto possível, mas ele não escutou e tive que repetir mais umas duas vezes até que entendesse.
Estranho, jurei ter visto um unicórnio correndo pelo trenzinho, era branco e brilhava! Deixa de bobagem Midorima, é só uma visão! Para de bobeira garoto, tire seus amigos de lá! Senti-me envolto por um anjinho e um diabinho igual nos desenhos animados, mas percebi que era apenas eu falando sozinho e sem obter resposta de mim mesmo. Sou um pouco complicado de vez em quando. Voltei-me novamente para os dois que continuaram apostando, enquanto isso havia se desencadeado uma briga na outra extremidade da boate. Olhei rapidamente e pude perceber que onde o Kise estava não havia nada mais do que jogos e caminhoneiros apostando.
— Está na hora de parar com esta bagaça! — as pragas não paravam de apostar. Akashi e Makoto já estavam saturados de tanto álcool.
— Midorima! Sai daí que eu quero guspi! — gritou Makoto me empurrando para o lado.
O infeliz se esquivou e mesmo assim conseguiu cuspir no meu sapato novo, maldito seja este cara, maldito seja!
Enquanto eu praguejava eis que surge um garçom trazendo em sua bandeja diversos copos das batidinhas. Isto realmente era novidade para mim, estou sendo irônico, só tem batidinha nesta bagaça.
— Ê garçom! É de álcool? — perguntei esperançoso por usa resposta.
— Não! — gritou o mesmo. — É de uva! — disse e saiu sem ao menos me dar boa noite.
Uva, uva é bom! Uva é muito bom! O que é? Tá apagando a luz é?! Apaga não seu ordinário! Acende isso! Nunca pensei que pudesse cair tão rapidamente em uma mesa. Quero de framboesa desta vez garçom!
E a luz se apagou por completo.
Midorima’s POV off
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