Notas iniciais
Mais um capítulo! o/

Hanamiya’s POV on

Eu estava me sentindo estranho, de uma forma que eu já havia me sentido antes, mas a ocasião era diferente. Não era algo bom, era ruim, era como um vazio.

Havíamos acabado de nos despedir de Midorima. A notícia de que ele iria se mudar de apartamento havia chocado a todos, era algo que ninguém esperava, veio de repente. De início pensei que tudo ficaria bem e que finalmente teria paz, mas depois comecei a me sentir mal, muito mal.

O clima estava alegre como o de um velório. Tudo silencioso e sem movimentação. Estávamos todos na sala, sentados no sofá. Até mesmo Kise, que era o mais alegre e tagarela, estava quieto. Ele chorava abraçado a Kiyoshi, que também carregava um semblante desanimado. Akashi, por sua vez, havia sentado no tapete e fitava o chão enquanto brincava com aquela mesma tesoura do outro dia.

— Midocchi foi embora. – disse Kise com a voz embargada e ainda carregada de tristeza.

— Sim... – respondeu Kiyoshi, também com a voz abalada. – Ele não deve se dar bem com o pai.

— Você ainda tem dúvida quanto a isso? – eu perguntei. – É mais do que óbvio.

Após essa pequena troca de palavras, o silêncio retornou. Eu já estava incomodado. Sei que era algo trágico, mas teríamos que continuar sem o Midorima e, também, com certeza nos encontraríamos com ele pela universidade, não é como se ele tivesse morrido.

— Vamos parar com essas lamentações. – eu falei, levantando-me. – O Midorima não morreu, ele está bem, só não está mais aqui entre nós.

— Não fala assim! – gritou Kise assustando a mim e aos demais. Agora ele parecia realmente nervoso, eu não entendi o motivo.

— Assim como? – perguntei assustado.

— Falando assim parece que ele morreu!

— Mas eu acabei de falar que ele não morreu!

— Mas assim parece! – ele largou Kiyoshi e se levantou. – O Midocchi não podia ter ido embora! Droga!

— Fica calmo Kise... – Kiyoshi seguia o loiro, que agora andava para lá e para cá no meio da sala, tentando acalmá-lo. – Nós ainda veremos o Midorima.

— Eu sei! – afirmou. – Mas não será a mesma coisa! Eu quero o Midocchi de volta Kiyocchi! Vamos lá buscá-lo! Por favor!

— Kise... – o pedido de Kise fez com que Kiyoshi ficasse sem palavras, ainda abalado pelo acontecimento, o estado do loiro o estava deixando pior, isso era visível. Ele estava de frente para o mais alto, fitando seu rosto e segurava sua camisa, ainda chorando.

— Ryouta. – dessa vez foi Akashi quem se manifestou. – Pare com isso.

— Mas...!

— “Mas” nada, apenas pare com isso.

Kise olhava para o ruivo, suas lágrimas não cessariam tão cedo e o olhar frio de Akashi só o fazia piorar.

O clima pesado ainda pairava sobre o cômodo, quando a campainha tocou.

— Eu atendo. – anunciei e fui até a porta, abrindo-a.

Surpreendi-me. Quem estava do outro lado era Midorima. Ele estava acompanhado de uma mulher e de dois seguranças que carregavam algumas malas.

— Qual o motivo da demora para atender à porta? – ele perguntou com o mesmo tom sério de sempre, mas deu para perceber que estava me provocando. – Podem entrar com minhas malas, deixem-nas no quarto de onde as tiraram. – ordenou aos seguranças.

Aqueles brutamontes adentrando pela porta chamaram a atenção do resto que se voltou para a entrada e ao ver Midorima, foram correndo ao nosso encontro. Não preciso nem comentar a reação do Kise, certo?

— Midocchiiii! – ele corria em direção a Midorima com os braços abertos, já deixando claro que lhe daria um abraço e, pela felicidade do mesmo, bem apertado.

— Pare já, Kise. – afirmou Midorima, fazendo um gesto com a mão, o que deixou o loiro um tanto decepcionado.

— Midocchi, não seja malvado! – Kise protestou com um bico nos lábios e olhos semicerrados, parando de correr. – Você não pode ser mau igual ao Makocchi ou o Akashicchi!

— Apenas fique quieto! – disse Midorima, enquanto puxava Kise para um abraço surpreendendo não só o loiro, mas a todos no recinto, menos a mulher que o acompanhava.

— O Midocchi voltou gente! – comemorou Kise enquanto retribuía o abraço. – Ele voltou!

— Tudo bem Kise, você já pode me soltar.

— Nunca mais!

— Kise.

— Midocchi, eu pensei que você iria nos abandonar! – choramingou, soltando o outro. – Até o Makocchi estava quase chorando de saudade!

— Oe, não minta! – protestei arrancando risos do restante.

É... Acho que voltamos ao normal... Bem mais rápido do que eu esperava.

***

Tudo realmente havia voltado ao normal. Midorima nos explicou o que aconteceu para ter conseguido voltar e nos apresentou a mulher, que era sua mãe. Uma senhora bem simpática e gentil. Lembrou-me o Kiyoshi, praticamente a versão feminina dele. Isso, exatamente a versão feminina dele!

— Nossa Shin, por que você não me falou sobre seus amigos? – a mãe de Midorima, que se chamava Ryosen, perguntou para o filho. – Eles parecem gostar muito de você, não me surpreende você não querer sair desse apartamento, filho.

— Eu não tive tempo mãe. – justificou Midorima.

— Ryosencchi, como o Midocchi era quando criança? – perguntou Kise empolgado, parecia uma criança.

— Por favor, Kise, não comece.

— Filho! Ele é seu amigo, é natural que queira saber sobre sua infância! – falou Ryosen, chamando a atenção de Midorima. – Ele era uma criança adorável Ryouta-kun, sempre foi muito obediente e responsável.

— Exatamente como eu havia imaginado! – afirmou o loiro. – Ryosencchi, ele não vai mais precisar se mudar?

— Não, eu já conversei com meu marido. – ela disse, dando um ar de alívio ao ambiente. – E, além disso, posso ver que meu filho está muito bem aqui com vocês, todos parecem ser bons rapazes.

— Estamos cuidando dele direitinho!

— Acho que é ele quem cuida de nós, Kise.

— Claro que não, Kiyocchi! O Midocchi tem medo de dirigir sozinho e não conseguiria preparar nem miojo, nós quem estamos cuidando dele!

— Kise, não precisa lembrar os meus deslizes!

Todos riram e assim seguiu a permanência da senhora no apartamento, sempre elogiando-nos e frisando o fato de Midorima se sentir bem conosco. Alguns minutos após o retorno de Midorima, Ryosen disse que teria que ir, iria se encontrar com algumas amigas e não queria se atrasar, deixando assim, o filho aos nossos “cuidados” novamente.

***

Já passava das sete da noite, estava escurecendo e não havia absolutamente nada para fazer. O calor era insuportável e o local mais fresco da residência era a sala, ou seja, todo mundo estava lá, menos Kiyoshi, este estava no banho.

— Aaaah, que tédio! – reclamou Kise pela quarta vez esticando-se no sofá.

— Já falei, pegue um livro e vá ler. – eu disse sem tirar os olhos do livro em minhas mãos.

— Mas eu não quero ler!

— Então vá comer! – retruquei. – Pelo menos desse jeito você mantém sua boca ocupada!

— Makocchi! – ele escorregou para o tapete, sentando-se ao lado de Akashi, que mexia em seu celular. – O que você está fazendo?

— Jogando. – respondeu sem cerimônia.

— Aaah, vocês são chatos! Midocchi vamos jogar alguma coisa?

— Não. – respondeu Midorima, que lia algo relacionado ao seu curso. – Fique quieto Kise.

— Por favor!

— Não.

Recebendo vários “nãos” e reclamando bastante, Kise finalmente se deu por vencido e deitou-se no tapete sem fazer nenhum barulho, deixando a sala em um silêncio agradável. Agradeci mentalmente por isso, mas é claro, tudo que é bom dura pouco e nesse caso, durou até a chegada de Kiyoshi.

— Kiyocchiiii, vamos jogar alguma coisa? – perguntou Kise de forma manhosa.

— Sim. – ele estava encostado na parede do corredor, vestia apenas uma bermuda e nos olhava, enquanto secava os cabelos com uma toalha. – Mas, o que?

— Huuum... – falou Kise pensativo, sentando de pernas cruzadas e levando uma mão ao queixo. – Aah! Tem um jogo legal que eu brincava quando era criança!

— Qual?

— Verdade ou desafio! – respondeu o loiro empolgado. – Tenho certeza de que todos vocês conhecem e também, além de ter algo para fazer, vamos nos conhecer melhor! Podemos pedir uma pizza também!

— Acho que é uma boa ideia Kise. – falou Teppei sorridente.

— Eu sei que vou me arrepender por concordar com isso, mas eu também gostei da ideia. – dessa vez Midorima se manifestou. – Precisamos nos conhecer melhor, Akashi e Makoto, o que vocês acham?

— Vou jogar também. – concordou Akashi.

— Ótimo. – afirmou Midorima. – E você Makoto?

— Eu passo. – respondi me ajeitando no sofá e passando uma página do meu livro. – Prefiro continuar lendo.

— Makocchiiii! – insistiu Kise chegando mais perto de mim e me abraçando. – Por favoooor! Todo mundo concordou, só falta você!

— Eu já disse não, idiota! – retruquei enquanto tentava me soltar de seus braços. – Me solte!

— Não! Todo mundo aceitou! Até o Midocchi e o Akashicchi, só falta você! – Kise protestou me abraçando mais. – Não vou te soltar até você aceitar! Kiyocchi me ajude aqui!

— Kise, pare com isso! – reclamei ainda tentando me soltar, enquanto via Kiyoshi andar até mim se preparando para me abraçar também. – Kiyoshi, não se atreva!

— Eu também quero jogar, Miya-chan! – ele falou, me abraçando em seguida. – Por favor!

— Joguem vocês quatro, eu não quero!

— Não quer ou está com medo? – em meio a toda aquela bagunça, eis que surge uma voz em tom desafiador.

— Por que eu teria medo de jogar isso com vocês, Akashi? – perguntei no mesmo tom.

— Não sei... Vai que tem algo que você não quer nos contar... – Akashi sorriu de forma maliciosa. Merda, eu sei que não deveria cair nessa provocação.

— Makoto, irá ou não jogar conosco? – dessa vez foi Midorima quem perguntou.

— Tudo bem, eu jogo. – respondi vendo os dois, ainda me abraçando, comemorarem. – Mas só se vocês me largarem!

— Sim senhor! – eles responderam juntos, me largando depois.

— Ótimo. – Midorima afirmou enquanto ia até a cozinha e pegava uma pequena garrafa d’água que se encontrava vazia sobre a pia. – Kiyoshi vista uma camisa, ninguém aqui quer te ver seminu.

— Ok!

***

Por que eu ainda caio nisso? Akashi idiota.

Já havíamos pedido a pizza e estávamos sentados em círculo sobre o tapete. A garrafa estava no centro, Midorima a rodaria, segundo ele, nós não somos aptos a tal coisa e roubaríamos para descobrir seus segredos. Claro, como se eu ou mais alguém realmente tivesse algum interesse na vida dele.

— Vamos ao primeiro. – Midorima rodou a garrafa e a ponta onde indicava a pessoa que perguntaria parou virada para mim e a outra ponta virada para Midorima. – Você me pergunta Makoto, eu quero verdade.

— Huum... – pensei e uma cena um tanto engraçada me veio à cabeça. – É verdade que você tem medo de insetos, Midorima?

— Sim, mas a palavra correta seria aversão, aqueles seres asquerosos me dão nojo! – ele respondeu de imediato, me fazendo rir. – Mas, por que essa pergunta?

— Nada demais, é que você pensa que não, mas eu te vi saindo correndo, branco feito papel do banheiro outro dia e quando cheguei lá havia um besourinho.

— Anda me vigiando? – perguntou desconfiado.

— Tá louco? Eu tenho muitas coisas para fazer, coisas melhores e mais produtivas do que vigiar você. – respondi sem dar muita atenção. – Só aconteceu de eu estar na porta do quarto no momento em que você saiu do banheiro.

— Sei. – retrucou desconfiado. – Vamos continuar.

Ele rodou a garrafa novamente.

— Akashi pergunta para o Kiyoshi.

— Eu quero verdade. – falou Kiyoshi olhando desconfiado para Akashi, que sorria com malícia. Espera... Ele tá com um olho roxo ou isso é sombra?

— Muito bom... É verdade que você morre de medo da minha tesoura, Kiyo-chan? – ele ainda sorria e o apelido de Kiyoshi pronunciado de forma irônica me incomodou um pouco.

— Não... – Kiyoshi respondeu meio relutante e depois continuou com mais firmeza. – Tenho medo dela na sua mão, dela sozinha não.

O ar parecia denso após sua resposta, o sorriso de Akashi sumira e uma aura maligna tomara conta de si. Todos estavam em silêncio temendo o que estava por vir. O que está acontecendo aqui?

— Vai pro próximo Midorima. – eu falei quebrando o silêncio. – Ele está demorando demais para se expressar e eu quero que isso termine logo.

— Está bem. – concordou, enquanto rodava a garrafa novamente. – Kise pergunta para o Makoto.

— Até que enfim minha vez! – comemorou o loiro. – O que você quer Makocchi?

Se eu escolher verdade... Não, não seria uma boa ideia... Mas... Aah, é o Kise, do que eu estou com medo?

— Quero verdade, Kise.

— Ok! É verdade que... Você faz o trabalho do galo?! – perguntou todo empolgado... Às vezes eu sinto pena dele.

— Midorima, responda por mim, por favor. – pedi levando a mão a testa. Esse garoto se faz de idiota, não é possível.

— É claro, o Makoto se enche de plumas e sai na rua gritando às cinco da manhã. – atendendo meu pedido, falou Midorima arrancando risos dos outros.

— É sério? – perguntou Kise surpreso.

— Claro que não! – afirmou o maior, enquanto voltava sua atenção para o objeto em suas mãos. – Vamos para o próximo.

Midorima pergunta e Akashi responde.

— Eu escolho verdade, pai. – voltando à sua postura inicial, anunciou o ruivo.

— É verdade que você sofre de problemas mentais? – o de cabelo verde perguntou.

— Eu tenho cara de quem sofre de problemas mentais? – por favor, alguém me deixa responder essa pergunta.

— Somente tolos respondem uma pergunta com outra pergunta. – retrucou Midorima.

— Eu sou absoluto e vocês não aceitam isso. – ignorando o maior, Akashi continuou falando.

— Tá, fica quieto senhor absoluto. – debochei. – Midorima, próximo.

— Makoto pergunta para o Kise. – respondeu após girar a garrafa.

— Eu quero verdade Makocchi!

— É verdade que você já brincou de boneca? – perguntei. Não tem nada para pergunta a esse idiota, foi a primeira coisa que me veio a cabeça.

— Como sabe disso Makocchi?! – perguntou ele arregalando os olhos e chamando a atenção de todos que estavam presentes. – Bem... Foi só uma vez! Minha prima me obrigou!

— Sua prima, sei... – ri, vendo-o corar.

— É sério Makocchi! – protestou ele, fazendo um pequeno bico. Que engraçado.

— Posso ir para o próximo? – perguntou Midorima e assentimos. – Akashi pergunta para mim, escolho verdade.

— É verdade que você nunca beijou ninguém? – perguntou Akashi em tom de deboche.

— Em qual sentido? – questionou o de cabelos verdes.

— Sentido amoroso. – respondeu o ruivo.

— Nunca beijaria ninguém na boca, isto é nojento. Beijos não fazem sentido, imagina dizer ‘eu te amo’ e depois enfiar minha língua na sua boca. Qual o sentido disso?

— Por que você transforma as coisas simples em complicadas? – perguntei depois de ouvir aquilo e quando Midorima se preparava para responder, o cortei. – Não responda, só gire esta merda.

Ele girou a garrafa.

— Kise pergunta para o Makoto novamente.

— Escolho verdade, Kise.

— Ok... – concordou ficando pensativo em seguida. – Makocchi... É verdade que você... Namora três pessoas ao mesmo tempo?

— O que?! – perguntei surpreso. De onde essa criatura tirou isso? – De onde você tirou isso?!

— É que... Andam comentando na faculdade... – respondeu relutante. – Eu não acreditei, já que acho que esse não é o seu perfil... Mas... Queria ouvir da sua boca.

— Isso é mentira, Kise. – respondi, vendo-o sorrir para mim. – Não acredite no que essas pessoas falam.

— Sabia! – sem mais e nem menos, o loiro pulou em mim e me abraçou. – Makocchi não é assim! Viu Akashicchi?!

— Me solta, idiota! – reclamei e ele me soltou.

— Vamos para o próximo. – Midorima girou a garrafa. – Akashi pergunta para Kiyoshi.

— Escolho verdade. – disse Kiyoshi fitando Akashi. Havia uma tensão por parte do mais alto e eu não entendia o motivo.

— Verdade, huum... – Akashi falou fechando os olhos e após um tempo, os abriu, olhando para mim e em seguida para Kiyoshi. – É verdade que você ama loucamente o Makoto e por isso o defendeu?

Kiyoshi olhou para Akashi e depois para mim com uma expressão surpresa. Akashi apenas sorria.

Pára o mundo que eu quero descer! Que porra é essa?!

— Como assim? – perguntei curioso. – Como assim você me defendeu Kiyoshi?

— Ele não te contou? – debochou Akashi. – Você viu o meu olho roxo, não viu? Foi o seu digníssimo colega de quarto quem fez isso, só porque eu e o Kise estávamos tentando descobrir sobre o boato das três pessoas, ele me bateu.

O que? Eu não estou entendendo nada! Como assim? Como pode...?

— Kiyoshi... – olhei para ele, que parecia nervoso e me encarava, levemente corado. – Isso é verdade?

O silêncio reinou novamente na sala.

— É... Bem... Miya... Eu... – ele falava algumas palavras, mas nenhuma frase concreta saía, então, quando o mesmo parecia ter tomado coragem para começar a falar, eis que a campainha toca. – D-deve ser a pizza... E-eu atendo.

— Eeeeh, pizza! – comemorou Kise.

Essas pessoas só chegam em horas inapropriadas!

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3