New Ways...
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Kiyoshi’s POV on
— É sessenta reais, senhor. — falou o entregador de pizza após depositar as duas caixas e uma garrafa de refrigerante em meus braços.
— Aqui está. – estiquei a mão com o dinheiro e ele pegou. – Muito obrigado.
O ouvi resmungar alguma coisa e se retirar. Após isso, fechei a porta com o pé e me virei para a sala, onde todos estavam.
Eu devia tê-lo agradecido por me tirar daquela situação constrangedora... Não... Ainda não posso comemorar o Makoto não pára de me encarar...
— Eu vou te ajudar Kiyocchi! – Kise falou andando até mim e pegando a garrafa. – Isso está com um cheiro bom!
— Parem de enrolar Kise e Kiyoshi. – ordenou Midorima. – Vamos continuar o jogo.
— Sim! – falamos juntos e levamos as coisas até onde eles estavam.
***
Continuamos o jogo enquanto comíamos pizza.
— Vai! Roda de novo Midocchi! – falou Kise com a boca cheia. Ele deve ter se esquecido.
— Mas, o Kiyo... – Akashi iria reclamar, quando o interrompi.
— Isso, vamos ver quem será o próximo.
— Certo. – Midorima girou a garrafa e nunca me senti tão aliviado em toda minha vida. – Akashi pergunta para mim. Escolho verdade.
— É verdade que você adorou me ver nu? – soltou Akashi, fazendo Makoto que tomava um gole de seu refrigerante engasgar, Kise deixar o copo cair e eu olhá-los assustado.
— Você viu o Akashi nu?! – perguntou Makoto ainda se recuperando.
— Midocchi, isso é verdade?! Quando isso aconteceu?!
— Não, eu realmente não aprecio coisas pequenas. – Midorima respondeu no tom de costume.
— Desgraçado! – xingou Akashi.
— Você pode ser absoluto, mas não, seu coleguinha não faz jus a esse título. – continuou Midorima, enquanto pegava outro pedaço de pizza, deixando, pela primeira vez, Akashi sem ter o que falar e arrancando risos dos outros, principalmente Makoto. – Vamos continuar.
Ele girou a garrafa e saiu o Makoto perguntando para o Kise.
— Verdade! – disse Kise com a mesma postura alegre de sempre.
— Já que começaram essas perguntas bizarras... Vamos lá, é verdade que você nunca beijou ninguém Kise?
— Não Makocchi! – respondeu Kise. – Já beijei várias pessoas!
— Sua mãe e irmã não contam. – falou Makoto em tom debochado.
— Makocchi! Não foram só elas!
— Vou fingir que acredito.
— Podemos passar? – perguntou Midorima e todos disseram que sim. – Eu pergunto para o Makoto.
Senti um pequeno nervosismo por parte de Hanamiya ao ouvir Midorima falar e se passaram alguns segundos até o mesmo dizer o que escolheria.
— Eu escolho verdade.
— É verdade, Makoto, que você inventa muitas mentiras para esconder seus segredos de noite? – Midorima perguntou de forma mais séria do que de costume.
— Não. – respondeu Makoto lançando um olhar estranho para Midorima. – Não é verdade.
— Isso é tudo o que tem a dizer? – questionou Midorima.
— Sim. – o moreno afirmou. – Não devo explicações a nenhum de vocês, já que não estou fazendo algo que possa vir a prejudicá-los, então, sim, isso é tudo.
Ele estava estranho há algum tempo, nem parecia o Makoto que conheci no dia de separação dos apartamentos, agora, depois que começamos a jogar que ele voltou a ser o Makoto de antes. Eu queria saber o que estava acontecendo, queria poder ajudá-lo.
— Tudo bem, próximo. – Midorima girou a garrafa. – Kise pergunta para o Makoto.
— Escolho verdade.
— Makocchi, é verdade que você dança na noite? – perguntou Kise parecendo curioso e surpreendendo a todos.
— Criatura... – protestou Makoto com a cabeça abaixada e uma mão sobre a testa. – De onde tirou isso?
— Ué, você sai de tarde e só volta à noite, bem à noite, ou não volta, dorme fora. – explicou o loiro. – E ainda esconde de nós! Até eu fico intrigado com isso!
— Já falei, não devo explicações a vocês, uma vez que o que eu faço não os prejudica! – retrucou Makoto parecendo realmente irritado. – Passem para outro logo!
— Akashi pergunta para Kise. – anunciou Midorima.
— Quero verdade, Akashicchi!
— É verdade que você não é mais virgem, Kise? – perguntou recebendo olhares assustados de todos. – O que foi? É o Kise, não tem nada além de coisas assim para perguntar!
— Akashicchi, isso é muito... Constrangedor... – Kise respondeu fitando o chão e com um leve rubor tomando conta de seu rosto. – Parem de me olhar!
— Ai, pelo amor de Deus, Kise! – reclamou Makoto. – É só responder sim ou não!
— Falar é fácil, Makocchi! – retrucou o loiro fazendo um bico. – Eu tenho vergonha de falar sobre essas coisas!
— Kise, ninguém aqui irá se importar pode ter certeza. – tentei tranquilizá-lo e ele sorriu fraco ainda com o rosto vermelho.
— Tudo bem... – fechou os olhos, acho que para não ficar mais envergonhado do que já estava. – Sim, isso é verdade.
— Nossa, que situação Kise. – afirmou Midorima surpreso, fazendo Kise voltar a ficar vermelho. Apenas ri. – Quem se atreveu a tirar sua inocência?
— Midocchi! Isso é pessoal... – choramingou no tom de costume. – Eu... Eu tenho vergonha...
— Quantos anos você tinha na época? – continuou Midorima.
— Dezessete. – Kise respondeu de forma tímida e tapou o rosto encolhendo-se. – Aaah, parem de me olhar assim!
— Ninguém está te olhando, pare de frescura! – respondeu Makoto.
— Midocchi, diga alguma coisa!
Midorima havia ficado quieto e sem expressão pela primeira vez na noite.
— Aah, penso que isto me deixou um pouco chocado. – explicou Midorima ao sair do pequeno “transe”.
— Aí! Estão vendo? – reclamou Kise. – Agora vou ficar com vergonha disso para o resto da vida!
— Não precisa ficar com vergonha, animal! – Makoto falou pegando a garrafa e girando-a. – Akashi pergunta para mim. Escolho verdade.
— É verdade que você é bi, Makoto? – Akashi continuou com aquele semblante assustador no rosto, um sorriso malicioso que me deixou com um pouco de medo.
— Não.
— Certeza?
— Tão absoluta quanto você Akashi. – confirmou Makoto de forma irônica, o que fez Akashi parecer irritado. Acho que isso não vai dar certo.
— Pelo menos eu não vendo meu corpo. – provocou Akashi e quase no mesmo instante, Makoto partira para cima dele, porém, Kise o segurou, impedindo que acertasse o ruivo. – O que é? Se sentiu ofendido, putinha?
— Me larga Kise! – ordenou Makoto quase se soltando de Kise. Eu fui ajudá-lo e tirei o moreno de seus braços o prendendo nos meus, ele ainda tentava se soltar e pareceu não ter percebi que outra pessoa o segurava. – Não fale o que você não sabe Akashi!
— Calma Hanamiya. – falei tentando acalmá-lo. – Brigar não resolve nada, o deixe falando sozinho.
Ao ouvir isso ele pareceu relaxar um pouco e pude afrouxar meus braços.
— Podemos continuar? – Midorima perguntou ao ver que as coisas se acalmaram e que voltamos aos nossos lugares. – Ótimo. Eu pergunto para o Kiyoshi.
— Quero verdade. – escolhi.
— É verdade que você sente atração por homens? – questionou Midorima sem cerimônia e eu gelei. Os olhares de todos voltaram-se para mim e pude sentir meu rosto esquentando.
— Bem... Er... Eu... – eu não conseguia falar direito, estava morrendo de vergonha e não conseguia formar uma frase completa. – Eu...
— Fala logo que sim, cacete. – Akashi me apressou.
— T-tudo bem... – concordei. – Sim... Isso é verdade.
— Oh! Kiyocchi, você é gay? – me perguntou Kise, curioso.
— Não. – respondi.
— Gosta de meninas também?
— Sim, gosto. – expliquei. Makoto não parava de me encarar e Akashi sorria.
— Que decepção, eu não esperava isso de você Kiyoshi. – falou Midorima com a postura séria de sempre e eu senti meu rosto quente de novo. Com certeza estava vermelho. – Pensei que você fosse mais esclarecido.
—Eu sou, Midorima. – o corrigi.
— Não me parece, ninguém pode servir aos dois lados. – Midorima explicou. – Pensei que aqueles seus abraços fossem sem malícias.
— Mas foram eu nunca tentaria me aproveitar da nossa amizade! – ele já estava me assustando falando dessa forma.
— Continuemos jogando.
— Mas Midorima...
— Continuemos jogando. – ele repetiu, me ignorando completamente.
É... Acho que não será mais a mesma coisa depois disso... Justamente o que eu temia.
— Makoto, pergunte ao Kiyoshi.
— Verdade. – escolhi e sem delongas, ele me lançou sua pergunta.
— É verdade que você já se relacionou sexualmente com alguém?
— Sim.
Após ouvir a resposta, ele soltou um sorriso malicioso, ao contrário dos outros, que pareciam ter ficado assustados, menos Akashi. Ele ria.
— Homem ou mulher? – questionou Makoto.
— Os dois. – respondi. Acho melhor já falar tudo de uma vez.
— Kiyocchi! – Kise tinha os olhos arregalados e em um minuto me olhava, enquanto no outro fitava a parede. Pergunto-me o que se passa na cabeça dele.
— Makoto, nós realmente não precisamos saber dos detalhes. – falou Midorima, afastando-se de mim. Ele estava sentado ao meu lado.
— Foi só curiosidade. – explicou Makoto despreocupadamente.
— Guarde sua curiosidade para depois. – Midorima girou a garrafa. – Kise pergunta para Makoto.
— Escolho verdade. – o moreno falou.
— Makocchi, é verdade que você já ficou bêbado a ponto de não conseguir ver? – perguntou Kise.
— Claro que não. – disse Makoto. – Eu não aprecio bebidas alcoólicas, então não costumo beber muito.
— Aah, pensei que você bebesse, Makocchi.
— Eu tenho cara de quem bebe?
— Não, mas seu jeito me lembra alguém que bebe. – Kise semicerrou os olhos.
— Podemos passar para o próximo? – Midorima perguntou e ao ver que todos concordamos, girou a garrafa. – Akashi pergunta para Kiyoshi.
— Escolho verdade.
— É verdade que você faz coisas proibidas no banheiro? – perguntou ele, com o tom de malícia sempre presente em sua fala e o sorriso no rosto.
— Claro que não! – respondi arqueando uma sobrancelha. De onde ele tira essas perguntas? – Você quem demora no banho e eu que faço esse tipo de coisa?
— Eu gosto de me lavar direito. – respondeu o ruivo como se fosse o dono da razão. – E o Midorima é o que mais demora no banho.
— Eu apenas prefiro banhos demorados. – explicou Midorima ajeitando os óculos outra vez. – A água quente me causa uma sensação agradável.
— Vocês agora andam cronometrando o banho alheio? – perguntou Makoto em tom de deboche. – Não têm mais nada para fazer não?
— Vamos para a próxima, Kiyoshi já respondeu. – anunciou Midorima, girando a garrafa, que parou na mesma posição anterior. – Akashi pergunta ao Kiyoshi novamente.
Akashi me lançou um sorriso e cheguei à conclusão de que não poderia escolher verdade, ele com certeza faria algo para me deixar em maus lençóis.
— Escolho desafio. – falei e todos me olharam assustados.
— Ótimo, será um prazer desafiá-lo Kiyo-chan. – ele riu e continuou. Esperei pelo pior, desde me jogar pela janela, até andar nu na faculdade, esse cara é louco, ele pode escolher qualquer coisa. – Desafio você a beijar o Makoto.
— O que?! – perguntou Makoto tão assustado quanto os outros que ali estavam. Midorima já começava a se levantar dizendo algo sobre se recusar a assistir aquilo. – Ele escolheu desafio, não eu!
— Então, ele escolheu e eu ditei o desafio, agora é só cumpri-lo.
— Eu me recuso! – decretou Makoto.
— Makoto facilite as coisas, se não deixar o Kiyoshi cumprir o desafio, não poderemos continuar. – Akashi falou. – Kiyoshi você tem algo contra isso?
— Eu... Eu nã... – quando ia responder, Makoto se levantou e começou a andar em direção ao quarto.
— Já chega dessa palhaçada, se quiserem continuar jogando o problema é de vocês, eu cansei! – gritou ele antes de bater a porta do quarto com força causando um estrondo.
Olhamos-nos assustados e decidimos parar de jogar, não seria a mesma coisa sem o Makoto. Akashi sorria ainda mais depois de ver a reação de Makoto... Ele com certeza estava se divertindo com aquilo tudo. Conversamos mais alguns minutos sobre coisas banais e como já estava tarde, nos recolhemos.
Entrei no quarto e este estava um pouco escuro. Makoto já estava deitado, virado para a parede. Será que ele está bem? Sinto que ele ficou chateado... De qualquer forma, acho que agora não é um bom horário para conversar sobre isso, amanhã esclarecemos as coisas. Deitei em minha cama e fechei os olhos, lembrando de tudo o que havia acontecido minutos antes. Foi divertido, mas no final de tudo, não dá pra levar tudo na brincadeira quando se trata do Akashi... Ele realmente tem problemas...
Alguns minutos se passaram, eu estava quase pegando no sono, quando senti um ar quente tocar meu rosto e algo macio tocando minha boca em uma leve carícia. E assim continuou por um tempo.
Senti também uma mão acariciando meus cabelos e o toque macio que ainda estava em minha boca cessou por segundos, para depois, retornar para ali. Abri um pouco os olhos e pude ver Makoto. Ele estava me beijando.
— M- Makoto? – falei ao sentir seus lábios deixarem os meus.
— Shiiiiu. – ele disse depositando o indicador em meus lábios. – Isso não foi nada, você está apenas sonhando.
— Mas...
— Durma bem Kiyoshi. – falando isso Makoto me deu outro beijo, dessa vez mais depressa e se levantou voltando a sua cama. O olhei durante o pequeno trajeto e com a imagem de seu corpo deitado sobre a cama, adormeci.
***
Acordei no dia seguinte fitando a cama de Makoto, esta estava vazia. Ele já devia ter levantado.
Sentei-me na cama e uma visão estranha me veio à mente... Makoto me beijou? Não, claro que não, aquilo realmente foi um sonho... Então, com um leve sentimento de decepção, levantei-me, afinal, tenho mais um dia pela frente...
Kiyoshi’s POV off
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