Notas iniciais
Mais um capítulo! Boa leitura! ^^

Kise’s POV on

Sentindo a brisa tranquila entrar pela janela, não me atrevi a abrir os olhos de uma vez. Sentia-me tranquilo e queria sentir mais um pouco daquilo. E foi ai que senti algo, como dedos, balançando meus cabelos, fazendo-me despertar.

— Midocchi? — disse meio sonolento com os olhos semicerrados por conta do sol que passava por entre as cortinas.

— Acorde, o café já está pronto, daqui a pouco temos aula. Já faltamos ontem e não seria bom faltar novamente. — olhando para ele parecia que já tinha acordado há algum tempo. Dou-me conta disso devido aos cabelos esverdeados desgrenhados e molhados.

— Ok.

Levantei-me e no meio de uma tentativa desajeitada de arrumar a cama, lembrei do que ele tinha falado. Iria, em breve, se mudar. Quando me dei por mim, lágrimas rolavam pelo meu rosto. Ele não podia nos deixar. Não assim.

***

A casa parecia um tanto vazia. Acho que é porque eu e Midocchi não estamos discutindo como sempre. Não se tinha notícias do Makocchi, de novo. Akashicchi desde ontem estava trancado no quarto e acredito que não sairá de lá tão cedo. Kiyocchi está no banho. As coisas mudaram muito nessa semana. Aproximamo-nos bastante, mas isso estava prestes a ser quebrado.

Enfim, Akashicchi entrou na cozinha, cortando meus pensamentos. Pegou uma xícara e a encheu de café, resmungou algo que eu entendi como um bom dia e sentou-se à mesa — o que me surpreendeu. Seu olho estava roxo por causa do incidente de ontem.

— Está doendo muito? — sentei-me ao seu lado na mesa.

— Não.

— Ora, pare de ser durão, Akashicchii, deixe-me ver! — tentei encostar um dedo no olho do mesmo.

— Não encoste em mim. — ele disse seco como sempre, dando um tapa na minha mão.

— Só queria ver... — eu devia parecer muito chateado, pois ele se virou para mim e depois ficou encarando a xícara, como se estivesse falando com o café.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Midocchi apareceu na cozinha trazendo um jornal em mãos, falando algo sobre a bolsa de valores com indignação. Logo depois, Kiyocchi entrou na cozinha, se juntando a nós. Sentou-se do outro lado da mesa, longe do Akashicchi.

Partimos para a escola, dessa vez a pé. Ninguém mais queria se arriscar no meu carro. O esquema foi o mesmo de sempre, nos encontraríamos no mesmo local de sempre após as aulas e iríamos para casa juntos.

Chegando lá, encontramos Makoto pelo caminho e ele veio com as mesmas desculpas, tentando fugir do assunto. Ele parecia tão nervoso que sequer notou o olho roxo de Akashicchi. Seria embaraçoso para Kiyocchi tentar explicar o que houve, então, não quis alimentar a situação.

O dia estava muito quente, não dava vontade de fazer nada, muito menos de estudar. As aulas estavam cada vez mais tediosas. Acho que, definitivamente, não sirvo para Administração.

Como eu desejava uma piscina nesse momento. Eu suava só de pensar no calor.

Enfim, as aulas acabaram e eu ia descendo as escadas do meu prédio quando aquela menina fofoqueira veio correndo ao meu encontro, novamente trazendo notícias do Makocchi. Segundo ela — que era da mesma classe que ele — ele parecia muito cansado e não estava prestando muita atenção na aula. Ela ia me contar mais, quando o namorado da mesma chegou e a levou embora.

O que estava acontecendo, afinal? Estava começando a ficar preocupado com ele.

Achei melhor deixar para lá, com certeza ele e Akashicchi estariam me esperando, uma vez que nossos prédios são próximos.

Como esperado, eles estavam lá, suados. Realmente fazia um calor descomunal. Encontramos o restante e fomos para casa. O trajeto parecia mais longo do que normalmente é. No meio do caminho, várias discussões — pra ver quem tomaria banho primeiro — iam se desenvolvendo. Acabou que Kiyocchi se sobressaiu e ficou com o posto de primeiro lugar.

Encontrávamo-nos em um estado lamentável. O suor pingava por nossos cabelos. Nunca sentira tanto calor em minha vida. Meus olhos ardiam e meu corpo parecia pesado, tudo o que eu queria era pelo menos chegar em casa e me esparramar pelo sofá, independente se Midocchi iria ou não brigar comigo por sujar o mesmo.

Entrando no prédio, Akashicchi e Makocchi iam subindo pela escada quando foram puxados de volta.

— Onde pensam que vão? — Midocchi perguntou.

— Acho que seus óculos estão com problema, Midorima. — ironizou Makocchi. – Estamos subindo as escadas.

— Larguem de ser idiotas, com esse calor é mais prático e rápido ir de elevador.

— Me dê dez motivos que confirmem que ir de elevador é melhor, todos justificados.

— Shintarou, nós vamos de escada e pronto. — Akashicchi disse algo, pela primeira vez no dia.

— Ahhhh, vamos Akashicchi! Estou com fome! — choraminguei me apoiando na parede.

— Vamos pessoal, também estou cansado e o elevador já está chegando. — Kiyoshicchi falou.

Makocchi devia estar farto daquilo, passou por entre mim e Kiyoshicchi ignorando-nos e entrando a contra gosto no elevador que se encontrava aberto agora. O outro — que agora saia de perto da escada — parecia muito apreensivo, mas nos seguiu. Os dois estavam muito estranhos. Makocchi estava quieto na parte de trás, enquanto Akashicchi estava perto da porta, mexendo as mãos de forma ansiosa e falando baixinho o que parecia um mantra. Já haviam passado alguns minutos e nada de chegarmos ao nosso andar.

— Ele parece estar demorando mais do que o normal. — comentou Midorima.

—Sim... Será que houve alguma coisa? — perguntei.

— Eu avisei para irmos de escada! — lembrou Akashicchi, ele estava ainda mais nervoso e suava mais do que antes. — Agora vamos ficar presos aqui!

— Não vamos não, Akashicchi!

— Vamos sim!

— Não!

— Sim!

— Não!

— Calem a boca! — Makotocchi gritou lá de trás, assustando a todos.

— Mas que deselegância, Makoto. Não é edu...

Antes que Midocchi pudesse terminar seu sermão, sentimos o elevador dar um parada brusca, que desequilibrou a todos.

— Eu avisei!

— Makoto, o que foi? — Kiyocchi passou de assustado com o acontecimento anterior para preocupado.

Makocchi estava encostado ao fundo do elevador, cobria o rosto com as mãos. Estava realmente quieto, coisa que me assustou, já que independente da situação, seus comentários ácidos sempre estava presentes, o que não aconteceu naquele momento.

— Você está bem, Makocchi? — me aproximei dele e toquei seu cabelo. De nada adiantou, ele continuou da mesma forma.

—Eu avisei! Eu avisei! — Akashicchi parecia não conseguir ficar calmo. Batia insistentemente nas paredes numa tentativa inútil de chamar a atenção de alguém. — Eeeeei, alguém aí?!

— Akashi, acalme-se! — Midocchi segurou seu braço, mas ele o empurrou, soltando-se, voltando a bater nas paredes e gritar. — Por Deus! O que há com vocês? Acalmem-se, ligarei para a secretaria.

—Alguém?! Por favor!— os gritos desesperados de Akashicchi pareciam assustar ainda mais Makocchi, que agora estava sentado no chão ainda com o rosto escondido. Ele tentava de qualquer forma abrir a porta. Socava as paredes e tentava se segurar nas grades acima de nós. Ligeiramente parecido com um macaco na jaula.

— Akashicchi, se acalma! — numa espécie de surto de coragem, segurei seu rosto entre minhas mãos e o soprei, assustando-o. Só lembrei que poderia levar uma tesourada há qualquer momento depois do ato. Foi uma ação quase suicida.

— Me solta, Ryouta! — ele me empurrou. Estava levemente corado e parecia um pouco mais calmo, apenas olhava em volta agora.

— Ninguém atende, mas que pessoas mais irresponsáveis! — Midocchi falou indignado.

Continuava muito calor lá dentro, as luzes haviam sido desligadas. Olhei para baixo e vi Makocchi com a cabeça encostada no peito de Kiyocchi, que havia se sentado junto dele e falava para se acalmar.

Akashicchi havia se encostado à parede e fitava a porta. Havia se acalmado um pouco, porém, ainda dava para sentir uma ponta de nervoso vindo dele. Me aproximei e passei o braço por seus ombros.

— Ei, nós vamos sair daqui, Akashicchi. – sussurrei. – Não se preocupe.

Ele não respondeu, mas soube que tinha assentido quando o mesmo soltou-se de mim, me encarou e sentou no chão do elevador. Sentei-me também.

Midocchi não conseguia de maneira nenhuma fazer uma ligação, mas eu já não me importava mais com isso. A única coisa que prestava atenção agora era em Akashicchi se aproximando mais de mim.

***

— O que será que aconteceu com ele? — Kiyocchi perguntou, acariciando os fios negros de Makocchi, que cochilava usando seu colo como travesseiro.

— Não sei... — respondi. Estava aliviado por termos conseguido acalmá-los, porém, ainda queria saber o motivo de toda a aflição. — O importante é que ele parece melhor.

— Sim. — Kiyoshicchi concordou e sorriu. — Você também está melhor, Akashi?

Akashicchi assentiu e encostou a cabeça em meu ombro. Sorri.

— Pode dormir se quiser. — sussurrei para ele, que continuou quieto, mas se apoiou mais em mim.

***

Três horas se passaram após o ocorrido e ainda estávamos na mesma situação, presos no elevador. Conversávamos sobre coisas banais, até que, num pulo que assustou a todos, Makocchi se levantou e nos encarou assustado, acordando Akashicchi, que antes cochilava tranquilamente em meu ombro.

— O que aconteceu?! — perguntou o rapaz moreno em desespero. — Parece que tive um sonho estran... Ei, por que eu estava deitado em você Kiyoshi?!

— Porque... — Kiyocchi estava prestes a responder, quando Akashi se movimentou.

— Deixem para discutir a relação outra hora! — reclamou o ruivo, encostando-se à parede. — E, a propósito, obrigado por me acordar, Makoto. — ironizou ele.

— Ora seu... — Makocchi se preparava para xingá-lo, quando pareceu ter se dado conta de que ainda estávamos dentro do elevador ainda e começou a olhar para os lados, voltando com a expressão assustada.

— O que foi, Makoto? — perguntou Kiyocchi em tom preocupado novamente, puxando o outro para seu peito.

— Oooh, vai dizer que o senhor ironia tem medo de locais fechados? — Akashicchi riu maliciosamente. — Não creio.

— Cale a boca Akashi!

— Por favor, resolvam isso quando estivermos fora daqui! — Midocchi os repreendeu. — Akashi, sossegue!

— Claro, mas antes, vocês se importariam de dizer os seus pesos? — perguntou, enquanto mexia em seu celular.

— O que? — Midorimacchi perguntou arqueando uma sobrancelha. — Para que?

— Informar ao “Makocchi” a probabilidade do elevador cair com todos nós aqui dentro.

— Pare com isso! Você é louco?! — perguntou Kiyoshicchi com certa impaciência, enquanto envolvia os braços em volta de Makocchi, como numa espécie de proteção.

— O que é? Vai me bater de novo? — ele parecia se divertir com aquela cena.

— Akashicchi, fique quieto! — o puxei, abraçando-o e afundando seu rosto em meu peito.

— Ryo... Me... Solt... — sua voz estava abafada e ele se debatia tentando se soltar, no momento em que o fez, afastou-se de mim e iria dizer algo, provavelmente me xingar, porém, foi calado pela luz que se acendeu e a movimentação do elevador, que voltava a subir.

O elevador parou em nosso andar e levantamo-nos, finalmente, saímos para o corredor. Ao sair, senti meu corpo começar a cair, porém, algo impediu a queda. Era Akashicchi. Senti-me corar e ele parece ter notado, pois deu um sorriso tímido. O que mais me impressionou foi a forma como agira normalmente, mesmo depois de quase me bater dentro do elevador.

— Aqueles irresponsáveis! Eles vão ver. — Midocchi parecia possesso e saiu andando a passos fortes em direção ao apartamento. — Eu mando fechar está espelunca se isto se repetir!

Entramos para casa. Todos estavam aflitos para tomar banho e a solução foi um sorteio, acabou sendo Makocchi o contemplado. Após ele sair, era a minha vez, tomei um banho e fui para a cozinha, o almoço estava praticamente pronto. Os cozinheiros daqui são bem eficientes! Comemos desesperadamente, todos estavam realmente famintos e depois, fomos descansar cada um em seu quarto. Ainda dava para escutar Midocchi dando sermão em alguém pelo telefone. Coitado de quem estivesse do outro lado da linha, nunca o vira tão determinado em acabar com o dia de alguém dessa maneira.

Cheguei ao quarto e Akashicchi estava dormindo. Não quis acordá-lo, então, entrei devagar para não fazer nenhum barulho e me deitei. No mesmo instante em que fechei os olhos adormeci.

Kise’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3