Notas iniciais
Olá pessoas! Mais um capítulo! ^o^/ Boa leitura!

Midorima’s POV on

Já eram dez horas da manhã de domingo quando acordei. Não me preocupei com o horário, afinal hoje não tenho aula. Apesar de ter dormido bem, não me recuperei do susto que levamos no elevador. Aquele calor infernal parecia não ter fim, igual à irresponsabilidade dos encarregados pela manutenção do mesmo. Após conversar com o responsável pelos prédios descobri que o elevador apresentava alguns problemas há tempos e que em breve seria substituído, mas o mesmo não nos deu nenhuma informação ou alerta de cuidado sobre isso antes.

Mudando um pouco a rotina, me levantei e fui direto tomar banho. A água quentinha que sai do chuveiro me agrada muito, nada melhor para iniciar o dia. Sai do banheiro, fui ao quarto me arrumar e segui para tomar o café da manhã. Hoje o Makoto estava em casa e preparou as coisas, Kiyoshi chegou em seguida com os pães e o bolo de laranja que comemos todos os dias. Após me sentar, Kise e Akashi saíram do quarto e se uniram a nós.

— Bom dia! — desejou Kise com toda empolgação de sempre.

— Bom. — desejei como de costume.

— Finalmente passou uma manhã em casa Makoto. — afirmou Akashi.

— Ah. —Makoto disse dando um leve sorriso. — Penso que poderei passar mais tempo em casa por agora.

— Hoje quando estava descendo o porteiro me abordou e me entregou esta carta. — disse Kiyoshi esticando a mão para me entregá-la. — É sua Midorima.

— Obrigado. — respondi já abrindo o envelope.

— As garotas já começaram a te enviar cartas Midocchi?! — disse Kise com a alegria de costume. — Você está popular, hein!

Não dei muita importância para a fala do Kise, o conteúdo da carta era o que mais me chamava à atenção. Quem escreveu foi minha mãe que me dava às felicitações pela nova etapa de minha vida. Desejou que minha hospedagem no apartamento do filho do presidente fosse boa e que eu me divertisse muito. Coitada, mal sabe ela que não estou com a mínima vontade de ir morar lá, apesar disso fiquei muito feliz em ver a letra da minha mãe, estou sentindo muita saudade de ficar junto dela.

— Quem escreveu é minha mãe. — falei. — Ela me deseja felicidades e um bom aproveitamento do período de graduação.

— O que sua mãe faz da vida? — perguntou Kiyoshi.

— Ela é juíza federal e dona de uma empresa de cosméticos. — disse respondendo a pergunta. — Meu pai é senador e presidente da mesma empresa.

— Por isso que o Midorimacchi é tão cheiroso assim! — disse Kise com um sorriso e uma expressão inocente. — Ouvi falar que ele dorme em água de colônia, mas é mentira, a cama dele é igual a nossa.

— Jura?! Pensei que ele dormisse numa banheira com perfume. — afirmou Makoto ironicamente.

Pela primeira vez na vida ele entendeu uma ironia, mas apenas sorriu de volta. Depois de alguns minutos o telefone tocou e o Kise foi atendê-lo. O mesmo conversou rapidamente com o porteiro e nos fez uma pergunta.

— Um tal de senador está subindo, posso deixar entrar?

— Meu pai. — afirmei correndo para mudar de roupa.

— O que houve? — perguntou Akashi, que como todo mundo ficou sem saber o que estava acontecendo.

Alguns minutos depois a campainha tocou e agora foi o Kiyoshi quem foi abrir a porta.

— Bom dia. — disse Kiyoshi atenciosamente.

— Bom. — respondeu meu pai, creio que recebi esta mania dele de responder tão secamente. — Onde está o Shintarou?

Kiyoshi me chamou e rapidamente me apresentei.

— Bom dia pai, o que faz por aqui?

— Preciso conversar com você em particular.

— Venha para meu quarto.

Quando estávamos indo eis que Kise se levanta.

— Oi senhor pai do Midocchi. — disse com um sorriso amigável, meu pai por sua vez apenas o observou, fez um aceno com o rosto e entrou no quarto. Kise corou e voltar a se sentar. Todos ficaram impressionados com a reação “simpática” de meu pai, isso porque não conhece seu mau humor.

— Arrume suas coisas, você irá se mudar hoje. — disse meu pai fechando a porta do quarto.

— Não vou me mudar, quero ficar aqui neste apartamento. — insisti. — Vou ficar aqui mesmo.

— Não me interesso no que você quer ou deixa de querer, sou seu pai e vai me obedecer.

— Já sou maior de idade e não tenho obrigação nenhuma de obedecer a suas ordens. —afirmei tentando buscar alguma coragem e enfrentá-lo, mas a resposta foi uma bofetada em meu rosto, não doeu muito, mas me deixou perplexo. — O que o senhor fez?

— Se esquece de quem eu sou? Esquece-se de quem paga esta porcaria para você estudar? Você vai me obedecer, caso contrário eu suspendo sua matrícula e você sai hoje daqui.

— Minha mãe sabe disso? Ela te deu permissão para fazer isso?

— Ela não tem que se meter nas minhas decisões. Agora arrume logo suas coisas. Faça isso agora que vou ficar esperando até você terminar, irei te acompanhar pessoalmente.

— Eu não quero ir pai, o senhor não pode me obrigar a fazer o que não quero.

— Mas vai, não quero que se misture com pessoas de classe inferior a sua, o filho do presidente é uma excelente companhia.

— Todos meus amigos são ricos, não tanto quanto nós, mas possuem educação e boa condição financeira. — expliquei, sem ter muita certeza disso. — O senhor só faz isso para tentar bajular um pouco o presidente!

— Não vou discutir com você, arrume suas coisas e venha comigo. Se continuar se negando, te levo a força daqui.

Infelizmente nada se poderia fazer, meu pai é inflexível e não mudaria de ideia por nada neste mundo, então relutantemente comecei a arrumar minhas coisas.

— Então pelo menos mande aqueles brutamontes vir me auxiliar, caso contrário não iremos sair daqui hoje.

Ele acatou e foi chamar os seguranças, estes eram mais altos que eu e bem mais forte. A arrumação demorou mais ou menos meia hora, não me atentei muito a organização da mala e sai colocando tudo desordenado. Após o término, sai do quarto e me deparei com os quatro sentados no sofá esperando alguma explicação minha.

— Você vai mesmo Midocchi? — perguntou Kise demonstrando preocupação e tristeza.

— É hora de ir. — afirmei entregando as malas aos seguranças para que eles a levam ao carro. — Preferi manter isto em sigilo, até porque não tinha certeza de nada.

— Kiyocchi, Midocchi vai nos abandonar. — disse Kise desolado se apoiando no mais alto.

— Mas por que você vai embora? O que te fizemos para ir assim? — perguntou Kiyoshi.

— Meu pai prefere que eu fique alojado no apartamento do gordo do filho do presidente. — disse com a intenção de irritar meu pai, mas ele nem mostrou nenhuma reação. — Vocês não fizeram nada demais.

— Podemos ir te visitar Midocchi? – perguntou Kise. – Diz que sim.

— Farei o possível para que sim, mas penso que a segurança do prédio não permita muitas visitas. Irei visitá-los aqui de vez em quando.

— Não vá Midocchi. — disse Kise vindo em minha direção. – Você é um dos únicos que me atura nesta casa.

— Já chega disso, vamos logo embora. — disse meu pai colocando a mão no meu ombro e me empurrando para fora.

Na mesma hora o Kise correu e me abraçou, Kiyoshi foi logo em seguida e também me deu um abraço de despedida. Akashi e Makoto acenaram de longe, mas apresentavam certa tristeza ainda que muito pouco.

Quando estava saindo pude notar uma marca de água em minha blusa, assimilei rapidamente e me voltei ao Kise que chorava por minha partida, dei um sorriso e fui para dentro do elevador que estava aberto me esperando.

A descida foi silenciosa, meu pai se mostrava de forma rígida e eu só queria socá-lo por me obrigar a fazer algo que não quero. Preferi deixar passar um tempo e após ligar para minha mãe e tentar conseguir algum apoio, tenho certeza que ela irá me ajudar e de alguma forma faria meu pai mudar de atitude.

***

O percurso até o novo apartamento não durou nem dez minutos, o prédio era realmente muito bonito e eu ficaria alojado na cobertura do mesmo. Entramos, subimos com o elevador e chegamos à porta do tal lugar tão indesejado. Após bater, a empregada abriu a porta e nos mandou entrar e foi chamar o tal gordo metido. Ele desce a escada de forma tão largada que percebi que até meu pai se decepcionou com o mau jeito do mesmo.

— Olá senador. — disse o largado.

— Olá. — respondeu meu pai tentando falsamente se mostrar agradável. — Deixo meu filho sob seus cuidados. Shintarou este é Jun, o filho do meu amigo e atual presidente.

Finalmente descobri o nome do infeliz, não vou precisar chamá-lo de filho do presidente mais.

— Oi. — retribui secamente.

Fui retribuído com um sorriso, Jun parece ter gostado de mim, mas não foi recíproco.

— Acho que iremos morar juntos agora. — disse ele. — Penso que nos daremos muito bem.

— Minha estada aqui não durará muito, em breve vou voltar pro meu antigo apartamento com meus amigos. — afirmei provocando meu pai, afinal ali na frente de todos, ele não faria nada contra mim. — Ele pensa que vou aprender muitas coisas perto de você, por isso estou aqui contra minha vontade. — meu pai me olhou severamente e para disfarçar deu um falso sorriso. — Desculpe, mas não estou feliz por estar aqui.

— Desculpe o meu filho, ele anda um pouco rebelde ultimamente.

— Rebelde? Fui obrigado a vir para cá contra minha vontade e o senhor ainda me chama de rebelde?! Não preciso me prestar a isso, afinal não sou um boneco com o qual o senhor controla quando quiser.

— Já basta! — disse meu pai. — Me desculpe Jun, mas prefiro que por enquanto meu filho fique em outro lugar até que ele aprenda um pouco de educação.

— Não se preocupe, vejo que tem alguns problemas a resolver. Elma ajude-o com as malas. —disse Jun mandando sua empregada nos ajudar a voltar para o carro. — Espero te ver novamente Midorima-kun.

— Também espero, mas não aqui. — afirmei secamente, não tinha nada contra o rapaz, mas queria de qualquer jeito me vingar do meu pai. Jun ficou com uma cara de quem não entendia nada, no fundo estava pensando que somos pessoas problemáticas e de certa forma ficou frustrado pela minha má vontade de ficar ali.

Sai arrastado para o elevador, meu pai ordenou que descêssemos sozinhos, pois queria conversar comigo e isso foi obedecido pelos seguranças.

— Seu idiota, o que pensa que está fazendo?!

— Disse que não queria vir para cá e continuo dizendo o mesmo.

— Olha aqui moleque, você vai me pagar por isso!

— Vou sim, sou capaz de armar um escândalo e fazer com que o senhor saia em todas as colunas sociais do país.

Quando ele ia me responder eis que a porta do elevador se abre e damos de frente com minha mãe que estava parada com algumas sacolas na mão. Ela reparou rapidamente e foi ao meu encontro dar um abraço bem apertado.

— Meu querido! — ela disse me abraçando fortemente. — Que saudade de você meu amor!

— Também estava mãe. — afirmei ainda a abraçando. — Morri de saudades da senhora.

— Está tudo bem com você? — perguntou minha mãe. — Estão te tratando bem aqui na escola, Shin?

Hesitei, mas respondi.

— Não, meu pai quer me obrigar a morar com o Jun, filho do presidente e eu não quero mãe. Faça-o mudar de ideia, quero voltar pro meu antigo apartamento, me ajuda, por favor.

— Pensei que esta fosse sua vontade, seu pai me disse que você queria mudar. Eu vim para te ajudar na mudança.

— Não quero, estava muito bem no outro apartamento, até fiz alguns amigos.

— Shintarou fará o que eu quiser. — disse meu pai. — E ele irá morar com o garoto querendo ou não.

— Shin, me deixe sozinha com seu pai, vamos conversar um pouco sobre isso. —pediu minha mãe, acatei rapidamente e sai um pouco de perto. Não consegui ouvir a conversa, mas percebi quando meus pais vinham em minha direção, ela sorridente e ele com um rosto carrancudo, aparentava estar muito nervoso.

— Vamos voltar para seu antigo apartamento, depois vou conversar com o reitor e reportar a mudança. — disse minha mãe. — É bom que aproveito e conheço seus colegas.

— Mas e meu pai? — perguntei.

— Ele concorda comigo. — ela respondeu por meu pai. — Seu pai entende o que é melhor para você e só quer te ver feliz.

Fiquei surpreso, pois nunca havia visto meu pai ser contrariado e ceder. Sabia que depois eu teria problemas com ele, mas preferi não pensar nisso agora e ir correndo para o antigo apartamento. Lá de certa forma era legal, afinal me respeitavam e eu estava no controle de tudo, já neste prédio só seria um hóspede e não teria direito a nada. O mau humor do Makoto e do Akashi, a alegria do Kise e a simpatia do Kiyoshi me fariam falta. Aposto que ficarão surpresos em ver o meu regresso tão repentino, afinal não se passou nem uma hora que fui embora de lá e já estou voltando.

Midorima’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! :3