Notas iniciais
Olá pessoas! :B Era pra eu ter postado ontem, mas tava com tanto sono que não consegui. De qualquer forma to postando mais cedo do que de costume! u.u Ah, eu participo de alguns grupos no wpp, mas não são todos muito movimentados... Aí eu pensei em talvez criar um... Pra conversar sobre fanfic, anime, shipp, qualquer coisa, se alguém tiver interesse, só mandar mp! :D Enfim, não vou enrolar mais. Só agradecer pelos comentários, ao pessoal que acompanha! A todo mundo que lê a fanfic, deixando comentário ou não! Vocês são uns lindos, hihi! :3 Boa leitura! :DDD

Hanamiya’s POV on

Nossas férias haviam começado. A viagem aconteceria apenas na segunda semana, ou seja, teríamos que planejar o que fazer durante a primeira semana. Pensando nisso, Takao, mais do que prontamente, se comunicou com sua tia do interior e conseguiu nos convencer a passar uns dias na fazenda dela. Bom, a princípio não me pareceu uma má ideia, porém, assim que colocamos nossos pés no gramado da casa, Midorima começou seu falatório.

— Você não nos avisou que não haveria sinal de celular, Takao. — falou Midorima.

— Bom Shin-chan... Na verdade... — Takao tentou se explicar com um sorriso amarelo.

— Você era o único que não sabia Shintarou. — o ruivo, com seu costumeiro tom debochado, comentou.

— Takao!

— Shin-chan, me desculpa! Eu realmente me esqueci de te avisar, não foi de propósito! — ele tentou se explicar.

— Kazunari, admita que você pensou que ele não iria querer vir se soubesse.

— Akashi, pare de provocar! — Kiyoshi interveio o início de uma discussão. — Sinal de celular aqui não fará a menor falta, olha esse lugar!

De fato, o local era muito belo. Era um vale, vários morros de diferentes tons de verde rodeavam a fazenda que se localizava bem ao centro, ao lado de uma grande baixada que era cortada por um rio. A casa era grande, tinha apenas um andar. Por fora, sua cor ela alaranjada e tinha alguns detalhes brancos. Uma varanda a rodeava por completo e algumas vigas de madeira sustentavam o grande telhado. Havia um gramado, que estava cheio, sim, cheio de patos, cachorros e galinhas. Daí mais um motivo para Midorima reclamar...

— Como vou avisar meus pais? Eles não sabem que estou incomunicável!

— Relaxe Midorima, eu os avisei. — falei a fim de tranquilizar o outro. — Eles já sabem e pediram para que eu cuidasse de você.

— Takao, não tinha lugar pior para você nos trazer não? — Midorima perguntou entediado. — Aqui pelo menos tem chuveiro elétrico? Você sabe que eu não suporto água fria.

— Tem sim, não se preocupe.

— Midocchiiii! — ouvimos Kise, que se encontrava na estradinha que dava na entrada junto com Seiji. Ele vinha correndo acompanhado do ruivinho. — Nós achamos patinhos!

— Amarelinhos, tio verdinho! — Seiji ria, enquanto subia a pequena ladeira.

— Os deixem lá quietos e venham nos ajudar a arrumar as coisas. — os outros dois assentiram e seguiram em direção aos carros para retirar as bagagens. — Takao, sua tia está aqui?

— Eu acho que sim... — Takao olhou em volta. — Bom, minha tia não tenho certeza se realmente estão, mas acho que algum primo está ali. — ele apontou para um local um pouco afastado da casa. Era um recinto peculiar e dentro se encontravam várias vacas, de todos os tamanhos e cores diferentes. — Esse horário eles ainda estão trabalhando.

— O que é... Aquilo? — Midorima olhava assustado para a estrutura, creio que por conta da quantidade de animais ali.

— É um curral Shin-chan! Ali eles tiram o leite pra vender.

— Takao... Acho que não quero comer carne aqui... Vai que ela veio de um desses bichos...

— Larga de frescura Midorima! — eu falei. — Não creio que eles abatam os animais aqui.

— Verdade, Mako-chan. — afirmou Takao. — Eles apenas vendem pro abatedouro, o único produto bovino que sai daqui é o leite, agora, já não posso falar a mesma coisa dos porcos, frangos e patos...

Midorima nos olhou horrorizado e tive que segurar o riso.

— Não se preocupe Shin-chan, nós trouxemos carne e bem, acho que você não vai se importar em comer os vegetais daqui, certo?

— Acho que vou aproveitar a viagem para fazer jejum.

— Não sei como você não tem anemia, Midorima. — Kiyoshi, que trazia algumas malas para a varanda, comentou. — Não come nada.

— Makoto, cale seu namorado, por favor.

— Ele tá certo, você é muito fresco Midorima.

— Fresco, eu? — ironizou ele. — Não sou fresco, só tenho um gosto rigoroso para alimentos.

— Sei. De onde eu venho, ter “gosto rigoroso para alimentos” é chamado de outra coisa... — Akashi comentou. — Tem quartos pra todos, Takao?

— Bom, ter tem, mas se meus primos forem dormir aqui, acho que teremos que nos apertar um pouco... De qualquer forma, minha tia fará com que tenhamos o máximo de conforto possível, não se preocupem.

— Yo Kazu-nee! — ouvimos uma voz gritando pelo moreno. Próximo a baixada, no início da ladeira com duas galinhas, uma em cada mão, estava um loiro. Ele vestia uma calça jeans suja de barro, uma blusa azul, igualmente suja e uma galocha, como se ainda fosse possível, mais suja ainda.

— Meu Deus, o que é isso?! — Midorima perguntou espantado.

— Kota-chan! — Takao, que pareceu bem feliz ao ver o rapaz, esperou que ele se aproximasse, e como se ele não tivesse nada em mãos, o abraçou. — Que bom te ver! Pensei que não estaria aqui!

— Mamãe tem precisado de ajuda com os bichos. — o loiro sorriu. Ele tinha olhos verdes e carregava um sorriso contagiante. — Oe, quem são eles?

— Ah, deixe-me apresentá-los! São meus amigos da faculdade! — ele veio puxando Kotarou. — Pessoal, esse é meu primo Kotarou!

— Prazer em conhecê-lo, Kotarou-san! — Kiyoshi, simpático como sempre, se apresentou ao loiro. — Me chamo Teppei Kiyoshi.

— O prazer é meu, Kiyoshi-san! — ele fez uma pequena reverência.

— Makoto Hanamiya, é um prazer. — tentei ao máximo mostrar alguma simpatia, não sei se deu muito certo, já que ele me encarou de forma estranha.

— Prazer. — sorriu. Bom, acho que foi apenas impressão minha.

— Sou Ryouta Kise, Kotaroucchi! — Kise, que havia acabado de colocar a última mala na varanda, se apresentou, logo indo abraçar o rapaz, que pareceu surpreso pela aproximação, já que ainda segurava as galinhas. — Akashicchi, seja um bom menino e venha aqui se apresentar também!

— Seijuro Akashi. — ainda distante, o ruivo falou. — É um prazer.

— Ele me parece um cara mau. — Kotarou sussurrou para Takao, que apenas riu. Pude jurar ver um brilho em seus olhos.

— Tio. — Seiji puxou a blusa de Kotarou. — Qual seu nome?

— Me chamo Kotarou! — respondeu empolgado. — E você é quem?

— Seiji. — o ruivinho falou. — Tio Kota-chan, posso brincar com os patinhos?

— Claro! — sorriu, vendo o menininho correr na direção onde ele e Kise haviam encontrado os patinhos, chamando o segundo para acompanhá-lo. — Quem é essa criança?

— Ele é filho do caseiro da casa onde moramos, nós sempre o fazemos companhia, então, pedimos para trazê-lo também. — Takao respondeu.

— Entendi.

— Kota-chan, deixe-me apresentá-lo a um amigo especial. — Takao puxou o loiro e foi em direção a Midorima que havia se afastado e mexia em uma das malas. Os ignorei e decidi apreciar um pouco mais a paisagem.

Olhei ao redor e pude ver Kise e Seiji correndo atrás de vários patos, enquanto os mesmos fugiam como se não houvesse amanhã. Assim como Akashi, que filmava a cena, não pude deixar de rir.

Me virei para o outro lado, onde haviam alguns bezerros no curral. Kiyoshi os olhava parecendo admirado. Resolvi me aproximar dele, tocando levemente um de seus braços.

— O que foi? — perguntei, fitando um bezerrinho branco com algumas manchas marrons, que andava de forma desengonçada.

— Eles são muito bonitinhos. — o encarei e ele parecia quase que em transe. — São fofos.

— Sim. — ri e ele se virou para mim. — Teppei, falando assim parece que você nunca viu um bezerro na vida.

— Miya-chan! — protestou ele e ri mais ainda. — Bom, na verdade só havia visto pela televisão...

— Sério? — questionei boquiaberto e ele assentiu. — Aposto que acha que o leite vem da caixinha...

— Miya-chan! — ele me puxou, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo. — Você tá muito engraçadinho hoje.

— Pensei que você já tivesse se acostumado. — ele sorriu. — Teppei, é melhor você me soltar... Aqui não é um local apropriado...

— Tudo bem, eu concordo. — Kiyoshi me soltou, encostando-se ao muro que separava o curral. — Espero que seja uma viagem divertida...

— Também... Bom, parece que será...

— Parece sim.

***

Chegamos ao local aproximadamente duas horas da tarde. Após a distribuição dos quartos – que desagradou a muitos – ficamos na grande cozinha, que tinha uma mesa extensa ao meio, enquanto ao canto esquerdo havia a pia, algumas prateleiras e um fogão a lenha. E ao canto direito, ao fundo ficava uma pequena dispensa, logo à frente, um fogão a gás, um pequeno armário, seguido de uma porta que dava ao corredor e três geladeiras, sendo duas brancas e uma marrom. O cômodo era dividido em dois ambientes, tendo que ao outro lado, abaixo de duas grandes janelas de madeira, havia três sofás, dois paralelos às janelas e um perpendicular, encostando-se a uma das geladeiras.

A tia de Takao, Tina, se mostrou muito simpática e receptiva. Nos acolheu com o maior carinho do mundo, assim como seus dois filhos, Kotarou e Reo. Kotarou foi o mais agradável e pareceu se identificar muito com Kise e Seiji, uma vez que ficara a todo o momento próximo às nossas duas crianças. Reo me pareceu um pouco estranho... Ele era alto, bem mais do que eu. Seus cabelos eram negros, batendo em seu pescoço e seus olhos eram bem verdes. Assim como Kotarou, ele demonstrou simpatia a todos nós, porém, a forma como olhara para Kiyoshi, me incomodou um pouco...

Quanto à divisão dos quartos... Ai... Me desespero só de pensar... Alegando sempre sair em desvantagem nas divisões – não sei aonde –, Midorima deu à brilhante ideia de tirarmos na sorte. Sim, “sorte”. Ao todo eram quatro quartos, sendo dois deles já ocupados, ou seja, sobrando apenas dois para nós seis. OU SEJA, NOVAMENTE, um dos quartos teria que ser ocupado por quatro.

Eu, Akashi e Midorima. Nós três definiríamos os aposentos.

Um de costas para o outro, enquanto Takao, Kiyoshi e Kise ficavam na expectativa.

— Vou contar até três, quando eu falar “já”, coloquem zero ou um nos dedos, entenderam? — Takao perguntou e assentimos. — Um...

— Boa sorte, Akashicchi! — Kise desejou, cruzando os dedos e batendo os pés junto de Seiji logo em frente ao ruivo.

— Kise, sai com essa mandinga brava pra lá. — falei. — Se eu perder a culpa é sua.

— Fica quieto, Makocchi!

— Podem ficar calados os dois? — Midorima perguntou. — Estão me desconcentrando! O horóscopo de hoje disse que preciso de concentração para ter um bom dia.

— Dois...

— Shii, eu pensei que ele tivesse parado com isso... — Akashi resmungou.

— Teppei, roube o item da sorte dele, por favor.

— É pra já, Miya-chan!

— Três...

— Makoto, tire seu namorado de perto de mim imediatamente!

— Três ponto setenta e cinco...

— Takao, vai com essa porra logo!

— Você é muito apressado, Mako-chan! — protestou ele e apenas o encarei com tédio. — Está bem! Está bem! Já!

Nós três levantamos os braços. Cada mão indicava um número. Um nervosismo incomum tomou conta de mim, então, logo olhei para cima para saber se havia decretado minha sentença ou não. Bom... Havia... E não era boa.

— Chupem todos vocês! — Akashi pulava de um lado para o outro. — Ryouta! O quarto é nosso!

— Muito bem Akashicchi!

— Dessa vez o papai e o Kazunari vão participar das brincadeiras com vocês, Miya-chan!

— Maria, eu, educadamente, peço que enfie essa sua felicidade no... — Midorima tapou minha boca.

— Tem uma criança aqui, segure a sua boca.

— Não se preocupe Miya-chan, não é tão ruim assim dormir próximo ao Midorima... Eu acho... — Kiyoshi se aproximou sorrindo sem graça. — Pelo menos da última vez não foi.

— He, he, Teppei querido, eu adoro seu otimismo. — eu falei sorrindo da forma costumeira. — Mas não compartilho dele.

— Mako-chan, não se preocupe, estarei lá também!

— Sinceramente, isso não me deixa feliz Takao.

— Agora nem precisaremos mais de cerimônia para dormirmos juntos, Makoto. — brincou Midorima com um sorriso irônico e logo me lembrei de nossa conversa dentro do salão de jogos. — Não haverá portas pra atrapalhar.

— Verdade... Eu não havia me lembrado disso... — entrei na brincadeira também, fazendo com que os outros nos olhassem sem entender nada. — O que foi?

— Que papo é esse? — Teppei perguntou.

— Iih, eu estou conversando com o meu AMIGO, dá licença? — dei as costas, andando ao lado de Midorima em direção aos quartos. — Pessoal curioso.

— Midocchi, explica!

— Não, isso não lhes interessa! — frisou o de cabelos verdes. — É um assunto entre mim e o meu AMIGO.

— Sim, porque somos muito amigos! — afirmei.

— Demais. — Midorima concordou. — Melhores amigos.

—Sim.

Os demais nos seguiram nos lançando olhares curiosos e desconfiados, porém, não perguntaram mais nada.

***

— Mas Shin-chan! — escutei ao entrar no quarto em que ficaríamos instalados.

— Não, prefiro dormir sozinho na cama de solteiro!

— Mas aí um dos outros dois vai ter que dormir comig...

— O que tá acontecendo aqui, Takao? — perguntei. Kiyoshi vinha logo atrás de mim.

— O Shin-chan não quer dormir comigo no sofá-cama! — choramingou ele. — Mako-chan, o convença! Por favor!

— Vocês dois são um casal oficial! Precisam dormir juntos! Fiquem com o sofá cama!

Olhei para o moreno desesperado sentado ao sofá-cama, para Midorima sentado à cama de solteiro no fundo do quarto e logo depois pra Kiyoshi.

— Teppei, se importa de dormir comigo na cama de solteiro? — os outros me olharam assustados. — Bom, nós dormíamos juntos numa cama de solteiro quando morávamos no apartamento, acho que não teremos problemas em dormir assim novamente enquanto estivermos aqui, certo?

— Sim, Miya-chan! Takao e Midorima podem dormir juntos no sofá-cama.

— Me recuso! — Midorima bateu o pé.

— Shin-chan!

— Tudo bem então... — sorri com malícia, me aproximando de Takao e passando um de meus braços por seus ombros. — Acho que o Midorima não irá se incomodar se dormirmos juntos, Takao...

— Não ouse se aproximar nem mais um centímetro, coisa estranha!

Depois de todo aquele show, acabamos ficando da forma como eu havia sugerido. A tia de Takao insistiu para que arrumássemos outra cama no chão, porém, eu e Kiyoshi recusamos, nunca tivemos problema em dormir juntos em camas de solteiro, então, não vejo motivo pra isso.

***

Acho que nunca comi tanto em minha vida. Parece até que estamos na casa da minha avó. “Nossa Makoto, você está muito magro! Deixa eu te preparar uma coisinha...” e eu sempre caía nessa fala mansa...

— Você não comeu direito Ryouta-kun! — ouvimos Tina falar se direcionando ao loiro. — Me deixa arrumar outro prato para você!

— Muito obrigado Tinacchi, mas eu terei que recusar. — o loiro sorriu. — Estava realmente muito bom e estou satisfeito.

— Vocês não gostaram da minha comida... — ela choramingou.

— Que isso, tia?! Claro que gostamos, estava uma delícia! — Takao falou.

— Concordo. — eu afirmei. — Estava realmente muito boa Tina-san.

— Sim, tia Tina! — o ruivinho se manifestou. — Me lembrou a comida da mamãe.

— Por que ele a chama pelo nome e eu não? — Midorima sussurrou pra mim e não pude conter o riso.

— Você merece o desprezo dele, tio verdinho. — debochei e ele me olhou com tédio.

— Pro inferno com esse seu deboche, Makoto.

Após o jantar e muitos elogios em relação à comida, que realmente estava ótima, todos sentamos à varanda. Takao pegou seu violão e ficamos ali, cantando diversas músicas e conversando.

— Tá ficando frio... — eu falei, cruzando meus braços e passando minhas mãos pelos mesmos a fim de aquecê-los. Kiyoshi me puxou para seu peito.

— Fica aqui. — ele sussurrou e sorriu. — Eu te esquento.

Corei imediatamente e desviei o olhar.

A noite aqui parecia bem mais escura do que na cidade, porém, era realmente bonita. Tínhamos a vista do céu coberto de estrelas de onde estávamos sentados.

Kise e Takao cantavam. Seiji estava ao nosso lado segurando um pequeno gato, que tendo um olho de cada, me lembrou muito o Akashi, que também mexia com o animal. Reo, o primo mais velho estava sentado mais ao longe, apenas observava, era bem quieto, enquanto Kotarou e Tina estavam bem próximos a nós interagindo. Midorima olhava para o céu e sorria de vez em quando. Não imagino o que se passa por sua cabeça, mas creio que, assim como nós, ele também estava aproveitando a estada na fazenda.

— Tio Sei-chan, eu quero dormir. — Seiji cutucou Akashi e disse.

— Tudo bem. — Akashi se levantou. Como ele e Kise não precisariam dividir o quarto, Seiji dormiria com eles. O quarto era pequeno, mas comportaria os três, uma vez que tinha uma cama de casal e outra de solteiro. — Ryouta, colocarei o Seiji pra dormir.

— Eu vou com você, Akashicchi!

— Poxa... Já vai Kisecchi? Vou perder meu parceiro de cantoria. — choramingou Takao, parecendo desanimado.

— O Kiyocchi canta com você, Takaocchi.

— Sim, eu... — Kiyoshi ia se manifestar.

— Nada disso, já tá tarde e amanhã o Takao prometeu nos levar na cachoeira cedo! — o interrompi, recebendo aquele olhar de cachorro que só o Teppei conseguia fazer. — E nem adianta me olhar assim.

— Miya-chan...

— Dormir, Kiyoshi.

— Tá bem...

Bom, acabou que todos resolveram se retirar também. Além do cansaço da viagem, teríamos que nos acostumar a dormir em um local diferente, o que, pelo menos para mim, não é muito fácil. Creio que para Midorima também, o mesmo parecia um pouco incomodado deitado no sofá cama, logo a minha frente.

— Será que tem como vocês dois não se agarrarem? — o de cabelos verdes perguntou. Ele estava sozinho, Takao não havia voltado para o quarto, estava com seus primos que não via há tempos.

— Não estamos nos agarrando, Midorima. — eu respondi me aconchegando nos braços de Kiyoshi, que estava deitado logo atrás de mim, me fazendo carinho com uma mão livre, enquanto o outro braço me servia de travesseiro. — Só estamos nos preparando pra dormir.

— Tá parecendo agarração!

— Você tá com inveja, Midorima? — Teppei perguntou e eu ri.

— Por que eu teria inveja de vocês?

— Não comecem com isso! — protestei antes que eles começassem a implicar um com o outro. — Midorima, se não quer nos ver assim, vire pro outro lado.

— Mas eu não durmo em outra posição.

— Então feche os olhos, só não nos perturbe.

Ele continuou me encarando sério, mas apenas o ignorei e me virei para Teppei. O mesmo sorriu. O abracei e dormimos assim. Nem mesmo vi quando Takao entrou no quarto.

***

Paraíso. Foi a única palavra que veio a minha cabeça quando chegamos à cachoeira. Era linda. A queda não era tão grande e logo abaixo havia um grande espaço fundo o suficiente para pular, mas com partes rasas onde crianças poderiam ficar sem preocupação. Me lembrava muito uma praia. A areia era bem clara. Tenho certeza de que Seiji e Kise adorariam fazer castelinhos ali.

Logo ao lado da areia branca, havia mato e uma pequena trilha que dava nas pedras da parte de cima da cachoeira.

— Santo Seijurou! Quero desbravar isso tudo! — Akashi comentou empolgado. — Vamos comigo, Miya-chan?

— Quais suas intenções querendo me arrastar pro mato, Maria? — debochei e o mesmo riu.

— Não sei... — respondeu com malícia. — Só vai descobrir se for comigo.

— Makoto, fique longe dele. — Teppei disse me puxando para perto, o que me fez rir.

— Ki-chan! — escutamos Seiji, que já estava dentro d’água com o Kise e Kotarou, gritar. — Vem aqui com a gente!

— Kiyo-nee! Vamos nadar aqui! — Kotarou chamou.

— De-de-de-de-u-s... Se-se-sei-i-i-ji, co-co-como e-está c-con-conseguindo? — Kise tremia feito uma vara verde.

— O que foi tio Kise? — o ruivinho perguntou.

— E-está m-muito f-fria!

— Pare de frescura Ryo-nee! — Kotarou deu um tapa leve no ombro do outro loiro. — Aproveite que hoje está com sol!

Os meninos ficaram brincando na água. Eu, Midorima e Akashi preferimos ficar do lado de fora. Se Kiyoshi tentasse me jogar na água, eu não pensaria duas vezes antes de me vingar! Ele não sairia ileso dessa vez!

— Midorima? — chamei o de cabelos verdes, que lia um livro qualquer.

— Hum?

— Não vai entrar na água?

— Odeio água fria. — ele ajeitou os óculos.

— Entendo. — sorri e voltei a ler meu livro.

— Miiiiya-chaaan! — Akashi me chamou, praticamente cantando meu nome, bem da forma como Kiyoshi fazia. — Vamos explorar!

— Dispenso sua saliência, Maria. — imitei Midorima, que logo me encarou. — Vá sozinho.

— Miya-chaaaaan!

— Akashi, tá parecendo um gato no cio!

— Vamos comigo!

— Por que você tá fazendo manha? Qual é o seu problema? Isso assusta, sabia?

O filho da puta começou a rir.

— Só queria saber sua reação. — ele andou até mim e Midorima, sentando-se entre nós. — Como vão seus relacionamentos?

— Você tá falante hoje, Akashi. — Midorima comentou, sem tirar seus olhos do livro.

— Sim... Estou com vontade de conversar com vocês.

— Vontade é coisa que dá e passa. — disse, me ajeitando sobre a pedra onde estava sentado. — Vai lá explorar, vai.

— Ai, vocês são chatos. — o ruivo se levantou. — Vou embora.

— Já foi tarde. — eu e Midorima falamos juntos, dando atenção aos nossos respectivos livros.

Ri mentalmente da cena.

Fico feliz que esteja me dando bem com todos eles novamente. Até que a companhia silenciosa de Midorima não é ruim...

... Bom, a SILENCIOSA.

***

— Makoto. — estava dormindo quando ouvi alguém me chamando.

— Hum?

— Acorda Makoto. — era Midorima, logo reconheci sua voz.

— O que você quer Midorima? — perguntei, virando para me aninhar no peito de Teppei, mas ele era muito insistente e continuou me chamando e cutucando.

— Acorda Makoto.

— O que foi Midorima? — acabei me dando por vencido e me sentei para olhá-lo.

— Preciso ir ao banheiro... — ele desviou o olhar.

— E...? — o encarei entediado.

— Não consigo... Ir... Sozinho...

Parei por um minuto. Pensei e pensei.

— Midorima...

— O que?

— Você tem medo de escuro? — ele ficou parado. Parecia pensar se deveria ou não falar. — Ok, você tem. Vamos lá então.

Eu não faria nada pra prejudicá-lo... Ou não.

No máximo um sustinho com algum inseto, coisa que tem em abundância por aqui!

— Vai lá, vou esperar aqui. — disse, parando na porta do banheiro.

— Qualquer coisa eu te grito.

— Vou te deixar morrer dentro do banheiro se me gritar.

Ele sorriu e entrou. Eu fiquei olhando o quintal. Sim, o banheiro era do lado de fora da casa.

Midorima não demorou nem dois minutos e saiu. Seu medo era maior que sua vontade, creio eu.

Após isso a noite correu normal. Consegui voltar a dormir e me parece que Kiyoshi nem notou minha ausência. Eu só me perguntou o porquê do Midorima ter me chamado ao invés de chamar o Takao? Bom, acho que jamais terei resposta pra essa pergunta na vida...

***

Os outros dias se passaram da mesma forma. Íamos a cachoeiras diferentes, umas mais lindas do que as outras. Comíamos muito e nos enturmávamos mais com os primos de Takao, até Reo se mostrou mais legal comigo, apesar de não passar muito tempo próximo a nós.

Bom, resumindo: foi uma viagem agradável, que não só eu, como todos os meninos fariam de novo se tivessem a oportunidade.

Espero que a viagem à praia seja assim também!

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! *-*