Notas iniciais
Olá pessoal! :D Chegamos com a continuação! Esperamos que gostem! u.u Boa leitura! :3

No capítulo anterior:

Tudo estava normal, até que sem mais e nem menos, a luz se apagou.

Agora:

— Ai meu Deus! O que tá acontecendo aqui?

— Calma Ryouta, só acabou a luz.

— Socorro, alguém passou a mão em mim!

— Kise, me solta, você tá me apertando. — escutei a voz do Kiyoshi ao longe.

— Desculpa Kiyocchi, pensei que fosse o Akashicchi.

— Não há nenhuma lâmpada de emergência nessa casa, Kiyoshi?

— Tem algumas lanternas na sala e velas em um dos armários da cozinha, Midorima. — respondeu Kiyoshi. — Algum voluntário pra ir comigo pegar?

— Eu vo... — eu ia falar quando fui interrompido.

— Você não Makoto, nós queremos que as velas cheguem aqui ainda hoje. — Midorima falou, como numa advertência. — Corre o risco de vocês pararem pra se agarrar no escuro. Kise vá você.

— Tá bom, Midocchi.

— Ai meu Deus! O Shiro tá lá fora! — ouvi Takao desesperado do outro lado da sala. — Tenho que ir pegá-lo! Já está escuro!

— O que pode ter acontecido pra energia ter sido interrompida de repente?

— Aqui tem muitas árvores, alguma deve ter se encostado a algum fio com o vento. — Akashi respondeu. — Vou pegar meu celular no quarto, se outros não acharem as velas, ele será útil.

— Está bem. — assentiu Midorima. — Onde está aquele diabinho?

Cadê o Seiji?! Ele foi o único que não falou nada!

— Seiji-kun? — o chamei e não obtive resposta. — Seiji? — resolvi andar pelo local, bem devagar pela quantidade de mobília presente. Nem imaginava se estava perto da saída ou no centro do cômodo, tateava tudo com calma, até que...

— Foi apalpado e agora quer me apalpar? — o de cabelos verdes perguntou. — Vocês são todos assim?

— Aah, me desculpa. — pedi. Se ele vai ficar implicando mesmo no escuro, eu posso fazer o mesmo, certo? — Me esqueci que só o Takao pode fazer isso.

— Nem ele, não sou corrimão pra ficarem passando a mão em mim.

— Midorima, nós estamos no escuro e seria bom se trabalhássemos juntos pra conseguir o máximo de conforto possível para todos, será que você poderia cooperar e largar de ser implicante por alguns minutos? — perguntei, me sentando em algo que reconheci como um sofá. — Não era minha intenção te tocar, é que eu não estou enxergando nada e tenho que achar o Seiji.

— Sei. — falou ele. — O garoto deve ter voltado para o inferno.

No mesmo momento em que ele terminou a frase, escutamos o barulho alto da porta batendo bem a nossa frente.

— O portal se abriu para buscá-lo.

— Isso não me pareceu boa coisa... — me levantei e continuei andando na direção onde julguei ser a porta, até que consegui tocá-la. — Porra... Acho que... Acho que tá trancada.

— Ai meu Deus, só faltava essa.

Puxei a maçaneta e sim, realmente estava trancada.

— Teppei! Kise! — chamei pelos outros que estavam do lado de fora e nada. Continuei tentando empurrá-la e nada. — Droga! — a dei um murro e pude ouvir a risada do pestinha vindo do lado de fora. — Seiji, abra essa porta!

— Que porcaria, agora estou trancado com a última pessoa no mundo que eu queria perto e como se isso não bastasse, no escuro. — reclamou Midorima. — Quanto azar para um dia só.

— Acredite, estou com mais azar do que você. — falei, enquanto ainda tentava empurrar a porta. — Droga...

— Olha só garoto... — percebi que Midorima estava ao meu lado, também tentado empurrar a porta. — Você vai abrir essa porta agora, ou vai se ver comigo quando alguém vier nos tirar daqui!

O comentário de Midorima só fez com que o garoto risse mais.

— Você não consegue nem cuidar dos próprios óculos, tio verdinho! — Seiji falou em meio a gargalhadas.

— Vou acabar com você! Hoje eu te mato! — o de óculos alterou o tom de voz de uma forma que eu nunca havia visto antes. — Abra essa porta agora!

— Midorima, calma. ­— pedi, segurando seu braço. — Ele é só uma criança.

— Isso não é uma criança, é um bicho!

— Fica calmo. — falei, enquanto o puxava para o sofá novamente. — O Kiyoshi deve voltar logo, ele consegue conversar direito com o Seiji e pode pedir a chave de volta, então não tem motivo pra ficar estressado agora.

— Maldito moleque! Takao! — gritou ele, levando toda a calma que eu tentava adquirir, para o espaço. — Cadê aquele infeliz quando mais precisamos dele?!

— Midorima, pare de gritar.

— Takao!!! ­— ele continuou. — Não me mande ficar quieto!

— Midorima...

— Não quero ficar no escuro! Takao! — gritou mais uma vez, antes de começar a tossir sem pausa.

— Midorima! — me aproximei novamente e servi se apoio para seu corpo. — Tá vendo, idiota?! Pare de gritar! Você ainda está mal!

— Não estou mal... — ele começou em meio à crise de tosse. — Só estou tossindo pela quantidade de poeira dessa sala.

— Sei, aqui nem tem poeira! — protestei. — Venha, sente o rabo aí e fique quieto, nós já vamos sair daqui.

— Não tenho rabo, detesto ficar aqui, detesto escuro e detesto você.

— Acredite, também não é nada agradável para mim. — afirmei. — Ficar preso com um mauricinho, mimado, ingrato e reclamão era a última coisa que eu queria para a noite de hoje, mas não tenho escolha e também, são só alguns minutos, nada que vá nos matar.

— Maldito! Não sei quem você pensa que é, mas não é tudo isso não. — começou ele. — Antes ser um mauricinho do que uma bicha arrogante.

— Falou o enrustido que não é nada arrogante, né?

— Antes ser enrustido do que ser corrimão de metrô. — ele vai continuar tentando me ofender desse jeito mesmo? Já está me dando vontade de rir. — Pelo menos não fui apalpado pela tampinha ruiva e também não sou enrustido.

— Não foi apalpado por ninguém, na verdade, né? — ri. — Sabe, acho que seu problema é esse, você precisa urgentemente de sexo.

— Não preciso de sexo, é você quem precisa de mais educação. — ele deu uma pausa dramática. — Sexo não muda nada, você pratica e, contudo, continua sendo este cara velho frustrado e nervosinho.

— Tem certeza de que eu sou o velho frustrado e nervosinho? — perguntei, dando ênfase às palavras velho e frustrado. — Midorima, por que você não assume logo que gosta do Takao? Se quiser eu te ajudo, ficarei com pena do Takao depois, mas te ajudo. Vai ser bom pra você e pra ele.

— Não preciso de intermediação, aliás, não preciso de nada, até porque não me interesso pelo Takao.

— Não minta pra si mesmo. — falei dessa vez mais como um conselho do que brincadeira. — Experiência própria, pode acontecer algo que te faça se arrepender depois.

— Se eu fosse gay, ficaria com um cara bem fortão. Se fosse pra virar a casaca, eu viraria direito. — ele continuou, ignorando o que eu disse antes. Apenas ri.

— Depois eu que sou uma bicha.

— Não só bicha, mas arrogante também. — completou ele. — E feia, bicha feia.

— Ai, ai Midorima, eu gostaria muito de saber por que você sente esse amor tão grande por mim. — questionei. Usei certo deboche, porém, a pergunta era séria. Eu gostaria de saber o motivo de todo esse desprezo.

— Ai Makoto, já chega! Cadê seu namorado? Você disse que ele chegaria rápido.

— Chegaria, se você não tivesse mandado o Kise junto com ele! O que Teppei já é distraído, junta o Kise então... Tinha que ser alguém menos lento. — levei a mão à testa. — Vamos ficar aqui até amanhã...

— Estou com fome. Não quero morrer aqui, não posso morrer trancado nessa sala.

— Para de drama.

— Peste, abra já esta porta! — Midorima voltou a gritar e correndo em direção a porta.

— Imbecil, volta aqui! — fui atrás dele e o puxei para o sofá novamente. — Você quer ter outra crise, idiota?

— Me solte! Não me segure! — o forcei a sentar no sofá. — Não quero ficar aqui! Takao! Kise! Akashi! Deus! Me tirem daqui!

O soltei e me sentei a outra ponta do sofá. Não falei nada. Pelo o que vi, ele realmente fala sério quando diz que não gosta de mim, não apenas da boca pra fora como eu faço. Acho que eu não deveria me importar com isso... Mas, não sei... Por algum motivo isso me deixa chateado...

— Eu não vou te encostar mais. — eu disse e pude ouvi-lo se virando para mim. — Só peço que não grite, minha cabeça começou a doer.

— Me tire daqui! Me ajude a sair daqui! — como se eu não tivesse dito nada, ele continuou gritando. — Quero sair!

— Midorima, o que eu acabei de dizer?

— Desculpe. — ele baixou o tom de voz. — Me ajude a sair daqui!

— Tsc... Idiota... — sussurrei e me encostei ao braço do sofá, fechando os olhos para ver se a dor passava.

— Me chamou de quê?

— Idiota. — respondi ainda de olhos fechados. Eu não quero mais conversa. Quero só ficar quieto e esperar.

— Sua cabeça dói? — ele perguntou e pude sentir que estava bem do meu lado.

— Sim, já te disse isso.

— Takao! — o filho da puta gritou bem no meu ouvido.

— Desgraça! Sai daqui! — o empurrei e me levantei, indo em direção a porta e me sentando lá. — Me deixe em paz.

— Depois eu que sou antipático.

— Claro, porque gritar no ouvido de alguém com dor de cabeça é ter muita simpatia mesmo. — ironizei. — Aliás, não era nem pra você estar falando comigo, geralmente procuramos não conversar com pessoas que odiamos.

— Antipático. Cavalo. Pensando bem, você tem toda razão. — ele continuou me provocando. — Te odeio e não tenho que ficar falando com você. — a cada vez que ele falava que me odeia pior eu ficava. O que está acontecendo comigo? Já saí dessa fase há muito tempo. — Vou sair daqui sozinho e deixar você mofando nesse salão, fracote. Não aguenta nem uma dorzinha de cabeça.

— Boa sorte na sua fuga. — desejei normalmente, sem ironia alguma na fala, até me deixei expressar um sorriso, que claro, ele não pôde ver.

— Muito obrigado. — ele agradeceu. — Sua dor é por nervosismo, deite a cabeça no sofá e feche os olhos por algum tempo. Tente pensar em algo que te agrade.

— Obrigado futuro doutor. — agradeci, sorrindo e indo me deitar ao sofá.

Fiquei alguns minutos de olhos fechados, assim como Midorima havia dito e realmente melhorou um pouco. Só fui abrir quando ouvi um barulho bem alto de algo caindo, seguido de Midorima praguejando sem parar. Me levantei levemente e pude ver uma silhueta no chão, só aí entendi o que havia acontecido. Andar no escuro realmente não é algo que eu recomendaria...

— Por isso eu falei pra você só esperar. — falei, continuando no mesmo lugar.

— Esperar até quando? — questionou, levantando-se. — Não pense que vou passar o resto do ano esperando a boa vontade dos outros.

— São só alguns minutos, Midorima. — voltei a me deitar e pude vê-lo pedindo um espaço para se sentar novamente. — No máximo horas, não precisa entrar em desespero pra sair desse jeito. Vai ficar andando no escuro, batendo em tudo, pode quebrar algum objeto ou até mesmo se machucar.

— Não quero passar nem mais um segundo dentro desse salão. — bufou ele. — Prometo que nunca mais volto aqui depois de sairmos.

— Acho que isso não acontecerá de novo depois que sairmos... — afirmei e pude perceber que ele me encarou. — Acho que só estamos presos juntos por não estarmos conversando, não sei se você percebeu isso, mas, foi muito suspeito todos eles saírem e nos deixarem aqui... Podiam ter nos chamado...

— Esses cretinos vão me pagar. — disse ele com o tom mais macabro que podia. — Principalmente o Takao e seu namorado! Aposto que o Kise só serviu de bode expiatório, ele nunca pensaria nisso.

— Ou não... O Kise fica incomodado quando estamos juntos. — me aproximei mais dele. — Inclusive ele já reclamou com o Teppei sobre isso.

— O Kise fica incomodado? Por que o loiro iria se incomodar conosco?

— Sim, ele fica triste por não estarmos nos falando direito. — expliquei. — Segundo o Teppei, ele queria que voltasse tudo ao normal.

— Estamos nos falando normalmente, bobagem deles.

— Há dez minutos você estava me chamando de bicha arrogante, Midorima... — levei a mão à testa. — E falando que me detesta por eu ter falado pra você parar de gritar pra não ter crise de tosse...

— É você quem implica. — falou ele. — Se tivesse me deixado gritar, nós não teríamos brigado.

— Claro você teria cuspido o pulmão e morrido de tanto tossir, é óbvio que não teríamos brigado! — ironizei. — Você poderia ser menos teimoso às vezes...

— Não sou teimoso, quer dizer, não tão teimoso, sou razoável e não gosto de ficar recebendo ordens.

— Eu só falei pro seu bem... — respondi, apoiando meus braços sobre meus joelhos e afundando meu rosto entre eles. Eu quero sair daqui... Estou cansado...

— Tá bom, vamos ter que trabalhar juntos para sair daqui. — ele se deu por vencido. — Acho que vi uma porta perto da mesa de xadrez antes da luz cair, ela deve ser mais fácil de abrir.

— Acho que é um banheiro... — lembrei da tal porta e realmente não tinha certeza, mas acho que não é saída. — Eu pensei em ver se as janelas estão abertas, não acho que seja muito alto daqui pra fora.

— Vamos seguir pelas paredes e ver se estão abertas. — propôs ele, já se levantando.

— Sim, mas cuidado com os móveis.

Começamos a fazer aquilo que Midorima havia proposto. Ele seguiu por um lado e eu pelo outro em busca das janelas. Bem... Nós até achamos, mas estas também estavam fechadas.

— Eu só não entendo o motivo das janelas também estarem fechadas... Eu lembro do Kise abrindo as duas... Só me deixa mais desconfiado deles. — eu falei e Midorima concordou. — O que faremos agora? Eu não vejo alternativa, só tem como esperar.

— Não tem mais jeito, vou morrer daqui a pouco. Queria ver os meus pais e um padre antes disso para confessar todos os meus pecados. Acho que esse calor já faz parte do inferno. — praticamente deitando-se em meu colo, Midorima fez uma encenação dramática. — Makoto, eu me arrependo por te chamar de bicha arrogante, mas não de feia. Eu sei que você se aproveitou de mim, mas são águas passadas, vou morrer cozido aqui mesmo. Quero que você tome conta dos garotos e mande o Takao para um seminário, ele nunca mais poderá gostar de ninguém e também terá que usar preto pelo resto da vida.

Ele praticamente despejou isso tudo em cima de mim, fazendo-me gargalhar descontroladamente. Eu não conseguia parar de rir, já estava até chorando e agora ele estava sentado novamente me encarando.

—Eu me abrindo para você em meu leito de morte e você rindo?

— Ai... Ai... — falei, recuperando o fôlego e voltando a rir aos poucos. — Socorro! Aai... Quanto drama! — voltei a gargalhar. Acho que nunca ri tanto na vida.

— Não faz mal, vamos morrer juntos aqui mesmo e quero ver quem irá rir de mim.

— Para com isso. — pedi, ao conseguir restabelecer minha respiração. — Ai, ai... Já falei que mesmo sendo um chato, você me diverte?

— Não sou palhaço para divertir as pessoas. — ele voltou com sua pose superior, mas eu percebi que havia amolecido um pouco. — Eu vou voltar para atentar você, seu cretino. Takao!

— Aah, para de gritar! — falei, tampando sua boca com as mãos.

— Takao seu cretino! — ele gritou, mesmo com a boca tampada. Aah, tá pedindo pra apanhar de novo...

— Fica quieto! — tentei novamente e ele não parou. — Aaah, mas você vai ficar quieto Midorima!

Tirei as mãos de sua boca e comecei a fazer cócegas nele, que ria sem parar e tentava me afastar.

— Makoto! — me chamou em meio às risadas. — Sai! Me larga Makoto!

— Só se você me prometer ficar quieto! — falei, ainda fazendo cócegas nele e acompanhando seus risos. — Q-u-i-e-t-o!

— Tudo bem! — concordou ele, ainda rindo. — Tudo bem! Eu paro, mas me solta primeiro!

— Pronto. — atendi ao seu pedido. — É bom que fique quiet... — ia completar minha frase, quando percebi a posição... Um tanto constrangedora... Em que nos encontrávamos. Corei imediatamente.

Ele estava deitado no sofá e eu, praticamente, entre suas pernas, com as mãos nas laterais de seu corpo.

— Ér... — comecei, um pouco sem jeito. Ele ainda não havia falado nada. — Eu vou parar... — voltei a me sentar normalmente, vendo-o fazer o mesmo.

— Você está querendo se aproveitar de mim? — perguntou sério e tive que segurar o riso.

— Claro, sempre quis seu corpo nu desde a primeira vez que te vi.

— Então por que nunca me procurou? — ele debochou. — Nunca tranquei a porta do meu quarto por isso.

— Huum... Vou lembrar disso quando sairmos daqui. — falei e após, não aguentei, comecei a rir, sendo acompanhado por Midorima. — Sinceramente, acho que o calor não está nos fazendo bem.

— Kiyoshi morreria de ciúmes de nós. Ele perderia o parceiro dele, ainda que você seja um corrimão. — ele fala isso de forma tão natural que não sei se tá brincando ou se tá tentando me ofender de novo. — Falando nisso, você gostou das apalpadas do Akashi? Vamos morrer mesmo, você pode me contar essas coisas.

— Ah, claro, mas o Kiyoshi é melhor. — respondi, ainda de forma debochada, porém, aquele papo estava começando a me dar um pouco de medo. Midorima não fala essas coisas... — Tá bom, você tá começando a me assustar.

— Arrependa-se Makoto, assim nossa ida será mais tranquila. O calor e a fome vão nos matar logo.

— Para de drama. — ri e dei um tapa leve em seu braço. — Aah, tudo bem, já que vamos morrer mesmo, não tem problema você me contar as coisas também. Como estão você e o Takao? Decidiu sair do armário e ver o que há de bom fora dele ou ainda vai continuar teimando que não sente nada? Agora a pouco você falou que se morresse o Takao não poderia gostar de mais ninguém e teria que usar somente preto.

— Eu não gosto do Takao. — respondeu de forma simplista. — Sou macho. M-A-C-H-O! Entendeu? Não sou adepto a introduções, ainda mais quando elas são em mim. Você é desses que gostam dessas, né?

— Midorima! — me assustei com a pergunta, porém, ri da forma como foi dita. Ele está demais hoje. — Isso é coisa que se pergunte?!

— Você pediu para ser apalpado hoje e agora está cheio de pudores? Poupe-nos disso.

— Eu não pedi para ser apalpado, o Akashi que é um sem vergonha e se aproveitou quando pedi para que ele pegasse a chave em meu bolso.

— Isso é quase o mesmo que pedir um assédio. Uma vez uma velhinha fez isso comigo.

— É claro que não. Eu não pensei que faria aquilo, se soubesse nem teria pedido para ele pegar a chave. — protestei e logo voltei com a pose de debochada de antes. — Aah, entendi por que você diz tanto que não gosta do Takao, prefere os mais velhos, né?

— Não, não sou asilo. — disse ele, estendendo-me a mão em um sinal de “pare”. — Eu não sei se gosto, ou não, dele. Ele me parece mais um garoto saliente que dá em cima de mim por minha beleza.

— Me diz quem aqui na casa não é saliente, em sua opinião. — pedi, levando uma mão à testa. — Midorima, o nome disso é cu doce, sabia? Para com isso.

— Que absurdo! Você deveria modificar seu vocabulário.

— E você deveria dar um jeito nessa glicose anal. — me virei para ele novamente e segurei seu rosto entre minhas mãos, o encarando. — Vamos, me dê cinco motivos aceitáveis para você não tentar algo com o Takao.

— Não digo nenhum, me deixe pensar um pouco... Ah, ele é chato, bobo, chato.

— Aí, combina perfeitamente com você. — ri e ele tirou minhas mãos de seu rosto. —Midorima, você tem o meu total apoio caso queira iniciar algo com o Takao. O do Kiyoshi também.

— Você não pode estar falando sério. Ele não sabe nem se cobrir à noite direito e também, o Takao é muito baixo, ele teria que usar um banquinho.

— Viu? Se vocês estiverem juntos, ele não vai morrer de frio, você vai cobri-lo! — falei como se tivesse achado a solução suprema de todos os problemas. — E também, a diferença de altura entre mim e Kiyoshi também é grande e isso nunca foi um problema.

— Por que você quer tanto que fiquemos juntos? — ele me olhou, parecendo desconfiado.

— Aai Midorima, eu realmente não queria tocar nesse ponto com você, mas... Bem, na verdade você já sabe mais ou menos o que eu penso em relação a isso... — respirei fundo. Sabia que ele falaria até meus ouvidos espumarem depois que escutasse o que eu tinha a falar. — Quero que vocês fiquem juntos porque além do Takao gostar de você, você deixaria de parecer esse idoso mal comido. Que seja o Takao, que seja uma mulher, uma mesa, um cachorro, que seja qualquer pessoa ou coisa, mas pelo amor de Deus, arrume uma namorada ou um namorado! Seu mal é estar solteiro e eu não sou o único que pensa assim. Não estou falando pra te ofender ou arrumar confusão... É bom ter algo com alguém Midorima, isso te faria bem... O Teppei não é meu primeiro namorado, eu posso te garantir que é bom ter alguém.

— Mal comido? Você pensa que vou mudar toda minha personalidade só por dormir com alguém? As coisas são muito mais complexas que isto.

— Não falei em dormir apenas... E também, não penso que mudaria toda sua personalidade, mas sim que você ficaria mais tranquilo. Mais ‘leve’. Sabe, receber carinho é bom, Midorima. — expliquei, fitando minhas mãos. Acho que mais um pouco e ele transforma a conversa numa terceira guerra mundial, tenho que medir mais as palavras. — E eu não te chamei de mal comido realmente, foi apenas um modo nada educado de te chamar de mala. De falar que você poderia ser alguém mais agradável.

— Tem como ser mais agradável do que eu? — perguntou indignado. — Sou paciente e gentil até demais.

— Midorima... Você não tá falando sério, tá?

— Claro que não, fui irônico ao extremo. — esclareceu ele. — Vou continuar sendo a mesma pessoa de sempre e ele terá que aguentar isso.

— Então quer dizer que você vai aceitá-lo? É isso mesmo que eu ouvi?

— Você está ouvindo demais, vamos parar de falar sobre isso.

— Nada disso! Na última conversa que tivemos você falou, falou e falou de mim, em relação ao Kiyoshi e hoje nós dois estamos juntos e bem, resolvemos nossa situação. Agora é minha vez, eu quero te ver bem com o Takao também. — sorri para ele, que me olhou assustado. — Isso vai fazer bem pra você Midorima...

— Vou pensar, depois das coisas que o Takao fez comigo hoje as chances serão ainda menores.

— Aah, para, a parte da piscina foi até foi divertido. A única coisa que eu não gostei muito foi ter sido trancado aqui, pelo menos no começo, quando você me chamou de bicha sei lá quantas vezes. — expliquei, me levantando e andando até a porta. — Você está muito difícil Midorima, aposto que se ele aparecer com alguma menina ou algum outro rapaz você vai ficar bravo.

— Claro, se ele realmente gosta de mim, não vai se relacionar com mais ninguém. — ele disse com uma convicção que me fez sentir pena. Sabe de nada, inocente. — Eu sou fácil, são vocês que não sabem das coisas que eu gosto, por isso pareço ser difícil.

— Se você desse alguma abertura, nós saberíamos. — falei e ele também se levantou. — Midorima, se eu fosse você não ficaria com esse pensamento.

— Ah, ele vai esperar. Não vou mudar por ele e tem muito chão pela frente ainda.

— Você pode se arrepender por pensar assim depois, quando resolver arriscar, sua chance pode ter passado.

— O Takao é bacana, mas me deixou preso aqui com você e isso fez baixar o conceito dele... Se pelo menos fosse com uma pessoa legal. — falou ele, soltando uma breve risada.

— Aaah, você está adorando ficar preso aqui comigo. — eu disse, cutucando a barriga dele, que agora estava ao meu lado. — Sou legal pra caralho. Pense pelo lado bom, poderia ser o Akashi, ele é pervertido.

— Akashi não dá conta. Aquela carinha de moça que ele tem não me assusta. Fiquei com medo é de você desde aquele dia que ouvi os sussurros do seu quarto que com toda certeza eram seus. Você disfarça muito mal os seus ruídos de amor. — ele riu baixo. — Pensou em ligar a TV? Iria cobrir as suas preces a Deus.

— Bem, minha intenção não era disfarçar nada, mas confesso que saiu mais alto do que eu pretendia. — comentei mais para mim do que para ele, mas pude perceber que ele ouviu, pois estava rindo. — Aah, mas isso já passou, não vem mais ao caso.

— Seus assuntos não vêm ao caso, mas os meus com o Takao sim, né? — ele provocou. — Espertinho, mas vir morar aqui foi bom, pois as portas são grossas e escondem bem os ruídos. Você pode gritar a vontade que ninguém vai te socorrer. Isso é uma boa, né? Aliás, principalmente, uma boa porque você não quer ser socorrido.

— Você quer mesmo continuar falando sobre o que eu faço na cama com o Kiyoshi? Se quiser tudo bem, não me importo muito mesmo. — me encostei à porta, rindo. — Sim, uma boa para mim e uma pena pra você. Prestou tanta atenção aquela vez e agora não vai poder mais.

— Não quero ouvir mais sobre seus tramas amorosos com seu namoreco, falemos sobre coisas mais interessantes então, podemos falar sobre mim.

— Tudo bem, me fale sobre você, senhor “sou interessante”.

— Não quero falar de mim, já falei muito de mim.

— Midorima, para de graça! — afirmei, enquanto pensava em algo para perguntar para o outro. — Ah! Já sei! Você tá sabendo demais das coisas, tem certeza de que nunca namorou na sua vida?

— Nunca, mas já tive minhas empreitadas na minha juventude que não faz muito tempo.

— Hum, desenvolva. — o incentivei e ele me pareceu pensativo. — Anda Midorima!

— Tudo bem... Posso te confessar uma coisa?

— Sim.

— Não é pra contar pra ninguém.

— Tá!

— Eu... — começou ele, fazendo uma pausa dramática que me deu vontade de estapeá-lo. — Eu sou bi.

— Oi? — perguntei. Talvez ele tenha falado algo errado. — É o que?

— Bi.

— Bi...?

— Sim.

— Bicha?

— Não, bi.

— Você tá me zoando, né? — o olhei assustado. Não pode ser.

— Por que eu faria isso? — perguntou ele, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Zeus! — falei assustado, quando me dei conta do que ele estava falando. — Você é bi!

— Sim.

— Mas... Mas você falou monte de coisa quando o Kiyoshi disse que era bi... Ele ficou até um pouco mal... Por que você fez aquilo, Midorima?

— Ah... Não aceito o meu passado e... Não acho isso uma coisa legal. — ele respondeu.

— O que houve com você? — questionei.

— É uma longa história...

— Não me importo em ouvir. — falei. — Sabe, não sabemos quando iremos sair daqui e, além disso, não tem nada para fazer... Não me importo em te conhecer melhor, Midorima.

— Ah. — ele deu um leve suspiro. — Você não vai desistir, né? Sendo assim, venha aqui, vamos nos sentar.

— Está bem. — o segui para o sofá.

Não acredito que ele irá me contar...

***

— E foi isso. — terminou ele. — Prefiro que as coisas continuem como estão.

— Entendo... Acho que... Se estivesse no seu lugar... Talvez... Eu... Eu faria a mesma coisa. — comentei. — Ou então arrumaria confusão.

— Já pensei nisso, mas não adiantaria.

— Imagino. — me encostei ao sofá e ele me encarou. — De qualquer forma, acho que o Teppei não se importaria se descobrisse isso.

— Talvez, mas eu não quero que ele descubra.

— Tudo bem, por mim ele não saberá. — expliquei. — A mesmo que eu tenha sua permissão para falar. Você pode achar que não deve, mas você pode confiar em mim.

— Espero poder mesmo.

— Ok... Você me contou tudo isso, mas e o Takao? Por que não tenta nada com ele?

— Não me venha com isso de novo. — respondeu ele, se levantando e voltando para a porta.

— Vale a pena tentar!

— Não! Eu não gosto do Takao! — ele falou, o tom de voz estava levemente elevado e ele já parecia irritado. — E vou passar a odiá-lo se essa porta continuar trancada!

Nesse momento, a porta se abriu milagrosamente.

Hanamiya’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler!