New Ways...
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Midorima’s POV on
Kise insistia em ir nadar. A última vez que fez isso foi durante o acampamento. Tanta euforia acabou cobrindo e tirando um pouco de foco o aniversário do loiro que fora esquecido por todos, bem quase todos, pois eu não me esqueci desse fato.
— Kiyoshi, preciso falar com você em particular! — o chamei para o quarto e este me seguiu até lá.
— Vai brigar comigo? Me bater ou algo do tipo? —Kiyoshi falou com uma mistura de surpresa e ironia. —Você nunca me convidou para conversar em particular.
— Está chegando o aniversário do Kise, é depois de amanhã e precisamos fazer alguma coisa para comemorar o aniversário do nosso mascotinho.
— Que tal uma festinha surpresa? Poderíamos arrumar tudo e surpreendê-lo com a festa.
— Pensei nisso, vou encomendar um bolo hoje à noite e alguns salgadinhos, depois que o restante do apartamento aprovar podemos fazer mais coisas.
— Você quer que eu dê o recado ao Makoto? Eu sei que você guarda ressentimento pelo soco que ele deu no seu rosto.
— Faça-me esse favor, não quero ter que conversar com ele, este infeliz vai pagar por ter feito isso comigo!
— O que você pensa em fazer com ele?
— Vou ensiná-lo a me respeitar e a respeitar os outros. Este garoto anda muito nervosinho e não tem direito de descontar nos outros.
— Midorima, entenda que ele estava nervoso e com problemas, não leve isso ao extremo, por favor, não faça nada que possa tirá-lo daqui. Se me der licença, preciso ir fazer minhas tarefas agora.
— Combinado então, repasse a informação aos outros e depois me diga a resposta. —após isso a conversa se encerrou e o Kiyoshi saiu do quarto.
Quase que de forma instantânea, após a saída de Kiyoshi meu celular tocou, era meu pai na linha.
— O que deseja pai?
— Vou te visitar no final de semana, precisamos conversar sobre alguns assuntos.
— Tudo bem, só me ligue antes para me dizer o dia e a hora... Pai, o senhor conhece o reitor da universidade e é muito influente aqui não é? — perguntei enquanto algumas ideias se passavam por minha cabeça.
— Sim, sou colaborador e faço alguns investimentos na instituição, por que desta pergunta agora?
— O senhor conseguiria suspender uma bolsa integral de estudos? Fazer com que determinado aluno seja expulso daqui?
— Talvez, posso convencer o reitor a expulsar o tal aluno que te perturbe, pressuponho que seja isso que queira. Qual o nome de sujeito e por quê?
— Makoto Hanamiya, tivemos uma forte discussão e ele se atreveu a me dar um soco, não sei ainda, mas acho gostaria de ver este infeliz fora daqui.
— Tem certeza que quer fazer isso? Depois de feito não há como voltar atrás.
— Esqueça-se disso por enquanto, vou resolver este assunto particularmente. — pensei melhor. — Talvez expulsá-lo daqui seja castigo demais para ele, uma vez que eu também tenho uma parcela de culpa pelo soco.
— Tudo bem, resolva este assunto e me fale depois, não quero que filho meu fique apanhando dos coleguinhas de escola.
— Não sou mais criança pai, por isso penso que seja melhor resolver os meus problemas sozinho.
— Se quiser eu mando alguém dar um corretivo nele.
— Esqueça este assunto pai, te espero no final de semana.
—Tudo bem, até. — após isto nos despedimos e encerramos a ligação.
Refleti mais um pouco sobre prejudicar o Makoto dessa forma e cheguei à conclusão que não posso levar este assunto aos extremos. Talvez a solução seja ignorá-lo ou então continuar implicando eternamente com ele. Se bem que uma coça seria muito bem-vinda, deveria deixá-lo roxo, mas me lembrei de que não sou bom de briga e que acabaria apanhando se fizesse isso. Fiquei pensando por mais um tempo de decidi sair do meu quarto e ir para junto dos outros.
Quando abri a porta acabei me deparando com a figura do Makoto bem em frente ao meu quarto. De início isto me assustou muito, ele é feio demais.
— Deseja tanto se vingar de mim que até tentou me expulsar daqui. — disse a estranha criatura com um semblante seco e fechado. — Por que quer tanto me prejudicar assim?
— Ainda tem coragem de me perguntar sabendo a resposta? Quem você pensa que é para sair agredindo os outros? —respondi fazendo outra pergunta. Este infeliz sabe muito bem o porquê de tudo isso e ainda questiona.
— Você não poderia falar comigo daquele jeito, me irritou e viu qual foi a consequência. — ele explicou. — Realmente dei um belo soco, foi involuntário, mas um belo soco.
— Sim, espero que você tenha visto com quem está lidando e o que eu posso fazer caso continue se comportando assim. Não sou nenhum daqueles infelizes que estão na sala brincando de imitar dançarinos. — o pior de tudo era que o Kise, Akashi e Kiyoshi estavam conversando sobre shows e o loiro trajava uma toalha de mesa como saia e dançava loucamente com a música que estava tocando no rádio. — Pense duas vezes antes de encostar a mão em mim.
— Digo o mesmo se continuar me perturbando, talvez bata até mais forte, você merece apanhar de vez em quando para abaixar este seu nariz.
— Espero que aguente as consequências, vou descobrir tudo o que você faz na rua e o porquê das suas saidinhas por ai.
— Isto não é da sua conta! Pare de se meter na minha vida!
— Agora é da minha conta. — me esquivei e sai do corredor, aquela conversa já estava durando tempo demais e eu queria ver o Kise dançando a música da novela.
Não havia nada no mundo mais engraçado do que aquela criatura com uma saia feita de toalha dançando as músicas de abertura das novelas. Kise dançava com toda a alegria do mundo e isto, de certa forma também me deixava um pouco feliz, pois me divertia assistindo aquilo. Por essas e outras que decidi fazer uma festinha surpresa para comemorar o seu aniversário.
— Dance comigo meu belo jovem de cabelo esverdeado. — disse o loiro esticando o braço e vindo em minha direção. — Mexa seu esqueleto comigo.
— Dispenso, prefiro só assistir o seu espetáculo mesmo.
Ficamos ali por um bom tempo. O Kiyoshi não parava de rir e o Akashi, que por mais que tentasse segurar, dava umas boas gargalhadas da situação. Makoto foi indiferente a tudo, parecia estar com a cabeça nas alturas e começou a fazer o almoço. Suponho que a nossa breve discussão tenha o deixado ainda mais tenso, mais do que o habitual.
Após algum tempo recebemos uma ligação da reitoria avisando sobre a chegada de um novo colega de apartamento, um tal de Takio, Tekao, algo do tipo. Este chegaria em breve e, por consequência, acabaria dividindo o quarto comigo, pois havia uma cama vaga em meu dormitório que antes era particular. Não vou me estressar por isso, talvez seja legal e compartilhe dos mesmos pensamentos que eu. Imagino que seja um aluno da veterinária, culto, elegante, carismático, bem humorado e principalmente organizado, pois não quero dividir o meu precioso quarto com um porco.
Chegada a hora do almoço. Como de costume nos sentamos à mesa e ficamos conversando sobre tudo o que acontecera durante a manhã e os dias passados.
— Um estudante de veterinária irá ocupar a vaga ociosa do nosso apartamento. — dei a notícia. — Segundo a secretária da reitoria ele chegará em breve.
— Que legal! — afirmou o Kise. — Um coleguinha para o Midocchi não ficar solitário à noite.
— Vocês vão se dar bem, Midorima, o rapaz faz veterinária e vai cuidar muito bem de você. — Akashi como sempre gentil.
— Tomara que ele seja bacana, ter mais um colega de apartamento vai ser legal. —estimou o pobre do Kiyoshi, um rapaz tão bonzinho que nem pensou que poderia vir um porco morar aqui conosco.
— Espero que ele respeite o meu quarto e não o transforme numa zona, odiaria dormir em um quarto bagunçado e fedido como o seu Kiyoshi.
— Não fale isso, Midorima, apenas demoro um pouco pra arrumar as minhas coisas. — afirmou o Kiyoshi. — Depois que eu comecei a dormir com o Makoto tudo ficou melhor, nem preciso arrumar a minha cama mais.
— Cale a boca Kiyoshi! — Makoto se levantou irascível e saiu da mesa, logo após indo para o banheiro e após saindo do apartamento sem dizer para onde iria.
— Você dormiu de calça jeans hoje Kiyoshi? — perguntou o ruivo com certa ironia. — Talvez esta seja a causa de tanto mau humor a esta hora do dia.
— Makoto se acha o boxeador e anda muito nervosinho, talvez precise tomar um pouco da minha valeriana e se acalmar. — aquele chato continua fazendo coisas chatas de uma forma chata.
— Acho que você deveria dar um jeito nisso e começar fazer o seu trabalho direito Kiyoshi. —Akashi não perdia a piada maldosa mesmo.
A inocência do Kise e do Kiyoshi não os deixava entender o que fora dito, então só ficavam olhando para os lados procurando alguma explicação.
O almoço terminou e todos foram fazer as tarefas. O recesso já estava acabando e precisávamos combinar tudo sobre a festa do pequeno Kise. Decidi sair e ir ao shopping da cidade para comprar um presente para ele. Acabei levando um ursinho Pikachu e um pote cheio de jujubas, afinal era o doce predileto do loiro. Aproveitei e passei numa loja de artigos para festas e comprei os enfeites e os descartáveis que seriam utilizados na montagem da comemoração. Era tudo muito colorido como ele gostava.
Minha chegada ao apartamento foi difícil, afinal tinha que driblar a atenção dele e guardar as coisas num lugar secreto que ninguém encontrasse. Coloquei no meu armário e escondi com diversos lençóis e fronhas. A princípio ele não desconfiou de nada e a surpresa ainda estava de pé.
***
Finalmente chegou o dia da festa. Tínhamos que preparar tudo direitinho e para isso deveríamos tirar o Kise do apartamento.
— Kise, que tal irmos ao parque de diversão brincar com os brinquedos? — dei algum dinheiro ao Kiyoshi para que levasse o loiro para longe do prédio.
— Que legal Kiyocchi! Vou me arrumar rapidinho e vamos o mais rápido possível. —ele correu para o quarto e vestiu sua roupa de parques de diversões. Uma camiseta estampada com diversos balões, uma bermuda jeans e um tênis apropriado para alguns tipos de corrida, afinal isto o daria mais conforto para utilizar alguns brinquedos.
Logo eles saíram do apartamento nos deixando para arrumar as coisas. Precisávamos correr contra o relógio para deixar tudo pronto até o horário estipulado com o Kiyoshi para o regresso ao apartamento.
Decidimos fingir que nos esquecemos do aniversário dele para dar mais credibilidade à surpresa. O loiro parecia desanimado até receber o convite ao parque, pois pensava realmente que todos se esqueceram daquela data tão importante para ele. Fizemos tudo certo, convidamos os familiares dele para a recepção, compramos tudo o que era necessário e enfeitamos todo o apartamento com bolas e recados desejando felicidade.
Makoto ficou responsável por arrumar e distribuir as coisas de comer em alguns potes na mesa e Akashi me ajudou a enfeitar tudo. Kiyoshi antes de sair comprou todos os ingredientes, todos contribuíram para a festa de algum modo. Quando estávamos nos arrumando eis que a campainha tocou. Eram os pais de Kise que chegavam de viagem para participar da festa. Estes nos ajudaram a organizar o que faltara.
***
Chegou a hora e todos nos escondemos. Apagamos a luz e fizemos o máximo de silêncio possível.
— Mas Kiyocchi...! — o estímulo a surpresa fora dado. Ouvimos a porta se abrindo e a voz do loiro seguida da de Kiyoshi em seguida, assim que a luz se acendeu...
— Surpresa! — fora gritado de forma uníssona.
Este tremeu de emoção quando viu tudo arrumado e, principalmente, que não nos esquecemos de seu aniversário e correu para abraçar os pais que não via há tanto tempo. Em seguida veio em minha direção para agradecer.
— Obrigado Midocchi! Não tenho palavras para te agradecer por tudo isso! — ele me abraçou, deixando algumas lágrimas de felicidade caírem em meu ombro.
— Parabéns Kisecchi! — falei de forma carinhosa entregando meu presente. — O comprei para te fazer companhia.
— Pikachu! É um Pikachu, Midocchi! — me abraçou novamente agradecendo pelo presente. — Ele vai ser o meu bichinho da sorte a partir de hoje! Vai se chamar Midaruchu em sua homenagem! — afirmou apertando o ursinho em seus braços e dando um sorriso de orelha a orelha.
Fico muito feliz por ele ter gostado da festa, valeu muito a pena suar um pouco para proporcionar este momento tão agradável. Com o decorrer da festa acabei me soltando um pouco. Até dancei algumas músicas a pedido do loirinho. Após algum tempo, Kise nos pediu para partir o bolo, este estava delicioso e acabei comendo vários pedaços.
— Que delícia! — Kiyoshi disse enquanto comia um pedaço de bolo, sua boca estava toda suja pelo mesmo.
— Realmente está muito bom. — disse Akashi enquanto se deliciava comendo uma bela fatia.
— O bolo está muito bom, Midorima. — Makoto disse um pouco hesitante.
— Fico feliz por ter gostado. — diferente dele, não tenho intenção de continuar conversando. — É considerado o melhor bolo da cidade.
Após algum tempo os pais de Kise se despediram e foram embora. Estes se hospedaram em um hotel e ficariam por mais dois dias na cidade.
— Midorima... — Makoto fora interrompido pelo Kise que se agarrou nas costas dele formando um trenzinho. Nós entramos na brincadeira e dançamos por um tempo.
Tentei ao máximo agradar o aniversariante. Dancei, brinquei, tirei um monte de fotos e até tive dançar mais para fazê-lo rir. Kise realmente era importante pra mim, é a pessoa que eu mais gosto em toda universidade, claro que como amigo.
—Aaah, vocês são demais! — gritou o Kise. — Amo vocês! Amo o Midaruchu! Amo até o cachorrinho da vizinha que não para de latir!
— Viva o Kise! — Kiyoshi gritou.
— Vivaaaa! — gritamos juntos.
Após o grito eis que a campainha toca, corri imediatamente para abrir e me deparei com uma criança, uma garotinha para ser mais exato. Esta trajava uma roupa muito simples e estava pálida, penso que sentia fome e frio.
—Ayume? — Makoto perguntou se mostrando preocupado com a menina.
Que raio está acontecendo aqui? Quem é esta menina e o que ela faz por aqui?
Midorima’s POV off
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