New Ways...
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Akashi’s POV on
Pela manhã, como sempre, acordei de péssimo humor. As pessoas daquele apartamento, principalmente Makoto, me divertiam bastante, mas eu estava entediado. Sentei-me a cama, à procura do meu relógio e ao pegá-lo, percebi que era muito cedo. Estava com sono — a noite passada tinha sido cansativa e longa. Não queria pensar nisso, então, deitei novamente na cama.
Quando abri os olhos novamente, uma face branca com cabelos loiros olhava para mim.
— O que foi Ryouta? — perguntei, não conseguindo esconder o sono em minha voz.
— Você é fofo enquanto dorme Akashicchi! — ele parecia empolgado como sempre.
— Obrigado, mas não posso dizer o mesmo.
— Então, quer dizer que você anda me vigiando enquanto dorme? — ele ria
— Lógico que não, besta. — senti meu rosto corar enquanto virava para o outro lado.
Mas que droga. Ele é um idiota.
— Akashicchiiiii, vamos levantar! Está na hora! — ele começou a sacudir e então, quando saquei minha tesoura do bolso, ele se afastou um pouco.
— Já vou. — disse, levantando-me e guardando o objeto cortante.
— Você não precisa agir assim comigo, Akashicchi. — ele parecia um pouco chateado.
— Só fale quando for solicitado.
Sai, deixando-o sozinho no quarto. Não queria ter de ser assim com ele, mas se não o fizesse, talvez, os outros pensariam que sou fraco. Parece que eu era o único dormindo até então. Shintarou, Makoto e Kiyoshi estavam na cozinha tomando café.
— Bom dia. — eu disse.
—Bom dia. — Kiyoshi e Shintarou responderam em tons diferentes. Makoto continuou bebendo seu café tranquilamente sem sequer olhar para meu lado.
Sentei-me na cadeira da ponta, ao lado do garoto de óculos. Ryouta chegou logo em seguida. O recinto estava silencioso, mesmo com Ryouta e Kiyoshi. Aliás, olhando para Kiyoshi, eu percebi algo diferente nele — a todo o momento ele levantava os olhos de seu café, mirando-os em Makoto e em seguida, voltando-os para o ponto inicial como se estivesse envergonhado. O que será que tinha acontecido entre eles?
Depois de nada papear, saímos caminhando para a escola e cada um seguiu seu curso. Ryouta acenou para mim, porém, não o correspondi. Makoto andava ao meu lado, com a cara fechada.
***
Já dentro de sala, senti algo — às vezes, quando alguma coisa está para acontecer, não sei explicar, algo dentro de mim pulsa. Estava quase na hora do intervalo e quando o mesmo deu-se início, peguei minhas coisas e fui até o pátio, onde uma suposta briga parecia estar se iniciando. Estava longe, mas consegui ver um pouco dos adversários. Um deles era um cara alto e musculoso e o outro era... O que? Ryouta? O que esse imbecil está fazendo?!
A única coisa que se passava pela minha cabeça era que tinha que salvá-lo — não sabia bem o motivo —, já que ninguém o faria e o loiro não tinha chances. As pessoas ainda desciam de seus prédios e a briga ainda não havia começado realmente. Tarde demais — o menor empurrou Ryouta que desmoronou sobre o chão com o impacto, ficando totalmente frágil aos chutes que eram desferidos por sua barriga. Chegando mais perto, tirei minha tesoura do bolso, mostrando-a ao brutamonte, que logo largou o corpo dormente ao chão, virando-se para mim.
— Afaste-se! Ou quer se juntar à sua amiguinha? — ele gritou, agora fazendo com que mais pessoas viessem assistir ao show.
— Afaste-se você ou eu te mato. — disse em tom seco, erguendo minha tesoura.
Sabia que não funcionaria. Ele era maior que eu e tinha mais chances de ganhar uma briga contra mim. Não podia fazer muito alarde também, minha bolsa na universidade estava em jogo. E quando eu menos esperava, ele chutou Ryouta mais uma vez e saiu com seus amigos o seguindo. Na mesma hora, abaixei-me até ele, arrastando-o para fora da multidão que agora se juntava para ver o que tinha acontecido. Ele ainda estava acordado, mas não conseguia andar muito bem — fora chutado muitas vezes. Com dificuldade, chegamos a um corredor isolado e escuro, onde apenas a luz que atravessava a janela residia.
— O que você pensa que estava fazendo, idiota?
— Eu... Não sei. — ele parecia estar com muitas dores.
— Ele poderia ter te machucado muito! — gritei com ele.
— O-obrigado por me salvar, Akashicchi.
Isso me surpreendeu. Ninguém nunca tinha me agradecido por nada.
— Venha, vou te levar para tomar um banho, você está todo sujo.
Ele era mais alto que eu, o que não ajudava muito na hora de dar apoio ao mesmo, que ainda andava com esforço. Por sorte, o banheiro não era muito longe dali e chegamos sem muito sacrifício. E logo ele entrou no banheiro.
— Você tem roupas reservas?
— Estão na minha mochila.
— Merda! No meio da confusão, esqueci-me de pegá-la. Já volto, não saia.
Voltei correndo para pegar o mais depressa possível o item deixado para trás. Porém, fui parado no meio do caminho por alguém, que logo me bateu contra a parede, sem que eu pudesse esboçar reação. Abri os olhos e vi o tal brutamonte que tinha batido em Ryouta mais cedo.
— Se entrar no meu caminho novamente, você vai ver o que vai te acontecer. — ele sussurrou em meu ouvido, ainda com a mão envolta do meu pescoço.
Eu estava desesperado por ar e quando ele me soltou e eu caí no chão, senti um alívio profundo. Olhei para os lados e eles haviam sumido pelo corredor. Agora, o que antes era alívio, tinha se tornado raiva. Primeiro aquele idiota machuca Ryouta e agora me ameaça? Quem ele pensa que é?
Segui meu caminho e de longe vi a tal mochila, jogada em um canto do pátio. Peguei-a e voltei pelo mesmo caminho. Por sorte, não havia encontrado ninguém. Na verdade, achei isso estranho, olhei no relógio e vi o motivo — o intervalo já havia acabado há muito tempo.
— Parece que perdemos a maior parte das aulas. — eu disse, jogando a mochila dele no chão.
Ryouta abriu a porta do banheiro e saiu, trajando apenas uma toalha na cintura e usando outra para secar seu cabelo loiro, que estava colado em sua testa agora.
— Vista-se, vou dar licença. — eu disse, me virando e andando em direção para onde ficavam os espelhos. A esse ponto, a escola já estaria vazia. Será que os outros três esperavam por nós? Eu não duvido nada que tenham ido embora.
De repente, sinto braços ao meu redor, como num abraço e sinto uma respiração acima da minha cabeça — cortando bruscamente meus pensamentos.
— Obrigado — Ryouta disse com uma voz manhosa.
— Você já disse isso. — falei retirando os braços dele rapidamente.
— Você está vermelhinho, Akashicchi! — ele ria e então me abraçou novamente, dessa vez pela frente. — Eu amo você, Akacchi.
— Você ama todo mundo, Ryouta. — disse seco, porém, aceitando o abraço, que durou alguns segundos.
— Que mal há nisso?
Como ele conseguia fazer isso? Amar todo mundo era algo que só ele conseguia e não era falsidade. Os olhos dele brilhavam ao dizer isso e eu soube o quão verdadeiro isso era.
Enfim saímos da universidade e seguimos o caminho até o apartamento. Não falamos um com o outro durante o percurso e eu achei isso realmente estranho da parte do Ryouta.
Depois do ocorrido com o elevador, ele não criou objeções ao ir pelas escadas comigo. Demorou um pouco, mas estávamos finalmente nos últimos degraus quando começamos a escutar barulhos vindos do apartamento.
Apressamo-nos e quando eu abri a porta, vimos uma cena um tanto vergonhosa. Kiyoshi correndo para lá e para cá com uma vassoura, Makoto morrendo de rir sentado no sofá e Midorima em cima do móvel fofo gritando coordenadas.
— Mas que porra está acontecendo aqui? — eu disse, entrando.
— Tem uma barata aqui! — Shintarou gritou.
— Não precisa gritar.
— Ele tá’ gritando faz algum tempo! — Makoto não aguentava falar direito de tanto que ria.
A situação era realmente embaraçosa, não o culpo. Ryouta logo que viu a tal barata, fez questão de subir para junto de Shintarou.
— Ali! — ele gritou para Kiyoshi que corria como um louco.
Até que, enfim, conseguiu encurralar a barata em um canto e a matou, jogando-a na lixeira em seguida.
— Ufa! — Kiyoshi não escondia seu cansaço sentando-se ao lado de Makoto, que ainda ria um pouco, no sofá.
Os dois medrosos desceram e sentaram-se. Shintarou limpava o suor que escorria por sua testa com a mão.
— Por que os dois chegaram só agora?
— Esse idiota do Ryouta se envolveu em uma briga e se eu não tivesse lá, ele teria se machucado mais.
— É verdade, Kise? — Kiyoshi perguntou em tom de preocupação.
— Bem... Eu...
— Por quê? O que houve? — Makoto, que antes ria, parecia intrigado agora.
— Eles... Descobriram que sou gay. — ele olhava para baixo.
O recinto ficou em silêncio por um tempo, até que Makoto se pronunciasse.
— E qual é o problema nisso?
— Você não... Se importa, Makocchi?
— Por que me importaria? — ele perguntou com a mesma cara de tédio de costume. — Eu também sou gay.
Todos o olharam surpresos.
— Mas você não disse que não era bi, Makoto? — Shintarou finalmente se manifestou.
— Bi é uma coisa e gay é outra. — respondeu ele como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. De fato, era.
— Bem, eu não me importo também. — Kiyoshi sorria como sempre.
— Eu me abstenho do diálogo. — o de cabelos verdes falou, saindo da sala e indo em direção ao seu quarto.
Eu confesso que estava meio atônito. Não esperava tais confissões e muito menos a reação do Shintarou. Não sabia o que fazer, então, me retirei também.
Akashi’s POV off
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