Notas iniciais
Olá pessoal! Boa leitura! :D

Akashi’s POV on

Pela manhã, como sempre, acordei de péssimo humor. As pessoas daquele apartamento, principalmente Makoto, me divertiam bastante, mas eu estava entediado. Sentei-me a cama, à procura do meu relógio e ao pegá-lo, percebi que era muito cedo. Estava com sono — a noite passada tinha sido cansativa e longa. Não queria pensar nisso, então, deitei novamente na cama.

Quando abri os olhos novamente, uma face branca com cabelos loiros olhava para mim.

— O que foi Ryouta? — perguntei, não conseguindo esconder o sono em minha voz.

— Você é fofo enquanto dorme Akashicchi! — ele parecia empolgado como sempre.

— Obrigado, mas não posso dizer o mesmo.

— Então, quer dizer que você anda me vigiando enquanto dorme? — ele ria

— Lógico que não, besta. — senti meu rosto corar enquanto virava para o outro lado.

Mas que droga. Ele é um idiota.

— Akashicchiiiii, vamos levantar! Está na hora! — ele começou a sacudir e então, quando saquei minha tesoura do bolso, ele se afastou um pouco.

— Já vou. — disse, levantando-me e guardando o objeto cortante.

— Você não precisa agir assim comigo, Akashicchi. — ele parecia um pouco chateado.

— Só fale quando for solicitado.

Sai, deixando-o sozinho no quarto. Não queria ter de ser assim com ele, mas se não o fizesse, talvez, os outros pensariam que sou fraco. Parece que eu era o único dormindo até então. Shintarou, Makoto e Kiyoshi estavam na cozinha tomando café.

— Bom dia. — eu disse.

—Bom dia. — Kiyoshi e Shintarou responderam em tons diferentes. Makoto continuou bebendo seu café tranquilamente sem sequer olhar para meu lado.

Sentei-me na cadeira da ponta, ao lado do garoto de óculos. Ryouta chegou logo em seguida. O recinto estava silencioso, mesmo com Ryouta e Kiyoshi. Aliás, olhando para Kiyoshi, eu percebi algo diferente nele — a todo o momento ele levantava os olhos de seu café, mirando-os em Makoto e em seguida, voltando-os para o ponto inicial como se estivesse envergonhado. O que será que tinha acontecido entre eles?

Depois de nada papear, saímos caminhando para a escola e cada um seguiu seu curso. Ryouta acenou para mim, porém, não o correspondi. Makoto andava ao meu lado, com a cara fechada.

***

Já dentro de sala, senti algo — às vezes, quando alguma coisa está para acontecer, não sei explicar, algo dentro de mim pulsa. Estava quase na hora do intervalo e quando o mesmo deu-se início, peguei minhas coisas e fui até o pátio, onde uma suposta briga parecia estar se iniciando. Estava longe, mas consegui ver um pouco dos adversários. Um deles era um cara alto e musculoso e o outro era... O que? Ryouta? O que esse imbecil está fazendo?!

A única coisa que se passava pela minha cabeça era que tinha que salvá-lo — não sabia bem o motivo —, já que ninguém o faria e o loiro não tinha chances. As pessoas ainda desciam de seus prédios e a briga ainda não havia começado realmente. Tarde demais — o menor empurrou Ryouta que desmoronou sobre o chão com o impacto, ficando totalmente frágil aos chutes que eram desferidos por sua barriga. Chegando mais perto, tirei minha tesoura do bolso, mostrando-a ao brutamonte, que logo largou o corpo dormente ao chão, virando-se para mim.

— Afaste-se! Ou quer se juntar à sua amiguinha? — ele gritou, agora fazendo com que mais pessoas viessem assistir ao show.

— Afaste-se você ou eu te mato. — disse em tom seco, erguendo minha tesoura.

Sabia que não funcionaria. Ele era maior que eu e tinha mais chances de ganhar uma briga contra mim. Não podia fazer muito alarde também, minha bolsa na universidade estava em jogo. E quando eu menos esperava, ele chutou Ryouta mais uma vez e saiu com seus amigos o seguindo. Na mesma hora, abaixei-me até ele, arrastando-o para fora da multidão que agora se juntava para ver o que tinha acontecido. Ele ainda estava acordado, mas não conseguia andar muito bem — fora chutado muitas vezes. Com dificuldade, chegamos a um corredor isolado e escuro, onde apenas a luz que atravessava a janela residia.

— O que você pensa que estava fazendo, idiota?

— Eu... Não sei. — ele parecia estar com muitas dores.

— Ele poderia ter te machucado muito! — gritei com ele.

— O-obrigado por me salvar, Akashicchi.

Isso me surpreendeu. Ninguém nunca tinha me agradecido por nada.

— Venha, vou te levar para tomar um banho, você está todo sujo.

Ele era mais alto que eu, o que não ajudava muito na hora de dar apoio ao mesmo, que ainda andava com esforço. Por sorte, o banheiro não era muito longe dali e chegamos sem muito sacrifício. E logo ele entrou no banheiro.

— Você tem roupas reservas?

— Estão na minha mochila.

— Merda! No meio da confusão, esqueci-me de pegá-la. Já volto, não saia.

Voltei correndo para pegar o mais depressa possível o item deixado para trás. Porém, fui parado no meio do caminho por alguém, que logo me bateu contra a parede, sem que eu pudesse esboçar reação. Abri os olhos e vi o tal brutamonte que tinha batido em Ryouta mais cedo.

— Se entrar no meu caminho novamente, você vai ver o que vai te acontecer. — ele sussurrou em meu ouvido, ainda com a mão envolta do meu pescoço.

Eu estava desesperado por ar e quando ele me soltou e eu caí no chão, senti um alívio profundo. Olhei para os lados e eles haviam sumido pelo corredor. Agora, o que antes era alívio, tinha se tornado raiva. Primeiro aquele idiota machuca Ryouta e agora me ameaça? Quem ele pensa que é?

Segui meu caminho e de longe vi a tal mochila, jogada em um canto do pátio. Peguei-a e voltei pelo mesmo caminho. Por sorte, não havia encontrado ninguém. Na verdade, achei isso estranho, olhei no relógio e vi o motivo — o intervalo já havia acabado há muito tempo.

— Parece que perdemos a maior parte das aulas. — eu disse, jogando a mochila dele no chão.

Ryouta abriu a porta do banheiro e saiu, trajando apenas uma toalha na cintura e usando outra para secar seu cabelo loiro, que estava colado em sua testa agora.

— Vista-se, vou dar licença. — eu disse, me virando e andando em direção para onde ficavam os espelhos. A esse ponto, a escola já estaria vazia. Será que os outros três esperavam por nós? Eu não duvido nada que tenham ido embora.

De repente, sinto braços ao meu redor, como num abraço e sinto uma respiração acima da minha cabeça — cortando bruscamente meus pensamentos.

— Obrigado — Ryouta disse com uma voz manhosa.

— Você já disse isso. — falei retirando os braços dele rapidamente.

— Você está vermelhinho, Akashicchi! — ele ria e então me abraçou novamente, dessa vez pela frente. — Eu amo você, Akacchi.

— Você ama todo mundo, Ryouta. — disse seco, porém, aceitando o abraço, que durou alguns segundos.

— Que mal há nisso?

Como ele conseguia fazer isso? Amar todo mundo era algo que só ele conseguia e não era falsidade. Os olhos dele brilhavam ao dizer isso e eu soube o quão verdadeiro isso era.

Enfim saímos da universidade e seguimos o caminho até o apartamento. Não falamos um com o outro durante o percurso e eu achei isso realmente estranho da parte do Ryouta.

Depois do ocorrido com o elevador, ele não criou objeções ao ir pelas escadas comigo. Demorou um pouco, mas estávamos finalmente nos últimos degraus quando começamos a escutar barulhos vindos do apartamento.

Apressamo-nos e quando eu abri a porta, vimos uma cena um tanto vergonhosa. Kiyoshi correndo para lá e para cá com uma vassoura, Makoto morrendo de rir sentado no sofá e Midorima em cima do móvel fofo gritando coordenadas.

— Mas que porra está acontecendo aqui? — eu disse, entrando.

— Tem uma barata aqui! — Shintarou gritou.

— Não precisa gritar.

— Ele tá’ gritando faz algum tempo! — Makoto não aguentava falar direito de tanto que ria.

A situação era realmente embaraçosa, não o culpo. Ryouta logo que viu a tal barata, fez questão de subir para junto de Shintarou.

— Ali! — ele gritou para Kiyoshi que corria como um louco.

Até que, enfim, conseguiu encurralar a barata em um canto e a matou, jogando-a na lixeira em seguida.

— Ufa! — Kiyoshi não escondia seu cansaço sentando-se ao lado de Makoto, que ainda ria um pouco, no sofá.

Os dois medrosos desceram e sentaram-se. Shintarou limpava o suor que escorria por sua testa com a mão.

— Por que os dois chegaram só agora?

— Esse idiota do Ryouta se envolveu em uma briga e se eu não tivesse lá, ele teria se machucado mais.

— É verdade, Kise? — Kiyoshi perguntou em tom de preocupação.

— Bem... Eu...

— Por quê? O que houve? — Makoto, que antes ria, parecia intrigado agora.

— Eles... Descobriram que sou gay. — ele olhava para baixo.

O recinto ficou em silêncio por um tempo, até que Makoto se pronunciasse.

— E qual é o problema nisso?

— Você não... Se importa, Makocchi?

— Por que me importaria? — ele perguntou com a mesma cara de tédio de costume. — Eu também sou gay.

Todos o olharam surpresos.

— Mas você não disse que não era bi, Makoto? — Shintarou finalmente se manifestou.

— Bi é uma coisa e gay é outra. — respondeu ele como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. De fato, era.

— Bem, eu não me importo também. — Kiyoshi sorria como sempre.

— Eu me abstenho do diálogo. — o de cabelos verdes falou, saindo da sala e indo em direção ao seu quarto.

Eu confesso que estava meio atônito. Não esperava tais confissões e muito menos a reação do Shintarou. Não sabia o que fazer, então, me retirei também.

Akashi’s POV off

Notas finais
Obrigada por ler! ^_^