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3 O primeiro sonho
Notas iniciais
POV Nook
Era claro que Kelly queria uma desculpa para ficar a sós com Zelena e entender porque Regina fez o que fez, era claro também que Zelena já havia deduzido o motivo e que eu tinha algum direito de saber o que estava acontecendo, mas de verdade eu não me importava. O objetivo principal de Zelena com nossa viagem era a magia, mas o meu era ela.
Tínhamos acabado de nos conhecer, mas eu me sentia atraído por ela como se a desejasse há anos. Zelena era linda, intensa, debochada, autêntica e infantil de um jeito encantador. Eu estava apaixonado e amava isso. Já havia me proposto a achar my true love na esperança de limpar meu coração, já fazia realmente mais de um século que não tinha Mila na minha vida e agora que havia resolvido meus problemas com Alice, a qual até mesmo já tinha encontrado seu true love, já estava mais do que na hora de eu achar o meu.
Chad me ofereceu um sanduíche e logo aceitei, ele parecia totalmente desnorteado com toda a situação.
— Desculpa por invadir sua casa assim. — falei compadecido.
— Acho que tá tudo bem. Eu só… Kelly tem uma irmã gêmea? — Kelly teria um problemão para explicar tudo aquilo.
— Ela vai te explicar tudo depois. — não ia me meter naquilo.
— Ok. O importante é que eu a amo e ela também me ama. — lembrou a si mesmo.
— O amor é o mais importante, não é?
— Com certeza. — era a isso que ia me apegar na aventura de conquistar Zelena.
Após conversarem Kelly e Zelena foram até cozinha, comemos praticamente em silêncio. Zelena parecia muito pensativa e distante, a conversa com Kelly havia sido seria.
Dormi no sofá enquanto Zelena dormiu no quarto de hóspedes, antes disso compramos nossas passagens de volta para o mais cedo que conseguimos, 9 horas estaríamos decolando e eu infelizmente estaria tremendo como um covarde.
Zelena havia se tornado outra pessoa comigo, distante e silenciosa, mas mesmo assim conseguia ver as emoções conflitantes em seus olhos. Assim que o avião começou a decolar agarrei a poltrona com força, mas como da primeira vez Zelena segurou minha mão.
— Obrigada por ter vindo comigo. — era impressionante como uma pessoa tão debochada e malcriada podia falar tão doce e meiga como agora.
— De nada. Foi um prazer.
— Desculpa por ter feito você pegar um avião.
— Ah, isso foi bem grave, mas valeu a pena. — havia conseguido deixá-la novamente encabulada.
O resto da viagem não foi como a vinda, o que me frustrou um pouco, mas pelo menos conversamos alguns minutos e depois de 5 horas de viagem obtive um presente, Zelena acabou dormindo encostada com a cabeça em meu peito. Podia sentir o cheiro de seu cabelo e seu calor tão perto, nunca havia me sentido tão relaxado, após alguns segundos acabei adormecendo também.
POV Zelena
Dormi praticamente deitada em Nook, o que havia me deixado ainda mais confusa e constrangida. Eu tinha sentimentos por ele, não dava para fingir algo diferente, mas ainda dava tempo de fugir. Não precisava de um romance agora.
No caminho de volta já no carro de Nook, dormi mais uma vez, porém o mais afastada dele o possível. Eu não havia conseguido dormir na casa de Kelly, só conseguia pensar na atitude de Regina e em Nook.
Minha irmã sabia como me devolver a magia e não o fez, por que? Não confiava em mim? Não lembrava mais que eu havia mudado e que só havia perdido minha magia por fazer a coisa certa? Estava magoada com Regina e com vontade de fugir e agarrar Nook ao mesmo tempo. Eu estava ferrada.
Ao chegar em Storybrooke, Nook nos levou direto para delegacia, onde explicou o motivo de sua ausência alegando que estava envolvido em um caso muito importante, me senti ruborizar ao escutar ele falar isso com os olhos em mim.
— Mais uma vez muito obrigada. E agora é a hora de ter o que fui buscar. — agradeci mais uma vez já do lado fora, onde Nook tinha feito questão de me acompanhar.
— Estou louco para ver isso. — não pude deixar de sorrir com seu tom galanteador.
Retirei o artefato do bolso e toquei seu centro mentalizando seu funcionamento, em alguns segundos pude sentir a energia fluida e forte me tomar. Todo meu corpo parecia ativo, energizado e mágico. Com o artefato ainda em mãos o mentalizei em um lugar seguro e ele desapareceu deixando um rastro de fumaça verde.
— I’m back. — eu me sentia vitoriosa.
— Você fica ainda mais linda radiante desse jeito. — seu elogios pareciam não ter fim.
— Eu tenho que ir, preciso buscar Robin.
— Nós vemos por aí. — eu tinha certeza que sim.
Me teletransportei para casa de Regina e assim que a fumaça se desfez fui brindada com os olhos fascinados e admirados de Robin.
— Mamãe! — gritou correndo para me abraçar.
Peguei minha pequena no colo a abraçando apertado e enchendo seu rostinho de beijos. Apesar ter tido a mente ocupada durante a viagem com coisas diferentes, minha pequena ervilhinha era sempre presente em minha cabeça e coração e mesmo que tivesse sido apenas um pouco mais de um dia de afastamento já estava com saudades.
— Como foi ficar com a tia Regina? — questionei olhando pela primeira vez para minha irmã que estava da porta da sala nos observando.
— Foi muito legal. Conheci a Rainha Elsa e ela fez boneco de neve para eu brincar.
— Que legal, meu amor. Agora vá pegar suas coisas enquanto eu converso com a tia Regina, está bem? — falei a colocando no chão.
— Tá bem. — respondeu rápido indo às escadas.
— Vejo que conseguiu o que queria. — o tom de Regina era descontraído, mas ela não parecia relaxada, sabia que eu estava brava.
— Por que nunca me falou da possibilidade de recuperar minha magia? Não confia em mim? — a mágoa era clara no meu tom de voz.
— É claro que confio. É só que no começo eu realmente ponderei sobre o que te devolver a magia poderia lhe causar, mudaria o caminho do seu futuro, mas depois percebi que de todo jeito todos nós estamos escrevendo novas histórias, então resolvi te fazer uma surpresa. — mesmo que ainda não fizesse muito sentido para mim ela parecia falar a verdade.
— Uma surpresa?
— Sim. Eu queria te dar como um presente em um momento especial, tipo semana que vem.
— Por que semana que vem?
— Porque quarta da semana que vem é o dia exato em que você desistiu da sua magia. Eu posso ser bem sentimental, Zelena. — pronto ela havia conseguido me desmontar.
— Você sendo fofa comigo não é muito comum. — comentei esquecendo por um momento que ainda estava brava com ela.
— Eu tenho meus momentos.
— Mas isso não muda o fato de que ainda estou chateada.
— Por que? — questionou cínica.
— Você me fez viajar com o Nook à toa!
— Não. Eu te dei um bom tempo a sós com um homem que claramente mexeu com você.
— Nós nos conhecemos ontem! Como ele pode ter mexido comigo?
— Um olhar já é o suficiente para mexer com alguém, por isso te dei a oportunidade de ter um intensivo com ele. — ela não estava nenhum pouco arrependida do que tinha feito.
— Eu não vou ficar discutindo com você sobre isso. — falei por fim, subindo atrás de Robin e deixando uma Regina com um sorriso divertido nos lábios para trás.
xxx
Estava de volta a minha casa. Robin já estava dormindo agarrada a um boneco de neve de pelúcia que insistiu que fizesse para ela e eu estava na cozinha tomando uma dose de whisky, tentando me convencer de que Nook não era uma opção viável de relacionamento, até que escutei um barulho na sala, fui até lá rápido achando que Robin havia acordado, mas não foi minha filha que eu encontrei.
— Zelena, não fuja de mim, não fuja de nós. — Nook falava como uma súplica.
— Ele está certo. — senti todo o meu mundo girar ao escutar a segunda voz, a voz dele.
— Você está morto. — sussurrei, sem ter coragem de encará-lo.
— Sim, estou. E hoje entendo que foi o melhor para você. — ele sabia que não ia me virar, por isso mudou sua posição ficando entre mim e Nook.
— Por que está aqui? — as lágrimas começaram a escorrer sem minha autorização.
— Porque você sofreu demais e parte desse sofrimento é minha culpa. Agora eu só te peço que não tenha medo de ser feliz. — falou se aproximando e tomando minha mão onde depositou uma flor sem vida.
— Hades. — eu não sabia mais o que falar.
— Adeus. — se despediu desaparecendo em uma cortina de fumaça azul.
— Então, você dará uma chance para nós? — Nook questionou aflito.
Não tive tempo de responder ou pensar, pois despertei com coração acelerado e lágrimas nos olhos. Tudo não passava de um sonho, pelo menos foi isso que eu pensei até abrir minha mão e ver a flor morta comigo.
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