New Side

3 Estátuas vivas


Parte disso cabe a mim. Estantes cheias do passado, prontas para fortaceler o presente. Pego o sonho, ao invés do pesadelo. Dessa forma o fruto que eu devo colher, não fica no galho, então posso admira-la um pouco mais, ao invés de sua trágica morte.
—Minhas escolhas.
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Todo seu sistema paralisou e ela apenas sentiu seu coração bater forte. Uma lembrança lutou para surgir novamente, porém ela não conseguia alcançar. Seu coração não parava um segundo. Umedeceu os lábios e franziu o cenho para sua reação.

É ele! Nossa! Ele está aqui?! Poxa, ele parece um anjo.

—Mas quem é aquele? –Perguntou para a amiga mais próxima de toda a sua vida, tudo que a jovem de longas madeixas e olhos cor de esmeralda sabia, Sophia também sabia. Elas eram confidentes.

Porém dessa vez Sophia se sentia abandonada, estava perdendo algum capítulo dessa história.

Aine olhou com uma careta para a amiga. Ela se perguntou se Sophia estava sóbria. Balançou a cabeça em um sinal claro de desistência e buscou um caderno dentro da própria mochila, se enterrando nos estudos.

Sophia não conseguia tirar os olhos da imagem esguia do garoto sentado a algumas cadeiras de distância. Ela analisou melhor os cabelos cacheados de uma tonalidade estranhamente azul.

Ele estava com um pequeno papel em uma mão, uma caneta grossa na outra. Sophia se deu conta de que o jovem encantadoramente estranho, era um aluno.

Ela não entendeu mais nada.

Ele ainda estava com o sobretudo, e ela agora viu que diferente do resto da classe que calçavam tênis nos padrões azuis ou pretos, ele usava botas negras de cano alto.

—É sério! Quem é ele? Eu nunca o vi aqui. –Sophia repetiu em um murmúrio.

—Como assim? É o nosso amigo, Sophia. –Aine falou enquanto anotava algo em seu caderno.

Sophia olhou para a amiga com o cenho franzido. Ela não estava lhe entendendo, ou melhor, não estava acreditando em suas palavras.

—Eu realmente não faço a mínima ideia de quem é ele. -A morena insistiu confusa com toda a situação.

Aine a olhou como se ela tivesse acabado de presenciar uma cena sangrenta. Sophia levantou uma sobrancelha pra ela.

—Soph. Você está bem mesmo? -Aine tinha esticado uma mão para tocar a testa da outra, porém parou ao perceber um leve sopro de riso da amiga. Sophia debochou da reação exagerada da amiga, o que fez Aine pensar que ela estava fazendo algum tipo de brincadeira.

Sophia nunca falou tão sério. Entretanto, havia uma coisa que ela não entendeu.

Por que Aine não respondeu simplesmente o nome dele?

—Eu não estou brincando, mas acho que você está. -Sophia falou, respondendo a expressão desconfiada de sua amiga. -Qual é o nome dele? Ele é novato? Transferido? Eu realmente estou por fora.

Sophia se sentia extremamente curiosa sobre a situação. Ela sentia um desentendimento acontecendo.

—Essa foi boa agora. -Com um movimento rápido Aine jogou uma borracha em direção ao garoto misterioso. O objeto caiu ao seu lado, no chão.

Por dois segundo o jovem não se mexeu, mas com uma velocidade deslumbrante ele olhou para trás, diretamente para Aine.

Sophia mal percebeu quando a amiga falou com o rapaz, pois sua atenção estava agora toda centrada em um único ser, e em toda sua magnitude.

E ele era tão, mas tão belo. Seus olhos brilhavam mais que tudo, em um azul ciano e hipnotizante.

Sophia sentiu. Como se fosse uma onda de fogo, subindo pelo seu peito. Uma lembrança vaga surgiu então. Um pássaro. Em um lugar bastante claro. Seu cenho franziu pela lembrança estranha.

—Ela disse que não se lembra de ti. Acordou engraçadinha hoje. Da pra você? -A voz de sua amiga era distante. Era como se Sophia estivesse em outro universo.

O jovem olhou um momento para Aine, e em um veloz segundo seus olhos estavam fixados nos de Sophia. A mesma mantinha uma expressão confusa, mas não pôde deixar de se sentir afetada pelo olhar penetrante.

Dois dedos foram erguidos pelo jovem e misterioso garoto, o que chamou a atenção de Sophia. Um dos brancos dedos esguios possuía um grosso anel. Pedras brilhantes brancas podiam ser vistas de longe pela garota.

A jovem menina observou com curiosidade e confusão, quando o garoto começou a girar o dedo indicador e o médio. Foi quase automaticamente, que Sophia perdeu o fôlego. Seus pulmões pareceram ficar fora da caixa. Ela entrou em pânico e olhou ao redor assustada com sua reação.

Não foi a melhor ideia. Quando mirou sua atenção na jovem e alegre amiga, viu que ela estava paralisada. Mais imóvel que qualquer parede.

Sophia tentou falar com sua amiga, porém a voz não saiu. O fôlego não era o suficiente. Ela estava assustada.

Olhou em volta, como se em busca de ajuda. Porém mesmo com os sentidos incoerentes, ela conseguiu se dar conta de uma sala completamente petrificada.

Várias estátuas eram as pessoas de poucos segundos atrás.

Sophia pulou da cadeira em um susto. Respirou fundo quando sentiu a tontura. Pediu ajuda aos senhores dos céus para que não desmaiasse ali mesmo. Ela sentia que estava enlouquecendo. Em um segundo estava tudo na maior paz, agora tudo parecia virado ao avesso.

Sentiu-se fora de seu corpo. Agora ela era mais como uma espectadora, bastante nauseada por sinal.

—Eu não uso drogas. -As palavras saíram incoerentes de seus lábios. -Uso? -Sophia se assustou com o assovio de um pássaro. O som ecoou na sala, como um enorme eco.

Olhou para os pontos da sala. Todos ainda estavam petrificados. Foi então que ela percebeu que existia uma exceção.

O garoto exuberante de antes estava com os olhos grudados nela. Uma das mãos ainda estava erguida. Ele estava girando o grosso e brilhante anel em um dos dedos da mão direita, o objeto brilhava com um suave tom cristal.

Quando o jovem se moveu levemente, como se flutuasse no chão, a menina pareceu estar ainda mais sem ar.

Sophia observou petrificada pelo desespero e confusão, o jovem misterioso se aproximar em um passo elegante, suas mãos centradas em frente ao seu corpo.

Ele estava bem na sua frente agora. A garota ergueu os olhos para observar o belo jovem. Suas íris tinham um leve brilho, eram como duas bolas de cristal.

—O que está...- Sophia tentou falar, porém só conseguiu ficar mais ofegante. Ela estava entrando em desespero.

—Meus anjos! Você está passando mal? -A voz do garoto era melódica, com um arranhar rouco ecoando. Sophia sentiu as mãos tremerem, não soube dizer se pela falta de ar, ou por causa da magnitude garoto.

Tentando processar a pergunta, Sophia puxou uma longa lufada de ar para poder respondê-lo, mas nada parecia entrar em seus pulmões. Era como se não existisse mais oxigênio. Ela se perguntou se morreria bem ali.

—Vou nos esconder. Precisamos conversar. -Sophia mal absorveu as palavras melodiosas do jovem a sua frente, quando sentiu duas mãos firmes lhe erguer.

O garoto lhe pôs nos braços, Sophia mal sentia o balanço da caminhada. Ela passou pelos seus amigos paralisados, se perguntando o que estava acontecendo, que truque da mente era aquele. Porém em um curto segundo depois ela não pôde enxergar mais nada além da imensa escuridão.

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Notas finais
Minha santa Maria! Ela desmaiou! OK ela está bem sabe. Espero que estejam gostando ♥ Até sexta que vem!