New Side
4 De frente para o céu
Não importa o dia, a hora, o local. Você verá o noticiário e perceberá que o mundo está se auto-destruindo. Todos estão perdendo a capacidade de enxergar o bem e o bom acima de tudo.
Somos a notícia.
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Com um grande suspiro Sophia acordou. Porém seus olhos se mantiveram fechados. Ela queria prolongar as nuvens de seus sonhos. A garota estava se sentindo tão bem.
A sensação em seu peito era acolhedora, era uma enorme paz. Uma imensa alegria que a fez sorrir. Um largo e pleno sorriso, vindo do fundo de sua alma.
Ela estava se sentindo plena. Era o céu, um lindo e aconchegante céu.
Porém sua paz durou só até a próxima lufada de ar. Uma onda de ódio perfurou seu peito, queimando como ácido. Ela começou a chorar antes que qualquer consciência do que estava acontecendo pudesse surgir.
Sophia tentou se sentar, porém sentiu mãos em seus ombros a forçando a permanecer deitada. Ela se deixou levar, mas os olhos cheios de lágrimas se abriram, a mostrando que não estava mais dormindo. As gostas salgadas antes presas pelas pálpebras, caíram pelos dois lados de sua face, levando embora os sentimentos devastadores do peito.
A jovem estava tentando entender o que acontecia ao redor, porém a única coisa que se deu conta fôra de estar deitada, encarando um belo anjo. Ela até podia ver um brilho atrás de sua cabeça, o rodeando como uma prova de sua pureza.
O encantador anjo lhe encarava com tamanha intensidade, que Sophia sentiu como se ele pudesse ler seus pensamentos claramente. Ela estava se perguntando o por quê de estar deitada nos braços de um anjo. E como mesmo de cabeça para baixo ele poderia ser tão belo?
—O que aconteceu? -Sophia se questionava se havia morrido.
Porém o sorriso doce do jovem que lhe encarava de cabeça para baixo, fez a calma imperar na alma de Sophia. Suas emoções estavam sendo facilmente manipuladas.
—Você desmaiou. A paralisação dos chácaras, não foi muito saudável pra você. — As palavras saiam em um ritmo suave, como se falado vagarosamente, para que a garota confusa em seu colo, pudesse absorver os fatos. Ela não conseguiu muito bem, sua cabeça estava confusa ainda. -Me desculpe, eu não lhe esgotarei fisicamente e psicologicamente da próxima vez.
Com um sorriso imensamente arrependido o garoto acariciou a linha da têmpora da jovem, a mão lhe causando novamente uma sensação maravilhosa, de paz. Sophia apenas encarou de volta o ser magnifico acima de si.
—Você não consegue se lembrar de nada do que aconteceu? -O jovem garoto analisou intensamente os olhos escuros de Sophia. Ela o encarou de volta, porém não respondeu. Ela não conseguiu processar a pergunta. -Nós ainda estamos no seu colégio, mas precisamos sair daqui logo. -Quanto mais ele falava, mais ela se sentia em outra órbita. Era como se sua alma estivesse saindo do corpo, ela só podia ouvir a voz dele no ar.
O maior esperou com apreensividade que ela respondesse. Os olhos do belo garoto estavam agonizados, ele se sentia mal. Ele esperava que a garota não ficasse traumatizada e entrasse em choque. Mas ao invés da garota responder o que ele esperava, ela soltou em um suspiro uma pergunta que pensara desde o primeiro momento em que abrira os olhos.
—Você é um anjo? -Sua voz soando bastante séria para uma pergunta incomum.
Ela estava esperando um possível "Sim". Na verdade ela estava certa que ele diria isso. Porém o maior apenas balançou a cabeça levemente, fazendo os cachos de seus cabelos se moverem graciosamente, a cor vermelha se espalhou pelo rosto de Sophia. Ela estava se sentindo atacada emocionalmente de uma forma enlouquecedora. O garoto franziu o cenho para a expressão afetada da outra.
—Não, porém posso lhe garantir que tenho uma grande amizade com meu anjo da guarda. -O sorriso do jovem era estonteante. Ela sentiu-se abalada novamente, sua mente estava preenchida pela imagem do outro.
Com um olhar rápido para cima, além do anjo- não anjo- Sophia percebeu um movimento. Asas.
Em um milésimo de segundo ela cogitou a ideia de serem do maior, porem não eram grandes o suficiente para pertencerem ao jovem magnífico que acariciava sua sobrancelha com a ponta dos dedos.
O toque era tão suave, a garota apenas pôde sentir por conta da carga elétrica vinda dele. Seus ossos da face doerem de uma forma deliciosa, levando sua atenção de volta ao garoto.
Ela sentiu uma estranha necessidade de levantar os dedos e acariciar o rosto do jovem, mas ao mesmo tempo sentiu algo surgir em sua mente. Confusão.
—Quem é você? -Ela mal percebeu que era sua voz sendo pronunciada, as palavras simplesmente escaparam. O rosto do garoto ficou comicamente surpreso. Ela não havia pensado em perguntar aquilo, porém ao saírem de seus lábios e pairarem no ar, ela sentiu a necessidade de realmente saber aquilo.
Em um susto ela se lembrou dele, ou do rosto dele assim por dizer. Ele era um estranho. Antes de ter caído na escuridão da inconsciência, ela lembrou de tê-lo visto com um penetrante olhar para ela. As mãos estendidas, um grande e brilhante anel em uma delas. Tentou se sentar pela segunda vez, e o garoto permitiu, tirando suas mãos de perto da jovem. Ele percebeu como a garota ficou alarmada de repente, provavelmente ela havia finalmente acordado para a realidade do momento.
Com olhos rápidos Sophia analisou o local. Ela realmente ainda estava no seu colégio. Lutou para localizar em qual parte estava. Sua cabeça doía.
Ela estava em sua sala de aula. Deitada no fundo dela para ser mais precisa. Tentou se levantar porém suas pernas eram pura gelatina. Ela não conseguiria se reerguer sem ajuda.
—Quer que eu te ajude? -Uma suave voz, melodiosa, acompanhou seus pensamentos. Sophia olhou para trás e o estranho e belo garoto estava de pé, uma mão esguia estendida em sua frente.
—É... Por favor. — Deu as mãos para o jovem e com a força do outro, não precisou fazer esforço para se levantar. Entretanto ao tentar caminhar suas pernas ficaram bambas e seus joelhos quase se dobraram, se não fosse por uma mão forte em sua cintura, ela cairia no chão. -Valeu. -Ela pode escutar uma leve resposta do outro.
Sophia se sentou em uma cadeira próxima e olhou com os olhos estreitos para a sala. Ela percebeu que tudo estava normal, porém ela lembrou de ter visto algo diferente antes de apagar.
Todos estavam normais, sorrindo, brincando. Sua amiga estava em um canto da sala, onde ela mesma costumava se sentar também. Lembrou-se então de uma imagem estranha e inacreditável de Aine petrificada e gritou para a amiga.
—Aine! -Sophia sentiu sua cabeça um tanto quanto aérea e fechou os olhos por um instante. Ela não podia se lembrar claramente do que havia acontecido antes de apagar, apenas de ver as estátuas vivas. Isso era perturbador.
Olhou para a amiga novamente e percebeu que a outra continuava sua conversa inabalada. Talvez ela não houvesse lhe escutado. Ela tentou se levantar, mas suas pernas cederam antes que ela pudesse se erguer por inteiro.
—Nossa... O que houve comigo? -A pergunta foi soprada para ninguém em especial. Sophia apenas pensou alto, irritada com sua condição, repentinamente alarmante.
—Você teve uma crise de asma. -O jovem falou. Seu rosto estava bastante sério, mas mesmo assim sua beleza celestial não foi abalada.
Sophia estava se sentindo irritantemente confusa com a situação. Ela simplesmente apagou e agora estava cara a cara com um garoto de feições incrivelmente perfeitas, tão irreal que ela estava se sentindo em um sonho. -Pelo amor de Deus. Você sabe o que aconteceu aqui? Me perdoe eu não lembro seu nome. -Sophia lembrou do que sua amiga falou. A afirmação de que ela estava brincando, ao afirmar que não sabia quem era o garoto de madeixas azuis. Sophia não estava mentindo em momento algum.
—Não era para você lembrar. -O jovem e bonito garoto falou com um sorriso desenhando na face. Sophia reparou como os cantos de seus lábios se esticavam graciosamente. — Eu nunca te disse. — Nesse momento Sophia se deu conta de que não estava enganada. Ela realmente nunca o vira em sua vida. Ela lembraria com certeza.
—Mas todos te conhecem. Por que eu só o vi hoje? -As palavras de Sophia foram involutórias novamente, ela se sentia estranha perto do outro jovem.
—Ninguém aqui me conhece. Esse é o primeiro e provavelmente último dia que apareço aqui. -O outro falou enquanto andava para perto de Sophia. Sua mão erguida para frente, o anel de que a menina se lembrava de ter visto estava em seu dedo brilhando, tão forte como antes. -Fique parada por uns minutos, por favor. -O outro pediu por cima do ombro e passou direto por ela.
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