New Romantics — Interativa
1 O Fardo da Rainha
Notas iniciais
Kendra respirava forte, tentando não se alterar. Acariciava o cabelo cacheado do filme mais novo, adormecido em seu colo. Na almofada ao lado, a filha do meio também dormia, resmungando.
Evelyn, Callie e Evan. Em ordem de nascimento.
No chão, a sua primogênita se remexia. Tinha cedido seu lugar no sofá para que os irmãos pudessem aproveitar o filme que assistiam sem preocupações. Havia muito tempo — desde que Stephen, o antigo rei e marido de Kendra, morrera — que sua mãe não fazia atividades caseiras com eles.
A mulher sorria ao ver que eles estavam descansando. Ao contrário dela, que exibia rugas de preocupação no rosto, resultado das noites em claro planejando o futuro de Illéa.
— O que a senhora tanto está pensando, mãe? — Callie perguntou, com os olhos brilhando, desperta. Ela era a cópia feminina de Stephen. A mais velha sorriu, tentando passar uma imagem tranquila.
— Sobre a seleção de Evie. Estou com medo que tenhamos problemas com o povo... — apertou os lábios. A homossexualidade de sua filha mais velha não era nada muito absurdo entre a família. A rainha se assustou quando viu que mais illeanos do que ela pensava terem a ideia antiquada de que homem era feito para a mulher e vice-versa.
— Mãe, relaxa. Vai dar tudo certo. Todo mundo ama Evie. Logo, logo, as suas maiores preocupações vão ser acordar Evan na hora certa e se certificar que Evelyn não vai destruir o pais, do jeito que ela é. — soltou um risinho, mesmo vendo que a mãe não tinha gostado da gracinha. — Ai, mãe, é uma brincadeira. Só queria descontrair.
Kendra manteve a postura inabalável e colocou um sorriso calmo no rosto, como sempre fazia. Era parte do seu trabalho como mãe e rainha. Apesar de, mais do que deveria, confundir um com o outro.
— Claro que vai, meu amor. Enquanto seus irmãos estão dormindo, vou aproveitar para trabalhar um pouquinho, não posso deixar o país um minuto parado, você sabe. — deu um beijo na testa da filha, se levantando para pegar os documentos e depois voltar a sala.
Deu uma olhada para sua bolsa jogada na mesa, pensando em todos os fracos de calmantes vazios que estariam lá dentro. Talvez era melhor assim, mesmo sabendo que tantos medicamentos a deixaria anestesiada e provavelmente não raciocinaria mais nada o dia todo. Para ser uma boa rainha, além de otimista, também deve ser um pouco mentirosa.
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