New Perspective
18 She's Kinda Hot - 5SOS
Notas iniciais
— Acho que está na hora de você cortar o cabelo. No Sul eles usam o cabelo sujo de tinta e gesso também? Pensei que eles eram muito superiores pra usar tinta de cabelo. — João disse e Julia riu. Anna estava falando no celular enquanto eles entravam na BMW prateada desnecessária.
Quando seus pais deram o presente de 18 anos para Gabe, Julia achou que ao invés daquele exagero eles iriam dar um apartamento perto da faculdade, mas sua aposta de 20 reais com Gabriel foi falha e ele ganhou uma BMW brilhante e que realçava seus olhos verdes. Era irritante ver que o ego do seu irmão era apenas mais elevado cada vez que ele entrava naquele monstro.
— Vejo que mesmo que as estrelas caiam e a Lua case com o sol, você continua sem vergonha na cara, João. Acabei de ver uma nova construção do papai antes de vir pra cá. É ótimo te ver também. — Ju abraçou ele com todas as suas forças. Queria guardar ele em um potinho e não deixar ele voltar para a faculdade nunca mais. Entretanto sabia o que Gabriel achava daquilo. O cheiro dele era de casa.
— Senti sua falta, pequena Miss Sunshine.
— Por favor, meninos, se cumprimentem direitinho, igual a rapazinhos. — falou, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. João e Gabriel tinha uma capacidade incrível de trocar foras e uma infinita quantidade deles para usar. — Vamos pedir comida ou quer ir ao Subway?
— Bem, veja o que a Anna quer.
Anna estava ainda no telefone, falando algo sobre Arrow e rindo de alguma coisa. Seus cabelos curtos estavam escapando do rabo-de-cavalo que havia feito e seu vestido florido soltinho tinha uma pequena mancha de molho do cachorro quente que Julia havia deixado cair.
— Ah, Ariel, espera só um segundo. — colocou a mão no telefone e olhou para eles com as sobrancelhas franzidas. — O que foi?
Gabe, com seus cabelos loiros e bagunçados se virou no banco, quando pararam no sinal, para olhá-la. Julia tinha impressão de que algo nele estava estranho e mudado. Seus olhos meio inquietos e procurando por algo. O sorriso irônico de Julia estava estampado no rosto de Gabriel quando ele se virou.
— Primeiro, desligue o celular; segundo que é muito bom te ver também, e terceiro, queremos saber aonde você quer ir comer.
E então, se você quer ser amiga de Anna, entenda que apesar de toda a timidez e meios sorrisos sem graça, ela não é uma pessoa que pode ser chantageada e mandada.
— Primeiro: você não manda em mim, segundo que eu não ligo muito para você está feliz em me ver ou não, e terceiro... Vamos em algum lugar que tenha peixe. — Ju se sentindo em meio a uma partida tensa de futebol, como quando o seu time e de Gabriel jogam juntos.
— Você está surpreendente firme com essa dieta, amiga.
— Bem, as coisas que nos fazem mal temos que largar de mão, João. — uma piscadela quase fatal foi direcionada a Gabriel e seu irmão sorriu, arrancando quando o sinal abriu.
Gabriel tinha muitos sorrisos. Sorrisos de quando queria pedir algo ao seus pais; sorrisos para quando fazia merda; sorrisos para consolar sua irmã e sorrisos para as festas que seus pais promoviam. Haviam muitos outros, mas ficaria o dia todo listando-os.
Porém aquele que estava no seu rosto era o mais encantador de todos. O sorriso que era sua herança, sorriso que saía estampado em todos os jornais quando os filhos do governador saíam na rua, ou quando seus pais ganhavam alguma coisa no trabalho. Um sorriso que estampava desafio e vitória.
Anna começara aquele jogo, mas se bem conhecia os dois, seria o jogo mais sujo de todos os tempos.
***
Lay estava a ponto de entrar na lanchonete que havia em frente ao salão quando viu. Linda, brilhante e barulhenta. Sua boca salivou e ela já sabia o que tinha que fazer.
Logo mais a frente na calçada que ela estava andando com Renato um moço bem velhinho estava vendendo cocada. Lay se sentiu uma grávida por estar com tanto desejo de comer aquele coco queimado com leite condensado em cima, mas não se importou.
Re, que estava inquieto durante todo os momentos que eles foram no salão para ela ficar com os cabelos loiros e depois irem comer sorvete na lanchonete, já que ela havia feito ele esperar aquele tempo todo. Não que ela se sentisse culpada. Achava que era até um tipo de tortura a se pensar para futuras situações perigosas.
— Você não acha que cocada deveria ser considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo? — Lay perguntou.
— Depende.
— Depende do quê?
— Depende porque é uma coisa relativa. Eu gosto de cocada, mas não gosto de cocada o tempo todo. Mas as 7 Maravilhas são lindas e todo mundo gosta delas o tempo todo.
— Eu não gosto da Muralha da China o tempo todo.
— Faz parte das 7 Maravilhas?
— Não faço ideia. Mas é uma construção que você não pode conhecer toda em um dia. Mas também não pode ficar lá e conhecer tudo. Assim não tem graça.
— Quem foi que inventou essa coisa de 7 Maravilhas? É tipo a premiação para escolher a melhor música do mundo.
Lay inclinou a cabeça e entendeu o porquê de ter começado a gostar de Renato. Não era possível que uma pessoa sã não enlouquecesse quando estivesse na companhia de Re. Ela deveria ter ficado desse jeito por causa dele. A questão era que Lay sabia que ele era como um Beija-Flor: em um momento estava ali e noutro, havia se perdido.
— Deveríamos fazer nós mesmos a lista das 7 Maravilhas do mundo. — Lay disse, e Renato sujou o canto da boca com o leite condensado que escorria no guardanapo.
— Não sei se dará certo.
— Mas você pode escolher a primeira.
— Então vamos começar. Primeira Maravilha: Laís. — Inevitável naquele momento foi suas bochechas corarem. Sentiu vontade de abraçá-lo ali, mas estavam mantendo as coisas em sigilo.
— Por que eu?
— Já que estamos nos baseando em coisas que a gente gosta o tempo todo, e não deixa de gostar em nenhum momento, acho que você se encaixa perfeitamente na primeira Maravilha. E em todas as outras seis.
Lay poderia morrer ali de um ataque no coração, por isso, disse a primeira coisa que veio em sua cabeça para o menino bochechudo e sorridente na sua frente.
— Quer dormir na minha casa hoje?
***
Mari queria dizer que sentiria falta ou que não via a hora de eles voltarem logo, mas ela não gostava de mentir. Das coisas desnecessárias no mundo, uma delas era a mentira, entretanto, se todas as pessoas falassem a verdade, o mundo estaria mais destruído do que o rio Tietê.
— Traga camiseta e caneca quando voltar, mãe! — disse, quando eles entraram no carro. Luan estava ao seu lado, acenando levemente com a cabeça.
Os pais de Mari viajariam pra algum lugar e só voltariam depois da viagem de Outono. Mari se via de férias das constantes cobranças de sua mãe e livre das arrogâncias de seu pai durante esse curto espaço de tempo, por isso não conseguia dizer se sentiria falta ou não deles. Mas a resposta mais provável era não.
Ela queria se sentir culpada, contudo também não era capaz de sentir isso. Era quase um gelo em seu peito que ás vezes pesava, mas não fazia muita diferença.
— Já sei. Luan, cuide bem dela. Sua avó virá toda quarta-feira para te ver. Não faça nada que nós não faríamos.
Luan riu da fala do pai da garota, que apenas assentiu, rolando os olhos. Eles fariam muita coisa que Mari com certeza não chegaria nem perto de realizar.
Mandaram beijinhos ao vento enquanto o carro ia se afastando com os cabelos cacheados de sua mãe voando e seu braço acenando.
— Tchau, pai, mãe. AMO VOCÊS! — e o carro havia virado a esquina.
— Vamos entrar e fazer chocolates. Eu estou morrendo de fome...
Enquanto ela tirava as sapatilhas e Luan ligava a televisão em algum noticiário que falava sobre Nova York, contando sobre uma garota de cabelos brancos que havia roubado um museu. O mais estranho que ela havia roubado uma luva, tipo, uma luva do século passado. Surpreendentemente idiota.
Mari estava procurando o achocolatado quando seu celular tocou.
— Mari sem Ana falando. Quem é? — era, claramente, Julia. Mari não hesitou ao colocar o celular no viva-voz para Luan ouvir o que estava acontecendo da sala.
— Sou eu, amiga. Anna me arranjou um encontro. Ela acha que realmente eu posso ver gente depois de tudo o que aconteceu hoje. Não sei como ela consegue me convencer desse tipo de coisa.
— Não sei como você ainda duvida que Anna pode fazer de um tudo pra você ficar bem. Sabe como ela é, então ou você vai, ou você vai. Não tem muitas opções.
— Eu queria ir, mas ao mesmo tempo não queria. Me parece que não é certo.
— PARE DE GRAÇA E VÁ LOGO! VOCÊ PENSA DEMAIS! — Luan gritou e Mari podia ver Julia mordendo o dedão enquanto pensava, em sua estufa. Julia conseguia ser previsível às vezes.
— Tudo bem. Ai meu Deus, tudo bem. Falo com vocês mais tarde. Tchau, gordos.
— Tchau. — disseram em uníssono. Logo Luan invadiu a cozinha, se sentando na bancada, e olhando para Mari. Aquele olhar.
— Você sabe o que isso quer dizer, não é?
Mari franziu as sobrancelhas e assentiu levemente, olhando para o brigadeiro no fogo. Ela deveria ter feito o de microondas, mas aquilo não fazia a menor diferença agora. A metáfora por trás dessa situação era quase impossível de se ignorar.
Aquilo queria dizer a simples realidade que nenhum deles queria encarar desde que aquela tarde no parque: a Semana havia chegado e em algum momento Anna e Gabriel iriam começar um espetáculo digno de um livro. Mas agora as coisas estavam diferentes e Mari reconhecia que Anna estava cada vez mais forte e independente. Ela iria conseguir.
— Isso vai ser interessante. — Luan disse, quebrando a linha de pensamento de Mari. Quando ela o olhou de novo, sorriu com seu amigo. Ele provavelmente ficaria ali a semana toda, para que ela não ficasse na "bad", segundo a Julia, já que a própria não poderia ir por causa de Gabriel.
— Você não conhece nem metade da história. Vai se surpreender com a quantidade de coisas que podem acontecer em apenas uma semana. — e desligou o fogo antes que o cheiro de queimado subisse.
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